O impacto positivo do PNLD3 levou o MEC à ampliação das ações de
avaliação e de distribuição de livros didáticos para o Ensino Médio. Essa iniciativa veio aumentar ainda mais a discussão que se estabeleceu, desde o início das avaliações acerca do papel do livro didático na escola; de suas implicações pedagógicas; dos critérios de avaliação para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade em sala de aula; e da importância de uma escolha consciente e autônoma por parte dos professores.
A avaliação dos livros do Ensino Médio tem em comum com o Ensino Fundamental a visão de que, sendo o livro didático uma importante ferramenta para professores e alunos, ele deve ter características que permitam sua utilização em diferentes contextos e realidades.
O PNLEM tem por objetivos básicos a aquisição e distribuição, universal e gratuita, de livros didáticos para os alunos da escola pública do Ensino Médio brasileiro. A fim de assegurar a qualidade dos livros a serem adquiridos nas escolas públicas, a Secretaria de Educação Básica coordena o processo de avaliação pedagógica das coleções nele inscritas. Esse processo é realizado em parceria com universidades públicas, que se responsabilizam pela avaliação dos livros didáticos, apresentam os critérios avaliados e as resenhas de cada coleção. A partir desse trabalho, foi criado pelo MEC um Guia de Livros Didáticos, que, por meio de resenhas elaboradas por consultores ad-hoc, apresenta todos os livros que reúnem qualidades suficientes para serem recomendados, para que os professores possam escolher aqueles que julguem mais apropriados aos seus propósitos e ao desenvolvimento do seu plano de ensino. Destacamos aqui o papel importante do livro didático na construção do conhecimento estatístico (e matemático, logicamente) e no desenvolvimento do pensamento estatístico dos alunos, permitindo-lhes atingir os níveis mais elevados de alfabetização estatística.
De acordo com o PNLEM (2005), o livro no Ensino Médio tem múltiplos papéis: (i) favorecer a ampliação dos conhecimentos adquiridos ao longo do Ensino Fundamental; (ii) oferecer informações capazes de contribuir para a inserção dos alunos no mercado de trabalho, o que implica a capacidade de buscar novos conhecimentos de forma autônoma e reflexiva; e (iii) oferecer informações atualizadas, de forma a atuar como apoio à formação continuada do professor, na maioria das vezes impossibilitado, pela demanda de trabalho, de atualizar-se em sua área específica. Nesse quadro, o Ensino Médio, em particular na área de Matemática, tem que assumir a tarefa de preparar cidadãos para uma sociedade cada vez mais permeada por novas tecnologias e possibilitar o ingresso de parcelas significativas de seus cidadãos a patamares mais elaborados do saber.
Tendo em vista tantas funções, a escolha do livro que irá subsidiar o trabalho dos professores deve ser criteriosa e afinada com as características da escola e dos alunos e com o contexto educacional em que estão inseridos.
Nos guias dos livros didáticos, elaborados pelo MEC, cada coleção é apresentada por meio de uma resenha que procura mostrar para os docentes, além
dos aspectos gerais do livro – adequação do conteúdo, ausência de erros e de preconceitos –, as possibilidades de trabalho e a necessidade de mediação, em maior ou menor grau, do professor. Contudo, os textos das resenhas não esgotam as possibilidades nem as deficiências das obras, mas buscam uma aproximação entre o leitor/professor e os livros analisados. Adequar os conteúdos à realidade dos alunos, ampliar e aprofundar os conhecimentos e as informações veiculadas, propor alternativas pedagógicas diversificadas, atendendo os interesses dos alunos, são funções que cabem apenas ao professor, pois ele é o detentor da informação primordial para um bom trabalho em sala de aula: o perfil, as expectativas, o contexto e as especificidades socioculturais dos educandos.
Para ser compatível com os objetivos da Matemática no Ensino Médio, segundo o PNLEM (2005), um livro didático deve abranger um amplo espectro de conteúdos nos campos da Aritmética, da Geometria, da Álgebra, das grandezas e medidas, da Estatística, das Probabilidades e da Combinatória.
Em contraste com muitas das abordagens atuais, o tratamento desses conteúdos busca o equilíbrio e procura afastar-se da compartimentalização e ampliar as ocasiões de articulação entre os diferentes temas, evitando o inconveniente de limitar-se à apresentação de conteúdos de maneira concentrada em uma parte da coleção e desconectada de outros conteúdos. E, ainda conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, a interdisciplinaridade e a contextualização, no que diz respeito à Matemática, também devem ser contempladas nos livros didáticos.
A capacidade de resolver problemas e de enfrentar situações complexas, de expor e compreender idéias, é cada vez mais requisitada. Além disso, as pessoas são constantemente expostas a informações que, para serem entendidas e levadas em conta de modo crítico, exigem a leitura e a interpretação de gráficos e tabelas e demandam o conhecimento de outras noções matemáticas básicas.
É recomendável, portanto, que um livro didático procure atender a este requisito de articulação com as práticas e necessidades sociais. Mas sem restringir a articulação da Matemática ensinada no Ensino Médio com temas atuais da ciência e da tecnologia.
Por outro lado, o ensino deve revelar a Matemática como um instrumento cada vez mais necessário nas práticas sociais do dia-a-dia, no mundo do trabalho e nas atividades científicas. Deve preparar o aluno para fazer estimativas e previsões, ler, interpretar e organizar dados, tomar decisões baseadas em dados quantitativos incompletos, ser capaz de fazer generalizações relativas a processos e situações.