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6. En komparativ analyse av materialet

6.8 Voksnes depresjon som tema i en bildebok

De acordo com Davidson (1978), este tipo de inflação ocorre quando aumentos no salário nominal não ocorrem na mesma proporção que o aumento na produtividade, ou seja, os trabalhadores conseguem aumentos salariais acima do aumento da produtividade.

Os trabalhadores estão preocupados com o salário nominal relativo, assim, devido à disponibilidade de informações acerca da remuneração das demais categorias da economia, isto leva os trabalhadores a buscarem certa equiparação salarial. Contudo, cada setor da economia apresenta sua própria dinâmica e não apresentam crescimento uniforme da produtividade, portanto, este comportamento dos trabalhadores de busca por recomposição salarial pode levar a aumentos dos salários acima da produtividade, gerando pressão sobre os custos de produção o que poderá ser repassado aos preços. O repasse contínuo das pressões salariais aos preços pode levar a um aumento gradual da inflação ao longo do tempo (DAVIDSON, 1978). Keynes, já havia escrito sobre isso, em suas próprias palavras:

Uma vez que cada grupo de trabalhadores tira vantagens, coeteris paribus, de uma alta de seus próprios salários, verifica-se naturalmente uma pressão neste sentido da parte de todos os grupos, à qual os empresários estarão mais dispostos a ceder quando estiverem fazendo melhores negócios. (KEYNES, 1985, p.283)

A inflação de salários está associada ao poder de barganha dos trabalhadores em obterem aumentos salariais superiores aos níveis de produtividade, o que independe da economia encontrar-se no nível de pleno emprego. Entretanto, é mais comum que aconteça quando o hiato de emprego é menor e os empresários estão fazendo “melhores negócios”, pois o poder de barganha dos trabalhadores é fortalecido e há uma maior tendência de os empresários cederem à pressão dos trabalhadores e concederem aumentos salariais, já que acreditam que nesta situação o repasse do aumento dos custos decorrente da elevação dos salários, não gera

pressões de demanda, ou seja, queda nas vendas e, consequentemente, não há perda de mercado (JORGE, 2012).

Sicsú (2003) argumenta que se o aumento dos salários nominais ocorrer na mesma proporção que incrementos na produtividade não haverá inflação. Mas a produtividade, por sua vez, depende em grande parte de políticas de desenvolvimento tecnológico e qualificação dos trabalhadores. Assim, mesmo com o hiato de emprego elevado, pode haver incidência de inflação de salários desde que um grupo significativo de trabalhadores consigam obter ganhos salariais, mas neste caso é necessário que a indústria em que houve o aumento dos salários possua um elevado grau de monopólio. Contudo, tal situação não é comum, e em geral este tipo de inflação ocorre quando há redução do hiato de emprego, já que sob essas condições os empresários possuem mais liberdade para repassar o aumento de custos aos preços finais.

Sobre a capacidade de repasse de aumentos salariais para os preços, Davidson (1978) diz que depende da “aquiescência” dos empresários e da “truculência” dos trabalhadores. A aquiescência dos empresários depende do quanto eles acreditam na generalização dos aumentos de preço e na manutenção, por parte do governo, de políticas que visam a redução do desemprego, pois tais fatores facilitam o repasse de aumentos de custos aos preços sem perda nas vendas.

Em economias modernas, onde políticas de pleno emprego tem sido constantemente perseguidas pelos governos, a truculência dos empregados (de forma coletiva e individual) e a aquiescência dos empresários em mercados de rápido crescimento têm aumentado o problema da inflação de salários. (DAVIDSON, 1978, p. 343, tradução nossa).11

A inflação de salários, de certa forma, está associada ao poder de barganha das classes trabalhadoras e do nível de crescimento econômico, tais fatores são determinantes na tomada de decisão dos empresários em atender ou não as demandas dos trabalhadores. De forma geral, quando os empresários concedem tais aumentos salariais, eles não optam por comprimir suas margens de lucro, mas sim em repassar o aumento nos custos de produção ocasionado pelos maiores salários para os preços finais, originando o processo inflacionário. Assim, Davidson considera que uma sociedade em que há livre barganha coletiva gera “eutanásia dos economicamente mais fracos e com menos poder” (DAVIDSON 1978, p. 351).

Dessa forma, para combater este tipo de inflação e até mesmo prevenir o surgimento deste fenômeno, recomenda-se a adoção de políticas de renda que tenham por objetivo

11 In modern economies, where near full employment policies have been actively pursued by governments, the

truculence of wage-earners (both collectively and individually) and the acquiescence of managers operating in rapidly growing markets has exacerbated the problem of wage inflation (DAVIDSON, 1978, p. 343).

minimizar o conflito distributivo, isto é, as disputas por equiparação das rendas relativas, e implemente uma distribuição de renda compatível com o processo de expansão da economia, estimulando o crescimento (JORGE, 2012).

No Brasil a regra adotada para reajuste do salário mínimo a partir de 2007 é de que o salário deve ser reajustado de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior mais a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) real de dois anos anteriores, logo o reajuste do salário mínimo brasileiro é desvinculado ao aumento de produtividade, o que intensifica pressões de custos. O setor de serviços é um dos que mais sofre com os aumentos salariais, no Brasil. Os aumentos do salário mínimo auxiliam no aumento da inflação do setor de serviços, pois a demanda deste setor é crescente e geralmente elástica à renda, assim o aumento salarial gera uma forte tendência de crescimento dos preços relativos de serviços(SANTOS et al, 2016).

Entre 2000 a 2004, os salários nominais médios cresceram cerca de 3,2% a.a, abaixo da inflação. Já a partir de 2005, a variação dos salários médios foi cerca de 8%, ou seja, houve um crescimento acima da taxa de inflação. Em relação ao salário mínimo, com a adoção da nova regra de reajuste a partir de 2007, o ganho foi superior ao do salário médio. Evidência empíricas, indicam que na última década os salários nominais apresentam movimento pró-cíclico, isto é, apresentam uma variação maior em períodos de crescimento econômico (BRAGA, 2013).

A recuperação salarial observada a partir de 2008 pode ser parcialmente atribuída a nova política de ajuste do salário mínimo desvinculado ao aumento de produtividade, bem como a outras políticas de transferência de renda que acabaram por melhorar a distribuição de renda. Tais mudanças acabaram por aumentar o poder de barganha dos trabalhadores, que passaram a realizar um maior número de greves e a formalizar acordos coletivos, e assim, progressivamente grande parte dos trabalhadores obtiveram reajustes salariais reais (SUMMA, 2015). Entre 2003 e 2013 os salários reais cresceram acima da produtividade, o crescimento salarial foi de aproximadamente 5,5%, recuperando seu valor real e atingindo um novo patamar. Entretanto essa elevação salarial acima da produtividade pode acirrar o conflito distributivo, trazendo de volta ao debate questões semelhantes às do início da década de 90, provocando uma nova reestruturação da relação entre capital e trabalho (MEDEIROS, 2015).