Os meios de comunicação de modo, passaram, com a globalização, a ter um destaque nunca antes experimentado, capaz de transformar uma pessoa simples numa celebridade, sem nenhuma razão, como é o caso dos recentes "reality shows".
Essa capacidade de manipulação da opinião pública ganhou maior repercussão com a transmissão da imagem e dos fatos para o mundo todo em tempo real, trazendo uma sensação de proximidade muitas vezes perigosa se não balanceada pelos canais de comunicação.
O que se observa na atualidade é uma concentração muito grande de notícias envolvendo crime, violência e corrupção, responsáveis pela elevação do nível de tensão do cidadão.
Qualquer matéria envolvendo o meio ambiente em meio a esse cenário globalizado passa a ter uma atenção central, vez que sua repercussão ganha as páginas da imprensa falada e escrita, não mais do bairro, mas do mundo todo que na atualidade está inteiramente interessado nas questões ambientais.
Com o aparecimento do jornalismo ambiental136, como uma especialização do jornalismo, com todas as regras gerais da profissão, as
136 A primeira organização especializada em jornalismo ambiental surgiu na França na década de 60, na mesma época em que era preso no Brasil o primeiro jornalista, Randau Marques, na Operação Bandeirantes, por ter escrito uma matéria contra os gráficos e sapateiros pela contaminação com chumbo, questionando a expressão “defensivos”, mostrando que os agrotóxicos eram responsáveis pela mortandade de peixes e pela intoxicação de agricultores. Randau veio a se especializar depois em questões urbanas e ambientais no Jornal da Tarde, cobrindo reportagens importantes como o fechamento da fábrica de celulose Borregard, dentre outras. Foi depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente, realizada em Estolcomo em 1972, que as questões ambientais começaram a aparecer com maior freqüência na imprensa internacional, no âmbito da qual, uma das entidades mais sérias de jornalismo ambiental é a Sociedade de Jornalistas de Meio Ambiente nos Estados Unidos, a Society of Environmental Journalists, criada em 1990, por uma dúzia de repórteres premiados, atualmente com mais de 1.100 sócios.
reportagens de meio ambiente têm de ser “vendidas” como qualquer outra matéria capaz de trazer novidade e de despertar o interesse público, numa linguagem simples137.
O jornalismo ambiental deve ter como finalidade além de denunciar pela notícia os fatos que estão ocorrendo em todo o mundo, além de educar, contextualizando o homem nessa nova realidade da natureza em que ele vive, apresentando, sempre que possível, os problemas com soluções ambientalmente sustentáveis.
Como em qualquer denúncia, o repórter que está noticiando uma singela matéria ambiental deve ter o cuidado de perquirir o que de grave existe no fato noticiado, cercando-se de provas suficientes, para o caso de ter que enfrentar a reação dos poluidores bem assim a dos editores do periódico em que atua.
Retrato dessa realidade é o cuidado que a imprensa brasileira tem quando expõe questões como grandes desastres ambientais, sabedora que a manchete vai ganhar espaço e tempo na cobertura diária no exterior, tais como a morte de um ecologista famoso, as queimadas e os desmatamentos na Amazônia e na Mata Atlântica.
137 VILLAR, Roberto. Jornalismo Ambiental – Evolução e Perspectivas. Imprensa e
Pantanal, Laboratório Ambiental no Jornalismo. Campo Grande: Universidade
A imprensa brasileira tem que dividir sua opinião com as discussões públicas e, nesse contexto, muitas vezes é cerceada pelas pressões das grandes multinacionais e dos interesses políticos, na medida em que expõe o modo como determinado governo está cuidando das questões do meio ambiente.
A participação das Organizações Não Governamentais (ONGs)138 na geração das notícias sobre meio ambiente é fundamental, pois são fonte constante de informações para os noticiários sobre problemas ecológicos. Durante a discussão da legalização dos transgênicos no Brasil, a participação dessas organizações foi extremamente ativa, com campanhas e protestos, queima de plantações de soja geneticamente modificada, refletindo ampla cobertura da imprensa local e mundial.
De outro lado, o "ambientalismo empresarial", cujas palavras de ordem são custo ambiental e parceria, também utilizaram a mídia, por meio de campanhas publicitárias, exercendo eficazmente um lobby visando a afrouxar a legislação ambiental e desacreditar os ecologistas.
Dentre as matérias ambientais de alta relevância, amplamente discutidas tanto pela mídia nacional quanto internacional, resultado do impacto das atividades humanas no meio ambiente global, destacam-se a proteção da camada de ozônio, a mudança climática e a proteção da biodiversidade.
138 Dentre as ONGs que mantêm acesso à imprensa duas se destacam, a Greenpeace e a Fundação SOS Mata Atlântica.
A seriedade com que é tratada a proteção da camada de ozônio pode ser considerada o melhor exemplo de sucesso na construção de regimes internacionais setoriais para a proteção do ambiente global, presente na Convenção de Viena (1985), Protocolo de Montreal (1987), Emenda de Londres (1990), Emenda de Copenhague (1992).
Hoje, a produção e uso de CFC – clorofluorcarbonos, caiu consideravelmente nos países desenvolvidos, tendo aumentado apenas limitadamente nos países emergentes, graças à rápida formação de consenso na comunidade científica, extra-acadêmica, liderança e preocupação do governo americano nas negociações internacionais, e a rápida resposta das corporações produtoras de CFC no investimento em pesquisa e desenvolvimento de alternativas tecnológicas viáveis comercialmente.
No tocante à mudança climática ou aquecimento global, o impacto foi mais limitado e ainda apresenta dificuldades de implementação devido a vários fatores: (a) baixa disposição da sociedade americana em diminuir as emissões de gases estufa, com impacto extremamente negativo sobre a Europa Ocidental; (b) fraca capacidade de liderança internacional por parte do Japão; (c) disposição mínima na reorientação das políticas públicas para a atenuação do crescimento nas emissões de gases estufas nos países emergentes; (d) falta de consenso de uma solução pela comunidade científica, e (e) dificuldades de negociação do protocolo de Kyoto, de 1997.
O Protocolo de Kyoto139 é o resultado de um acordo internacional firmado com a finalidade de reduzir as emissões de gases do Efeito-Estufa (GEEs) (principalmente o gás carbônico-CO2, e o metano-CH4) causadoras do aquecimento do globo terrestre. Nesse acordo estão estabelecidas metas para a redução das emissões, para o período entre 2008 e 2012, de em média 5% abaixo dos níveis das emissões verificadas em 1990, acordado como primeiro período do compromisso.
Com a recente efetivação do Protocolo de Kyoto em 16 de fevereiro de 2005, a imprensa mundial explorou o assunto ao máximo, considerando os créditos de carbono estabelecido no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL, como um ótimo negócio para os países em desenvolvimento, à face da atração de investimentos externos e absorção de tecnologia.
Quanto ao terceiro tema de relevância, emerge a proteção da biodiversidade, impactando a consciência pública internacional sobre a importância da diversidade biológica, inaugurando, assim, o "commmon concern of humankind".
Segundo o Worldwatch Institute140, o Brasil possui 16% das florestas e 21% de todas as espécies vegetais já identificadas no mundo, sendo considerado uma superpotência para a saúde biológica e ambiental de toda a Humanidade.
139 Recomendam-se, para maiores informações, o endereço eletrônico do Ministério da Ciência e Tecnologia, www.mct.gov.br. Hoje está em discussão o Projeto de Lei nº 5.067, de 2005, de autoria do Sr. Deputado Antonio Carlos Mendes Thame, visando a regulamentar a Política Nacional de Mudanças Climáticas.
140 O Worldwatch Institute é considerado a principal organização mundial que atua na defesa do desenvolvimento sustentável do planeta. No Brasil, é associado à UMA- Universidade Livre da Mata Atlântica, instituição do terceiro setor, dedicada a promoção do desenvolvimento sócio-econômico-ecológico integrado (econológico), para a divulgação de suas informações e publicação dos seus trabalhos.
A discussão sobre os investimentos econômicos na manutenção ou exploração da biodiversidade tem um cenário muito mais político do que ambiental, devido ao fato dos EUA não apoiarem os tratados internacionais, tendo em vista os aspectos envolvendo questões econômicas e de propriedade intelectual.