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Vold og annen kriminalitet i barne- og ungdomsmiljøene .1 Innledning

6 Trygge og inkluderende lokalmiljø

6.4 Vold og annen kriminalitet i barne- og ungdomsmiljøene .1 Innledning

Visto em alguns momentos como uma prática errada, mas um comportamento definido, o sexo era praticado sem dúvida, porém não englobava as várias dimensões do que hoje é denominado ―sexualidade‖ (Chalar-Silva, 1989, citado por Nedeff, 2001).

As bases dos valores ético-morais da cultura derivam da tradição judaico-cristã

(Nobre, 2006). O ascetismo em relação aos prazeres não decorreu directamente do Cristianismo, tendo raiz nas considerações médicas oriundas da Antiguidade (Ceccarelli, 2000). Para Hipócrates, a retenção do sémen propiciava ao organismo um nível elevado de energia, ao passo que a perda do sémen proporcionava a sua morte (Ceccarelli, 2000). Na óptica do médico pessoal do Imperador Adriano, Sarano de Éfaso, a relação sexual apenas se legitimava através da finalidade da procriação (Ceccarelli, 2000). Estas concepções foram reforçadas pelo Estoicismo, influência proeminente da Filosofia antiga (300 a.C. a 250 d.C.), que restringiu a sexualidade ao casamento, na qualidade de permissão para a satisfação do prazer para aqueles que não conseguiam prescindir do acto sexual (Ceccarelli, 2000).

A concepção negativa do prazer sexual do Estoicismo teve uma importante influência no Cristianismo que adoptou a idealização da castidade como algo mais próximo de Deus (Ceccarelli, 2000). A tradição judaico-cristã, em conjunto com a concepção teológica da Natureza, fruto do pensamento grego, conduziu a um disserto divisório das práticas sexuais em práticas normais e práticas anormais (Cartwright,

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1972, citado por Ceccarelli, 2000), em que estas últimas são contra a natureza. É assim valorizada a tendência natural dos comportamentos, partindo do pressuposto de que tudo o que é natural apraza a Deus, logo é bom (Ceccarelli, 2000). Deste modo, a sexualidade que diverge da finalidade animal procrativa, ou seja, da lógica da preservação da espécie, representa uma perversão (Ceccarelli, 2000).

Numa perspectiva histórica mais avançada, vários autores da área da Medicina principiaram o estudo dos comportamentos sexuais ―desviantes‖, inseridos em paradigmas como o médico-biológico, o psiquiátrico contemporâneo, o empírico- comportamentalista (com autores como Kinsey, Masters e Johnson), o médico- farmacológico e o cognitivista, que, a partir do século XIX, procuraram estudar a temática da sexualidade humana nas suas vertentes de funcionalidade e disfuncionalidade e integrando nas suas investigações as várias dimensões da sexualidade (Nobre, 2006). Assim, segundo Lourenço (2002), a Sexualidade Humana pode ser entendida como o produto final de todo um processo de evolução histórica complexo, analogicamente às evoluções de aptidões como fazer o fogo, o desenvolvimento da linguagem escrita e oral e a criação artística.

Hoje é sabido que o desenvolvimento psico-sexual se inicia desde o nascimento, sofrendo influências de vários factores ao longo da vida (Fonseca, 2005, citado por Santos et al., 2010) e que a sexualidade humana transcende o componente biológico, gerando prazer independentemente da função reprodutiva (Marques, Chedid & Eizerik, 2008). Fenómeno multidimensional (Papalia, Olds & Feldman, 2006), a sexualidade representa uma realidade fundamental na vida humana, envolvendo processos de ordem fisiológica e psicológica (Lourenço, 2002).

A Organização Mundial de Saúde descreve a sexualidade como uma dimensão essencial na qualidade de vida de qualquer ser humano (WHO, 2004). A sexualidade representa um aspecto central no ser humano, que segue todo o seu percurso vital e que integra aspectos como o sexo, a identidade, os papéis de género, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a intimidade e a reprodução (WHO, 2004). A sexualidade é experienciada e traduzida em elementos como pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações (WHO, 2004). Em

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detrimento da existência de todas estas componentes, a sexualidade nem sempre é expressa ou vivenciada através de todas estas componentes, sendo influenciada pela interacção de factores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais (WHO, 2004). A saúde sexual representa um estado de bem-estar físico, psíquico e social, relativamente à sexualidade, não se restringindo somente à ausência de doença ou disfunção (WHO, 2004).

A sexualidade é capaz de influenciar a saúde física e mental, assim como pode ser afectada por factores orgânicos, emocionais e sociais (O.M.S., 1975, citado por Ferreira, Souza & Amorim, 2007; Minto et al., 2003). Estes factores podem perturbar o curso normal do funcionamento sexual, sendo susceptíveis de conduzir a uma alteração das fases da resposta sexual (Dove & Wiederman, 2000). O estudo do funcionamento sexual centra-se em aspectos de funcionalidade da actividade e vida sexual, ou seja, na realização ou consecução do acto sexual (Pais Ribeiro & Raimundo, 2005). O funcionamento sexual humano recorre a instrumentação biológica, fisiológica e anatómica, diferentes nos dois sexos (Pais Ribeiro & Raimundo, 2005). O funcionamento sexual feminino, tal como o masculino, é expresso por inúmeros aspectos (Pechorro, Diniz & Vieira, 2009). Pensando no instrumento de avaliação do funcionamento sexual feminino Female Sexual Function Index (FSFI), referem-se dimensões como o desejo sexual, a excitação sexual, a lubrificação, o orgasmo, a satisfação sexual e a dor sexual, avaliadas pelo instrumento (Rosen et al., 2000).

A actividade sexual nas mulheres envolve diversos factores, entre os quais interesse, motivação, habilidades para estimular a excitação e o orgasmo, o prazer da experiência e a consequente satisfação pessoal (Davis et al., 2004). Factores relacionais, como a existência de um companheiro, a idade do companheiro e o seu funcionamento sexual, a duração do relacionamento, assim como os sentimentos da mulher pelo companheiro, representam factores de relacionamento que podem afectar o funcionamento sexual da mulher (Pechorro, Diniz & Vieira, 2010). Segundo Fleury e Abdo (2009), a perturbação ou até a cessação da actividade sexual encontra-se em alguns casos relacionada com a falta de carinho, problemas de comunicação e senti- mentos de culpa ou dor, problemas conjugais, bem-estar subjectivo precário, e ainda incidência e intensidade dos sintomas da menopausa (Fleury & Abdo, 2009).

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A menopausa representa o marco do climatério, constituindo um processo longo e heterogéneo, que pauta a transição da fase reprodutiva para a fase não reprodutiva (Fleury, 2004). O termo climatério deriva do grego klimakter, que significa escada, remetendo para a noção de escada descendente da função dos ovários que marca a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da vida da mulher (Neves-e-Castro, 2009). A menopausa é habitualmente determinada como a última menstruação e confirmada pela ausência do período menstrual por 12 meses sucessivos (Fleury, 2004).

As queixas mais frequentes na transição menopáusica respeitam geralmente a reduzida fertilidade, irregularidade menstrual, alterações urogenitais e no funcionamento sexual, alterações do sono, oscilações do humor, ansiedade e depressão, alterações cognitivas, alterações no peso, palpitações, dores, enxaqueca, alterações cutâneas, osteoporose, doenças cardiovasculares (Frackiewicz & Cutler, 2000, citado por Fleury, 2004).

O funcionamento sexual pode ser afectado pela diminuição nos níveis do estrogénio, pela diminuição da capacidade de lubrificação face à estimulação sexual, que por sua vez, pode propiciar dispareunia, afitando por conseguinte o funcionamento sexual e as condições psicológicas da mulher (Berman et al., 2001, citado por Fleury, 2004). O aumento da idade acarreta uma variabilidade nos parâmetros sexuais (Fleury & Abdo, 2009), podendo estar associado à diminuição do interesse e funcionamento sexual (APA, 1994). Recentes investigações e revisões de literatura internacionais referem a existência de um declínio geral do funcionamento sexual em função da idade e da menopausa, e para uma elevada prevalência de problemas sexuais na população feminina (Pechorro, Diniz, & Vieira, 2010). O estudo longitudinal Assessment of Ageing in Women (LAW), realizado por Howard, O’Neill e Travers (2004, citado por Lara et al., 2008), debruçou-se sobre o comportamento sexual em mulheres australianas numa faixa etária entre os 40 e os 49 anos e os 70 e os 79 anos, e verificou que a procura pela relação sexual diminuía consideravelmente com a idade. Comparando os dois grupos, a indiferença para frequência sexual aumentou de 26,7% no primeiro grupo, para 72,3% entre as mais idosas (Lara et al., 2008).

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