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A formação continuada de professores no âmbito da Educação Física, têm sido objeto de muitos estudos, debates e incógnitas, nos quais percebemos que muito do discutido em congressos e cursos remete ao fazer, à prática. Betti (1992) afirma que saber como ensinar movimentos não é o suficiente. É necessário que se tenham claras as razões do processo o que, certamente, implicará em posicionamentos de ordem filosófica, sociológica, política e psicológica.

Palma, J. (2001), ao estudar a formação continuada especificamente para a área, considera que o processo histórico da formação profissional em Educação Física aponta que ele tem-se fixado exclusivamente na técnica, no aprender a ensinar, ficando o aprender a aprender sem espaço neste processo. A essência talvez esteja na falta de intencionalidade em conhecer quem realmente vive essa dificuldade: os professores, como eles almejam essa proposta e como ela inferirá na explicitação dos saberes docentes.

Uma capacitação que envolva o professor com situações que o permitam refletir e pesquisar sobre o seu fazer pedagógico, tendo o seu cotidiano escolar e sua sala de aula como ponto de partida, como processo, e como ponto de chegada, contribuirá com o desenvolvimento profissional e com a construção de um projeto educacional (PALMA, J., 2001, p. 4).

Ainda segundo o autor, a Educação Física necessita acompanhar os passos evolutivos do meio em que se arraiga, correndo o risco de manter-se desatualizada frente aos ditames atuais, muito menos não pode ser moldada apenas nos arquétipos passados. É conciso repensar e reconstruir a área. Essa reconstrução, principalmente, deve nortear os profissionais que nela atuam. Em específico da Educação Física, faz-se necessário a mudança radical de postura, de encontrar meios e não somente fins. De especificar a ação docente e nela fazer acontecer o saber construído coletivamente.

Shigunov (2001) também afirma que, infelizmente, não existe no campo da Educação Física uma tradição profissional, uma associação de conhecimentos, idéias, citações comuns para a concepção de um discurso normativo. Ao contrário, existe uma cultura do consenso, englobando missão, objetivo, campo profissional, finalidades, conteúdos e procedimentos, além de um processo de formação de professores global, sem atender as suas particularidades. É uma miscelânea na busca de um ―discurso comum‖, o quer torna-se agravante se nos atentarmos que os maiores entendimentos foram suscitados afora do campo peculiar profissional da Educação Física. É a cultura do ―cada um na sua‖ em busca do melhor. E que melhor é esse?

É preciso valorizar a prática como fonte de aprendizagem através da reflexão e da investigação e promover as condições para a aprendizagem (recursos, tempo e oportunidades para aprender dentro e fora da escola), para que os professores se empenhem em processos de reflexão, colaboração e construção da profissão docente (MORAES; PACHECO; EVANGELISTA, 2003, p. 154).

A Educação Física anseia, num futuro próximo, por um docente, no sentido lógico da palavra, que realmente esteja preparado e se prepare para lecionar, que se caracteriza como um professor que conheça bem os conteúdos curriculares saiba planejar e desenvolva situações de ensino e de aprendizagem, estimulando as interações sociais de seus alunos e administrando com tranquilidade as situações específicas das aulas de Educação Física. Um professor que conheça, que aceite e valorize as formas de aprender e de interagir de seus alunos, comprometendo-se com a construção do saber desses indivíduos, bem como com o funcionamento eficiente e democrático da escola em que leciona. Um professor que valorize o saber produzido em seu cotidiano, que se empenha no próprio aperfeiçoamento e tem consciência de sua dignidade como ser humano e profissional. Um professor que compreenda os fundamentos da cidadania, que consegue utilizar formas contemporâneas de linguagem e domina os princípios científicos e tecnológicos que vigoram nos dias atuais. Um professor que não se atente apenas às capacidades motoras e como desenvolvê-las, mas que se atente ao ser humano que compreenda o seu próprio movimento.

Tornar-se professor é formar-se sucessivamente, num processo árduo, com muitas indagações e poucas respostas, muita dedicação e, sobretudo, investigação crítica, num mutável aprender a ensinar. Portanto, um professor que possua a instrumentalização necessária para o desempenho competente de suas funções e tenha capacidade de problematizar a sua práxis, refletindo criticamente sobre ela.

Palma, J. (2001), ainda em seu estudo sobre a formação continuada do professor de Educação Física, sintetiza tais atribuições em três qualidades, aqui compreendidas como imprescindíveis neste processo formativo do professor, como a formal (que é a habilidade para manusear meios, técnicas, instrumentos, utilizar procedimentos quando os desafios surgirem decorrentes do desenvolvimento), a

política (que é a competência do sujeito em se constituir participante ativo do

processo histórico da sociedade a qual pertence) e a social (compreendendo as normas, regras e regulamentos que servem para a organização de um grupo social, bem como os aspectos ligados à capacitação, traduzido como conhecimentos úteis para viver dentro dessa organização social).

Ao discorrermos sobre a formação profissional do professor – inicial e continuada – torna-se imperativo, nos atentarmos para a especificidade da profissão docente, que compreende singularidades que a distingue dos demais profissionais, não sendo suficiente somente possuir formação acadêmica, é preciso dedicação, degrau que não se alcança apenas pelo simples querer-ser, mas que só estará disponível quando há pacto deste profissional consigo mesmo, sob uma ação pautada pela ética e pelo compromisso de crescer tanto no plano profissional quanto pessoal. Assim, apresentaremos, no capítulo a seguir, as representações sociais que estruturam as compreensões dos professores acerca da formação continuada.

4 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA FORMAÇÃO CONTINUADA