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4.1 K RIGEN MELLOM I SRAEL OG H EZBOLLAH I 2006

4.1.3 Vurderinger av funn

Segundo dados fornecidos pelo IVBAM, nos anos 2004/2005 foram ministradas algumas acções de formação na área dos embutidos, tecelagem, bordado Madeira, curso de tapeçaria. Formalmente, estas foram da responsabilidade da Associação dos Produtores de Bordados, Tapeçarias, Artesanato e Obra de Vimes da Madeira e não do IBTAM, que por questões de financiamento não constava como parceiro. No entanto, a maior parte dos recursos necessários pertenciam ao IBTAM.

135 Mais recentemente entre os anos de 2006 e 2008, o IVBAM desenvolveu o projecto "Artesanato da Madeira com Futuro" que visava colmatar as necessidades de formação, detectadas em anteriores diagnósticos, nos sectores do bordado, tapeçarias e vimes da RAM. Este projecto abrangeu as seguintes acções de formação, com os seguintes público- alvo:

Designação do Curso Nº de

Formandos

Nº de

Acções Público-Alvo

Sensibilização dos Profissionais de

Turismo 119 7

Profissionais de Turismo

Sensibilização para a Mudança 31 2 Formação de Formadores em Técnicas

de Bordado Madeira 13 1 Bordadeiras; Mulheres Desempregadas Valorização da Actividade de

Bordadeira 69 4 Bordadeiras; Mulheres Desempregadas Valorização da Actividade do Artesão 0 0 Artesãos; Jovens Desempregados Inovação Organizacional 0 0 Empresas Produtoras Sensibilização dos Proprietários dos

Pontos de Venda 29 2 Proprietários dos Pontos de Venda Dinamização dos Pontos de Venda -

Proprietários 10 1

Proprietários dos Pontos de Venda;

Dinamização dos Pontos de Venda -

Colaboradores 22 2 Colaboradores dos Pontos de Venda Formação de Empreendedores

8 1

Jovens com Formação Superior em Gestão e Design

TOTAL 301 20

Tabela 6: Projecto de formação do IVBAM de 2006 a 2008

O Projecto contou com 301 formandos, dos quais 248 (82%) eram do sexo feminino e 53 (18%) do sexo masculino. Destes, 261 (87%) encontravam-se empregados e 40 (13%) em situação de desemprego. Em relação às habilitações literárias, predominava o ensino básico e secundário.

Actualmente, o IVBAM não está a desenvolver nenhuma formação nessas áreas, estando contudo prevista a realização de acções de formação na área do artesanato, nomeadamente introdução às técnicas de madeiras e cerâmicas. Infelizmente, esta entidade

136 não tem realizado, nos últimos tempos, projectos de actualização do artesanato ou parcerias entre artesãos e designers, estilistas, arquitectos, decoradores e empresas. Em relação aos projectos dedicados ao empreendedorismo, destaca-se a formação para empreendedores referida na questão anterior.

O projecto de formação referido, anteriormente, desenvolvido pelo IVBAM constituiu uma medida importante para o sector das artes e ofícios, na Madeira. Acções como estas devem ser repetidas, no entanto com outras áreas de formação e tendo em atenção a distinção entre artesanato tradicional e artesanato contemporâneo. Os actuais artesãos necessitam de outras ferramentas que lhes permitam enfrentar o mundo actual que lida com a imagem, a era digital, a globalização.

Uma das alterações observadas no sector do artesanato diz respeito ao modo de transmissão do saber, que já não se verifica apenas de pais para filhos, mas sim através da formação. Segundo Ana Pires (2004: 2), se avaliarmos as vantagens e os custos do “saber” percebemos que “o ganho é total, pois a aquisição de novos saberes e competências nem sequer custa "espaço", trata-se de uma riqueza que não preenche silos, não ocupa armazéns, não se encontra em cofres e, como tal, não arde, não se perde numa cheia, não se gasta.”

A formação é importante em qualquer área profissional, no entanto na Madeira esta não está suficientemente cimentada no que concerne ao sector das artes e ofícios. E não devem ser apenas os artesãos ou aspirantes a artesãos a ter formação nas áreas artesanais, mas também os lojistas e responsáveis pela comercialização do artesanato. Para Felgueiras (2006: 36), os intermediários e os lojistas bem informados têm um papel fundamental, não só na venda e escoamento dos produtos, mas sobretudo na informação correcta sobre os produtos, os seus processos, a sua história.” Uma mediação eficaz entre produtor e consumidor é, portanto, importantíssima.

O CEARTE é, para mim, a escola por excelência de artes e ofícios em Portugal. É um centro de formação com sede em Coimbra, mas a sua intervenção estende-se um pouco por todo o país, embora com grande incidência na Região Centro. Uma vez que na Madeira existe uma lacuna considerável em formação nesta área, uma das minhas sugestões seria o estabelecimento de uma parceria entre o IVBAM e o CEARTE, de forma a serem

137 implementadas acções de formação em diversas áreas do sector do artesanato, na Região185.

Poderia ser criada uma escola de artes e ofícios na Madeira e esta teria como bases a inovação, através da introdução de novas tecnologias (técnico-artísticas), do estabelecimento de parcerias (com empresas, associações profissionais, associações artísticas e culturais) e da integração em projectos de formação e desenvolvimento profissional. Esta formação seria fornecida a todos os interessados, aos actuais artesãos, aos lojistas e apreciadores de artesanato e aos jovens que quisessem escolher a profissão de artesão. Estes cursos teriam equivalências ao 6º, 9º, 12º ano e formação pós-secundária, atendendo a que existe, desde 2003, uma Portaria de Aprendizagem para o artesanato que engloba 23 itinerários de formação (níveis 2, 3 e 4), aos quais correspondem 13 saídas profissionais186.

Nesta perspectiva, poderiam ser fomentadas parcerias entre designers e artesãos na Madeira, à semelhança dos projectos mencionados no capítulo desta dissertação “Tradição versus Inovação”, porque da parceria, da junção de saberes, da interdisciplinaridade crescem sempre frutos surpreendentes e inovadores.

Com a criação desta Portaria, o artesanato passou a dispor, segundo Vítor Gil (2004: 22), “de um instrumento propiciador do aumento de qualificação dos artesãos portugueses, ao mesmo tempo que as próprias unidades produtivas artesanais passarão a ser parte activa nos processos de formação, reinventando o seu papel histórico no que respeita à transmissão de saberes tradicionais”. Esta Portaria é, essencialmente, um programa que tem como objectivo qualificar candidatos ao primeiro emprego, “através de perfis de formação que contemplam uma tripla valência, reforço das competências académicas (…) aquisição de saberes no domínio científico-tecnológico e uma sólida experiência na empresa ou, no caso de artesanato, na Unidade Produtiva Artesanal.”

Um possível Plano de Formação a ser executado na RAM, na área das artes e ofícios, teria de conter disciplinas que preparassem o artesão para o mercado actual, como: Desenho e Design; Informática; Internet; Contabilidade; Gestão; Marketing e Publicidade; Eco design e Técnicas de Reciclagem; Segurança e Higiene no trabalho; Promoção, Venda

185O Director do CEARTE foi contactado, relativamente a este assunto, e a sua resposta foi “é só iniciar o

processo, com o envio de um mail dirigido a [email protected].

186 Cf. http://www.aarn.pt/fotos/gca/1124129596portaria_1193_03.pdf

138 e Embalagem; Património; entre outros. E teria de abranger, igualmente, várias disciplinas sobre a transformação matérias-primas, como: cerâmica; têxteis; madeiras; papel; vidro, entre outros. Esta acção terá de ter em atenção vários aspectos: o artesão terá de dominar a totalidade dos saberes e técnicas inerentes à actividade desenvolvida, assim como terá de possuir uma sólida formação teórica e artística, trabalhar com rigor de execução respeitando a tradição e simultaneamente estar propenso à inovação.

Outra ideia também ligada à formação seria criar uma bolsa de formadores que fossem ao encontro dos artesãos tradicionais que ainda laboram, com o intuito de registar os seus saberes. Estes formadores dariam formação a outros jovens e, assim, os saberes não seriam extintos.

Há uma nova atitude por parte dos artesãos que apostam na preservação e recuperação de velhos saberes aliados às novas técnicas, a novas formas de inovação, criatividade. Esta nova forma de ver as coisas deve ser incentivada, apoiada, incrementada pelas entidades competentes. Existe uma necessidade real de formação e o Estado deve actuar no sentido de “ensinar a pescar” em detrimento de “dar a cana de pesca”.