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Volkswagen

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3.1 A GENTUNNTAKETS INNHALD OG GRUNNGJEVING

3.1.4 Volkswagen

Analisámos no ponto anterior uma certa aproximação de pensamentos ao tentar demonstrar a complexidade da situação socio-linguística manifestada em Cabo Verde. Mas na verdade esta complexidade vai ainda mais além. Nas nove ilhas onde existe presença humana fala-se o crioulo, contudo, cada ilha com a sua particularidade. Os dialetos aproximam-se mais entre determinadas ilhas como é o caso das ilhas de Santiago e Fogo, distanciando-se do de Santo Antão, por exemplo, podendo claramente identificar os atributos distintos dos seus falantes. Esta complexidade é ainda mais evidente, pois nota-se não apenas inter-ilhas, como

34 também intra-ilha, isto é, dentro de cada ilha. Estas situações de variações nacionais e regionais constituíram uma dificuldade de aceitação social de um sistema ortográfico uniforme. Cabe apontar os escritos de Rodrigues (2010) quando tutela:

A construção do crioulo também não se tornou hegemônica, pela própria diversidade da pronúncia característica de cada ilha e da maior ou menor predominância do léxico de origem portuguesa, constituindo um idioma híbrido de todas as ilhas e de quase todas as classes ou camadas sociais. (p. 21)

Autores como Pelágio (1998), Pereira (2003) falam numa ambiguidade da língua cabo- verdiana comportada em duas variantes: o crioulo de Barlavento usada nas ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista e o crioulo de Sotavento falado em Santiago, Maio, Fogo e Brava. Duarte (1998) também fala dessa distinção entre crioulo de Barlavento (leve ou acrolecto, mais próximo do português) e o de Sotavento (fundo ou basilecto, mais afastado do português), defendendo uma simbiose das duas variantes mais representativas. Para complementar a ideia anterior servimo-nos da explicação de Lopes Filho (citado por Vilela, 2005), o crioulo fundo será aquele que se afasta mais do português, ou seja, aquele que é das comunidades mais afastadas dos centros urbanos, próprios das zonas rurais, com baixo ou nenhum grau de escolaridade, especialmente em Santiago e noutras ilhas de povoamento antigo ou muito isoladas. Falar um crioulo dito fundo significa na prática falar com uma acentuação diferente, tanto no que toca à intensidade na pronúncia das palavras como no que se refere a uma entoação diferente. Sintetizando, à medida que se afasta dos centros urbanos, o crioulo também se afasta do português.

Há quem defenda a unificação e/ou homogeneidade linguística dessas variantes, o que implicaria a unificação nacional. Ideia contestada por Veiga ao defender que o dialeto nunca pode ser considerado como Língua Nacional tendo em conta que ele está consignado a uma determinada localidade, a um determinado meio. E estes aspetos sócio-geográficos nunca o afastam radicalmente da Língua Nacional. Nesta óptica, pode-se falar de dialeto de Mindelo, Santa Catarina, como, por exemplo, devido ao modo próprio de falar de cada localidade, sem pôr em causa a compreensão, continuando a ser o mesmo Crioulo. Acrescenta, se existe uma intercompreensão é porque os dois falares não divergem fundamentalmente um do outro. Que, além disso, não se trata de um código convencional limitado a um pequeno grupo de indivíduos que não querem ser compreendidos pelas pessoas que não fazem parte do grupo.

Das diferentes realizações das variantes existentes nas ilhas do arquipélago reserva um futuro que pode ser desde o aportuguesamento do cabo-verdiano (descrioulização) ao que Vilela

35 (2005) chamou de supradialectização pela imposição de uma variante ou a interdialectização (pp. 639-645). Entre outras terminologias, Dias (2002) fala-nos em domesticalização do crioulo.

Mesmo com a existência do crioulo há uma variante que se impõe a todas as outras, portanto, essa variante emerge de toda a situação dialetal e domina. Será esse o futuro do crioulo? Ou então o futuro do crioulo será uma interdialectização em que haverá uma unidade a partir da variedade. Uma unidade que resulta da adoção das variantes pertinentes e representativas da própria língua: há os dialetos todos.

Pela complexidade geográfica, as especificidade e representatividade das variantes linguísticas entre-ilhas, a evolução da sociedade o futuro da língua cabo-verdiana - LCV e do seu papel dentro da sua sociedade têm ainda muito que estudar no tocante aos critérios a utilizar na escolha de um modelo linguístico, qual das variedades assume o papel de língua nacional, etc. Da necessidade de compreender a língua crioula (Silva, 2005) “foram criadas duas comissões para estudar as formas de encontrar um consenso com a finalidade de promover a evolução das duas variantes da LCV e em simultâneo descobrir o caminho da oficialização e da promoção da língua materna” (p. 6).

Na verdade existem fatores externos que impõe alguma urgência, por exemplo, a questão da mobilização de pessoas entre as ilhas, o maior investimento económico em determinadas ilhas atraindo consigo cada vez mais habitantes das outras ilhas à procura de emprego levando ao maior contacto entre as diferentes variantes. A ilha onde oferecem essas condições verifica menos resistência ao processo de oficialização, podendo este não constituir uma ameaça linguística, isto é, a imposição de um dialeto sobre os outros, também por ser avaliada sob uma perspetiva quantitativa existe uma perceção de que o crioulo se vier a ser oficializado será o falado pela maioria da população, isto é o crioulo de Santiago. Já os sanvicentinos, por exemplo, recusam a usar o ALUPEC e escrevem o crioulo como falam, apesar da norma estabelecida oficialmente. Cada um escreve o crioulo de acordo com as suas variantes regionais.

De pequenas conquistas já se ouve o crioulo com mais frequência nas escolas (entre professores/alunos), no campo da religião, as comunicações sociais, no teatro, na Assembleia Nacional, etc., e, é também muito usada, sobretudo, pelos mais jovens (na troca de mensagens internet, msn, sms), até nos convites de festas, anúncio e publicidade.

No tocante a educação, a oficialização da LCV implica mudanças profundas na configuração do contexto linguístico nacional, o que passaria necessariamente por um investimento considerável no estudo sistemático e rigoroso da língua e no desenvolvimento de

36 materiais didáticos adequados. A problematização deve-se também à variante escolhida e no que a partir daí acontece às outras, podendo a distância hierárquica traduzir-se numa desvantagem para a educação e um fator de ansiedade pelos membros da sociedade, na medida em que a língua padrão se distancia da língua nativa. Em que medida os membros da sociedade cabo- verdiana e da comunidade educativa em particular aceitam que o ‘poder’ (variante oficializado) venha a ser distribuído de modo desigual nas instituições de ensino?

Convém lembrar que estas têm um papel fundamental para a concretização do entendimento dos atores sociais e culturais diferentes (identidade na diversidade), servindo-se da escola, a primeira instituição de acolhimento das crianças como um espaço de socialização e de promoção cultural e linguística. Caso venha a ser concretizado deve ter como objetivo primordial facilitar o processo escolar, se se pretende uma educação equitativa.

Este panorama de diversidade cultural, linguística e de particularidades regionais constituem cada vez mais elementos de reflexão pedagógica sendo urgente e necessário reorientar a educação dentro do sistema educativo nacional.

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