A bibliometria é um recurso metodológico que utiliza métodos matemáticos e estatísticos para analisar as atividades científicas e técnicas por meio do estudo quantitativo de processos de comunicação científica consolidados em publicações científicas – por exemplo, livros, capítulos de livros e artigos científicos – e tecnológicas – entre elas, por exemplo, as patentes.
De acordo com Hayashi, Hayashi e Martinez (2008, p. 138) “os estudos bibliométricos têm por objeto o tratamento e a análise quantitativa das publicações científicas”. Silva, Hayashi e Hayashi (2011) destacam que
O reconhecimento de que a atividade científica pode ser recuperada, estudada e avaliada a partir de sua literatura sustenta a base teórica para a aplicação de métodos que visam à construção de indicadores de produção e de desempenho científico. Por meio da bibliometria e da cientometria é possível construir indicadores destinados a avaliar a produção científica de indivíduos, áreas de conhecimento e países. Reunidos sob a égide de estudos métricos da informação, tais indicadores tem sido largamente empregados na avaliação de pesquisadores e áreas de conhecimento. (SILVA; HAYASHI; HAYASHI, 2011, p.111)
Conforme Silva (2004), o uso da bibliometria pode, ainda, ser vantajosa na contribuição às avaliações de pesquisa na universidade; na avaliação de grupos da mesma área; na avaliação da contribuição de pesquisadores para determinada área, e na classificação entre instituições, etc. De acordo com Silva, Toledo Filho e Pinto (2009, p. 4) “a bibliometria, aplicada com um elevado grau de rigor metodológico, torna-se uma importante ferramenta para analisar a produção científica e quantificar a evolução do conhecimento produzido pelo homem”.
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A bibliometria é considerada por Macias-Chapula (1998) uma ferramenta que permite observar o estado da ciência e da tecnologia através da produção da literatura científica como um todo, em determinado nível de especialização, sendo um meio de situar a produção de um país em relação ao mundo, uma instituição em relação ao seu país e, até mesmo, cientistas em relação às suas próprias comunidades.
Para realizar a análise bibliométrica da produção científica é necessário construir indicadores bibliométricos. Saes (2000, p. 10-11) destaca dois motivos para o emprego de indicadores bibliométricos:
O primeiro para analisar o tamanho, crescimento e distribuição da bibliografia científica (livros, revistas, patentes e outros), a fim de melhorar as atividades de informação, documentação e comunicação científica e o segundo para analisar os processos de geração, propagação e uso da literatura científica com a finalidade de conhecermos os mecanismos da investigação científica enquanto atividade social e a dinâmica e estrutura dos grupos de investigadores que produzem e utilizam esta literatura. (SAES, 2000, p.9-10)
De acordo com a autora, os indicadores bibliométricos permitem conhecer os seguintes aspectos a respeito de uma área científica ou campo de conhecimento:
[...] crescimento de qualquer campo da ciência, segundo a variação cronológica do número de trabalhos publicados no campo; o envelhecimento dos campos científicos, segundo a vida média das referências de suas publicações; a evolução cronológica da produção científica, segundo ano de publicação dos documentos; a produtividade dos autores ou instituições, medida pelo número de seus trabalhos; a colaboração entre os pesquisadores ou instituições, medida pelo número de autores por trabalho ou centros de investigação que colaboram; o impacto ou visibilidade das publicações dentro da comunidade científica internacional, medido pelo número de citações que recebem em trabalhos posteriores; a análise e avaliação das fontes difusoras dos trabalhos, através de indicadores de impacto das fontes; a dispersão das publicações científicas entre fontes e outros. (SAES, 2000, p.10-11)
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Diversos estudos vêm se utilizando da bibliometria como um recurso para análise da produção científica em várias áreas do conhecimento. Por meio do acesso à biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo, verificamos que essa metodologia tem sido aplicada em vários estudos no campo da Saúde e suas sub-áreas, como por exemplo: Economia da Saúde (SAES, 2000); Saúde da Criança e do Adolescente (BLANK, 2006; GOLDANI et al, 2007), Enfermagem (SILVA, MARTINI, BECK, 2011), Nutrição (TOMÁS-CASTERÁ, SANZ-VALERO, WANDEN-BERGHE, 2010) Saúde Mental (RAZZOUK et al, 2006), Educação Física (ROSA; LETA, 2010), Oftalmologia (RAGGHIANTI et al, 2006), Saúde Pública e Saúde Coletiva (RUMMLER; SPÍNOLA, 2004) e da educação especial SAESPIZZANI, 2008; SILVA, 2004; HAYASHI, 2004; RAVELLI et al, 2009; ROSA et al, 2009).
Por sua vez, no campo da Educação a análise bibliométrica tem sido aplicada em estudos sobre a produção científica de áreas de conhecimento (HAYASHI et al, 2008), temáticas (HAYASHI, HAYASHI e MARTINEZ, 2008) grupos de pesquisa (HAYASHI; FERREIRA JR., 2011), avaliação de periódicos (BITTAR; SILVA; HAYASHI, 2011)
Na área de Educação Especial, várias pesquisas têm sido conduzidas no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar, as quais utilizam a bibliometria para análise da produção científica nesse campo de conhecimento. Essas pesquisas deram origem aos seguintes estudos: Hayashi et al (2005) estabeleceram as competências para realizar análises bibliométricas no campo da Educação e Educação Especial; Silva e Hayashi (2008) analisaram a Revista Educação Especial (Santa Maria); Pizzani, Bello, Hayashi e Hayashi (2008) caracterizaram a produção científica em Educação Especial na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); Pizzani, Silva e Hayashi
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(2008) analisaram a presença da Educação Especial na base Medline; Hayashi, Hayashi e Lima (2008) investigaram a de redes de co-autoria em artigos científicos em Educação Especial; Fumo, Manólio, Bello e Hayashi (2009) realizaram análise bibliométrica da produção científica sobre habilidades sociais; Bello, Pizzani e Hayashi (2010); realizaram estudo sobre os descritores em Fonoaudiologia e Educação Especial;Pizzani, Bello e Hayashi (2010) caracterizaram a produção científica em Educação Especial na base de dados Medline; Bello, Machado e Hayashi (2011) analisaram a presença da Educação Especial na revista Temas sobre o Desenvolvimento; Sacardo e Hayashi (2011) realizaram um balanço bibliométrico da produção científica em Educação Física e Educação Especial oriunda de teses e dissertações; Bello, Hayashi, Machado, Pizzani e Almeida (2011), produziram indicadores bibliométricos para analisar a produção científica sobre consultoria colaborativa na escola; Pinheiro, Pizzani, Martinez e Hayashi (2011) realizaram um estudo bibliométrico da produção científica sobre avaliação da visão em crianças presente na base de dados LILACS.
Ainda no âmbito do PPGEEs/UFSCar, cinco dissertações de mestrado (SILVA, 2004. SACARDO, 2006; PIZZANI, 2008; SILVA, 2008; BELLO, 2009) também utilizaram a abordagem metodológica da bibliometria para analisar o campo da Educação Especial.
Silva (2004) realizou análise bibliométrica da produção científica dos docentes do PPGEEs/UFSCar (Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos). Foram estudadas as produções de 22 docentes vinculados ao programa no período de 1998 a 2003, a partir da utilização do Currículo Lattes como fonte de pesquisa para recuperação da produção científica de cada docente..
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Em seu estudo, Pizzani (2008) realizou análise bibliométrica da produção científica em Educação Especial presente nas bases de dados LILACS, MEDLINE, BBO, BDENF, MEDCARIB, PAHO, WHOLIS disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), coordenada pela BIREME.
Esse panorama dos estudos na interface Educação e Saúde, principalmente aqueles no campo da Educação Especial permitem verificar que a análise bibliométrica é uma metodologia que tem sido utilizada para estudar a produção científica dessas áreas.