3 Resultater
3.7 C-vitamin, E-vitamin og TBARS
A seguir temos a elaboração do fluxo de caixa para ativos florestais, demonstrando passo a passo, desde os inputs dos dados iniciais (premissas) até o cálculo do valor presente dos fluxos de caixa.
Figura 13 – Inputs dos dados para cálculo Fonte: Autor
No campo 1 (Custo e Preço da Madeira) da figura 13 o preço utilizado é da madeira colocada a disposição do comprador (no portão da fábrica), sendo necessário deduzir as despesas para vender e entregar a madeira tais como: custo de colheita, transporte, administração (em milhões de R$ por ano), carregamento e estradas. O cálculo da formação do preço será apresentado na figura 14.
Ainda no campo 1, também é informado o custo da depreciação e da exaustão, ambos em R$/m³ de madeira, que será utilizado exclusivamente para o cálculo do IR.
No campo 2 (Características da Floresta) temos as informações das características da floresta: área plantada, volume de madeira e tempo de crescimento de sete anos, portanto, uma floresta de eucalipto.
Além disso, temos a distância média da floresta até a fábrica de 60 km que será utilizada para cálculo do custo do transporte.
O volume de madeira a ser colhido anualmente é calculado da seguinte forma: Área total: 10.000 ha;
Área a ser colhida anualmente: 10.000 / 07 = 1.429 ha; Produção por hectare no final de 07 anos: 420 m³
Produção anual de madeira: 1.429 ha x 420 m³/ha = 600.000 m³
Utilizando os dados de volumes e os custos por unidade, informados no campo 1, é possível calcular o custo total da madeira informado na linha “Custo total da madeira” (R$/m³ 45,33):
Os dados de custo de capital e alíquota de imposto de renda informados no campo 03 são obtidos conforme demonstrado na figura 12 – Cálculo de WACC para floresta.
Figura 14 – Formação do preço corrente de venda da madeira Fonte: Autor
Determinação do preço da madeira
Valores em R$/m³
Destinação Consultoria 1 Consultoria 2 Média % Médio Celulose (até 18cm de diâmetro) 38,00 36,00 37,00 60,00% 22,20 Serraria I (18 a 25 cm de diâmetro) 50,00 52,00 51,00 25,00% 12,75 Serraria II (25 a 40 cm de diâmetro) 66,00 66,00 66,00 10,00% 6,60 Serraria III (acima de 40 cm de diâmetro) 90,00 88,00 89,00 5,00% 4,45 46,00 Custo de colheita 20,00 Carregamento da madeira 2,00 Transporte (R$ 0,20/km x 60km) 12,00 Preço da madeira entregue no consumidor 80,00
Figura 15 – Dados do plano de colheita Fonte: Autor
Conforme já demonstrado na figura 13, de inputs de dados para cálculo, o volume estimado de colheita anual é 600.000 metros cúbicos, equivalente a 1.429 hectares de floresta plantada. Como pode ser observado, estima-se uma colheita de forma uniforme durante os anos. Essa é uma característica de projetos florestais, pois subentende que a floresta deve ser manejada de forma sustentável, atendendo no longo prazo a necessidade de madeira do negócio.
Figura 16 – Demonstrativo do gasto de manutenção e equipamentos para colheita Fonte: Autor
Nesse exemplo, a floresta será manejada de forma a ser colhida com sete anos de idade. Dessa forma, existem árvores recém-plantadas, com um, dois, três anos de idade e assim por diante, até árvores com sete anos, prontas para serem colhidas.
Para que as árvores com idade inferior a sete anos atinjam a maturidade são necessários gastos na manutenção e proteção da floresta conforme já comentado anteriormente. Esses gastos estão estimados na linha “silvicultura”.
Os gastos necessários para fazer manutenção ou abrir novas estradas estão estimados em R$ 1.2 milhões no primeiro ano do fluxo de caixa. Como a área colhida anualmente é 1.429 hectares, a área para manutenção reduz nesse mesmo tamanho, e consequentemente, reduz a necessidade de gastos com as árvores remanescentes.
Por outro lado, os equipamentos de colheita são projetados para colher o volume de 600 mil metros cúbicos por ano. Dessa forma, para a renovação das máquinas da colheita está estimado o gasto de R$ 2.0 milhões a cada três anos.
Figura 17 – Demonstrativo do cálculo do Imposto de Renda
Fonte: Autor
O imposto de renda deve impactar o fluxo de caixa se a taxa de desconto utilizada for “post-tax”22, que é o caso do exemplo utilizado.
O valor do resultado para o cálculo do imposto de renda difere dos valores do fluxo de caixa devido aos valores que representam saídas de caixa e não são dedutíveis no cálculo do imposto de renda (silvicultura e equipamento de colheita) e valores que não representam saídas de caixa, mas que são dedutíveis para efeito de cálculo do imposto de renda (depreciação e exaustão).
Os gastos com silvicultura não são dedutíveis por não representarem despesas que possam ser confrontadas com receita e será uma despesa dedutível apenas quando a floresta for colhida. Nesse momento, os gastos com silvicultura que foram “ativados” serão lançados como exaustão. Dessa forma, os valores gastos para que a floresta continue crescendo, impactam em saídas diretas de caixa enquanto os valores de exaustão e depreciação impactam apenas de forma indireta, como redução do imposto de renda.
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Da mesma forma que se deve manter a coerência entre fluxos de caixa e taxas nominais e reais, deve-se aplicar a taxa antes do imposto (pre-tax) caso não se deduza do fluxo de caixa o imposto, e a taxa após o imposto (post-
Os valores que compõe o custo variável são: estradas florestais, colheita, carregamento, transporte e custo de movimentar a madeira no pátio (quando for o caso). O custo fixo é apenas o custo administrativo.
Figura 18 – Demonstrativo do fluxo de caixa Fonte: Autor
Para previsão do fluxo de caixa são consideramos todos os valores que representam entradas e saídas de caixa.
As receitas são calculadas utilizando as estimativas de volume de madeira a ser colhida (600.000 m³/ano) e o preço (R$/m³ 80,00). As despesas variáveis também são calculadas utilizando o volume previsto de colheita. Outro valor que também está diretamente relacionado ao volume de madeira é a exaustão, que conforme já explicado não impacta diretamente o fluxo de caixa, mas, indiretamente através do imposto de renda.
Em relação às despesas administrativas é possível que algumas possam ser reduzidas à medida que se reduza a área plantada, como ocorre com os gastos com silvicultura e estradas. No entanto, nesse exemplo, estão sendo consideradas todas fixas, assim como a depreciação.
Embora a depreciação também não impacte diretamente o fluxo de caixa, afeta indiretamente através do imposto de renda.
Todos os valores são estimados de forma corrente, ou seja, com valores atuais sem considerar o efeito da inflação. Dessa forma, a taxa de desconto a ser utilizada é a 5,82%, que também não considera o efeito da inflação (taxa de juro real). Caso o fluxo de caixa seja inflacionado, utilizando a inflação prevista para corrigir as receitas e os gastos, a taxa a ser utilizada deveria ser a de 10,06% (taxa de juro nominal), conforme cálculo apresentado na figura 12 – Cálculo de WACC para floresta.
Figura 19 – Demonstrativo do valor presente líquido do fluxo de caixa Fonte: Autor
O valor justo é a soma dos valores do fluxo de caixa, todos calculados a valor presente.
O fator de desconto é calculado utilizando a seguinte fórmula: FD = 1 / (1 + i)n
Onde:
FD: fator de desconto i: taxa (no caso o WACC) n: o número de anos
Conforme esse exemplo, o valor justo de uma floresta com 10.000 hectares reflorestados com eucalipto seria R$ 89.949.017.
Os dados apresentados nesse capítulo não são reais, bem como essa floresta não existe fisicamente. No entanto, os dados aproximam-se dos valores reais utilizados pela empresa estudada para uma floresta similar, o que sugere que uma floresta de aproximadamente 10.000 hectares de eucalipto pode valer aproximadamente R$ 90 milhões de reais, sem a terra.
O cálculo aqui apresentado foi realizado com valores e taxas reais, sem considerar o potencial efeito da inflação no cálculo do imposto de renda. Se esse efeito for relevante, sugere-se calcular os impostos com base em valores nominais, assim como apresentado no capítulo III.
Não foi aplicado nesse modelo de fluxo de caixa o custo dos ativos contribuintes conforme item 3.6 desse trabalho, pois observa-se que as empresas que utilizam o fluxo de caixa descontado para mensuração do ativo biológico não utilizam ou não divulgam esse conceito. De qualquer forma, para fins didáticos, é apresentado na figura 20 como ficaria o valor justo do ativo caso fosse deduzido esse valor.
Figura 20 – Demonstrativo do valor presente líquido do fluxo de caixa com dedução do custo dos ativos contribuintes
Fonte: Autor
O valor do ativo reduziu aproximadamente R$ 8 milhões, com a utilização do WACC como custo sobre o valor empregado de ativos contribuintes.
Outra forma de calcular o custo dos ativos contribuintes seria incluir esses valores no fluxo de caixa, como saídas durante o ciclo de vida do projeto e, eventualmente, como entrada no final do ciclo. Nesse caso os custos desses ativos estariam incluídos no WAAC do projeto. Nesse exemplo, essa técnica é adotada apenas para as máquinas da colheita, que representam saídas futura de caixa.
Vale observar também que esse é um custo não dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda.