• No results found

Mean Reaction Bending Moments

10. VIV CHECK OF SPOOL

Para a análise dos dados coletados por meio das técnicas: balanço do saber e das entrevistas, em uma abordagem sócio-histórica, na qual priorizei as relações entre os sujeitos, valorizei o contexto social e a interação verbal; descrevi e analisei os processos que gravitavam em torno da mobilização e da aprendizagem de professores da EJA acerca de suas

atuações profissionais. Complementei esse procedimento, com a explicação dos fatores que põem em relação vários elementos dentro desses processos, tais como acontecimentos, ações e dificuldades. Para isto, foi imprescindível conhecer os professores em suas atribuições cotidianas para a construção de inferências explicativas acerca da relação com o saber e o aprender de professores da EJA. Nesse sentido, estar inserido no universo desses professores foi, para mim, um momento de muita aprendizagem, haja vista a pesquisa ser entendida aqui como uma relação dialógica e, portanto, entre sujeitos, na qual o pesquisador é, também, uma parte integrante do estudo.

Por ser uma tarefa que me iria exigir muito tempo, decidi fazer, cotidianamente, a transcrição das entrevistas. Ao terminar essa tarefa, empreendi uma leitura flutuante da fala dos professores, sempre intercalando-a com a escuta das fitas cassetes. Depois de sucessivas leituras e escutas, as quais se tornaram cada vez mais atentas, passei a associar informações obtidas nas entrevistas ao material produzido pelo balanço do saber e também anotações feitas durante a observação. Isto se justifica porque era preciso verificar a emergência de elementos que ilustrassem os investimentos, tanto cognitivos como afetivos dos docentes no que diz respeito à aprendizagem de suas funções e a mobilização associada a elas. A emergência desses investimentos, portanto, tornou-se relevante para que captasse as mobilizações, os saberes e os sentidos em torno da relação com o saber dos professores, sobretudo o saber educar.

Desse modo, a análise se construiu em três etapas. A primeira se deu por meio da descrição de algumas atividades do atendimento no cotidiano da escola, cujo objetivo era compreender o contexto em que se desenvolviam as ações de educar dos professores e sob quais condições. Com isso, tornou-se possível explicar algumas atitudes e interpretações dos docentes com relação aos alunos, jovens e adultos, da escola e da própria EJA, enquanto atividade que sintetiza, simultaneamente, as duas ações já referidas.

No segundo momento da análise, empenhei-me para descrever e analisar os processos de mobilização dos professores quanto à escolha deles pelo magistério e as suas entradas e permanência na EJA. Isto se deu a partir de explicações retiradas das experiências que foram relatadas nos dois instrumentos de geração de dados. Assim, a análise foi se construindo com base nas histórias singulares de cada professor(a), nas quais eu buscava localizar os motivos que os levaram a exercer a função docente. Persegui, ainda, a identificação dos motivos e das situações nas quais os educadores assumiram uma sala da EJA, tentando compreender os sentidos dessa assunção para eles. Mais adiante, direcionei o interesse da análise para as razões que os levam a permanecerem na ocupação de educar, apesar das imensas dificuldades

e contradições que as lógicas excludentes e contraditórias da administração pública lhes impõem.

Por fim, o terceiro momento da análise foi dedicado aos processos de construção do saber dos professores da EJA. A apreciação aqui empreendida foi direcionada para as relações com os diversos saberes deles, os quais fazem referências as suas práticas educativas no cotidiano escolar. Baseado nessas relações, fiz um mapeamento dos saberes que são privilegiados pelos docentes no desempenho de suas funções pedagógicas. O objetivo desse levantamento foi compreender a partir de quais saberes os professores estavam se pautando para desenvolver suas funções educativas.

Para encerrar essa etapa, e também o processo de análise, busquei analisar tendências dominantes, orientadas pelos saberes dos entrevistados, na relação com a atividade de educar, tentando ilustrar tais tendências por meio de situações típicas da interação pedagógica com os jovens e adultos. Ao lado de dimensões particularizadas e fundamentais da relação com o saber, obtidas pela construção de tipos ideais dessa relação, busquei demonstrar situações corriqueiras na atividade dos professores da EJA com os relatos provenientes tanto das entrevistas quanto do balanço do saber.

De forma sintética, a análise desses dois instrumentos de geração de dados, associando-os às informações obtidas por meio das observações, foi orientada pela sequência de questões apresentadas no quadro a seguir.

Quadro 04 - Categorização das respostas dadas pelos professores à entrevista e ao balanço do saber

TÓPICOS SUB-TÓPICOS QUESTÕES QUE ORIENTARAM A

DISCUSSÃO A mobilização dos

professores em relação à atividade de educar

A história singular dos professores(as) na “escolha” da profissão

A entrada na EJA A permanência na atividade

O que levou os/as professores(as) a optar pelo trabalho docente?

Como os/as professores(as) assumiram uma sala da EJA?

O que os faz permanecer nessa ocupação?

O que significa para eles/elas ser professor(a) da EJA?

Os saberes construídos em sala de aula e as ações que eles orientam no cotidiano escolar O cotidiano escolar A aprendizagem da profissão As figuras do aprender Dificuldades e expectativas Relação mobilizações- objetivos

Como os/as professores(as) da EJA têm aprendido suas funções?

A partir de quais dificuldades os/as professores(as) buscam aprender?

Qual o lugar do saber nessa aprendizagem?

De que forma os/as professor(as) expressam seus saberes na relação com os jovens e adultos?

Após a explicitação das técnicas utilizadas na realização da pesquisa, já posso apresentar as análises dos dados coletados. Para argumentar em favor da tese, tive que pensar, com base no que declara Charlot (2001), em uma metodologia que fosse coerente com a problemática da relação com o saber, centrando esforços na análise de questões que envolvessem a mobilização dos sujeitos em seus modos de aprender. Isto signficou, então, direcionar o foco do olhar para o confronto por meio do qual os professores se apropriam de um determinado tipo de saber, construindo-se como sujeitos dessa apropriação.

Para ser ainda mais preciso, a metodologia adotada centrou-se nas fontes da mobilização dos professores e nas formas que eles assumem. Portanto, foi necessário que se identificasse, na análise das entrevistas e do balanço do saber, os processos que se nutrem de elementos mobilizadores da ação social e da construção dos saberes desses sujeitos, de acordo com o sentido que lhes é atribuído, tal como será possível verificar nos dois capítulos subsequentes.

4 AS MOBILIZAÇÕES DE PROFESSORES DA EJA: A ENTRADA NA DOCÊNCIA