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1.2 Natur i Norge (NiN)

1.2.4 Kystlynghei

A formação inicial dos professores é uma função que, progressivamente ao longo da história, vem sendo realizada por instituições específicas, por um pessoal especializado e mediante um currículo que estabelece a sequência e conteúdo instrucional do programa de formação. No entendimento de Garcia (1999), a formação inicial de professores, enquanto realizada dentro de uma instituição de ensino, cumpre três funções: em primeiro lugar, a de desenvolvimento e experiência de futuros professores, de modo a assegurar uma preparação condizente com as funções profissionais que o professor deverá desempenhar. Em segundo lugar, a instituição formativa tem a função de controle de certificação, ou permissão para poder exercer a profissão docente. Em terceiro lugar, a instituição de formação de professores tem a dupla função de ser, por um lado, agente de mudança do sistema educativo, mas, por outro, contribuir para a socialização e reprodução da cultura dominante. Portanto, a formação inicial é constitutiva e importante quando tratamos de formação de professores.

Porém, tendo a instituição de ensino superior uma formação orientada na necessidade de um conhecimento objetivo (PACHECO, 1995), ela acaba fornecendo apenas um lado prático no qual os conteúdos são apenas pincelados, surgindo, portanto, a necessidade da implantação, realização e a colaboração do poder público aos programas de formação continuada em serviço, assegurando aos docentes a possibilidade de adquirir a qualificação adequada exigida pelas leis vigentes no país. Portanto, após a graduação, o professor deve continuar buscando mecanismos de atualização, aprofundamento e construção de novos conhecimentos em prol de sua docência.

A formação de professores, em especial, precisa dar-se conta, com mais energia, das estruturas epistemológicas e de poder que ajuda a construir [...] É preciso que se ressignifique o sentido da prática, articulando-a com o da pesquisa. Nesse contexto, a teoria adquire um significado insubstituível (MORAES; PACHECO; EVANGELISTA, 2003, p. 78).

Segundo Costa (1996) a fase de formação inicial é o período durante o qual o futuro professor adquire os conhecimentos científicos e pedagógicos e as competências imprescindíveis para encarar adequadamente a carreira docente. Se esta fase de formação não promover a alteração das concepções prévias incorretas sobre a escola, os entendimentos do processo escolarizado que os estudantes transportam para o curso, exercerão uma influência permanente e decisiva nas suas crenças, perspectivas pedagógicas e comportamentos quando se tornarem professores.

Nesta especificidade, citaremos Isaia (2003) que assevera que a dimensão pedagógica é indispensável à prática de quem está vinculado à formação docente23. Por conseguinte, não basta somente ensinar conteúdos específicos, concernentes às distintas áreas do conhecimento, mas é preciso proporcionar o conhecimento de ser professor nestas e em outras áreas. Para a autora, essa formação deve ser de relevância para a universidade, mesmo diante da disparidade entre os míseros investimentos públicos e qualidade do trabalho científico e acadêmico. As IES24 com certeza sabem que não basta apenas formar, a cada ano, novos profissionais e entregá-los a um mercado que muitas vezes anseia por profissionais que vão além dos conhecimentos universitários. O compromisso da

23Neste estudo apresentaremos formação docente como o processo contínuo de formação de

professores para o exercício de suas funções.

universidade é social e ético, pois em suas mãos está o futuro de uma sociedade, haja vista que serão estes que conduzirão os novos passos da Educação Física. Portanto, os conhecimentos devem, gradativamente, irem ao encontro das reais necessidades. Goergen (2006) aponta que o compromisso social das universidades trata-se de uma prestação de contas à sociedade. No âmbito educacional, formar professores que realmente compreendam o seu papel na sociedade, e a partir disto, contribuírem com as mudanças sociais.

Compromisso social não significa que ela deva estar sempre a serviço dos interesses e exigências socioeconômicos do sistema vigente, seja para suprir suas incompetências, seja para aperfeiçoar seus procedimentos quando estes visam apenas o interesse e vantagens privados. Compromisso social da universidade significa, também, o exercício da crítica, da oposição e da resistência. Compromisso social não pode ser interpretado somente sob o aspecto operacional sistêmico, mas deve ter em vista, também, o contexto social mais amplo que envolve tanto a instituição de uma sociedade mais justa e igualitária, quanto à realização integral do ser humano como indivíduo e cidadão (GOERGEN, 2006, p. 68).

Vale ressaltar que as resoluções nº. 01 de 18 de fevereiro de 2002 e nº. 2, de 19 de fevereiro de 2002, ambas do Conselho Pleno do Conselho Nacional de Educação, ao instituir as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, bem como a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior, fundamentam legalmente o processo, ainda formatam o processo e legitimam a ação das IES, pois assim garantem que o futuro professor tenha uma formação inicial de qualidade, que lhe dê os alicerces necessários para o exercício da profissão docente.

Cesário (2008) avança nesta compreensão ao afirmar que o papel das instituições formadoras nas sociedades contemporâneas é de indicar com clareza para o futuro professor que conhecimentos são necessários para poder aprender a ensinar em diferentes contextos sociais e qual a relação entre o que ele aprende na licenciatura e o currículo que trabalhará nas escolas. Assim, devem se proporcionados subsídios para aproximar o que se aprende na formação inicial com o cotidiano escolar, lhe proporcionando os subsídios necessários para o exercício da profissão docente. Nishiiye contribui com essa reflexão ao afirmar que:

A formação inicial quando bem elaborada, proporciona ao estudante construir as primeiras concepções de ser professor, e por meio do estágio verificar a aproximação da sua aprendizagem com a realidade concreta, pelo início da assimilação do ambiente escolar, na cultura do professor, característica demográfica, limitação de tempo e espaço, do material e do número de professores (NISHIIYE, 2012, p. 36).

Face à complexidade da educação, a docência não pode mais ser vista e reduzida ao domínio dos conteúdos das disciplinas e à metodologia para transmiti-los. É constitutivo ao professor que saiba lidar com um conhecimento em construção, e que analise a educação como um pacto político, permeado de valores éticos e morais, que considere o desenvolvimento do ser humano e a cooperação entre iguais e que seja apto de coexistir com a mudança e com o improvável. Aprender a ser professor não é, portanto, tarefa que se conclua após os estudos de um aparato de conteúdos e de técnicas para a transmissão deles. Entendemos que o ser professor se consubstancia por meio de situações práticas que sejam efetivamente problemáticas, o que exige o desenvolvimento de uma prática reflexiva competente. Exige ainda que, para além de conceitos e de procedimentos, sejam trabalhadas atitudes, sendo estas consideradas tão importantes quanto aquele (MIZUKAMI; REALI, 2002).