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5. Virksomhetsidentitet og organisasjonsidentitet – i samsvar eller dekoplet?

5.2 Samfunnsansvar uttrykt gjennom organisasjonsidentiteten

5.2.3 Visjonens betydning

A

ESCOLHA POR UMA ABORDAGEM INTERACIONISTA

Para as reflexões a seguir, este capítulo tomará como base teórica alguns conceitos- chave de Bakhtin e Vygotsky, a fim de relacionar a abordagem interacionista com a ação comunicativa do professor, suas formas de interação com os alunos, além de possíveis construções de sentido a partir dessa interação. Isto é necessário porque com base na teoria sócio interacionista será possível demonstrar as funções da expressividade considerando-se as interações face a face, que ocorrem em sala de aula.

A abordagem da noção de comunicação nesta tese é a interativa, que se afasta da concepção expositiva lingüística baseada em uma perspectiva unilateral e linear. Na concepção interativa da comunicação, este fenômeno complexo e dialógico por excelência, considerar-se-á os pressupostos do dialogismo de Bakhtin (1929/1997), pelo fato de o autor idealizar a linguagem e seu aprendizado sob a perspectiva de construção de sentidos entre sujeitos interlocutores que agem com e sobre a linguagem, ao mesmo tempo em que recebem a ação da própria linguagem.

Para Bakhtin (1929/1997), o discurso é caracterizado por unidades reais de comunicação, denominadas enunciados, e estes são considerados acontecimentos únicos por apresentar acento, apreciação e entonação próprios. Os referenciais bakhtinianos empregados nos trabalhos (Mortimer, 1998; Mortimer e Scott, 2002; Motimer e Machado, 1997; Mortimer e Santos, 2001; Araújo, 2008; Silva 2008; Silva 2009; Tavares, 2009) possibilitam a investigação dos aspectos da ação comunicativa nas interações em sala de aula e consideram diferentes elementos da comunicação, tanto verbais quanto não-verbais.

O trabalho apresentado nesta tese situa-se no campo da Perspectiva Histórico-Cultural e da Teoria da Enunciação de Bakhtin e seu círculo; entretanto, é preciso se considerar que os fenômenos expressivos carregam também substratos lingüísticos, pragmáticos, físicos e biológicos. Assim, nesse vasto conjunto de elementos responsáveis pelo fenômeno da

expressividade, existe uma linha articulada que garante uma unidade de pensamento: a centralidade da linguagem.

Ao buscar uma apreensão totalizante da linguagem, Bakhtin elaborou uma síntese dialética criticando os sistemas filosóficos-linguísticos de sua época, denominados por ele

objetivismo abstrato e subjetivismo idealista. Ele articulou suas idéias procurando a superação dessas posições dicotômicas e ortodoxas e propôs a interação verbal como unidade fundamental da língua. Para ele, o ato da fala e o seu produto - a enunciação - não poderiam ser explicados apenas a partir das condições do sujeito falante, mas também não poderiam desconsiderá-lo. Sendo a enunciação uma natureza social, para compreendê–la seria necessário perceber que ela se dá na interação. Uma análise verdadeiramente fecunda das formas do conjunto de enunciações, consideradas como unidades reais na cadeia da comunicação verbal, só seria possível, para o autor, se estas fossem encaradas como um fenômeno sociológico (Volochínov, 2004).

Tanto Vygotsky quanto Bakhtin e seu círculo, como observa Freitas (1994), rejeitaram, portanto, as posições dicotômicas, tentando encontrar a dialética do objetivo e do subjetivo, e colocando a linguagem numa posição central em seus sistemas, bem como as relações desta com o pensamento e a consciência.

A função comunicativa da linguagem, tanto no que diz respeito aos recursos verbais, para-verbais, quanto aos não-verbais, demanda níveis de complexidade que excedem os domínios de estudos de uma única disciplina e exigem um conjunto de conhecimentos interdisciplinares.

Não é nossa intenção apresentar um estudo exaustivo sobre a perspectiva histórico- cultural e a teoria da enunciação de Bakhtin, mas apenas trazer alguns dos elementos teóricos e metodológicos que essas teorias oferecem e que têm favorecido uma ampla discussão acerca do processo comunicativo.

Alguns autores como, por exemplo, Wertsch (1998) e Wertsch e Smolka (1995) têm utilizado as noções de Bakhtin sobre as enunciações, as linguagens sociais e os gêneros do discurso, além de várias outras, como uma forma de ampliar a proposta esboçada por Vygotsky (1993,1998), possibilitando um maior avanço na análise das interações discursivas.

Isso só é possível devido à semelhança entre os aspectos fundamentais das teorias dos dois autores e, também, pelo fato de Bakhtin ter se aprofundado no estudo sobre as relações entre os processos inter- e intra-mentais com ambientes culturais, históricos e institucionais. Wertsch(1998) discute, nesse sentido, que as contribuições teóricas de Bakhtin e de seu

círculo promovem uma ampliação do quadro teórico delineado por Vygotsky (Wertsch e Smolka, 1995).

Para Bakhtin, a enunciação é o produto da interação de dois indivíduos socialmente organizados e, mesmo que não haja um interlocutor real, ele será substituído pelo representante médio do grupo social ao qual o locutor pertence. Nessa perspectiva, a orientação da palavra em função de um interlocutor tem uma importância fundamental. Toda palavra tem duas facetas: ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte.

A obra de Bakhtin, assim com a de Vygotsky, não aborda diretamente questões de expressividade; entretanto, discute temas tais como interações verbais, dialogismo, signos, dentre outros, que contribuem significativamente para a análise dos processos de comunicação que ocorrem no ambiente da sala de aula.

Ao desenvolver os conceitos fundamentais de sua teoria, Volochínov(1929, 2004) critica o objetivismo abstrato, por acreditar que uma concepção lingüística que se apóie na filologia acaba por priorizar o sistema de formas fonéticas gramaticais e lexicais, extraindo a enunciação da esfera real e histórica da sociedade.

“A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua”. (2004:123)

Isto aponta para o fato de que, para Bakhtin, a comunicação não pode ser entendida fora de sua ligação com uma situação concreta e, portanto, não pode ser compreendida por métodos exclusivamente lingüísticos, necessitando do aspecto contextual. Isso leva o autor a criar uma nova disciplina, a metalingüística (ou translinguistica), para estudar o enunciado. Este é entendido como a unidade real da comunicação verbal Bakhtin, (1929/1997). Cada enunciado é um elo da cadeia complexa formada por outros enunciados.

Na perspectiva dessa pesquisa, postulamos, portanto, a interação íntima entre linguagem, cognição e cultura. Dentro da concepção teórica assumida, busca-se na linguagem a chave para a compreensão das principais questões epistemológicas: interações e construção de sentidos, buscando ultrapassar a lógica formal. Tanto Bakhtin quanto Vygotsky são herdeiros desta mesma tradição sócio histórica. Para estes autores, o ser humano constitui-se imerso na cultura, isto é, nas experiências e práticas construídas histórica e coletivamente.

Portanto, Vygotsky e Bakhtin consideram a linguagem como diferenciadora do sujeito, e mostram-se interessados em compreender como o sentido das coisas é construído pelo homem e por sua linguagem. Para eles, as interações discursivas são consideradas como constituintes do processo de construção de significados, ou seja, todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Não é de se surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variáveis como as próprias esferas da atividade humana. A utilização da língua efetua-se sob a forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes de uma ou outra esfera da atividade humana.

Estes conceitos definem uma nova direção para pesquisas e estudos sobre o papel da linguagem no ensino de um modo geral e, conseqüentemente, para o ensino de ciências de maneira específica, que devem buscar respostas sobre a forma como os significados e entendimentos se desenvolvem no contexto social da sala de aula, considerando a riqueza e a variedade de atividades aí envolvidas. Nesta linha investigativa, a linguagem deve ser considerada como inseparável das circunstâncias situacional e sociocultural.

Ressalta-se, porém, que precisamos ficar atentos para não cairmos no outro extremo da polaridade, pois, se as teorias de base lingüística não respondem a todas as nossas questões e não são sustentáveis, também não podemos admitir um pensamento superficial e, talvez, ingênuo baseado “somente” na cultura, no contexto social e na experiência. Certamente, essas bases não são sólidas para explicar, cientificamente, o conhecimento, a linguagem e a expressividade.

Para Kerbrat-Orecchioni, 1996, o que caracteriza a abordagem interacionista da comunicação consiste em “considerar que o sentido de um enunciado é o produto de um ´trabalho colaborativo’, que esse sentido é construído em comum pelas diferentes partes em presença – a interação podendo então ser definida como o lugar de uma atividade coletiva de

8 Tal estudo, conduzido no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas

Gerais (UFMG), foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais, Nº: 0396.0.203.000-07. O referido estudo assegura o cumprimento de todos os Termos das Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos - Resolução Nº 196/96, incluindo tornar público os resultados desta pesquisa, quer sejam favoráveis ou não. Todos os informantes desta pesquisa receberam uma carta de informação (Anexo 1) esclarecendo os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 2).

produção de sentido, atividade que implica na realização de negociações explícitas ou implícitas, que podem ter sucesso ou fracassar (é o mal entendido)”.

Esta mesma autora descreve os procedimentos normalmente utilizados pelo falante como um conjunto de gestos e atitudes significativos que marcam o período da comunicação (a direção do olhar, os marcadores verbais de alocução, os modos de captação e a manutenção da atenção do ouvinte etc.). O ouvinte, por sua vez, deve também produzir sinais de escuta, através dos procedimentos reguladores, verbais ou não. Estes podem ser positivos ou negativos, indicar presença na interação, ratificar o papel de falante do outro e assegurar que a mensagem está sendo recebida, além de demandarem esclarecimento e repetição ou demonstrarem que não se está engajado na interação.

Mortimer e Scott (2003) demonstraram preocupação em compreender as diferentes formas de interação que os professores de ciência estabelecem com os alunos. Para a melhor compreensão destas interações, eles propõem uma ferramenta (estrutura analítica) para analisar as formas como os professores agem para guiar as interações que resultam na construção dos significados.

A estrutura analítica (que será posteriormente retomada no capítulo sobre metodologia) é composta de cinco aspectos inter-relacionados: intenções do professor, conteúdo do discurso, padrões de interação, abordagem comunicativa e intervenções do professor.

Aspectos da Análise

i. Focos do ensino 1. Intenções do professor 2. Conteúdo

ii. Abordagem 3. Abordagem comunicativa iii. Ações 4. Padrões de interação

5. Intervenções do professor.

Quadro 2 - A estrutura analítica de Mortimer e Scott (2003)

Nessa perspectiva, padrões de interação são percebidos em sua relação com as diferentes intenções do professor em momentos distintos da seqüência de ensino em que são estabelecidas diferentes demandas de aprendizagem. Tais padrões relacionam-se ainda à

abordagem comunicativa, a qual caracteriza o discurso do professor como dialógico ou de autoridade, considerando-se o nível de abertura desse discurso aos pontos de vista dos alunos.

O conceito de ‘abordagem comunicativa’ é central na estrutura analítica, fornecendo a perspectiva sobre como o professor trabalha as intenções e o conteúdo do ensino por meio das diferentes intervenções pedagógicas que resultam em diferentes padrões de interação. Este conceito está ancorado na noção de discurso internamente persuasivo em Bakhtin (1929/1997) e no dualismo funcional de textos introduzido por Lotman (1988).

Diante disso, como compreender a expressividade do professor? A partir de quais parâmetros? Como delimitá-los? Qual a relação entre expressividade e interação? Podemos ampliar a questão de Mortimer e Scott (2002) sobre a forma como o professor trabalha, por meio dos diferentes recursos expressivos, as intenções e o conteúdo do ensino. O uso de diferentes recursos paraverbais e não-verbais resulta em diferentes padrões de interação? Qual o papel da expressividade do professor nas salas de aula? Quais significados podem ser transmitidos pela expressividade? Em que medida a expressividade dos professores reforça e complementa as informações transmitidas pela comunicação verbal? Como os significados são criados e desenvolvidos pelo do uso da expressividade?

Para responder à essas questões, talvez seja necessário uma nova orientação que complemente os focos, ou seja, é preciso centrar inicialmente nos recursos expressivos utilizados pelo professor, para se compreender como estes recursos estão aliados ao contexto social da sala de aula.