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Quando indagadas sobre como é ser adulto idoso na sociedade contemporânea e quais os maiores desafios enfrentados nesta fase da vida, as respondentes, do curso de informática, afirmam que nessa fase da vida os desafios a serem superados são muitos, e é no cotidiano que o idoso se depara com diferentes desafios a serem enfrentados. Um dos desafios diário está em relação ao uso do transporte público. Relataram que o ônibus não para para os idosos e quando para ironiza: “o idoso tem que ficar em casa”, e geralmente as pessoas sorriem causando constrangimento ao idoso.

E balançando a cabeça, desabafam em tom de quem sabem o que falam; para o idoso é fundamental muita força de vontade para enfrentar esses desafios diários e não se isolarem do mundo, da sociedade como pessoas que perderam a alegria de viver.Segundo Neri (2002) a qualidade de vida na velhice está condicionada a satisfação, ao envolvimento e ao senso de realização em sua competência social e cognitiva, o que certamente é corroborada por meio de atitudes positivas. E reitera: as virtudes da velhice e o envelhecer com qualidade de vida individual e social dependem do equilíbrio existente entre as limitações e as possibilidades da pessoa humana.

Ao serem inquiridas sobre os desafios enfrentados na participação do curso de informática, as respondentes disseram que foram muitos, desde a decisão de se inscreverem no curso, e como enfrentarem um mundo desconhecido, nesse

momento o idoso experimenta vários sentimentos, que se misturam como; medo, insegurança, vergonha e incapacidade para aprender. Outro desafio foi conhecer e aprender a linguagem da informática, saber o nome dos componentes principais do computador, e desvendar os segredos das redes sociais, para elas tudo era estranho e muito difícil.

O idoso enfrenta muito preconceito, o ônibus não para o idoso. Então às vezes não se pode sair como saía antes. Sofro de artrose no joelho, problemas musculares logo, é mais difícil, mas não desisto continuo estudando e fazendo outras atividades (I - 7).

O idoso sofre muito, muito preconceito em todos os lugares, no transporte público, banco, mercado onde o idoso for existe preconceito. Eu trabalho em minha casa, lavo e passo roupa, preparo comida. E também vou ao curso de informática no CCI. Lá eu converso com as amigas e esqueço a doença, as dores na coluna. Na verdade eu não posso ficar parada senão adoeço (I - 5). Há muitos dificuldades para mim, o computador era um mundo desconhecido, não sabia o nome dos aparelhos, tinha medo de ligar e desligar o computador. Eu fazia os exercícios e na próxima aula, já não me lembrava de mais nada. sentia-me “burra” Hoje já aprendi alguma coisa, fiz amizades, e estou feliz

(I - 10).

As dificuldades são tantas que eu nem sei explicar. Eu sentia vergonha de não saber nada. O professor precisou ter bastante paciência comigo. Mas agora eu me sinto bem melhor, me sinto mais segura e continuo aprendendo. Ligar e desligar o computador sem ajuda de ninguém é libertador (I - 6).

Quadro 8 – Desafios vivenciados pelas idosas do curso de Informática - Categorias estabelecidas

Categorias Descrição das categorias Participantes Enfrentamento Coragem para voltar a estudar. Enfrentar um

mundo desconhecido.

3 Meio de

Transporte

Dificuldade de locomoção, desrespeito às singularidades da pessoa idosa.

3 Preconceito social Intolerância a diferenças é vivenciada pelas

idosas, apatia.

2 Dificuldades de

aprender a usar o computador

Insegurança para manusear o computador. 2

Total 10

Os resultados mostraram que as participantes disseram que voltar a estudar, enfrentando preconceitos e dificuldades de toda ordem foi uma decisão pensada e sofrida. Elas destacaram que depender do transporte público, realmente, é um desafio para quem necessita sair de casa. Elas se sentem discriminadas socialmente, esta conduta de indiferença da sociedade estabelece no idoso o sentimento de insegurança, ameaçando a identidade do ser humano. As participantes salientaram a importância da participação, em sala de aula, para a construção de um espaço solidário quecontribui para a superação dos desafios.Os desafios apresentados pelo envelhecimento da população variam em dimensões e dificuldades, mas é imperioso que o idoso seja integrado na sociedade como um cidadão que construiu e reconstruiu histórias, através de experiências vivenciadas no trajeto de vida. Balbinotti (2003) atenta para o fato de que os adultos Idosos de hoje estão construindo uma identidade própria, com outro perfil, que inclui continuar atuante, realizando projetos, lutando pela manutenção da sua autoestima. São pessoas que, num mundo atual e globalizado, pretendem não estar à margem do processo, mas incluídos socialmente.

Enquanto as participantes do curso de artesanato, os desafios enfrentados nessa fase da vida são de toda ordem: em casa, na rua, no mercado, no banco, mas é no transporte público que o idoso de sente discriminado publicamente. E salientam: “quando precisamos sair de casa e usar o ônibus, enfrentamos pessoas que não têm paciência, não respeitam o ritmo da pessoa idosa, que não tem mais a agilidade da juventude”. Como também desabafam: “a carteira do idoso é motivo para que o motorista passe direto e só para no ponto se tiver um jovem”, para a sociedade o importante é pagar a passagem. o ser humano não é considerado. E destacam: “ quem vale é o dinheiro”.

Na rua quando vamos pegar o ônibus as pessoas reclamam e dizem o que fazem os idosos na rua? Por que não ficam em casa? (I - 1).

Eu acho que as pessoas abandonam os idosos, não há respeito nas paradas de ônibus ninguém ouve o idoso, o idoso se torna invisível (I - 3).

Olha às vezes, as pessoas têm sim preconceito com o idoso e dizem: eu não sei o que esses velhos estão fazendo na rua, porque não ficam em casa dormindo. (I - 5).

Bem o maior desafio que enfrento é porque eu moro longe e preciso pegar dois ônibus e não é fácil, desço de um e fico esperando o outro. Às vezes falto ao curso e volto para casa. É muito difícil depender de ônibus para sair de casa e fazer alguma coisa (I - 5).

A dificuldade é porque tem dia que eu estou tão desanimada, com muita dor na coluna, que só quero ficar em casa, mas eu enfrento o desânimo e venho! (I - 6).

Quadro 9 - Desafios vivenciados pelas idosas do curso de Artesanato - Categorias estabelecidas

Categorias Descrição das categorias Participantes A distância Residir longe do local do curso 3

Meio de transporte Desrespeito dos motoristas do transporte público

2 Preconceito social,

familiar

Desvalorização do idoso como ser humano ativo e participativo.

3 Enfermidades Dificuldades de continuar frequentando o

curso

2

Total 10

Fonte: Dados obtidos na pesquisa de campo, 2012.

Pelos resultados anteriormente expostos pode-se compreender que as pessoas idosas desejam e podem permanecer ativas e independentes quanto for possível, se o devido apoio lhes for proporcionado. Uma questão validada pelas participantes que constitui desafio é a distância, estudam em Brasília, mas vivem em Regiões Administrativas do Distrito Federal – RA. Quanto ao transporte público as participantes afirmaram a falta de respeito com a pessoa idosa.

E ressaltaram “carecer do transporte público para locomover-se é um desafio diário.” Outra temática em destaque é o preconceito social e familiar indicando o

despreparo da sociedade em relação aos direitos da pessoa idosa. Observa-se que apesar dos desafios a serem enfrentados as idosas mantém o propósito de continuarem no curso de artesanato, enfrentar as enfermidades e permanecer no curso de artesanato.

Esses dados comprovam as afirmações de Meira (2001) por meio de trabalhos expressivos a expressão se revela cada um pode conhecer seu mundo interior, movimentar-se melhor na vida. Pode vivenciar criar, expressar, superar, promover a saúde, que não está em lugar nenhum, senão na relação da pessoa com suas condições de vida. Neste panorama Jung (2000) defende que a arte é a liberdade de expressão, é sensibilidade, é criatividade, é vida.