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Vurdering av organiske hydrider og hydrokarboner

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Aparentemente simples, na verdade não é fácil definir o que é uma narrativa. Muitas ciências a cotejam – Linguística, Literatura, Semiótica e a Comunicação Social disputam suas atenções: é quando muitas vezes se imbricam. Afinal a quem ‘pertence’ a narrativa? Literatura e Linguística vão mesmo para o escorregadio terreno da “área controversa”.

Segundo a linguística não haverá narrativa sem pelo menos um desses ingredientes: situação, enredo (trama ou intriga), personagem, conflito, resolução do conflito. Toda narrativa carece de começo, meio e um fim. Também serão exigidos personagens e um enredo, este baseado em um argumento. Um argumento, nesse caso, é o ‘pontapé inicial’ da narrativa, que estabelecerá a sucessão dos fatos, ou o roteiro a ser seguido.

No campo ficcional, narrativa é terreno para duas áreas, porque real ou fictícia, não importa, se contiver todos os seus elementos requeridos pertencerá à Linguística, mas só pertencerá à Literatura se for ficcional. Em Comunicação Social, mais fluida, haverá o termo “narrativa jornalística”, resultado da prática de uma reportagem. Chama-se, inclusive, reportagem narrativa, o tipo de matéria colhida e redigida pelo repórter, um tipo de jornalista especializado na ‘arte de contar uma história’.

A reportagem narrativa, segundo Coimbra (1993), tem como principais características apresentar a história com avanços e recuos no tempo, mostrando as mudanças das imagens e das coisas ocorrendo. Haverá avanços e recuos em uma linha de tempo com

relação ao presente. Diálogos, por exemplo, fazem o texto avançar, e digressões que aparecem quando o texto desvia de assunto fazem- no recuar.

Barthes et al (2008) ressaltam a chamada ‘lógica das funções’, que abrange três direções principais de pesquisa: a reconstrução da sintaxe dos comportamentos humanos empregados pela narrativa (ao traçar o trajeto das “escolhas” das personagens); o modelo linguístico de oposições paradigmáticas (um vilão versus um herói) ao longo da trama e a análise no nível das ações das personagens.

Pequenos agrupamentos de funções formam unidades de base encadeadas, que Barthes (2008) e Bremond (2008) chamaram ‘sequência’. A sequência implica uma série lógica de núcleos unidos entre si por uma relação de ‘solidariedade’. Segundo Greimas (2008), a sequência é tão importante que faz da narrativa um algoritmo, “como uma sucessão de enunciados cujas funções- predicados simulam linguisticamente um conjunto de comportamentos orientados para um objetivo.” (GREIMAS, 2008, p.65)

Para Bremond (2008), por intermédio de sequências, papeis, uma ordem entrelaçada por situações complexas, é possível estabelecer-se as bases de uma classificação dos tipos de narrativas que se diversificam ao infinito, segundo culturas, épocas, gêneros, escolas e estilos pessoais. A ordem parece mesmo ser fundamental: “(...) o narrador que quer ordenar a sucessão cronológica dos acontecimentos que relata, dar-lhes significação, não tem outro recurso a não ser ligá-los na unidade de uma conduta orientada em direção a um fim” (BREMOND, 2008, p.140).

O semiólogo francês Roland Barthes (2008), destaca o papel da sequência pelo viés da lógica, enaltecendo seu caráter

emancipador, algo que também concerne à narrativa. O encadeamento lógico envolverá mais características, entre elas, coerência e verossimilhança (ANDRÉ, 1998). No primeiro caso, os elementos interligam-se formando uma unidade que constrói o enredo. Já a verossimilhança, uma espécie de ‘efeito do real’ que, segundo Aristóteles, fazia o público sentir “a ilusão da verdade” acima da realidade dos fatos narrados, pode ser interpretada como uma probabilidade de verdade, ou seja, é o que parece intuitivamente verdadeiro. A verossimilhança é fundamental para qualquer narrativa, embora a história não precise ser real ou verdadeira, como vimos.

Para o semiólogo, linguista e escritor italiano Umberto Eco cada mundo fictício é baseado, de forma parasítica, no mundo de fato ou do real que o mundo fictício adota como fundamento. Em seus discursos à Universidade de Harvard, Eco (1994) afirma que quando se emerge em um romance, entra-se em uma ‘ação ficcional’, de sentido real.

Nós realmente acreditamos que o lugar é verdadeiro, embora muitas vezes não o seja. Choramos em um filme ou ao ler uma história triste por estarmos convencidos de que aquela ficção é real. Os fatos de uma história não precisam ser verdadeiros, mas devem parecer que são. A ficção deve parecer real, do contrário não acionará nossas associações e memória afetiva para conferir um significado todo particular à mensagem.

A verossimilhança também pode ser entendia como a lógica interna do enredo que se aplica às narrativas (GANCHO, 2008). A credibilidade advém justamente da organização lógica dos fatos dentro do enredo, da relação entre os vários elementos da história,

pois cada fato tem uma causa e desencadeia uma consequência (GANCHO, 2008).

O enredo segue uma estrutura composta por exposição (introdução ou apresentação da história), complicação (ou desenvolvimento do conflito), clímax (ou momento culminante) e desfecho (ou desenlace, conclusão). A narrativa segue uma lógica que André (1998, p.39) designa como “movimento”, ou seja, “os elementos que compõem a ação devem criar um interesse progressivo, que conduza o leitor ao conflito e, deste, ao desfecho, dentro de uma atmosfera dramática sugestiva”.

O fato de a narrativa existir desde que a história humana começasse com seus primeiros registros leva Barthes (2008, p.62) há refletir que pouco se sabe sobre sua origem, e a supor que ela é “contemporânea do monólogo e parece posterior ao diálogo”. A narrativa percorreu uma longa história para chegar aos dias de hoje; houve mesmo períodos em que caiu no descrédito para a ciência, por surgir aliada à retórica, como se verá. Hoje aparece reabilitada com a credibilidade que lhe concernem as ciências sociais e humanas. Não se pode conhecer o ser humano, sem conhecer sua narrativa.

2.2 DO ORAL AO DIGITAL: A TRANSPOSIÇÃO

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