6. En komparativ analyse av materialet
6.6 Å bevege seg mellom forestillingsverdener
A partir de 1936, com a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, Keynes distancia-se ainda mais da ortodoxia e da teoria clássica. O autor passou a expandir sua visão de que a economia funciona como uma economia monetária de produção, onde os agentes tomam decisões sob incerteza em relação ao futuro e que a moeda não é neutra, contrariando os principais pressupostos da Economia Clássica (ALMEIDA, 2012).
Segundo Marques (1987), o trabalho de Keynes não possuía como foco central explicar o fenômeno inflacionário, mas sim explicar a questão do desemprego, contudo é possível identificar a presença de alguns elementos que compõe a chamada “visão keynesiana” da inflação. Para Keynes a inflação “verdadeira” só existe quando a economia não se encontra com capacidade ociosa, logo, aumentos na demanda efetiva não provocam alterações no produto real e sim aumento dos preços. Caso a economia não esteja no estágio de pleno emprego, incrementos na demanda efetiva geram aumento no produto e alguns preços, porém, para o
autor esta alteração nos preços não pode ser considerada um fenômeno inflacionário verdadeiro já que é só um ajuste ao novo nível de demanda efetiva.
Keynes no capítulo 21 da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda desenvolve uma teoria dos preços, discutindo como os mesmos são formados, bem como a origem do processo inflacionário. A base central desta teoria é que o aumento dos preços é resultado das pressões de custos existentes na economia (LEITE, 2015). O autor assume que o nível geral de preços da economia é reflexo do nível de preços de cada indústria, o qual depende da remuneração dos fatores de produção. Assim, para Keynes (1996) o nível geral de preços depende tanto da taxa de remuneração dos fatores de produção quanto da produção e do emprego.
Assumindo que a inflação está relacionada com pressões nos custos de produção, bem como com o volume de produção e o emprego, Keynes (1996) adota algumas hipóteses básicas para desenvolver sua teoria sobre os preços: i) a remuneração dos fatores de produção que compõe o custo marginal varia na mesma proporção que os salários; ii) os recursos desempregados são homogêneos e intercambiáveis, logo possuem a mesma eficiência produtiva e iii) enquanto existir desemprego na economia os fatores de produção que compõem o custo marginal aceitam o mesmo nível de salário nominal.
Contudo, Keynes (1996) admitiu que as hipóteses eram simplificadas e nem sempre correspondiam ao real comportamento econômico, assim listou alguns fatores que podem causar complicações no comportamento do nível de preços. Por exemplo, a demanda efetiva pode não variar na mesma proporção que a quantidade de moeda, já se os recursos não forem homogêneos poderá verificar-se rendimentos decrescentes e aumento gradual do desemprego. Por outro lado, se os recursos não são perfeitamente intercambiáveis, a oferta de certos bens irá tornar-se inelástica mesmo que haja recursos disponíveis para sua produção. O autor também ressalta que os fatores que compõem o custo marginal não variam na mesma proporção, e que em geral, os salários nominais tendem a elevar-se antes que o nível de pleno emprego seja atingido, embora tal elevação não se dê na mesma proporção que o aumento na demanda efetiva.
A teoria dos preços, isto é, a análise da relação entre as variações na quantidade de moeda e no nível dos preços, permitindo a determinação da elasticidade dos preços em relação às variações da quantidade de moeda, girará, portanto, sobre os cinco fatores de complicação acima descritos (KEYNES, 1996 p. 280).
Antes de atingir plena capacidade produtiva, Keynes atribui as oscilações de preços aos custos que compõem o preço de oferta: custo de uso e custo com fatores variáveis. O custo com fatores variáveis não é tão significante sobre a oscilação dos preços, seu efeito deve-se apenas
à ação da lei dos rendimentos decrescentes. Já o custo de uso, está relacionado com à variação dos estoques de bens de capital ou de matérias-primas. As expectativas afetam diretamente o custo de uso, pois se há expectativa de um futuro aumento nos preços dos insumos ou dos bens de capital, isto eleva o custo de uso e, consequentemente, o preço dos bens produzidos (NICOLAU, 1993).
Além destes fatores, Keynes acrescenta que os salários também são responsáveis pelas alterações nos preços. O autor afirma que os salários nominais podem sofrer aumentos antes da economia atingir o nível de pleno emprego. Para Keynes, os trabalhadores sentem-se beneficiados por aumentos nominais dos salários, ceteris paribus, logo exercem uma pressão sobre os empresários para conquistar tais ganhos. Assim, aumentos na demanda efetiva antes do nível de pleno emprego são em partes destinados a satisfazer a tendência crescente da taxa salarial (KEYNES, 1996).
Segundo Keynes (1996), aumentos salariais antes do pleno emprego dependem da interação entre patrões e trabalhadores e do poder de barganha dos sindicatos trabalhistas, entretanto, quando estes aumentos ocorrem podem causar pontos de “semi-inflação”, já que o aumento dos preços dos bens de consumo não ocorre na mesma proporção. A inflação “verdadeira” só ocorre quando a economia encontra-se no nível de pleno emprego.
Quando um novo acréscimo no volume de demanda efetiva não mais produz aumento na produção e se traduz apenas numa alta da unidade de custos, em proporção exata ao aumento da demanda efetiva, teremos alcançado um estado que se pode adequadamente qualificar de verdadeira inflação. Até esse ponto, o efeito da expansão monetária é apenas uma questão de grau, e não há ponto anterior em que possamos traçar uma linha definida e declarar que um estado de inflação se revelará. Cada aumento anterior na quantidade de moeda, à medida que aumente a demanda efetiva, traduz-se, em parte, numa elevação da unidade de custos e, em parte, num aumento da produção (KEYNES, 1996 p. 285).
Na teoria keynesiana, as variações de preços não são associadas somente à demanda agregada, mas principalmente a fatores de custos e institucionais. Em resumo, aumentos nos preços, decorrem de pressões nos custos de produção o que origina processos inflacionários, os quais são explicados por fatores que afetam o lado da oferta. A demanda agregada é um elemento secundário no fenômeno de aumento dos preços, pois afeta a variação dos preços somente se for capaz de provocar mudanças nas expectativas dos empresários em relação aos custos futuros de produção. Neste caso, a variação na demanda pode alterar os custos correntes e como consequência impactar os preços, assim, tem-se uma relação indireta entre demanda e preços. Contudo, pode-se dizer que em última instância, a teoria de preços desenvolvida por Keynes considera a inflação como sendo de custos (ALMEIDA, 2012).
Sob a visão keynesiana, uma das formas de garantir a estabilidade dos preços é por meio de salários nominais estáveis, o que pode ser atingido através de contratos. Assim, é possível dizer que pelo menos em parte, a estabilidade dos preços está relacionada à instituições e convenções pré-estabelecidas que minimizem a incerteza e assegurem um certo grau de confiança aos agentes durante a tomada de decisão. A longo prazo a estabilidade dos preços depende da velocidade de ajustamento entre a unidade de custos e a eficiência do sistema produtivo (CARDIM, 1990).