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Vurdering og konklusjon

In document Ornamentikk og arkitektur (sider 71-80)

O Oralismo, o Gestualismo, o Bimodalismo e o Bilinguismo são as vertentes da Educação de Surdos presentes em embates desde seus primórdios até os dias atuais. As discussões gravitam à órbita da questão de qual destes métodos educacionais será o mais apropriado, mais eficiente para educar uma pessoa surda (LEITÃO, 2003; SANCHEZ, 1990).

O Oralismo leva a segundo plano os processos de escolarização e percebe a surdez como uma doença a ser curada e que sua manifestação deve ser camuflada pelo arremedo de trejeitos, caricaturas de um falante insuficientemente desenvolvido. A oralização e a leitura labial podem vir ao surdo como uma opção e não como uma imposição, pois são processos por demais demorados e extenuantes, cujos resultados nem sempre são satisfatórios. É aceitável que esses conhecimentos venham para a vida do surdo como um aprendizado a mais, assim como fazem os ouvintes quando procuram aprender outras línguas por prazer, para seu crescimento pessoal ou profissional, ou até mesmo para suprir uma necessidade emergente, como uma viagem, ou o convívio com pessoas que falam uma língua estrangeira. Muitas vezes, o que é feito hoje é o caminho inverso: um tardio diagnóstico de surdez, a não aceitação deste diagnóstico e tentativas de achar a cura para esta “doença” do não ouvir (SACKS, 1998; SANCHEZ, 1990).

Sendo assim, este método educacional pode ser caracterizado como corretivo, como ressalta Sanchez (1990, p. 49-50, tradução nossa):

A preocupação dos mestres, a meta da educação, não será jamais a transmissão de conhecimentos e valores da cultura, para o que se procurava que o surdo dominasse a linguagem, sem direcionar a quem são vistos como deformados. O ensino da fala ocupa o lugar de toda a educação, converte-se em meio e fim da reabilitação do surdo, o resgate da sua surdez, para enveredá-lo pelo caminho reto, o das pessoas normais. Inicia-se uma pedagogia corretiva, com todo o peso valorativo e a normativa que ele implica.

Seus primeiros defensores foram Juan Pablo Bonet, educador espanhol, John Wallis, inglês, Jacob Rodrigues Pereire, português (todavia desenvolveu seus

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estudos em França) Johann Conrad Amman, suíço, naturalizado holandês (fez uso do espelho para aprimorar a leitura labial e percepção das vibrações na laringe) e Samuel Heinicke, da Alemanha, que estabeleceram as primeiras ideias do que vai além do método Oralista e se constitui como uma filosofia, uma forma de enxergar os indivíduos com surdez ou com a capacidade auditiva diminuída.

O Oralismo pregava como pressuposto maior a necessidade do aprendizado e desenvolvimento da língua oral. Para tal, era necessário que a surdez fosse detectada o mais cedo possível e que fosse feito o seu diagnóstico, determinando seu tipo e grau. Em seguida, era solicitado aos pais que a criança utilizasse o aparelho que, acreditavam eles, amplificava os sons. Aliás, a participação maciça dos pais era essencial para o sucesso do método, pois cabia a eles impor ao filho o uso constante das bases do método, pondo a criança em escolas de ouvintes e que fosse proibido o uso de gestos e sinais e garantir o convívio com crianças ouvintes, para que fosse exposto o maior tempo possível à comunicação oral.

Também era feita a reabilitação oral com um fonoaudiólogo, que ensinaria a criança a articular vogais e consoantes por meio de vários métodos, como o da associação de cores aos sons, percepção das vibrações das cordas vocais, formas da boca e posicionamento da língua. Além de tudo isso, a criança ainda era impelida a fazer a leitura labial, que consistia em olhar atentamente para os lábios das pessoas e por meio de uma determinada técnica, compreender o que estavam dizendo. Por fim, era de valoração da surdez como patologia e a abordagem de cunho corretivo.

Em contrapartida, o Gestualismo, também chamado Método Francês, ou Manualismo, cujo criador foi o abade Charles Michel de L’Epée (1712-1789), preteriu os métodos oralistas e fez uso da Língua de Sinais Parisiense unida aos sinais metódicos, privilegiando a escrita e a leitura com a finalidade de possibilitar aos surdos um melhor desenvolvimento.

Apesar de todo o sucesso do método, este foi visto como método que desvalorizou a gramática existente na Língua de Sinais.

Já o Bimodalismo, Comunicação Bimodal, ou sistemas combinados, que no princípio foi denominado Comunicação Total, tinha em suas raízes, como proposta inicial, fornecer à criança um arcabouço de recursos que a ajudassem a se desenvolver em sua totalidade, ou seja, nas suas dimensões emocional, social,

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cognitiva e demais extensões que compõem o indivíduo. Para tanto, novamente com o estímulo da família, a criança era exposta às mais variadas formas de comunicação, como a forma oral, escrita, audiovisual, por sinais e esses meios apoiariam um ao outro, cabendo à criança usar o que melhor lhe aprouvesse.

Na prática – onde reside o receio dos educadores – as técnicas usadas nos métodos oralistas foram ficando cada vez mais proeminentes e a Língua de Sinais servindo apenas de suporte para auxiliá-los. Não ocorre o real e eficaz aprendizado da Língua de Sinais em toda sua estrutura e normas gramaticais. Apenas são usados seus sinais de forma isolada, acrescido do alfabeto manual.

O mau uso em paralelo das duas línguas com estruturas tão diferentes descaracterizou uma e outra, havendo a fragmentação das concepções básicas da Língua de Sinais, aproximando-a de um Português sinalizado, no caso dos países de Língua Portuguesa, ou seja, da língua majoritária. Perceberam-se, ainda, na escrita destes surdos adeptos dessa abordagem, os traços da oralização. Essa fusão possivelmente ocasionou uma desordem na elaboração de conceitos, não só nas crianças, como também nos pais e profissionais da área.

Penso que essas investidas favorecem a negação da surdez, o que resulta em querer fazer da criança surda uma ouvinte. Quanto mais suas ações e pensamentos forem semelhantes às ações de uma pessoa ouvinte, mais confortável fica a família e mais infeliz a criança.

Sacks corrobora essa afirmação dizendo que “Nada disso seria importante se o oralismo funcionasse. Mas o efeito, infelizmente, foi contrário ao desejado – pagou-se um preço intolerável pela aquisição da fala” e que os alunos que já tinham alcançado uma boa escolarização equivalente a dos ouvintes tiveram uma regressão no seu processo educativo, dizendo ele que “O oralismo e a supressão da língua de sinais acarretaram uma deterioração marcante no aproveitamento educacional das crianças surdas e na instrução dos surdos em geral.” (SACKS, 1998, p. 41).

O Bilinguismo vem justamente nos fazer refletir o quão errôneo pode ser o conceito de que o emprego de uma língua exclua o uso de outras.

Sanchez (1990) diz que a educação bilíngue para o surdo deve ter como base o uso pleno da Língua de Sinais para garantir o desenvolvimento intelectual e da linguagem, para otimizar o aproveitamento da escolarização e para facilitar a aprendizagem da língua falada em suas formas oral e escrita e que aspectos

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deveriam ser levados em conta como o entorno linguísticogestual, que é o ambiente no qual o sinalizante está inserido; o currículo escolar de acordo com as necessidades dos surdos e da importância da escrita e da língua oral como segunda língua.

Encontrei algumas definições de Bilinguismo que aqui exponho: “o uso que as pessoas fazem de diferentes línguas (duas ou mais) em diferentes contextos sociais.” (QUADROS, 2005). “[...] que defende o aprendizado da língua oral e da língua de sinais, reconhecendo o surdo na sua diferença e especificidade.” (FERREIRA BRITO, 1993).

A ideia geral de um resultado prático da abordagem da Educação Bilíngue está bem explícita nesse caso por Quadros (2005, p. 28):

[...] uma criança ouvinte, cujos pais eram surdos, a babá ouvinte, os familiares ouvintes. Esta criança já produzia algumas combinações de sinais da língua de sinais brasileira, como algumas combinações de palavras do Português. Como tínhamos interesse em ver a sua produção de sinais, fizemos algumas perguntas em sinais para ver suas respostas. Éramos ouvintes sinalizantes da língua de sinais. Ela prontamente respondeu em Português.

Em seguida, fez alguns sinais ao se dirigir ao pai sinalizante [...]. Neste caso, a criança é bilíngue e faz a mudança do código (codeswitching) de acordo com o interlocutor ouvinte ou interlocutor surdo de forma apropriada. Vemos aqui que as línguas se tornam opções que são ativadas pelos falantes/sinalizantes diante das pessoas com quem falam, das funções que as línguas podem desempenhar e dos contextos em que podem estar inseridas.

Goldfeld (1997) também corrobora a ideia de que a educação bilíngue será a mais adequada para a escolarização do surdo e para suas relações sociais com surdos e ouvintes, criando oportunidades e aumentando possibilidades.

O bilinguismo é a melhor opção educacional para a criança surda, pois expõem a uma língua natural de fácil acesso, a língua de sinais, que pode evitar o atraso de linguagem e possibilitar um pleno desenvolvimento cognitivo, além de expor a criança à linguagem oral, que é essencial para seu convívio com a comunidade ouvinte e com sua própria família. A educação baseada no bilinguismo parte do diálogo, da conversação, assim ocorre com as crianças ouvintes, possibilitando a internalização da linguagem e o desenvolvimento das funções mentais superiores. (GOLDFELD, 1997, p. 160).

Nessa caminhada dos que não ouvem, mudanças aconteceram, mas, mesmo sabendo que a jornada é longa, por vezes com trilhas tortuosas ou enveredando por atalhos nem sempre apropriados ou seguros, os muitos passos

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que já foram dados e os motivos que os levam a ir em frente são a motivação precisa para sua continuidade.

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