O paradigma qualitativo ganhou novas proporções na década de 1980, como forte oposição ao positivismo. Para os pesquisadores que adotavam o primeiro, este era muito superior ao paradigma quantitativo. A principal característica da abordagem qualitativa, conforme Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998), é a visão holística, compreensiva ou interpretativa. Isso implica afirmar que as pesquisas têm de levar em consideração as crenças, os valores e os princípios dos sujeitos envolvidos nas pesquisas e os modos como eles agem em função desse conjunto de fatores sociais. A intervenção do pesquisador no contexto social deve ser a menor possível. É a busca de captar os dados subjetivos e analisá-los para compreender a realidade em que a pesquisa está sendo realizada.
Uma visão crítica surge e assume um papel investigador mais relacional. Ela centra sua ênfase na análise das condições de regulação social, desigualdade e poder, conforme Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998). Coerente com essa postura, essa teoria busca investigar o que ocorre nos grupos e relaciona a cultura e as estruturas sociais e políticas, tentando compreender a forma como o poder se estabelece, como é mediado e transformado.
Nos últimos tempos, pesquisadores da área das ciências sociais têm desenvolvido procedimentos que possibilitam efetuar pesquisas com maior precisão dos dados, bem como analisar a validade e a comprovação dos resultados, sem perder a conotação qualitativa atribuída às mesmas.
Entretanto, no dizer de Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998), não se pode falar de paradigma qualitativo, pois diferentes paradigmas utilizam metodologias qualitativas. Mas, pode-se, ao mesmo tempo, perceber no interior desses onde recai a ênfase da pesquisa, se na modalidade qualitativa ou na modalidade quantitativa. Além disso, há uma percepção subjetiva em todo trabalho realizado, mesmo que se busque a neutralidade. Isso não desmerece a ciência e nem a pesquisa. Ao contrário, enobrece-a, pois a insere numa contextualização social importante, sendo possível projetar-se a aplicabilidade de seus resultados.
Desse modo, o que existe de fato é uma natureza de complementaridade entre as abordagens qualitativa e quantitativa. Ambas podem ser de grande valia e, ao invés de se oporem, podem ajudar consideravelmente na realização de projetos de pesquisa científica.
Dessa forma, o importante é que o pesquisador saiba utilizar as mais diversas ferramentas, mantendo, evidentemente, o enfoque numa perspectiva qualitativa ou quantitativa de acordo com o objeto de seu estudo. E isso não significa se colocar contra uma abordagem ou outra, mas sim realizar uma pesquisa com um olhar mais amplo e tendo uma postura mais crítica, inclusive frente às próprias abordagens adotadas e ferramentas utilizadas na realização da pesquisa.
Essa postura favorecerá uma perspectiva mais abrangente do que seja ciência e de como se pode, através da pesquisa que se realiza, contribuir para o desenvolvimento da mesma, vislumbrando horizontes mais largos, buscando a integração de elementos de ambas as metodologias, seja qualitativa, seja quantitativa, sem se perder na escolha dos métodos, quando se fizer necessário.
Esta pesquisa, de caráter qualitativo, explicativo e exploratório, consistiu em analisar o PIBIC do IBAMA. Assim, objetivou-se aprender com a experiência realizada. Portanto, esta análise considerou os aspectos: análise de bolsistas que estão em processo de execução do programa e dos orientadores. O resultado foi a verificação dos benefícios que o PIBIC possibilitou a esses pesquisadores da iniciação científica, não apenas em nível teórico, mas também e, principalmente, em níveis de iniciação e de realização profissional. Nesse sentido, a metodologia adotada envolveu procedimentos tanto de ordem qualitativa, quanto quantitativa, e o método empregado foi o estudo de caso. Segundo Yin (2007), o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa muito vantajosa para as pesquisas sociais, por permitir a investigação de um fenômeno contemporâneo no seu contexto real e em que múltiplas fontes de evidências são utilizadas.
4.1. População e amostra
Os sujeitos desta pesquisa foram os 28 orientadores e os 40 bolsistas do PIBIC/IBAMA da edição de agosto de 2006 a julho de 2007. Todos os bolsistas são estudantes de graduação em diversas áreas do conhecimento, de Universidades públicas e privadas, que desenvolvem projetos de pesquisa em nove centros especializados do IBAMA, em vários Estados do Brasil. Os orientadores dos projetos de pesquisa são servidores do quadro permanente do IBAMA e possuem titulação mínima de mestrado, atuando como pesquisadores no IBAMA, com lotação oficial nos Centros Especializados de Pesquisa.
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4.2. Instrumentos e coleta de dados
Em vista, da proximidade do término da edição do PIBIC analisada nesta pesquisa, optou-se pela Avaliação de Resultados Rápidos (Rapid Assessment). Foram aplicados questionários diferenciados aos bolsistas e aos orientadores, respectivamente, abordando questões relacionadas aos objetivos do PIBIC do IBAMA. Por meio deles, objetivou-se traçar o perfil dos entrevistados de modo mais detalhado e verificar as contribuições do PIBIC para o desempenho acadêmico e a produção científica dos envolvidos na análise. Esses questionários foram enviados on-line para todos os bolsistas e orientadores do programa.
O PIBIC é uma política do Governo Federal de investimento em pesquisa e formação de pesquisadores. De acordo com Cohen e Franco (2002), quaisquer que sejam os fins de uma política social, a avaliação permite incrementar a eficiência no programa avaliado. Existe, portanto, uma série de atos legislativos e normativos, documentos que o regulamentam, tanto por parte do CNPq quanto por parte do órgão em que o PIBIC é realizado. Dessa forma, a análise documental foi um instrumento valioso na coleta de dados. Para isso, foram consultadas as Portarias e Resoluções Normativas do PIBIC e outros documentos de arquivo que se fizeram pertinentes ao tema estudado. A análise documental permitiu obter os dados que foram cotejados com aqueles.