O trabalho desenvolvido foi resultado de um estágio curricular na empresa PRIMAVERA Business Software Solutions. O estágio teve início em setembro de 2016 e terminou em junho de 2017 e foi uma mais-valia tanto a nível académico como a nível profissional. As tarefas operacionais que me foram propostas exigiram uma aprendizagem rápida de conceitos e procedimentos. A realização do estágio curricular impôs o contacto direto com várias entidades relacionadas com a empresa como os clientes, fornecedores, a banca e até os próprios colaboradores da PRIMAVERA, o que levou a que fossem desenvolvidas capacidades pessoais como é o caso da comunicação oral e escrita e também a cooperação. Relativamente ao estágio realizado faço uma avaliação positiva, tendo resultado do mesmo uma proposta de contrato ainda hoje em vigor.
Toda a componente prática do estágio foi acompanhada por um estudo teórico tendo sido desenvolvida uma investigação vasta sobre o tema que tinha sido proposto. A estrutura de capital das empresas e os meios de financiamento foi um tema que, apesar de ser alvo de muitos estudos e trabalhos, se demonstrou desde logo interessante.
A revisão de literatura desenvolvida foi extremamente importante para a envolvência no tema assim como a aquisição de conhecimentos sobre o mesmo. A exploração histórica sobre o financiamento e sobre a evolução das finanças empresariais permitiu perceber que a opção pelo crédito é desde sempre utilizada por empresas e pessoas individuais mesmo que as primeiras instituições bancárias com um conceito semelhante ao atual tenham surgido apenas no século XIV. Para além disso, a estrutura de capital das organizações e os meios de financiamento escolhidos pelas mesmas variaram sempre ao longo dos tempos com as grandes alterações políticas e sociais. Temos como exemplo desta influência a duas Grandes Guerras.
Modigliani e Miller (1958) foram os percursores do estudo da estrutura de capital em finanças empresariais tendo despoletado nos anos seguintes inúmeras investigações que os completavam ou simplesmente sugeriam novos rumos de investigação. Em 1977, Miller acrescentou a existência de impostos ao modelo desenvolvido anteriormente por Modigliani e Miller (1958) por considerar que os mesmos não poderiam ser descartados (Miller, 1977). Mais tarde, foi desenvolvida a Teoria Trade-Off que considerou os benefícios fiscais que resultavam do endividamento, defendendo que os mesmos poderiam compensar a utilização de capital alheio contribuindo para uma estrutura de capital. Com a evolução das investigações foram surgindo alterações e novas variáveis foram tendo sido em conta.
A Teoria da Pecking Order defendia uma hierarquia na preferência das fontes de financiamento a usar pelas empresas estabelecida pelo custo que cada fonte tem para a empresa. Surgiu ainda uma corrente defendida por Baker e Wurgler (2002) que afirma que a estrutura resulta das várias tentativas das empresas em aproveitar determinados momentos do mercado.
A evolução que estes estudos foi acompanhada também por uma enorme evolução nos fatores que se tornaram possíveis determinantes da estrutura de capital das organizações, tendo-se tornado essencial perceber quais os fatores que mais parecem influenciar a distribuição entre capital próprio e alheio das empresas. Assim, alguns dos fatores mais apontados como influentes das opções das empresas são a sua dimensão, a sua margem de crescimento, o risco de negócio que assumem e a sua rentabilidade. As principais características das empresas permitem-lhes obter diferentes condições tornando-se em fatores decisivos aquando a opção de recorrer a financiamento externo. O financiamento externo, através de capital alheio, pode ser obtido por inúmeros instrumentos financeiros quer de curto quer de longo prazo. A variabilidade de meios de financiamento permite que existam soluções para empresas que ainda estão a ser formadas assim como para empresas já com algum tempo de existência e uma dimensão significativa, tudo dependerá dos objetivos finais e também da sua capacidade para comportar os custos do financiamento desejado.
No caso da PRIMAVERA, optamos por uma abordagem que nos permitisse perceber que instrumentos são hoje utilizados pela empresa e também que situações já utilizou e das quais entretanto desistiu. Foi ainda realizada uma pequena análise de que opções poderiam ser tomadas, mas que neste momento não são escolha da empresa. A PRIMAVERA usufrui de vários instrumentos de curto prazo como é o caso das contas caucionadas e overdraft, dos cartões de crédito e também do papel comercial. No âmbito do financiamento de médio e longo prazo, a empresa tem vários contratos leasing em vigor (associados à sua frota), financiamento relacionados com o estatuto de PME e também com projetos para a Inovação. Para além disso, comporta ainda um empréstimo com hipoteca.
As empresas são únicas e têm características diferenciadoras, implicando situações e decisões diferentes. A gestão de uma empresa e da sua estrutura de capital ideal tem de ser gerida de situação para situação, tendo sempre que ter guidelines bem definidas para que seja possível maximizar o seu valor.
O relatório de estágio tinha como objetivo principal avaliar a estrutura de capital da PRIMAVERA. Neste sentido e como resultado deste relatório, acreditamos que a PRIMAVERA tem neste momento uma estrutura adequada que se manifesta através da solidez que apresenta ano após
anos e nos resultados positivos que apresenta. Os meios de financiamento utilizados, apesar de uma percentagem elevada de dívida de longo prazo (só possível pela sua capacidade de cumprir com as suas responsabilidades), têm-se revelado boas opções. Desta forma, a PRIMAVERA tem neste momento uma estrutura adequada para as condições da economia e das circunstâncias resultantes da sua atividade.