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Biologiske og oceanografiske undersøkelser i terminen 1936-37:

In document Fiskeriene 1937 (sider 65-0)

Como já vimos em capítulos anteriores, os meios de comunicação têm dificuldades em assumir o erro. Os jornalistas são, muitas vezes, arrogantes, o que dificulta as publicações de informações sobre a presunção da inocência de um político que está sendo acusado em um escândalo, como ocorreu no episódio Ibsen Pinheiro.

No caso do deputado, os fatos se encarregaram de desmentir as versões das primeiras reportagens sobre o caso. Na edição de Veja, do dia 24 de novembro de 1993, encontra-se na mesma reportagem já citada, sob título ―Um milhão de dificuldades‖ com destaque para o próprio responsável pela subcomissão que investigava o caso, o deputado federal Benedito Gama. A revista diz que o parlamentar é um político experiente que foi presidente da CPI de Collor-PC e secretário da Fazenda da Bahia. Mesmo com toda essa experiência, Veja confiou na fonte e errou ao publicar que Ibsen tinha 1 milhão de dólares em suas contas pessoais.

A revista fez mea-culpa para tentar se explicar, sem, entretanto, admitir que ela pessoalmente errou no caso. Abaixo um trecho da reportagem de Veja.

A subcomissão confundiu depósitos novos com transferências de uma conta para outra, ou aplicações financeiras. Ibsen Pinheiro não teve dificuldades254 de explicar

400.000 dólares de seus depósitos. ―Vieram do meu salário, como deputado, de minha aposentadoria como jornalista e de minhas diárias internacionais‖, diz. Como deputado, ele recebe cerca de 6.000 dólares mensais. Sua aposentadoria é de

254 Aqui vai uma observação. Nota-se perfeitamente a mudança de postura. Agora a revista diz que Ibsen não

teve (ênfase minha) dificuldade em se explicar. Nem parece a mesma revista que no início das acusações, ao lado de outros meios de comunicação da grande imprensa, dizia que o deputado tinha dificuldade de explicar os depósitos em suas contas. Ou seja, a revista admite de forma muito oculta, com uma certa negativa, às vezes dizendo sim, às vezes dizendo não para o erro cometido. Esse erro, sendo involuntário ou não, acaba por manipular a informação que é passada para o leitor de Veja.

600 dólares mensais e as diárias pegas pelo Congresso são gordas: 500 dólares, com a vantagem de que a sobra de hospedagem, alimentação e transporte não precisa ser reembolsada. Outros 175.000 dólares depositados em sua conta tiveram origem na Riocell, fábrica de celulose que comprou duas fazendas de Ibsen. Ela apresentou recibo e notas de cartório comprovando o negócio.

Complô – Sobram 425.000 dólares, do quais Ibsen justifica sem problemas, o depósito de 160.000 dólares. Segundo ele, foram antigas economias, convertidas em cadernetas de poupança. Há ainda 35.000 dólares – esses explicáveis. O dinheiro veio do deputado Genebaldo Correia, no dia 28 de junho de 1989. Há três cheques dele na conta de Ibsen. O ex-presidente da Câmara diz que recebeu essa quantia pela venda de uma caminhonete F-1000 equipada. O negócio não chegou a ser concretizado, e Ibsen garante ter devolvido o dinheiro, só não se lembra como. ―Não sei se foi em cheque, dinheiro vivo ou se assumi um débito dele. O fato é que devolvi o dinheiro. Que paguei, paguei‖, afirma. Genebaldo, por sua vez, também não se lembra da história. (...) ―A CPI errou na conta. Estou sendo vítima de um complô‖, afirma255.

A essa altura o erro praticamente já estava caracterizado. A revista já sabia disso. A própria Veja já jogava a culpa da informação para a subcomissão da CPI.

A subcomissão de bancos errou, mas não há complô algum contra Ibsen. O que pesa contra ele é a própria falta de memória e uma estreita ligação com a anãozada do orçamento, a alegre turma que lhe fez companhia na viagem de turismo às ilhas gregas dois anos atrás. (...) Ibsen tem todo o direito de se defender, e ele não perde tempo. Na semana passada, contratou a empresa de auditoria de Antoninho Marmo Trevisan para checar suas contas e o advogado Ives Gandra Martins para lhe dar um parecer256.

Na edição seguinte, Veja não trouxe reportagem de capa sobre o episódio. Deu ênfase maior, não individualmente ao caso de Ibsen, como fez na edição de 17 de novembro, mais mostrava que a Câmara dos Deputados poderia cassar oito deputados na CPI do Orçamento ou o caso dos anões do orçamento como ficou conhecida.

A reportagem reclamava que ―apenas‖ oito deputados estavam na mira da CPI e comparava o trabalho da comissão ao humorístico Casseta & Planeta.

A CPI do Orçamento pode terminar como a Comissão Casseta & Planeta de Investigação do programa humorístico que a Rede Globo exibe nesta terça-feira: numa grande farsa. Há um mês, o economista José Carlos Alves do Santos disse a Veja o nome dos 23 parlamentares, dois ministros de Itamar, quatro ex-ministros e quatro empreiteiras que integravam o esquema de corrupção do Orçamento. Depois, o número subiu para 25 congressistas. Na semana passada havia material contra oito parlamentares, que podem efetivamente ser cassados. Na quinta-feira, o deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), relator da CPI, encarregado de alinhavar as conclusões finais dos trabalhos e propor punições aos culpados, estava convencido de que mesmo os corruptos sejam capazes de conservar seus mandatos – hipótese que jogaria a lama dos anões pelo Congresso inteiro e teria consequências imprevisíveis sobre o ambiente político. ―Quero dizer a vocês que acho muito difícil esse Congresso cassar alguém‖, confessou Magalhães durante uma reunião com caciques do PFL257.

255 Veja, 24 de novembro de 1993, p. 43. 256 Veja, loc. cit.

A reportagem trazia uma foto com os atores de Casseta & Planeta imitando alguns deputados, como Benito Gama e até o deputado Ibsen Pinheiro. Nesta edição, Veja também mostrava uma foto de Ibsen Pinheiro ‗coçando os olhos‘ – como se estivesse caindo uma lágrima de seu rosto e na legenda escrito ―Ibsen na lista dos acusados: não explica 230.000 dólares nem convence com a caminhonete.

Na edição seguinte Veja questionava: ―Até onde vai a CPI?‖ – era a manchete de capa da revista na edição de 15 de dezembro de 1993. No olho/linha fina, a revista afirmava que ―depois de abrir o leque de investigações e aceitar listas inconclusivas, a CPI adia seus trabalhos e corre o risco de terminar emparedada‖. A reportagem de seis páginas trazia pouca referência a Ibsen. Veja já tinha consciência do equívoco que havia cometido. No entanto, ele ainda não havia se tornado público.

Entre as seis páginas, apenas uma referência. Uma foto do deputado do PMDB.

―Ibsen: caminhonete que não convence‖ – ainda uma referência à compra de uma caminhonete – cuja transação financeira ocorreu por meio de um depósito feito na conta de Ibsen e que perfeitamente era compatível com seus rendimentos da época. Abaixo da legenda da foto, um resumo em nove linhas:

Ibsen Pinheiro, José Carlos Vasconcelos e Carlos Benevides estão enrolados. Ibsen não consegue explicar seu saldo bancário e um negócio com Genebaldo258.

Em mais uma edição, Veja trouxe o seguinte título no dia 26 de dezembro de 1993: ―Depoimento lacrimoso‖. Abaixo a linha fina trazia, por incrível que pareça, elogios ao deputado: ―O deputado Ibsen Pinheiro faz um bom discurso, explica seu patrimônio, deixa algumas dúvidas e chora ao depor‖. A revista já sabia de seu equívoco em relação às denúncias de que o parlamentar teria um milhão de dólares em suas contas. É como se a revista, ao promover as acusações contra o deputado, tentasse na primeira edição de 17 de novembro, incutir na cabeça das pessoas uma realidade, considerada verdadeira, mas que não era. Perseu Abramo já trouxe explicações sobre esse tema deixando claro que a imprensa muitas vezes cria uma realidade artificial, como ocorreu com o caso Ibsen.

É uma realidade artificial, não-real, irreal, criada e desenvolvida pela imprensa e apresentada no lugar da realidade real. A relação que existe entre a imprensa e a realidade é parecida com a que existe entre um espelho deformado e um objeto que

258O negócio com Genebaldo a que a revista se refere é exatamente a compra de uma caminhonete F-1000. Ibsen

comprou o carro de Genebaldo e recebeu um depósito em sua conta. O valor do documento bancário era compatível com essa transação. Segundo a própria revista Veja, seriam depositados na conta de Ibsen três cheques no valor total de 35 mil dólares. A obviedade das explicações de Ibsen não emplacaram diante da ânsia de apuração jornalística sobre o fato. Mais um exagero.

ele aparentemente reflete: a imagem do espelho tem algo a ver com o objeto, mas não só não é o objeto como também não é a sua imagem: é a imagem de outro objeto que não corresponde ao objeto real. Assim, o público — a sociedade — é cotidiana e sistematicamente colocado diante de uma realidade artificialmente criada pela imprensa e que se contradiz, se contrapõe e frequentemente se superpõe e domina a realidade real que ele vive e conhece. Como o público é fragmentado no leitor ou no telespectador individual, ele só percebe a contradição quando se trata da infinitesimal parcela de realidade da qual ele é protagonista, testemunha ou agente direto, e que, portanto, conhece. A imensa parte da realidade ele a capta por meio da imagem artificial e irreal da realidade criada pela imprensa; essa é, justamente, a parte da realidade que ele não percebe diretamente, mas aprende por conhecimento. Daí que cada leitor tem, para si, uma imagem da realidade, que na sua quase totalidade, não é real. É diferente e até antagonicamente oposta à realidade.(...) A manipulação das informações se transforma, assim, em manipulação da realidade 259.

Agora, nessa reportagem, Veja considerava que o deputado teria dado a ―volta por cima‖. É como se a revista batesse e, ao descobrir que errou – como veremos no próximo capítulo – decidiu ‗assoprar‘ para fazer mea-culpa. E trouxe relatos, considerados satisfatórios, do deputado à CPI.

(...) o deputado Ibsen Pinheiro apareceu para explicar-se na CPI. E chorou. Não porque estava acuado pela fogueira dos seus cheques. Chorou porque pelo menos na CPI, onde depôs na quinta-feira, Ibsen deu a volta por cima. Teve o respeito e a simpatia dos seus inquisidores e, a certa altura, prestando um bom depoimento, chegou a ouvir o senador Elcio Álvares afirmar que suas explicações honravam sua biografia. Ibsen escutou os elogios com lágrimas no rosto e, com a voz embargada, disse: ―Estava preparado para as perguntas mais duras, mas não para a sua generosidade‖. (...) O deputado estava seguro, falou com clareza e apresentou uma defesa de advogado. (...) O deputado deu um depoimento devastador para a própria CPI. Acabou por jogar uma sombra de dúvida sobre a papelada que seus membros agitam com denúncias, comprometendo o trabalho do deputado Aloizio Mercadante e do senador José Paulo Bisol260.

A própria revista reconhece em trecho posterior, o ‗martírio‘ pessoal pelo qual viveu Ibsen durante todo o episódio. Em uma foto publicada na revista, o deputado é mostrado em dois momentos. Propositalmente, a revista traz uma foto de Ibsen, sem óculos, com cabelo penteado, olhar sereno, sério e com um ar maioral. Na outra foto, na mesma página, Ibsen aparece de óculos, cabelos um pouco espalhados, com ar ‗desesperado‘, tenso, movimentando a mão direita, como se tentasse explicar e se defender contra as acusações que vinha sofrendo na época. Abaixo das duas fotos a legenda: ―O gaúcho Ibsen Pinheiro, antes e depois da CPI: 12 quilos a menos, sem emendas à revisão e com vergonha de ser deputado‖.

259 ABRAMO, 2003, p. 24.

Ou seja, até parece uma ‗linha de montagem‘ da imprensa contra um ator político que provocou alto poder destrutivo, não só na vida pública, mas sim na vida pessoal. Agora, Ibsen tentava administrar o sentimento de vergonha numa sensação de impotência diante de tantos golpes.

Diante da sede da mídia por informações, no início do escândalo, até o depoimento na CPI, Ibsen vivia no eterno dilema de como se posicionar. Ele tentava fazer isso se defendendo aos colegas deputados e, com muita mais dificuldade, pela mídia que o acusava, uma vez que os espaços para sua defesa eram pequenos e o estrago do início da denúncia já tinha sido feito.

In document Fiskeriene 1937 (sider 65-0)