Neste núcleo procuramos evidenciar, pelos trechos do diálogo da professora, quem são os alunos que frequentam a escola, identificando-os a partir de dois grupos: os que são considerados bons alunos e os que são considerados maus alunos.
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“Um bom aluno, é um bom aluno, o interessado né, o participativo, aquele aluno que interage bem com os colegas, com o professor, que dá o retorno que a gente espera dele, nesse sentido, não precisa ser o aluno que tire 10, nota máxima, não é isso, mas que a gente perceba o retorno dele.”
“Bom, nosso perfil de aluno, a maior parte apresenta um perfil que reflete a situação da sociedade mesmo né, não é procurar uma justificativa social e econômica não, mas de fato é o que acontece, e eles tem esse comportamento porque eles vivem nesse mundo de agressividade em casa, na rua, né”.
“Muitas famílias que se desmanchavam, filhos de adolescentes, foram mãe adolescentes, né, foram, são pais e mães que se casaram, tem muitos que tem mãe solteiras, se casaram depois com outra pessoa, então não é o pai dele que tá em casa, é outra pessoa, criou depois de um tempo, começou a criar, mas não formou aquele conceito de família né, mesmo, onde a criança desde pequena sente esse respaldo familiar, né...”
“(...) então, reflete muito no comportamento deles mesmo, na , né, escola, entre eles, na relação entre eles na escola, a gente vê que a linguagem entre eles é muito de palavrões, né, que eu já falei, é pra eles comum, são termos usados na casa deles”. “Muitos deles são criados por avós, não é, e os avós criam de uma maneira mais maleável até, quando vem uma mãe na escola, a gente vê que ela cuidou dele né, infância sozinha, as vezes a mãe é meio desleixada com o filho quem criou foi a avó que tava em casa, e a mãe não tem tanta preocupação, então quem teve foi a avó e o avô”.
“(...) só que eles, muitas vezes, muitos deles são bem sacanas mesmo né, porque eles aproveitam oportunidade né, eles fazem parte de uma comunidade que tem acesso a muitas coisas aqui na região, né, meios eletrônicos, à lugares diferentes, eles não estão presos numa comunidade pobre, eles conhecem muita coisa boa e querem ter acesso à isso e tem, acesso a tudo isso. Eu dei aula numa comunidade bem mais, que não tinha acesso à muitas outras coisas, a gente via que as crianças iam pra aula no frio, sem roupa, praticamente de bermuda e chinelo, aquelas canelinhas lá até branca de frio, enquanto que aqui você vê que eles tem roupas boas, e lá nessa comunidade do Jd Peri Alto que eu dava aula, muitas vezes tinha alunos bem mais, que contribuíam muito mais na sala de aula e apresentavam um interesse maior, né”. “Então aqui eu percebo que o interesse deles é muito pelo material, eles são muito imediatistas, a gente conhece esse termo né, eles não tem noção desse termo, mas a gente pode conceituar assim: eles são muito imediatistas, eles querem ter tudo agora,
então eles não querem traçar um caminho pro futuro deles, eles não conseguem ter uma visão, porque os desejos e vontade deles são rapidamente , eles conseguem rapidamente aquilo que eles desejam, de estarem numa condição, assim, já muito mais acessível das que eles teriam aqui”.
“Os alunos não gostam da escola com o objetivo que ela tem que cumprir, eu acredito que não, tô falando assim, pensando nessa questão da indisciplina generalizada que tá né. Não naqueles poucos alunos que vem com esse propósito que trazem de casa, então, aí esse tem noção do que é a escola. Então a maioria deles que provocam a indisciplina, que não colaboram, não querem estudar, não querem aprender, não tem, não gostam da escola com o objetivo que ela traz, né, que é a educação, passar o conhecimento, desenvolver, né a parte intelectual e a capacidade deles mesmo, né de acordo com a idade que eles tem que desenvolver”.
“(...) Como eu falei, mais da metade mesmo, que são os provocadores de indisciplina, que tem aqueles que seguem esse modelo, esses exemplos, que na minoria, que são bons alunos como eu classifiquei”.
“Bom, não é segredo nem novidade pra ninguém, na escola pública eu falo porque em particular, como eu nunca trabalhei eu não posso dizer como que é o andamento e a questão de por a ordem lá e a cobrança e a segurança né, mas aqui na escola pública a gente não pode por exemplo nem mesmo fazer uma auditoria no aluno que seja suspeito”.
“Vamos dizer tá levando drogas, né, sempre no intervalo, a gente tá na sala dos professores, a gente chega, sente cheiro que vem do pátio, no intervalo, de maconha, então, em algum lugar lá tem, nenhum inspetor estando no pátio consegue identificar e se consegue, é um aluno que apresenta uma condição muito perigosa, dificilmente alguém vai se indispor, um inspetor né, que tá lá todo dia frente-a-frente com esse aluno,né”.
“Hoje o grau de violência, não só fora, mas dentro da escola tá muito alto. Então a gente sabe que o aluno leva droga, já foi pego com bebida dentro da escola. Aluno que já chega de manhã bêbado, travado, maconhado, drogado, se eles vêm de festa e vão pra casa, pra casa pra fazer alguma coisa e voltam pra escola nessa situação, a gente percebe que o aluno não é usuário”.
“(...) eles são bem dissimulados também, tem essa característica, a maioria dos alunos são dissimulados, né, ficam sentadinhos quando a coordenação desce, a direção, e então conversando com eles...”
“Eles não tem interesse de aprender, de 30 alunos na sala, acho que os interessados ali, são no máximo 10 que correspondem”.
“(...) eles já tinham um pouco desse desinteresse né, então, é coisa que eles já trazem a longo prazo mesmo com eles”.
“tem alguns que apresentam um comportamento mais agressivo, quando a gente chama atenção eles respondem com certa agressividade, não querem assumir que erram né, e não querem aceitar a colocação do professor diante dos colegas, eles não aceitam, eles acham que vão tá ficando por baixo e não querem que os colegas vejam eles dessa forma”
De acordo com os trechos do diálogo da professora, o bom aluno é aqueles que “é interessado né, o participativo, aquele aluno que interage bem com os colegas, com o professor, que dá o retorno que a gente espera dele, nesse sentido, não precisa ser o aluno que tire 10, nota máxima, não é isso, mas que a gente perceba o retorno dele”.
Já os maus alunos são caracterizados pela professora como os alunos que refletem a situação da sociedade, são agressivos, pertencentes a famílias problemáticas, são mal educados, falam palavrões, dissimulados, chegam a ser sacanas e aproveitadores de oportunidades, interessados apenas no bem material, imediatistas, não gostam da escola para estudar. Muitos são usuários de drogas e álcool, tendo até traficantes entre eles.