4 WAVE THEORY
4.1 GERSTNER'S WAVE THEORY
4.1.3 Vorticity, circulation and rotation
A proposta defendida por Hibbs (1977) considerou que os eleitores adotavam apenas expectativas adaptativas com relação ao comportamento dos partidos políticos quando estes ocupavam o poder. Por isso, Alesina (1987) e Alesina e Roubini (1992) propuseram a existência de um modelo que incorporasse também as expectativas racionais, de forma que os eleitores agora apresentam um comportamento prospectivo, colhendo o máximo de informações para formar suas expectativas.
Preussler e Portugal (2003) afirmam que o modelo de Alesina (1987) tem como princípio a existência de determinado grau de incerteza quanto aos resultados eleitorais.
Para Cançado e Araújo Junior (2004, p. 14), os eleitores não têm como saber com certeza qual partido ganhará as eleições e conseqüentemente qual será o comportamento das variáveis macroeconômicas. Assim, os trabalhadores (eleitores) negociam o reajuste nominal de seus salários a cada ano, tentando minimizar perdas causadas pela inflação. Então, em anos
pré-eleitorais, os trabalhadores reajustam seus salários baseados na probabilidade de cada partido ganhar a eleição, de modo que a probabilidade é facilmente observável por meio dos resultados de pesquisas eleitorais.
A respeito do modelo, Cançado e Araujo Junior (2004) concluem que caso as pesquisas eleitorais mostrem uma maior probabilidade de um partido de direita ganhar a eleição, os trabalhadores irão esperar uma baixa taxa de inflação.
Supondo que um partido de esquerda ganhe a eleição, ele irá conseguir reduzir o nível de desemprego a uma taxa menor do que a taxa natural no primeiro ano de mandato, sem com isso aumentar a inflação. Por isso, nos anos seguintes do mandato, os agentes reformulam suas expectativas, o nível de desemprego volta ao nível natural e a taxa de inflação aumenta. Para os autores, este impacto no primeiro ano de governo só é possível porque o resultado da eleição foi inesperado. Como o modelo coloca as eleições como o único motivo para a existência dos ciclos, qualquer que seja o resultado das eleições, não existirá inflação surpresa na segunda parte do mandato.
Preussler e Portugal (2003) explicaram graficamente o comportamento das variáveis desemprego e inflação no modelo partidário com expectativas racionais, proposto por Alesina.
Gráfico 3: Efeito dos ciclos políticos econômicos com eleitores racionais
1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4
Desemprego Inflação
Fonte: Preussler e Portugal, 2003.
Observe a situação apresentada no gráfico acima: o partido da situação é de direita e a taxa de desemprego, após crescimento no primeiro ano, manteve-se na margem da taxa natural de desemprego, enquanto a taxa de inflação caiu e se manteve constante durante os
E1 Governo de direita E2 E3 E4 Governo de esquerda, eleição inesperada Governo de esquerda, eleição esperada
quatro anos de seu mandato. Suponha que as pesquisas indiquem a reeleição da direita; nessa situação, o mercado cria uma expectativa de redução da inflação, entretanto, inesperadamente, quem vence em (E2) é um partido com ideologia de esquerda. Assim, o governante poderá reduzir a taxa de desemprego abaixo da taxa natural no primeiro ano, sem provocar um aumento na taxa de inflação. Contudo, com o passar do efeito surpresa, à medida que os agentes econômicos reformulem suas expectativas, a taxa de inflação aumenta e o desemprego retorna à taxa natural. Já na eleição (E3), se o resultado das eleições confirmarem as tendências das pesquisas de reeleição, o impacto das políticas expansionistas implementadas pelo partido de esquerda será menor, vez que os agentes já incorporaram essa informação ao formarem suas expectativas de inflação.
Preussler e Portugal (2003) fazem uma importante ressalva para o caso brasileiro, pois a estrutura pluripartidária da política nacional e a ocorrência de infidelidade ideológica inviabilizam a divisão bem definida entre “direita” e “esquerda”, a exemplo do que ocorre em alguns países da Europa e nos Estados Unidos.
Outro aspecto importante destacado por Cançado e Araujo Junior (2004) se refere ao fato de que os ciclos são mais profundos, quanto maiores são as diferenças ideológicas entre os partidos.
Segundo os autores, outro trabalho de Alesina e Tabellini (1990) aponta como possível causa para os ciclos político-econômicos a existência de discordância entre o governante presente e futuro. Para Cançado e Araújo Júnior (2004), quando o atual governante percebe a possibilidade de não ser reeleito, utiliza-se de uma grande expansão da dívida pública como forma de diminuir a liberdade de ações e comprometendo o sucesso do seu sucessor.
Nesse sentido, o estudo realizado por Alesina, Roubini e Cohen (1992), que propôs verificar o efeito das eleições sobre os déficits orçamentários nos países que compõem a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico – OCDE, apresentou resultados estatisticamente significativos, sugerindo a adoção de políticas fiscais mais frouxas em anos eleitorais. (FIALHO, 1999).
O quadro a seguir apresenta, de forma resumida, as principais características dos modelos dos ciclos políticos e suas relações com os instrumentos de política econômica.
Quadro 2: Síntese das teorias dos ciclos políticos.
Teoria Oportunista Teoria Partidária
Tradicional Racional Tradicional Racional
Taxa de Inflação Aumento da inflação no período anterior ao da realização das eleições, estendendo- se durante alguns trimestres após as eleições. Em seguida diminui. Comportamento igual ao dos modelos tradicionais, mas os efeitos na duração e na dimensão são menores. A inflação se mantém elevada quando um partido de esquerda está no poder e, quando um partido de direita governa, se mantém baixa. Inflação permanece elevada quando partido de esquerda governa. Taxa de crescimento do PIB e Taxa de Desemprego A partir do 3º ou 4º ano de mandato a taxa de crescimento do PIB encontra-se acima do normal (desemprego abaixo do normal). Há queda da taxa de crescimento do PIB após as eleições (aumento do desem- prego).
Não existe evidência de um ciclo regular na taxa de crescimento do PIB e na taxa de desemprego. Taxa de crescimento do PIB permanentemente elevado e taxa de desem- prego permanentemente baixa quando um partido de esquerda está no poder. O contrário ocorre quando um partido de direita governa.
Taxa de crescimento do PIB temporaria- mente acima do seu valor natural e de- semprego tempora- riamente abaixo do seu valor natural após a vitória de um partido de esquerda. Ocorre o contrário se ganhar um partido de direita. Política Monetária As políticas monetá- ria e fiscal são ex- pansionistas a partir do último ou penúl- timo ano antes das eleições e contracio- nistas na primeira metade do mandato. As políticas são expansionistas nos últimos 2 ou 3 tri- mestres que antecedem uma eleição e contracionistas nos 2 ou 3 trimestres após as eleições. Os efeitos são menos intensos e de duração menor em relação ao modelo tradicional.
A taxa de crescimento da oferta de moeda deve ser mais elevada com governos de esquerda e, como a inflação também é mais elevada, as taxas de juros também tendem ser mais elevadas.
Política Fiscal
Os governantes são mais propensos a déficits orçamentários, apesar de também serem mais propensos a aumentar os impostos.
Fonte: Salvato et al (2007), adaptado de Martins (2002).