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É previsto no desenvolvimento normal da criança, que desde a vida intra-uterina, o bebê já apresenta a capacidade de fixação, porém, essa habilidade só será desenvolvida a partir de oportunidades de realizar experiências visuais. (BRUNO, 1995). Após o nascimento, a criança passa a apresentar respostas oculares aos estímulos visuais, por meio de atividades reflexas, da organização das percepções por estímulos

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significativos, mediadas pela interação sócio-afetiva. (MARTÍN & BUENO, 2003; BRUNO, 1995)

A acuidade visual do recém-nascido é baixa, sendo de 0,03, melhorando durante as primeiras semanas de vida, porém, o bebê consegue pesquisar o mundo a sua volta, apresentando capacidade de fixação e seguimento visual de objetos bem próximos. (RIBEIRO, 2007; BRUNO, 1995).

Nos primeiros anos de vida, a visão desempenha um papel predominante, sendo um estímulo motivador para a comunicação e realização de ações, visto que o relacionamento com o mundo externo é feito pela visão, sendo esta um fator de motivação, orientação e controle de movimentos e ações. (RIBEIRO, 2007; LIMA, et. al., 2004).

De acordo com Gagliardo (2006) os olhos são geneticamente determinados para a visão normal, porém são necessárias experiências visuais oportunas durante os períodos críticos de maturação do sistema visual. A autora ressalta que o desenvolvimento visual do bebê ocorre de forma integrada entre as funções oculomotoras e demais funções visuais. A visão interfere no desenvolvimento dos sistemas sensorial e motor, bem como nos aspectos cognitivos e sócio-emocionais. (GAGLIARDO, 2003b). Assim, quando o desenvolvimento visual não ocorre de maneira adequada, o bebê apresentará perda visual, acarretando em baixa visão ou até mesmo deficiência visual.

O pleno desenvolvimento do sistema visual é de suma importância na vida do indivíduo, visto que qualquer problema que ocorra nesse sistema pode acarretar em restrições nas relações da criança com o meio (GAGLIARDO, 2003a). A visão é o

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agente motivador das primeiras ações voluntárias dos membros superiores (GLAGLIARDO, GONÇALVES & LIMA, 2004).

Conforme Bruno (2003), a baixa visão foi conceituada pelo International Council for Education of People with Visual Impairment (1992) como a alteração da capacidade funcional da visão em decorrência de inúmeros fatores isolados ou associados, como: baixa acuidade visual significativa, redução importante do campo visua, alteração da sensibilidade aos contrastes, adaptação visual e função visuomotora e perceptiva.

Uma pessoa com baixa visão é aquela que possui um comprometimento de seu funcionamento visual mesmo após tratamento e/ou correção de erros refracionais comuns e apresenta uma acuidade visual inferior a 6/18 (0,30) até a percepção de luz ou um campo visual inferior a 10 graus do seu ponto de fixação, mas que utiliza ou é potencialmente capaz de utilizar a visão para o planejamento e execução de uma tarefa. (BRASIL, 1994, p. 31)

Para Gagliardo e Nobre (2001), a intervenção precoce com crianças com baixa visão é de fundamental importância pelo seu caráter preventivo, ou seja, previne o aparecimento de deficiências secundárias, sendo importante ainda por acontecer no período em que ocorrem as maiores e mais significativas mudanças no desenvolvimento da criança, nos períodos mais curtos de tempo.

Conforme Gil (2009), a deficiência da visão é capaz não só de anular a capacidade de ver, como também reduzi-la, sendo que são considerados indivíduos com deficiência visual o cego, que se refere aquele que nada enxerga, e pessoas com baixa visão, aquelas que têm pouca capacidade de ver, mesmo com o uso de lentes corretivas.

De acordo com o grau e o tipo de déficit visual pode ocorrer implicação ao desenvolvimento da criança, como atraso no desenvolvimento global; dificuldades e

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interação e exploração do meio; prejuízo na compreensão das relações espaciais, temporais e a aquisição de conceitos necessários ao processo de alfabetização; dificuldade no desenvolvimento cognitivo e percepção, dentre outros (MARTIN & BUENO, 2003)

A prevenção e detecção precoce das deficiências sensoriais possibilitam a antecipação do processo de intervenção logo após o nascimento, garantindo uma estimulação necessária em todos os aspectos fundamentais para o desenvolvimento global da criança. (LIMA, et. al., 2004)

Alguns estudos no Brasil vêm enfocando a avaliação do desenvolvimento visual desde o nascimento, com vistas a detectar precocemente alterações no comportamento visual do lactente e favorecer procedimentos de intervenção precoce.

Gagliardo (2003a) comparou o desenvolvimento mental e motor e as funções visuomotoras de lactentes nascidos a termos, pequenos para a idade gestacional (PIG) e adequados para a idade gestacional (AIG). O estudo foi realizado com recém- nascidos com idade gestacional entre 37 e 41 semanas, divididos em dois grupos: Grupo PIG com peso ao nascimento abaixo do percentil 10 conforme a adequação peso/idade gestacional e o Grupo AIG com peso ao nascimento entre os percentis 25 e 90. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escalas de Bayley de Desenvolvimento Infantil II (BSID-II) e Escalas Mental e Motora das BSID-II. Ao final do estudo, Gagliardo (2003a) verificou que os grupos se comportaram de forma semelhante nos dois estudos de coorte, apresentando que os comportamentos visuomotores típicos esperados para a idade foram mais frequentes no grupo AIG, sendo que os lactentes do grupo PIG apresentaram tendência a um comportamento visual disperso. Dessa forma, a autora

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ressalta a importância de outros estudos de seguimento para melhor compreensão do neurodesenvolvimento de lactentes PIG.

Gagliardo, Gonçalves e Lima (2004), a partir do estudo de 33 neonatos nascidos a termo, com idade gestacional entre 37 e 42 semanas, elaboraram o Roteiro de Avaliação da Conduta Visual de Lactentes, para avaliação visual no primeiro trimestre de vida, com a utilização de procedimentos simples, com material de baixo custo, visando detectar precocemente alterações no comportamento visual. O estudo normatizou os itens que compõem o roteiro, tornando-o uma proposta para detectar alterações visuais no primeiro trimestre de vida.

Saraiva (2002) buscou comparar o comportamento de orientação visual ou auditivo entre “recém-nascidos a termo pequenos para a idade gestacional” (PIG) e “adequados para a idade gestacional” (AIG). Os resultados evidenciaram que os bebês PIG apresentam respostas de menor qualidade aos estímulos de orientação visual e auditiva, constituindo-se em um grupo de risco para o desenvolvimento.

Danelutti (2010) analisou o comportamento social de 157 lactentes nascidos a termo, adequados para a idade gestacional, a partir da comparação da resposta sorriso/vocalização para estímulos visual e auditivo. Os resultados mostraram que o estímulo visual associado ao auditivo desencadearam maiores respostas sociais dos lactentes, principalmente no terceiro mês de vida, tanto com o examinador quanto com a mãe.

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