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Hva oppfatter vi som ”god rosemaling” i dag?

In document Ornamentikk og arkitektur (sider 20-28)

1. Innledning

2.1. Rosemaling fra Telemark

2.1.2. Hva oppfatter vi som ”god rosemaling” i dag?

A despeito do modo de compreender as deficiências, Omote (1996) ensina que implicará de forma direta no modo específico de se lidar com as deficiências e com as pessoas que as apresentam. Assim, de acordo com a forma com a qual olhamos as deficiências, faremos a interação, o atendimento às pessoas que as possuem. Se o nosso olhar só vai até o limite das aparências, atribuiremos uma valoração negativa, em diminutivo e daí partirão todas as nossas ações e essas serão o reflexo desta visão; no entanto, somente a mudança de nomenclatura sem ações concretas não trazem os benefícios precisos. Desta forma, Carvalho (2010, p. 22) considera que

[...] a substituição das nomenclaturas com que as pessoas em situação de deficiência têm sido identificadas, com vista a uma que seja mais justa e menos preconceituosa, bem como a busca de descritores politicamente neutros, não assegurarão uma distribuição mais equitativa dos recursos, nem mudanças nas representações sociais com que elas entram no imaginário coletivo.

Advoga também a mesma autora que “não se trata de negar as diferenças, enquanto condição singular de cada pessoa e, sim, de analisar os “novos” modos de reconhecimento da diferença, em termos políticos e sociais.” (CARVALHO, 2010, p. 22).

Além das palavras listadas no item anterior, outros termos em foco são incapacidade, desvantagem, diferença, diversidade e deficiência, também amplamente usados, entretanto por muitas vezes, mais confundem do que esclarecem e, em virtude da riqueza de significados que carregam e as consequências de seu uso, o zelo para com seu emprego deve ser maior.

Nos dicionários já aqui citados a palavra incapacidade está relacionada com inaptidão, incompetência; desvantagem é sinônimo de em situação de inferioridade, prejuízo; o termo diferença é mostrado como variedade, divergência, desarmonia, distinção, desigualdade, e o vocábulo deficiência com o mesmo significado de falta, insuficiência, falha, deficit.

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Consoante o modelo médico exposto na CID-1010 e apresentado por

Carvalho (2010, p. 28),

Deficiência: representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma perturbação no órgão, a perda ou a anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente, como por exemplo: uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou qualquer estrutura do corpo, inclusive das funções mentais.

Incapacidade: representa a consequência da deficiência e reflete as limitações dela resultantes e que são impostas às próprias pessoas, comprometendo o desempenho de suas atividades essenciais à vida diária, consideradas normais para o ser humano. A incapacidade reflete a natureza da deficiência seja ela psicológica, física, sensorial ou outra.

Desvantagem: representam, no contexto social, as consequências de um a deficiência ou incapacidade que limitam ou impedem as pessoas de exercerem as habilidades necessárias à sua sobrevivência ou de desempenharem os papéis esperados de acordo com sua idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas de seu grupo social, refletindo a qualidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente e à sociedade, como resultado de sua deficiência.

Apesar de a autora destacar esse modelo clínico, que põe o sujeito na condição de incapaz de administrar sua vida, entregando-a a terceiros e por isso muitas vezes visto como um peso para a sociedade, sua percepção vai muito além. Cita Carvalho (2010, p. 23):

Somos diferentes e queremos ser assim e não uma cópia malfeita de modelos considerados ideais. Somos iguais no direito de sermos, inclusive, diferentes!

O trabalho na diversidade começa pelo reconhecimento das diferenças e na paridade de direitos que, na escola, traduzem-se como aprendizagem e participação e não apenas como presença física nesta ou naquela modalidade e atendimento educacional escolar.

Na inteligência de Leitão (2003), vários são os fatores que constituem o processo sócio-histórico contido nas práticas de atendimento aos chamados deficientes. Os mais evidentes passam pela forma como estes são vistos e tratados pela sociedade: o critério biológico para caracterizar o indivíduo como deficiente; a eterna valoração negativa que resulta nas segregações e nas ações emergenciais e efêmeras.

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“Com base no compromisso assumido pelo Governo brasileiro, quando da realização da 43ª Assembleia Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde, por intermédio a portaria nº 1.311, de 12 de setembro de 1997, definiu a implantação da Classificação Estatística Internacional e Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-10, a partir da competência de janeiro de 1998,em todo o território nacional.” (CARVALHO, 2010, p. 27).

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Assim como Leitão (2003), Carvalho (2010, p. 25) faz suas asserções sobre essa valoração, acrescentando a permanência da deficiência como imutável:

Inúmeros são os sistemas de significações que permitem entender o mundo e, nele, as representações que se fazem acerca das pessoas com deficiências. Os termos usados para designá-las, de modo geral, carregam significados negativos, intensificados pela noção de perpetuidade das condições que se encontram, pois apontam para certo determinismo ou fatalismo, o que suscita diversas emoções. Estas vão desde a pena até a repulsa, podendo ser consideradas como indicadoras de uma espécie de desesperança quanto a possíveis mudanças das condições do sujeito.

O conceito de deficiência quase sempre está em estreita associação ao estado de pobreza, dos menos economicamente favorecidos. As terminologias, embora passando por variações, desde termos como “desvalidos” ou “desgraçados” até os “portadores de necessidades educacionais especiais”, mantêm um determinado sentido pejorativo. Ramos (2010, p.25) ilustra bem esta questão quando aponta que,

[...] vivendo em uma sociedade de resultados, podemos dizer que a deficiência é exatamente o que não se quer, por que não combina com as leis biológicas, sociais, políticas, econômicas e religiosas estabelecidas pela humanidade, o que se revela nos discursos que se fazem sobre a vida e sua função. Como imagem e semelhança de Deus, as pessoas não têm o direito de ser deficientes, pobres, feias, etc.

As questões terminológicas das palavras que destaquei vão além do bom uso da língua pátria. A aplicação dos vocábulos pode reforçar ou formar um significado que direciona o olhar de uma sociedade e desde esta visão são estabelecidas relações, formação de conceitos e ações e essas ações é que vão influenciar no bem-estar, não somente das pessoas com deficiências. Para tanto, é preciso que teoria e prática estejam em acordo e em continuidade, com a finalidade de viabilizar uma real inclusão.

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