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A originalidade deste estudo sobressai-se diante da constatação de ausência de ambientes virtuais de aprendizagem que contemplem o caráter de inclusão em sistemas hipermídia. A questão emergiu das revisões sistemática e manual de literatura associadas a entrevistas em profundidade que atuaram para compor o problema e a fundamentação teórica desta pesquisa.

Em um segundo momento, também é importante destacar a contribuição a ser dada aos estudos da própria narrativa, cujo paradigma em hipermídia coloca desafios ainda não previstos em relação a sua estrutura, composição e aplicação. Inicialmente, uma busca sistemática junto às bases Scopus e Web of Knowledge foi realizada a partir das seguintes combinações: learning management system and libras; LMS and libras; AVA and libras; AVEA and libras; learning management system and bilingual.

As duas bases internacionais apontaram para apenas um trabalho, o artigo intitulado Learning Management Systems and face-to- face teaching in bilingual modality (libras-portuguese), de autoria das

pesquisadoras Daniela Saito e Vania Ulbricht (UFSC), integrantes do projeto que fundamenta as bases do Web GD Acessível.

Já a revisão junto à base de dados CAPES foi feita a partir das seguintes combinações: ambiente virtual de aprendizagem libras e ambiente virtual de aprendizagem inclusivo. O resultado apontou para 17 teses e dissertações em nível nacional, a maioria, cinco delas, oriundas da UFSC – dois trabalhos do curso de Linguística, Letras e Artes, um da Educação, um do Design Gráfico e um ligado à Engenharia e Gestão do Conhecimento, relativo ao próprio WebGD Acessível.

Os critérios de escolha para análise dos trabalhos foram, num primeiro momento, as referências à palavra ‘inclusão’ no título, e, em um segundo momento, só os que tornaram explícito em seu resumo o fato de haver um ambiente virtual de aprendizagem inclusivo para surdos em teste ou funcionando. Restaram, então, 13 trabalhos a considerar. Os trabalhos selecionados foram tabulados, ordenados, contabilizados e são apresentados em duas partes, conforme os Quadros 1a e 1b, demonstrados nesta forma para facilitar a leitura.

Ano Título Autores IES

2005 Processo de ensino- aprendizagem de leitura para surdos mediado por computador (dissertação de Mestrado) Lorenze t, Elisa Clasen UCP/RS

2006 Inclusão digit@l (sic) na escola pública: uma proposta com o Kidlink (dissertação de Mestrado) Paula, Michele Gomes de UFMG 2006 Um ambiente virtual de aprendizagem com recursos de interface para usuários cegos ou surdos (dissertação de Mestrado) Valenti m, Victor Dias UFES

2007 F-libras – Ambiente integrado de ensino- aprendizagem para a língua brasileira de sinais (dissertação de Mestrado)

Baptista, Fabrício

UNIVEM SP

2008 A interface do ambiente virtual de ensino-aprendizagem do curso Letras Libras segundo as características da cultura surda e os critérios de usabilidade (dissertação de Mestrado) Ribas, Armand o Cardoso UFSC 2009 Tecnologias digitais na educação da matemática de surdos em uma escola pública regular: possibilidades e limites (dissertação de Mestrado)

Sales, Leda Marçal

PUC/MG

Quadro 1a: Teses e dissertações sobre ambientes virtuais inclusivos mapeados no Banco de Teses CAPES

Ano Título Autores IES

2010 Contribuições do design para a evolução do hiperlivro do AVEA-Libras: o processo de desenvolvimento de interfaces para objetos de aprendizagem

Silva, Mônica Rennenberg da

UFSC

2010 Performances de tradução para a língua brasileira de sinais observadas no curso letras-libras (dissertação de Mestrado) Souza, Saulo Xavier de UFSC 2010 A questão da padronização linguística de sinais nos atores- tradutores surdos do curso de letras-libras da UFSC: estudo descritivo e lexicográfico do sinal “cultura” (dissertação de Mestrado)

Avelar, Thais Fleury

UFSC

2010 Curso de letras/libras: análise das experiências dos alunos surdos no ensino a distância do Rio Grande do Sul (dissertação de Mestrado)

Goes, Camila Guedes Guerra

UFRGS

2010 Ambiente computacional para auxiliar na aprendizagem do surdo (profissionalizante) Sousa, Gilsifran Vieira de UECE 2011 Formação continuada em ambiente virtual de aprendizagem: um estudo de caso (profissionalizante) Avancini, Maria F. Ribas URI/RS 2011 O padrão arquetípico da alteridade e o compartilhamento de conhecimento em ambiente virtual de aprendizagem inclusivo (tese de Doutoramento)

Obregon, Rosane de Fátima A.

UFSC

Quadro 1b: Teses e dissertações sobre ambientes virtuais inclusivos mapeados no Banco de Teses CAPES

Além dos cinco trabalhos catarinenses houve dois em São Paulo (PUCSP e UNIVEM/Centro Universitário Eurípedes, de Marília), três no Rio Grande do Sul (UFRGS, UCP/Universidade Católica de Pelotas e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai das Missões; o primeiro relativo ao curso Letras-Libras da UFSC testado com alunos gaúchos) e dois em Minas Gerais (PUCMG e UFU/Universidade Federal de Uberlândia). Um no Ceará (UECE/Universidade Estadual do Ceará) e outro no Espírito Santo (UFES).

O resultado demonstrou a baixa incidência de estudos sobre ambientes virtuais inclusivos. É ainda menor o nível de experimentação com a oferta bilíngue de conteúdo no mesmo ambiente. Submetidos aos critérios de inclusão previamente estabelecidos, os 13 trabalhos foram, finalmente, reduzidos a um universo de seis trabalhos, por explicitarem formalmente suas experiências empíricas com ambientes virtuais de aprendizagem inclusivos.

Os demais foram descartados pelos seguintes motivos: ou eram relacionados a modelos fechados para testes, sendo construídos especialmente para aqueles experimentos e, portanto, não disponíveis; ou eram propostas de modelo, não chegando a ser implementadas em ambiente virtual. Nos seis trabalhos finais foram identificados dois ambientes da UFSC já citados.

A busca sistemática no Google deu-se a partir das seguintes palavras-chave: ambiente virtual de aprendizagem acessível; ambiente virtual de aprendizagem bilíngue, e ambiente virtual de aprendizagem surdo, revelando 12 endereços de universidades e blogs pessoais com ambientes virtuais de aprendizagem inclusivos.

Verificou-se que assim como não existem plataformas acessíveis com a oferta de cursos em ambientes virtuais, os ambientes virtuais de aprendizagem que se propõem inclusivos a surdos apresentam problemas em relação ao conteúdo, exposto apenas na língua portuguesa. Há predominância de artigos científicos, menu de filmes com temas relacionados, cursos oferecidos...em português. O Quadro 2 indica o link de cada um e sua instituição de origem.

Quadro 2: Ambientes virtuais mapeados pelo site de buscas Google

Fonte: A autora, 2013

Haverá variações. Dois ambientes da UFRGS têm o selo de acessibilidade aprovado por validador automático: o site do Núcleo

de Informática na Educação Especial (NIEE), também indicado pela busca, mas com conteúdo em português; e o Eduquito que, embora apresentado em português, oferece ferramenta de Libras para leitura.

Os enunciados do ambiente são oferecidos em português e um ícone no menu linka o conteúdo por meio de um vídeo libras. Segundo o NIEE, o projeto Eduquito encontra-se “em desenvolvimento”. Outro ambiente é apresentado sem referência à qualquer instituição, de forma anônima, apenas solicitando ‘login e senha’: de libras nem sinal.

Já a Universidade Federal da Bahia oferece instruções de acesso a seu ambiente por meio de português escrito e em áudio. Uma vez acessado, a voz de um locutor ao fundo parece comandar um cursor que “navega sozinho”, acompanhando a fala do locutor (por isso seria considerado “acessível”?). O sistema, contudo, nesse momento não permite interação, o cursor parece navegar pelo comando de voz do locutor, como se uma “mão invisível” o conduzisse.

As buscas sistemáticas revelam uma excelente oportunidade para levar a inclusão ao ambiente virtual. Mas o que seriam inclusão e bilinguismo, também para o “virtual”? Como se viu, um grande caminho se coloca à frente quando se fala em projeto de inclusão em ambiente virtual de aprendizagem. Ainda que incipientes, os estudos sobre a inclusão em ambientes virtuais são especialmente relevantes aos alunos surdos, que se beneficiam com o avanço da tecnologia.

Ambientes virtuais possibilitam que os surdos se expressem diretamente com os colegas, sem o compromisso com o português formal e a necessidade do filtro do intérprete (MARTINS, 2005). É

um momento de comunicação ‘face-a-face’, sem intermediários. Se o processo de inclusão do aluno surdo se encontra em andamento e ainda em discussão no ambiente presencial, no meio virtual parece embrionário. Mais uma razão para a relevância do tema.

A convergência das teorias de Lave e Wenger (1991) e a análise das relações de compartilhamento e cooperação entre o público-alvo no ambiente virtual de ensino aprendizagem desenvolvido, o Web GD Acessível, contribuirão para o aperfeiçoamento e avanço da ciência na direção de propostas voltadas à construção de ambientes virtuais voltados à educação inclusiva.

Em particular, coloca-se nesta pesquisa a possibilidade de existirem ambientes bilíngues para a aprendizagem de surdos e ouvintes, na perspectiva de uma nova alteridade (SANTOS, 2000; LIPOVETSKY, 2010) que se coloca na contemporaneidade. Todas essas observações elencadas ao longo deste primeiro capítulo qualificam este trabalho acadêmico à categoria de Tese.

1.7 ADESÃO AO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

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