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3.2 R ISIKOORGANISASJONER

3.2.1 Viten og ikke-viten

Diante do estudo apresentado, até por serem muito recentes e rápidas as modificações pelas quais tem passado a nossa sociedade em relação à rede de computadores, não há como fazer uma conclusão, mas apenas algumas considerações, mesmo porque o tema em si parece bastante paradoxal.

Em relação à leitura, é interessante destacar que é um processo social em dois aspectos: primeiramente em relação ao código, que deve ser compartilhado por uma sociedade; e por outro lado por todo conhecimento que cada indivíduo carrega e compartilha no ato da escrita/leitura. Por isto mesmo, ler, apesar de muitas vezes ser um ato individual, requer posicionamento político e social do leitor, tanto num nível local quanto universal do texto, assim como histórico.

Parece ser o ponto principal em relação à leitura que, como está diretamente ligada à escrita e esta é expressão de um pensamento comunal, um legado que nos é deixado através de gerações, transmitindo conhecimentos de nossos antepassados, faz dela um ato de desvendar este legado. Mas a ele, são acrescidas as vivências de cada leitor, fazendo com que cada leitor de um mesmo texto, seja co-participante na feitura dele. Ler é transformar-se a cada leitura. Ler significa dar voz a um texto que estava dormindo como nos lembra Mário Quintana em relação aos poemas:

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.

Eles não têm pouso nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhoso espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...

Podemos dizer que não apenas os poemas, mas qualquer texto está ali, pousado no livro e que se alimenta em cada par de mãos que pousa. E, sendo o leitor que alimenta cada texto que lê, ele é quem dá vida a ele. Vida que tira de si próprio para dar àquele texto que estava adormecido.

Sem leitor não há texto, não há autor, não há editor. O texto é para ele e por ele e de certa forma, podemos dizer que vem dele, já que é ele quem o realimenta. Ler não é um ato mecânico, mas requer muitas habilidades e conhecimentos além daqueles de cifrar e decifrar códigos. Além disso, há diferentes maneiras de ler e cada uma delas transforma a atitude do leitor, como no caso de ser em alta voz ou silenciosamente, sentado ou deitado, ler olhando o texto ou ouvir alguém lendo. A cada tipo de leitura, habilidades diferentes são requeridas deste leitor. E constatar este fato foi relevante ao trabalho para poder perceber quão diferentes são as habilidades necessárias para realizar uma leitura pela tela de um computador, quem exige, além das que são próprias dos textos impressos, outras tantas relativas à coordenação motora à percepção, conforme aponta Santaella. Apesar disto não importa o suporte, em qualquer que seja ele, textos de ficção são leituras que devem ser feitas por prazer e não por obrigação.

Além destes aspectos sobre a leitura, cumpre-se destacar que, como nos lembram Briggs & Burke, o que surgiu de novo com a imprensa para o ato de ler, foi a leitura crítica devido à possibilidade de comparar textos, pois antes dela, todo texto era sacralizado. Isto nos faz refletir também acerca de que legado em relação à leitura deixarão os meios digitais colocando de lado a questão ressaltada por Chartier de que a revolução dos meios digitais está na forma como procede a leitura por ser diferente da geração anterior. Mas, assim como a imprensa revolucionou a leitura, abrindo a possibilidade de refletir e pensar um ou vários textos, estaria algo semelhante acontecendo quando da leitura de um texto no computador? É evidente que não podemos ainda responder a este questionamento, dado ser muito recente o meio estudado, mas acreditamos ser uma reflexão relevante e poderíamos levantar aqui uma

hipótese: já que foi constatado que a leitura dos textos de ficção na rede de computadores facilita em relação à rapidez com que se parte de um link para outro e obter informações de análise desses livros, seria uma maneira de potencializar a percepção crítica desses leitores?

Retomando o que nos aponta Santaella em relação ao processo de leitura num meio digital sobre os aspectos motores e cognitivos deste leitor, que são particularmente diferentes dos de um leitor de texto impresso, fica claro como já foi largamente estudado que o desafio desta nova geração é dominar tais habilidades. Sendo assim, entendemos que o processo de aprendizagem da leitura deve ser repensado.

Uma motivação para o presente estudo foi constatar que os jovens têm lido menos e a hipótese levantada foi a de que estariam muito envolvidos com outras mídias, principalmente as eletrônicas, o que veio a se confirmar no decorrer do estudo através de algumas teorias como em Lévy que ressalta a avidez dos jovens pelo novo; em Santaella que classifica os leitores por reações que são determinadas segundo a sociedade a que fazem parte e, ainda, conforme foi visto em Bucci e em Matos, por pertencermos à uma sociedade que existe a necessidade de ser visível, a sociedade do espetáculo.

Há quem diga que os jovens nunca escreveram e leram tanto quanto nesta geração, e não cabe a este estudo avaliar a qualidade desta leitura, mas como nosso objeto é a literatura de ficção, ao longo das leituras feitas, pudemos constatar que esta observação não se enquadra a ela, pois em relação aos textos disponíveis na Internet, conforme apontamos através de Silva, E. T, os jovens não lêem tudo ou, poderíamos dizer que muitas vezes não lêem nada na rede, simplesmente passam os olhos, pois constatou-se que em relação à leitura feita por eles, que é a de textos curtos e daqueles que ofereçam maior uso de sons e imagens que aquelas que tenham mais textos verbais

O que surpreendeu durante o estudo foi saber que muitos livros que foram disponibilizados na Internet aumentaram o número de vendas na versão impressa. O que por um lado levanta uma questão sobre a motivação da leitura. Estaríamos motivando nossos jovens da maneira correta? Será que a motivação viria apenas de exemplos de pais ou da escola? Ou mesmo poderíamos pensar em como usar a Internet com mais eficiência na divulgação motivação de leituras. Por outro lado abre-se um questionamento referente à afirmação de que nossos jovens não lêem. Através de tal informação, reconhecemos que, para poder chegar a algo mais consistente sobre a leitura de nossos jovens será necessária uma pesquisa de campo extensa e intensa, método que não foi aplicado a este estudo, mas que dará continuidade a ele em um estudo mais abrangente.

Outro dado relevante está relacionado à Internet, que tem sido uma mídia muito utilizada pelos jovens. Em Lévy, vemos que o autor destaca que seria a democratização do conhecimento, o que é contestado por muitos críticos e que tem sido largamente discutido, principalmente nos países menos desenvolvidos. A respeito desse assunto, cumpre-se dizer que, embora não possamos afirmar que é realmente democratizante no sentido de oferecer acesso a todos, sem distinção, como o presente trabalho tem o objetivo de comparar os meios digitais e o impresso, podemos dizer que, se por um lado não há democratização através dos meios digitais, por outro lado também não há democratização do conhecimento através do livro, já que, assim, como ter acesso aos equipamentos necessários à Internet e outros meios é um dos empecilhos a essa democratização, livros são objetos caros, o que restringe também o acesso a eles, o que faz dessa questão algo de maior profundidade e não apenas relacionado ao meio de informação, mas a questões políticas e sociais mais abrangentes e requer um estudo direcionado.

O fato é que, com as novas tecnologias, a forma de ler foi transformada e, criou-se um novo tipo de analfabetismo devido às habilidades tecnológicas necessárias para ler nos ambientes digitais, e não somente isto, mas também devido às habilidades motoras. Sem dúvida muitas transformações tem acontecido num espaço muito curto de tempo,

pois como nos lembra Matos, além do analfabetismo das letras e do analfabetismo digital, temos um outro tipo de analfabetismo que é o “secundário”, lê e não compreende, lê e esquece, pois desconhece a sua própria história.

Interessa comentar que a tecnologia auxilia na educação de nossos jovens, mas o surpreendente é que, se por um lado a falta dela compromete o aprendizado numa sociedade que está inserida nas tecnologias digitais, por outro lado o exagero do uso desvirtua seus usuários, conforme aponta Andreas Scheleicher em artigo do dia 28 de abril de 2006 no secção “Aprendiz” do provedor Uol baseado em entrevista da revista Época:

Assim como a falta dos computadores está ligada aos alunos de menor desempenho, o uso exagerado também desvirtua os estudantes e não os coloca entre os mais bem avaliados, como se poderia imaginar [...] É possível que na maior parte do tempo eles se dediquem a chats e jogos eletrônicos, que são fascinantes na idade deles, mas que precisam de limites porque podem desvirtuar o foco na educação.

Tal afirmação vai ao encontro do que assinalamos acima em relação aos hábitos dos jovens, não somente no caso da educação, mas em todo o contexto social deles. Sabemos que, ao ler um livro no rede de computadores, há uma oferta muito grande de outras formas de entretenimento, o que compromete a leitura, que deve ser um ato de concentração e imersão.

Em relação aos textos, destacamos os hipertextos na Internet, embora, como apontado no corpus, não é novidade da Internet, mas nela houve uma potencialização devido à facilidade como se passa de um link a outro. Mas o que ficou constatado em relação à escrita de textos de ficção estudados é que, embora haja muitas tentativas de produzir algo que seja exclusivo da Internet ou dos meios digitais, conforme apontado por Murray e também por Beiguelman, o que acontece é mera transposição do impresso, principalmente no que diz respeito aos textos da literatura clássica. Apenas digitalização e, portanto, conclusões sobre o que acontecerá com os textos em formato digital são apenas suposições e alguns experimentos de poetas e escritores.

Outra constatação é que, de acordo com os apontamentos de Murray, a criação de narrativas virtuais são muito mais imagens e sons que textos verbais, como acontece com jogos, por exemplo, e como assinala Beiguelman em relação ao site

www.z360.com/what em que a narrativa se dá apenas por imagens, o que desvirtua o que neste trabalho convencionamos chamar de leitura. O ato de ler textos verbais acabam ficando em segundo plano. E a busca por imagens e sons é tão intensa que ao navegar, os internautas fazem uma leitura muito superficial daquilo que está escrito na tela, o que é uma característica desta geração da velocidade.

Além disso, como foi apontado por Chaouli apud Palácios, parece haver uma transgressão na produção deste tipo de literatura, corrompendo hierarquicamente o papel de cada um dentro deste processo, o que acaba com a essência do texto literário, assim como com a qualidade destes textos. É o que acontece, geralmente com hipertextos, nos quais cada um pode continuar a história. O resultado é que os textos perdem qualidade. Ainda sobre os hipertextos, lembramos que pouco foi produzido desde o advento da Internet, o que dificulta uma análise mais profunda para comparar com o impresso e ficamos apenas nas suposições, conforme obra de Janet Murray. A imagem e o som fazem parte desta geração e, sendo assim, são usadas pelas novas mídias como forma de transformar indivíduos pensantes em objetos que visam ao consumo conforme exposto no capítulo anterior. Indivíduos que não pensam, não refletem e que são, a todo instante, assediados através de uma mídia que manipula desejos, gostos, vontades. A Internet não é diferente, conforme foi apontado, pois além de incitar ao consumo através de propagandas, é fonte de informação a respeito dos usuários através de pesquisas e de investigações em comunidades virtuais, blogs e sites pessoais. Portanto, cabe tanto aos usuários destas mídias como a provedores, utilizarem com responsabilidade, não pensando apenas em construí-la pela mídia, mas para o bem de usuários pensantes.

ANEXOS

I – Crônica: As Meninas Moça – Mário Prata II – Carta de Mário Prata

As Meninas-Moça

Mario Prata

Publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 7 de abril de 1999

Não sei quantos anos tem a moça, nem o leite da moça. Mas, desde que eu me entendo por gente, que tem uma lata por perto. Com aquela moça com jeitão de suíça (se for búlgara, não faz a menor diferença). Embaixo, está escrito: indústria brasileira. Sim, não tem nada mais brasileiro do que o sempre bem-vindo leite condensado. Qualquer que seja a sua idade.

Sabe com o que as gordinhas sonham nos spas? Com elas. As latinhas condensadas. Não uma, que não sacia. Muitas moças, muitos leites moça.

Um furinho de cada lado, um maior onde vai a boca. E é só chupar que a moça entra dentro de você. Gostosa, macia. Quem já fez isso, sabe o delírio que é.

Quem é que nunca acordou de noite e foi até a geladeira, sem acender a luz da cozinha e, só com a penumbra da luzinha interna, levou a latinha até os lábios pra melecar a língua? Talvez tenha ido dormir com uma certa culpa. Mas tomou e não escovou o dente pra não cortar o barato.

Larica é larica. Vide dicionário.

Tou aqui nessa fissura porque o Leites Nestlé, o time de vôlei feminino de Jundiaí, que já foi tricampeão brasileiro, está fora da final. Por duas gotinhas, ou melhor, dois pontinhos.

Sim, o time feminino. Não ia pegar bem homens subindo na rede com as letras Leite Moça no peito peludo. Não, Leite Moça foi feito para flanar esparramado em seios esplêndidos, chacoalhando no ar, jornadando até as estrelas e viajando ao fundo do mar de nossas emoções.

Isso tudo para falar da estranha torcida das pessoas que gostam de moças, de leite, de Leite Moça. Ou seja, as pessoas, como eu, que gostam de vôlei. Principalmente o feminino, balé de braços, de loiras e altitudes mil. Não tendo nem Corinthians, nem Palmeiras pra torcer, torcer pra quem no vôlei feminino que nos bafeja com aquelas bundinhas divinamente proeminentes?

Quem, em sã consciência, vai torcer por um BCN, que é um banco? Impossível dizer: sou BCN desde pequenininho. E desodorante, gente? Imagina a torcida gritando: de-so-do-ran- te!

De-so-do-ran-te. Pelo amor de Deus!

E vocês acham que os universitários da USP, da PUC, da FAAP, da Federal do Rio, da Veterinária de Uberaba, da Odontologia de Lins, da Santa Marcelina, vão torcer para a Uniban? Universidade Bandeirantes?

Difícil. A UNE ia interferir.

Por mais que eu seja amigo do Felipe - colega de faculdade -, desculpa, Felipe, mas não dá pra torcer pra Petrobrás. Falta-lhe passado esportivo. E o Blue Life, que é uma expressão americana que não significa, absolutamente, vida azul? Vida azul é leite condensado.

Sacou?

Foi pensando nessas bobagens todas que eu fui descobrindo que todo mundo torce pelo Leites Nestlé, no vôlei feminino. É o Flamengo, o Corinthians da categoria. Tem Corinthians até no técnico. O sujeito chama-se Negrão.

Ando lendo por aí que a empresa está pensando em fechar o time. Mas como? Como é que fecham um time? Já pensou, um dia o diretor chega e diz: vamos fechar o Corinthians. Não pode, cara! Aqueles meninas-moças todas voando pela quadra já fazem parte da latinha das nossas recordações. E sonhos: a Leila, mineira como o leite, que deixou até os japoneses desatinados.

E as pernas da Karin, que saem de dentro da lata, como que convocadas pelo gênio das lâmpadas que iluminam as quadras e as redondilhas dos seus ataques fulminantes aos nossos corações torcedores? Onde ficam as pernas da Karin?

E o colorido tropical da americana Tara? E a Elena, que não é do Machado de Assis, e sim dos Gorkis e Gógols?

O que é isso, ministro Paulo Renato?

Carta do escritor Mario Prata ao Ministro Paulo Renato, publicada no jornal O Estado de São Paulo, de 16/6/1999.

Saber que uma crônica minha, publicada aqui neste espaço, foi tema da prova de português num vestibular para medicina só me envaidece. O ego dá um pulo. Melhor até mesmo que um elogio no The New York Times (sorry, mas eu tinha de contar).

A crônica imposta aos jovens se chama As Meninas-Moça. Publicaram a danada inteira e depois fizeram oito perguntas em forma de múltipla escolha. E eu, que escrevi, que sou o autor, errei as oito. Imagino os meninos e as meninas, que querem ser médicos, submetidos a tal dissecação.

Fico aqui me perguntando, ministro, pra que isso? Será que, para cuidar de uma dor de cabeça, um jovem tem de saber se a minha expressão "esparramados em seios esplêndidos" é uma paráfrase, uma metáfase, uma paródia, uma amplificação ou o resumo de um texto bem conhecido pelo cidadão brasileiro? Com toda a sinceridade, ministro da Educação Paulo Renato, você sabe me responder isso? Algum assessor seu sabe?

A gente educa os filhos direitinho, ensina o que achamos fundamental. Educação, honestidade, indica bons livros, explica porque o Maluf é nefasto, pede para ele torcer pelo Corinthians, apresenta gente decente, paga milhões de reais por bons colégios, ensina inglês e até paga o analista. Para que ele tenha um bom futuro e seja feliz. Meus filhos sabem, por exemplo, o que é larica. Você também sabe. Mas, para ser médico, a larica é outra. Veja mais um exemplo da prova: "Larica é larica. Vide dicionário." Aí, para ser médico, o jovem precisa saber se esta pequena frase é poética, fática, metalingüística, emotiva-expressiva, referencial, conativa ou apelativa? O que você acha, Paulo Renato? Eu, larica à parte (e bem-vinda), não faço a menor idéia.

Será que não teria sido melhor publicar a crônica (como foi feito) e pedir para a garotada escrever o que quisesse, o que achasse, o que bem entendesse do que eu entendi? Deixar o jovem manifestar a sua opinião, fazer a garota escrever no lugar de ficar ticando opções fáticas?

O título da vestibular crônica, já disse, era As Meninas-Moça e eu me referia ao time feminino de vôlei da Leites Nestlé que ia acabar. Olha o que eles perguntaram aos alunos, sobre o título:

a - ao usar meninas-Moça, não flexionou no plural o segundo elemento porque criou um neologismo, processo que não se submete a normas da língua;

b - ao criar um novo vocábulo, não transgrediu as regras de flexão dos compostos; c - usou uma flexão admissível porque o segundo elemento é um nome próprio feminino; d - ao usar a expressão do composto, violentou a regra da língua que preconiza, para esse caso, a variação no plural para os dois elementos;

e - usou apropriadamente a forma meninas-Moça, visto que o segundo elemento tem função apositiva.

O que você acha, ministro? Eu, fico entre a e b. Mesmo porque eu não tenho a menor idéia do que seja uma função apositiva. E você, Paulo Renato, vota em quem? F, H, C? Ou A, C, M? Ou M, E, C?

E agora, meu querido ministro, só para terminar a aula, me diga, nas expressões abaixo, onde você identifica um exemplo de intertextualidade:

a - "... principalmente o feminino balé de braços, de loiras e altitudes mim";

b - "Não, leite Moça foi feito para flanar esparramado em seios esplêndidos, chacoalhando no ar, jornadando até as estrelas";

c - "Aquelas meninas-moças, todas voando pela quadra já fazem parte da latinha"; d - "Embaixo, está escrito: indústria brasileira";

e - "... que saem de dentro da lata como que convocadas pelos gênios das lâmpadas que iluminam."

E agora, C, D, ou F?

Já disse lá atrás, ministro e organizadores da prova, que sinto-me sinceramente envaidecido com a escolha de um texto meu. Mas jamais poderia imaginar que, ao escrever uma crônica pensando naquelas coxas todas, naqueles seios esparramados pelas quadras, ao escrever um texto de olho na Karin, ao digitar uma crônica preocupado com o desemprego da minha namorada (que fazia parte da equipe) fosse dar tanta dor de cabeça para dezenas de milhares de jovens que querem apenas uma profissão digna para enobrecer este nosso País tão mal-educado.

Quanto às pernas da Karin, ministro, vá de a, b, c, d e fim de papo.