Kapittel 2 - MILJØKRITERIER OG REPRESENTASJONER AV
2.4 Visualisering
A primeira pergunta se referia à formação inicial das professoras e pedimos para que elas avaliassem a formação docente na atualidade. A professora Ana Catarina disse que teve uma boa formação, mas que não foi o suficiente para que se atualizasse profissionalmente, dessa forma, teve que buscar outros cursos para esse fim. A professora Fernanda citou onde
82 concluiu seus estudos de graduação, que foram realizados em 4 anos e mencionou que, nessa mesma época, conciliava seus estudos com a prática em uma escola particular.
De acordo com Sturm (2011, p. 79), “inúmeros estudos apontam a falta de qualidade nos cursos de Letras, tanto em IES privadas quanto públicas, em todo o país, como uma das principais causas na formação deficitária dos professores de LE”. As professoras não mencionaram que tiveram uma má formação, mas tiveram que procurar cursos, não só para atualização, como relatado pela professora Ana Catarina, mas também foram alunas de CIL, o que foi fundamental para uma formação com menos dificuldades na graduação.
Tratando-se de formação inicial, Eres Fernández (2008, p. 280) defende que ela “deve ser cuidadosamente planejada e realizada”. As professoras planejaram sua formação inicial, a exemplo disso é o fato delas já terem bastante conhecimentos na língua espanhola antes de iniciarem o curso superior.
Sturm (2011) também elucida que o objetivo do professor formador é que se formem
professores bem preparados, mais qualificados, com capacidade reflexiva, crítica; profissionais educadores criativos e autônomos que, ao iniciarem suas atividades em uma escola, não se demonstrem indiferentes ao caos, e, por isso, capazes de encontrar caminhos para ensinar e para aprender, com vistas a transformação daquela realidade específica. (STURM, 2011, p. 76)
Nas respostas das professoras podemos perceber a preocupação com a qualidade de ensino. Dessa forma é possível perceber indícios de que elas refletem sobre a prática pedagógica e sempre buscam aperfeiçoamento e atualizações em cursos de formação continuada. Essas professoras buscam trilhar o caminho correto “para ensinar e para aprender” e, consequentemente, fazem parte de um grupo de professores que agem em prol de mudanças na realidade escolar em que atuam.
A professora Ana Catarina se interessou por estudar a língua espanhola por sempre ter gostado da cultura hispânica e sua maior motivação em dar aulas de espanhol é justamente sempre estar em contato com a cultura referente a essa língua. A professora Fernanda sempre gostou de estudar línguas estrangeiras, mencionou que tinha paixão por conhecer a língua e a cultura de outros povos e que, o que era um gosto pessoal, foi aos poucos fazendo parte de sua escolha profissional. A cultura não é algo que deve vir como apêndice, mas consolidado em eixos principais das aulas. Goettenauer (2005, p. 65) afirma que “a cultura não deve estar a serviço da língua, mas essa deve ser vista como um componente cultural. (...) A língua
83 espanhola traduz uma riqueza infinita de povos e culturas que devem ser reconhecidos, compreendidos e, essencialmente, respeitados.”
Sobre as dificuldades enfrentadas no início da prática docente, a professora Ana Catarina disse que começar a dar aula foi a primeira dificuldade, pois todo início é difícil e ela nunca havia passado por experiências similares. Queria passar segurança aos alunos, mostrar que era uma “boa professora”, que tinha experiência, apesar de não tê-la. A professora Fernanda se referiu à falta de clareza em seus objetivos e à falta de conhecimento em algumas áreas e isso fez com que gerassem erros (ou equívocos) em sala de aula.
As duas professoras mantêm um bom relacionamento com seus alunos, a professora Fernanda percebe o respeito que seus alunos têm por ela e sabe que ela é um exemplo pra eles.
O bom relacionamento entre professor e aluno pode contribuir para uma aprendizagem exitosa, o aluno encontra nessa relação espaço para interagir e se sentir motivado para aprender a LE. Mastrella-de-Andrade e Norton (2011, p. 94-95) apresentam um quadro proposto por Dörnyei (1994) que descreve a motivação em três níveis: o da língua; o do aprendiz e o nível da situação de aprendizagem. O professor pertence ao último nível descrito; dessa forma, a motivação para que o aluno aprenda também está pautada em uma relação de confiança e um ambiente, proposto pelo professor, propício para que o aluno tenha interesse em aprender. Sob esse aspecto, as identidades das professoras são construídas através da relação palpável e horizontal existente entre elas e os alunos e, apesar das relações desiguais de poder existentes em sala de aula (MASTRELLA-DE-ANDRADE e NORTON, 2011), a maneira como o professor escolhe se relacionar com seus alunos fundamentará questões referentes ao olhar desses aprendizes para a língua espanhola.
O CIL em questão possui vários recursos que auxiliam os professores em sua prática pedagógica tais como: acesso à Internet; televisão; aparelho de DVD; laboratório de informática; aparelho de som; lousa digital e data show, como as professoras participantes da pesquisa enumeraram. Elas têm preferências individuais em relação à utilização desses recursos. A professora Fernanda, por exemplo, gosta de usar o projetor, o laboratório de informática e, provavelmente sua especialização em novas tecnologias em sala de aula tenha influenciado essa preferência.
Analisando ou refletindo sobre sua prática pedagógica, a professora Ana Catarina disse que os principais saberes e/ou conhecimentos que mobiliza em sala de aula são conhecimentos referentes a vocabulários que podem ser adquiridos através de leitura de
84 revistas, jornais, livros, etc.; conhecimentos culturais adquiridos em viagens, com a visualização de fotos, etc., e conhecimentos referentes à gramática, adquiridos com o auxílio de livros, de exercícios extras, etc.
De acordo com a professora Ana Catarina, alguns alunos possuem real interesse em aprender a língua espanhola, e quando não há interesse é devido principalmente à falta de consciência desses alunos sobre o que é aprender uma língua estrangeira. A professora Fernanda avalia que os alunos são interessados em aprender uma língua estrangeira, mas não a espanhola e sim a língua inglesa. Sob esse aspecto, mais uma vez se verifica a língua inglesa como “a língua do poder” (ROCHA, 2010).
Romero (2011, p. 184) argumenta que:
um dos itens essenciais para o sucesso de aprendizagem de línguas estrangeiras mencionado por Lantolf e Thorne (2006) é a consciência linguística. Isso permite que o aprendiz saiba interpretar e se apropriar de conceitos organizados culturalmente, tais como significados culturais diferentes dos seus e próprios da cultura alvo, expressos frequentemente em gestos, metáforas, expressões idiomáticas ou mesmo novas formas de entender o mundo.
A professora Ana Catarina mencionou a “falta de consciência dos alunos”, o que pode gerar desinteresse. Na verdade, indo um pouco além, como defende Romero (2011), essa falta de consciência pode trazer falta de entendimento nas aulas e esse desinteresse pode gerar um fracasso, desistência, frustração.
O ensino da gramática (sistematizada) não é o mais importante, segundo as professoras participantes, ambas pensam que esse ensino deve estar aliado a um contexto de comunicação, como mencionou a professora Ana Catarina, ou de conversação, como enfatizou a professora Fernanda. A professora Ana Catarina não explicitou, mas fica clara a sua intenção em referir-se à comunicação como expressão oral.
Almeida Filho (2008, p. 44) alude que “o aluno tem coisa a perguntar, a dizer, a opinar e a questionar”. O autor defende a abordagem comunicativa no ensino de línguas e o foco desse contexto de comunicação é o aluno, que deve interagir com o grupo de colegas, sempre em situações dialógicas mediadas pelo professor. O aluno é o protagonista, ele deve se manifestar e participar para que o processo de ensino e aprendizagem tenha êxito na esfera da expressão oral.
A professora Ana Catarina induz seus alunos a reflexões sobre assuntos ensinados em sala de aula fazendo debates ou perguntas individuais. Já a professora Fernanda procura fazer autoavaliações com os alunos, geralmente no início das aulas, fazendo com que relacionem o
85 que aprenderam na aula anterior com o conhecimento que será passado na aula seguinte. Seria mais satisfatório se todos os professores se preocupassem em trazer atividades que induzem à reflexão, mas essa não é uma realidade predominante em todas as escolas (PERRENOUD, 2002). Na verdade, o que a professora Fernanda relatou não foi visto através das observações com notas de campo, ela não fazia essa relação entre a aula anterior e a atual como foi mencionado. É possível afirmar que a professora Fernanda induz seus alunos à reflexão de forma semelhante à professora Ana Catarina, com debates e discussões sobre temas polêmicos, sociais ou atuais.
O livro didático é usado como apoio nas aulas, como relatam as professoras. É um “método” adotado nesse CIL, mas nunca é um material completo, como descreve a professora Ana Catarina. Almeida Filho (2009, p. 64) chama de método “as experiências propiciadas e vividas na L ou variante-alvo em sala de aula e suas extensões” mas reconhece que muitos professores chamam de método o livro didático utilizado. Foi possível perceber que o livro didático era o norte para as aulas, quem ditava os temas e as sequências de conteúdos, e os outros materiais usados é que se caracterizavam como materiais de apoio, já que de fato as professoras sempre complementavam as aulas fazendo uso de outros recursos.
A prática pedagógica da professora Ana Catarina é eficaz, como ela mesma a definiu, sem mais palavras. A professora Fernanda disse que sempre avalia a sua prática pedagógica como um processo contínuo, em que ela tem que aprender sempre mais. Segundo Perrenoud (2002, p. 101), “(...) a principal regulação da prática docente provém da reflexão do próprio profissional, desde que ele seja capaz de propor questões, de aprender a partir da experiência, de inovar, observar, ajustar progressivamente sua ação às reações previsíveis dos outros”.
A professora Fernanda costuma refletir sobre sua prática pedagógica levando sempre em conta os objetivos de cada aula, partilha com sua equipe se conseguiu atingir determinados objetivos e caso não consiga, pede sugestões para se aperfeiçoar nas aulas seguintes.
O aperfeiçoamento profissional, visando ao processo de formação continuada acontece, de acordo com ambas as professoras, com a busca de cursos que tenham relação com sua área de formação, usufruindo de alguns que são oferecidos pela Secretaria de Educação do DF. A professora Fernanda mencionou que também investe financeiramente na compra de livros a fim de estar sempre atualizada.
Como menciona Eres Fernández (2008, p. 277), os cursos de Metodologias de Ensino de Língua Espanhola nos cursos de Letras no Brasil possuem uma carga horária reduzida e os alunos não dispõem de muito tempo para realizar o estágio, mesmo que essa seja exigida por
86 lei. Dessa forma, compreende-se a necessidade de tomada de atitudes desse professor em formação para que consiga terminar seu curso e iniciar sua carreira como um profissional mais “preparado” para a sala de aula, e isso acontece também com a busca de cursos relacionados à área de atuação, no caso, ELE e à educação em geral. As professoras desta pesquisa se enquadram nesse perfil de profissional, que buscou, desde a graduação, adquirir proficiência na LE e cursos que pudessem complementar seus conhecimentos como professoras de ELE, e essa busca teve continuidade após a sua formação, fazendo parte de seus interesses, atualizações e aperfeiçoamentos até os dias de hoje.
As professoras participantes da pesquisa se sentem realizadas com a profissão que exercem, a professora Ana Catarina relatou que gosta do faz, apesar do pouco valor dado aos profissionais da educação e a professora Fernanda disse sentir-se feliz com sua escolha profissional, pois vê que ser professor é, antes de ser uma profissão, uma vocação. Sobre a opinião da professora Fernanda, podemos citar Rubem Alves: “Em que covas terão se escondido? Professores, há aos milhares, mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão, é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança” (ALVES, 1980, p. 11).