5.2 Framtidig omsetningsnivå
5.3.3 Vurdering av forbedringstiltak
Como mencionado diversas vezes neste trabalho, a presente pesquisa teve o objetivo dar visibilidade aos sentidos constituídos por professores e alunos sobre a indisciplina como fenômeno do cenário escolar. Ao revisitarmos os capítulos desse trabalho evidenciamos que a indisciplina escolar pode ser caracterizada por diversos problemas que acompanham o sistema educacional brasileiro, sendo ela, uma forma de manifestar e sinalizar esses problemas.
Como vimos, a crise da escola, bem como o fracasso escolar são decorrentes de diversos fatores já apontados e estudados por diversos autores. Se por um lado temos os problemas como más condições de trabalho do professor, baixos salários, má qualidade dos cursos de formação dos professores, projetos e metas educacionais incondizentes com a realidade e metodologias de trabalhos inadequadas, por outro temos a falta de motivação dos alunos, a ausência de participação das famílias, os problemas de saúde, todos largamente enfrentados pelo sistema educacional e amplamente discutidos nas diferentes instâncias: a governamental, a acadêmica, a escolar e a dos profissionais que direta ou indiretamente atuam na relação com a escola.
No decorrer deste trabalho apresentamos diversos estudos que contemplaram enfoques distintos sobre o assunto, muito embora as conclusões apontadas por eles estivessem sempre dentro de uma mesma perspectiva. A indisciplina não pode e não deve ser abordada de uma perspectiva simplificadora que aponta uma ou mais causas; é preciso olhar a realidade escolar de modo mais abrangente e buscar a compreensão dos eventos ou comportamentos que têm sido caracterizados como indisciplina.
Diante dos aspectos apontados e das discussões realizadas com base nos dados desta pesquisa podemos reforçar a ideia de que não há uma causa única para esses problemas. A indisciplina é um problema que envolve múltiplas determinações que se relacionam no cenário escolar compondo fenômenos que recebem rótulos, assim como ela.
Entretanto, o quem mais se vê, é que as crianças são consideradas as culpadas por não conseguirem se adequar na situação presente. Aos olhos do adulto professor, é no aluno que reside o cerne da questão, acima de tudo. É a esta visão que chamamos de simplificadora.
Em nosso estudo, vimos na entrevista de João que o processo de escolarização vivido por ele é conduzido com muita dificuldade. O aluno, muitas vezes, parece tornar-se refém de um sistema escolar que não reconhece as suas experiências de vida, deixando visível não só a inadequação da escola às necessidades do aluno como também o esvaziamento de sentido dele para com o espaço escolar. Nessa direção, a aprendizagem fica ocultada pelas questões disciplinares e isso só poderá ser modificado a partir do momento em que se considere a escola um espaço humanizador e democrático, em que o diálogo seja privilegiado e haja a garantia de um ensino de boa qualidade.
Por sua vez, ao analisarmos as questões trazidas pelas professoras, notamos que as mesmas colocam-se como vitimizadas pela realidade educacional. Sem entender exatamente o que acontece, recorrendo às situações idealizadas, modeladas a partir de um paradigma que já não está vigente, mas que as faz sentir saudade, essas professoras trazem uma leitura superficial da realidade que as cerca. Alunos de um lado e professores do outro, o cenário escolar nos aparece como lugar de relações pouco parceiras; alunos indisciplinados parecem impedir o bom trabalho dos professores; do outro lado professores que não respeitam ou são desinteressados, ou ainda, incompetentes não ajudam o aluno a se interessar. Um jogo de culpabilizações mútuas que esconde as dificuldades e a crise da educação por detrás de conceitos como indisciplina.
Assim, constatamos que o problema não está posto apenas para quem aprende, mas também para quem ensina. Como vimos na pesquisa realizada por Casassus (2007) e citada em nosso trabalho, a qualidade do professor é fator imprescindível para o sucesso do aluno. Não que ele seja o único responsável pelo fracasso, mas não se pode desconsiderar a importância do professor como gestor da sala de aula.
Nesse sentido, podemos entender que o combate a indisciplina escolar deve se caracterizar pelo questionamento do uso do próprio conceito, pois se deve pensar em olhar diferentemente a realidade escolar e as relações. Este combate requer reavaliarmos posturas
de âmbito interno e externo da escola, considerando especificamente o que está sendo oferecido aos alunos e o lugar que a escola tem ocupado em suas vidas. A esse respeito, Schilling (2008) afirma:
ocupar um lugar, exercer um ofício é tarefa fundamental da escola e nenhuma outra instituição pode realizar: aproximar e criar saberes, conhecimento, ampliar o mundo. Este é o significado de inclusão, isto é acesso, é democratização, é possibilidade de realizar o direito humano à educação que se universaliza no Brasil”. A escola deveria ser um espaço de superação da pobreza, da discriminação, de resistência...(p.16)
A crise da escola, bem como seu esvaziamento de sentido social e de sua atividade principal de reflexão e construção do conhecimento trazem a indisciplina para o primeiro plano. Alunos acham que professor não propicia espaços geradores de interesse e o desrespeitam; professores, por sua vez, acham que alunos não trazem disciplina de casa. O espaço escolar, especificamente o da sala de aula, tornou-se um espaço de conflito permanente entre professores e alunos. O que se observa é que não há espaço na relação professor-aluno para ações conjuntas. Vemos que historicamente o professor perdeu o poder e quanto mais confrontados mais expostos se sentem, não sabem lidar com as situações vigentes.
Nessa direção, o conceito de (in)disciplina vê-se em meio às inúmeras discussões na escola, pelos diferentes atores do processo educacional, e é atropelado por outros tantos conceitos, perdendo sua razão de ser. A noção de disciplina como organizadora das atividades do sujeito e como ação de protagonismo em direção à autonomia desaparece, para dar lugar a uma disciplina orientada pela imposição de regras, sem a reflexão do sujeito.
Nessa direção, o conceito de indisciplina ajuda a ocultar esta crise, que surge apenas como crise de interesse e comportamento, servindo apenas para esconder o que a escola não é capaz de realizar. Um conceito que desvia o tema necessário e a reflexão imprescindível de ser feita. É preciso reinventar a escola, relacionando-a ao cenário social; é preciso pensá-la integrada à vida e útil ao desenvolvimento, à apropriação e à transformação das condições sociais. É preciso rever seus rituais e seus cenários; é preciso repensar e conhecer os alunos
que hoje frequentam e precisam da escola; é preciso repensar conteúdos e formas pedagógicas. A indisciplina deve ser então entendida apenas como um aviso que anuncia estas urgências e indica o esvaziamento da função da escola.
Vale considerar que o esvaziamento da função da escola se dá em um cenário mais amplo. Uma sociedade que lutou por uma escola e agora não a vê como solução.“...a educação e a escola, nas suas diferentes modalidades institucionais, constituem sim, uma esfera de formação para o mundo do trabalho. Só que essa inserção depende agora de cada um de nós. Alguns triunfarão, outros fracassarão” (GENTILI, 2005, p.55).
A camada social pobre vê seu sonho se desmoronar e não pode mais acreditar na escola como uma possibilidade ou garantia de melhoria de vida. “...no Brasil, vivemos um particular „modelo de desenvolvimento‟ que contraria a simplória afirmação de que a educação é a chave do cofre da felicidade” (GENTILI, 2005, p.57).
Assim, tem-se uma sociedade descrente da escola que educa, que desenvolve, que contribui para uma vida melhor. A descrença sobre a escola, no entanto, não é debatida suficientemente, a não ser quando se considera a indisciplina. É preciso pensar a escola em sua inserção social mais ampla.
O caminho para ressignificar essa problemática implica, segundo Schilling (2008, p.16), “a reflexão, o diálogo, a curiosidade de uns em relação aos outros, possibilitando pensar uma educação que se opõe, que subverte, que liberta, que nos retira de um lugar de estigmatização ou pobreza, que permite imaginar um futuro”, assim como, repensar as relações de poder, autoridade, justiça e, sobretudo, o lugar que cada um ocupa, considerando uma educação comprometida com os direitos humanos e a democracia.
Para essa discussão, o projeto educativo, constituído por um trabalho coletivo no qual a escola se responsabilize por garantir o clima de cooperação com foco no respeito pelo outro e na formação humana pode colaborar, redefinindo práticas pedagógicas capazes de transformar a realidade escolar, a sociedade e os indivíduos. Mas, para isso, é preciso nos
descolarmos do conceito de (in)disciplina, pois este tem sido uma névoa que encobre as questões urgentes.
Esse debate, que precisa ser feito, deve ser complexo e completo, abrangendo muitas dimensões da realidade educacional. Uma delas, a dimensão subjetiva, dos sentidos e significados que são produzidos pelos agentes e que compõem a realidade escolar, foi a contribuição que pretendemos dar com nossa pesquisa.
Ao destacarmos sentidos e significados relacionados à indisciplina, este trabalho espera ter oferecido ao contexto acadêmico um impulso a outros pesquisadores, para que investiguem outros aspectos, outras dimensões das relações na escola, possibilitando a crítica e a superação de explicações estreitas e simplistas das questões e problemas escolares. Também a mim, como pesquisadora, permanece a necessidade de conhecer outros estudos que possam permitir uma ampliação da reflexão aqui apresentada, com o propósito de compreender as complexas relações existentes entre ensino e aprendizagem, entre prática e formação docente, entre sujeitos e práticas educacionais e entre sociedade e escola, nos colocando frente à realidade do século XXI. .
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ANEXO I
QUESTIONÁRIO REALIZADO COM ALUNOS