1. Introduction
1.5 In vitro permeation studies in screening of candidates for dermal and transdermal drug
4.4.1 Coleção “História: Conceitos e Procedimentos”: Apresentação geral
A coleção apresenta uma estrutura curricular integrada, em que, por meio da divisão temporal quadripartite, organiza cronologicamente os conteúdos de História Geral e do Brasil.
A abordagem de ensino-
aprendizagem propõe a articulação entre a produção historiográfica e o ensino de História, buscando um diálogo no que tange à preocupação com o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos alunos, a apropriação dos procedimentos de leitura e escrita e a construção de competências.
O trabalho com conceitos presentes nos textos principais e nas atividades é outro caminho metodológico da coleção. Espera-se que, dessa forma, desenvolva-se a familiaridade com noções fundamentais para o entendimento do passado e, sobretudo, do presente, e o trabalho de construção-reconstrução de conceitos.
O conjunto de atividades é articulado ao texto didático, permitindo a consolidação dos conceitos e noções-chave e o desenvolvimento de procedimentos como a observação, análise, comparação, estabelecimento de relações e elaboração de sínteses. Os enunciados são precisos e claros.
Figura 7: Capa da obra História: conceitos e procedimentos. 7 ª série. 1ª edição. (2006).
Em relação aos aspectos gráficos e editoriais, a obra apresenta visibilidade e clareza em seu conjunto de imagens, assim como adequação à faixa etária, excetuando alguns textos principais um pouco longos. Os capítulos são estruturados sempre com uma página de apresentação; o texto básico, que é entremeado por seções especiais, com finalidades diversas; e um conjunto de atividade e seções de aprofundamento, ao final.
A página de apresentação é, geralmente, composta pelo título do capítulo,
alguma ilustração e as chamadas “Questões-problema”. Tais “questões” têm como finalidade apresentar ao aluno algumas das discussões centrais que serão desenvolvidas no capítulo. Na sequência, de forma didática, com mapas, imagens e algumas seções, o texto principal traz o conteúdo a ser estudado.
Nas seções “Trabalho com fontes históricas” e “Trabalho com mapas” há propostas de atividades que, respectivamente, permitem o acesso e a análise de documentos de época e a apropriação gradual das características da linguagem cartográfica. Nesse sentido, é importante ressaltar os diferentes tipos de fontes históricas, como pinturas, cartas, fotografias, relatos de viagem, poesias, jornais, letras de canções, vestígios arquitetônicos, instrumentos, testamentos, registros governamentais, entre outros, selecionados para comporem essa coleção didática.
Duas partes componentes dos capítulos possibilitam o acesso dos alunos às discussões não incorporadas ao texto principal. Na primeira delas, intitulada “Outras visões”, podem ser encontradas vivências de outros povos ou sujeitos históricos sobre os assuntos abordados, bem como diferentes interpretações dos pesquisadores sobre um mesmo tema. A segunda, “Vida cotidiana”, é destinada a abordar diferentes aspectos da vida cotidiana dos grupos humanos relacionados aos temas estudados.
Figura 8: Capa da obra História: conceitos e procedimentos. 9º ano. 2ª edição. (2009).
Depois do texto principal, a parte final dos capítulos traz um conjunto de atividades e de seções especiais, voltadas para o aprofundamento das questões que foram trabalhadas. A seção “Ligando os pontos” inclui um conjunto diversificado de atividades dirigidas para o desenvolvimento de habilidades como comparação, estabelecimento de relações, elaboração de textos, análise e síntese. “Conceitos e noções” propõe a retomada das ideias e conceitos mais importantes do capítulo, que foram desenvolvidos no texto- base. A seção “Diálogo com o presente” busca trabalhar com a historicização de conceitos e noções na relação presente-passado, por meio da percepção de semelhanças-diferenças e mudanças-permanências; “Para ampliar o conhecimento” propõe atividades, geralmente interdisciplinares, assim como atividades de pesquisa, entrevistas, debates e trabalhos em grupo, objetivando articular, de alguma forma, os conteúdos estudados e as experiências dos alunos, assim como de outros sujeitos de seu convívio. Por fim, em “Para se divertir e aprender”, inclui lúdicas, como a elaboração de jogos, produção de maquetes, criação de quadrinhos, entre outros, como estratégia pedagógica, buscando um diálogo com o universo sócio-cultural e afetivo dos estudantes.
Nas duas edições das coleções, a divisão do conteúdo em unidades permanece numericamente inalterada, porém, são verificadas mudanças nos temas trabalhados e nos capítulos na edição de 2011, que é uma edição revista e ampliada49.
Como acontece em outras coleções, nessa também ocorrem modificações, em sua edição de 2011, no sentido de atender as demandas da obrigatoriedade da história e cultura africana, afro-brasileira e ameríndia, incorporada pelos editais do PNLD. Como exemplo dessas mudanças, tem-se, no volume do sexto ano, a alteração de nomenclatura da unidade 2 de “Egípcios, povos da Mesopotâmia e hebreus” para “África, Ásia e América”, a incorporação de um novo capítulo voltado para alguns povos da América e a reorganização do capítulo 3, que na obra de 2008 tratava somente dos egípcios e, em 2011, além desses, propõe o estudo dos Núbios.
49 A estruturação da coleção, no que se refere a divisão das unidades, pode ser verificada no
Já no volume do sétimo ano, na edição de 2011, verifica-se a divisão dos conteúdos do que era o capitulo 8 na edição de 2008. Intitulado “África”, o tópico abordava os Impérios e reinos africanos e a África nos séculos XVI e XVII. Na edição mais recente, tais conteúdos se dividem, sem grandes alterações, em dois novos capítulos, um intitulado “África: séculos X a XV”, que trata dos impérios e reinos africanos da costa ocidental e os reinos do sul e do nordeste, e outro chamado “África: séculos XVI a XVII”, com as mudanças internas ocorridas neste recorte temporal e os contatos com os europeus50.
O mesmo movimento é percebido no volume do oitavo ano. Nele observa-se a incorporação de dois novos capítulos e a alteração da unidade 4, anteriormente limitada à História da América, em 2008, passando a tratar, também, da história africana e asiática, na edição mais recente.
4.4.2 Coleção “História: Conceitos e Procedimentos”: tratamento da história afro-brasileira nos Guias do PNLD de 2008 e de 2011.
De acordo com os Guia do PNLD – 2011, a obra dispensa um tratamento informativo às temáticas étnico-raciais e, mesmo que a inserção de temas sobre a cultura africana e asiática seja um dos pontos positivos da obra (BRASIL, 2007, p.64), ela “aponta a existência dos direitos e deveres dos cidadãos no decorrer do tempo em conexão com a atualidade, no entanto, há uma clara predominância do elemento branco, pois poucos capítulos foram dedicados ao índio e ao negro”. (BRASIL, 2007, p.53)
Neste sentido, a perspectiva de construção da cidadania, um dos fundamentos do PNLD, não é tratada com profundidade pela coleção, uma vez que a mesma, segundo o Plano,
não confere ênfase específica ao tratamento das questões de gênero, tampouco a uma reflexão sistêmica em torno da temática relativa aos afrodescendentes e descendentes das etnias indígenas brasileiras, particularmente à discussão desses grupos sociais na contemporaneidade, aspectos que seriam efetivamente diferenciais
para uma coleção organizada em torno da História Social. (BRASIL, 2010, p.72)
Além disso, o Guia ainda informa que o tratamento à “temática da situação dos afrodescendentes no Brasil hoje é indireta e tangencial” (BRASIL, 2010, p.72-73) e sugere complementações para o referido tratamento no sentido de incorporar outras fontes de informação e de adoção de novas estratégias para o trabalho em torno dessa temática. (BRASIL, 2010, p.73)
A análise realizada durante a seleção de obras pelos PNLD, expressas pelo Guia do livro didático, traça para a coleção um quadro, qualitativamente frágil, em relação à representação da experiência histórica afro-brasileira. Mesmo que esta investigação esteja baseada em pressupostos distintos da avaliação do PNLD e não tenha algum interesse em estabelecer comparações, contraposições, contestação ou qualquer espécie de medição em relação à avaliação citada, a consideramos relevante, como um dos critérios a ser levado em consideração, para a realização da escolha do material empírico a ser investigado qualitativamente. Mas o que diz o levantamento panorâmico acerca dos episódios da experiência histórica negra brasileira na coleção?
4.4.3 Coleção “História: Conceitos e Procedimentos”: levantamento geral da abordagem da história afro-brasileira.
A distribuição dos tratamentos da História afro-brasileira por período político-administrativo da História Brasil na Coleção “História: Conceitos e Procedimentos” ocorre da seguinte forma:
Edição de 2008: América Colonial Portuguesa, 11 vezes; Império, 12 vezes; República, 3 vezes; TOTAL: 26.
Edição de 2011: América Colonial Portuguesa, 19 vezes; Império, 27 vezes; República, 9 vezes; TOTAL: 55.
O movimento de distribuição dos episódios relativos à história afro- brasileira nessa coleção ocorre de forma crescente em todos os períodos históricos selecionados, e, em termos absolutos, as abordagens entre a primeira e a segunda edição ultrapassam o dobro.
Ao considerarmos, de forma isolada, a tendência de crescimento apontada pela distribuição geral da seleção da História afro-brasileira presentes na Coleção “História: Conceitos e Procedimentos”, percebemos que ela adequa-se aos critérios por nós construídos visando o recorte e aprofundamento qualitativo da temática do pós-emancipação. No entanto, conforme já anunciado, além dos aspectos gerais, buscamos articular com a forma pela qual o tratamento da temática afro-brasileira ocorre, de acordo com aos critérios apontados pelo PNLD, se crítico-reflexiva ou informativamente.
Ao consideramos tais critérios como pressupostos para a seleção de obras, para a análise, e levando em consideração o conjunto de produções que se encaixam em tais critérios, acabamos por excluir a obra “História: Conceitos e Procedimentos”, e também a coleção “Projeto Aráribá – História”, que apresenta, em aspectos gerais, um decréscimo de episódios da história afro- brasileira. Ambas em seu conjunto, obras portadoras de uma perspectiva informativa em relação à temática em foco, e por esta razão não farão parte do material empírico a ser analisado a partir do capítulo seguinte.