4 Dagens situasjon
4.2 Dagens belastning
4.2.2 Virkninger på Vegetasjon
De acordo com Luzia, D. «A Língua Portuguesa não conseguiu implantar-se em todo o espaço nacional, particularmente nas zonas rurais, pela utilização limitada que dela se fazia. Surgiram sempre sérias dificuldades na aprendizagem desta língua nas escolas. Por um lado existem as línguas nacionais que pertencem à família bantu e que constituem a língua materna da maior parte da população angolana e, por outro lado, existe a Língua Portuguesa neolatina que, embora sendo a língua materna de alguns angolanos, constitui, para a maior parte, uma língua segunda, sobretudo nas zonas rurais, onde se encontra a maioria da população angolana. Ao iniciarem a escolaridade numa língua segunda, as crianças vêem-se perante dois universos diferentes: o da família (onde se expressam na língua materna) e o da escola (onde se expressam em Língua Portuguesa)»43.
Desta citação depreende-se que o fenómeno linguístico em Angola é, até hoje, realizado numa situação plurilingue. Estamos, pois, perante um problema de interferências linguísticas quando se fala de aprendizagem e desenvolvimento lexical que deve ter uma consideração especial e uma implicação metodológica e pedagógica diferenciada.
Na colonização deste país pelos portugueses, a conservação do património cultural (linguístico) nacional, por parte dos autóctones, foi uma polémica a nível do país, então província ultramarina. Constituiu, durante o período colonial, uma obrigação de os angolanos abdicarem das suas próprias línguas nacionais, para aderirem ao Português, na expectativa deste se transformar em língua nacional, o que foi difícil e impossível.«As línguas nacionais foram sufocadas quando, sistemática e
43 In “Oficina de trabalho sobre o acordo ortográfico de 1990 - Comissão Nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa – Ministério da Educação” – Luanda (2010: pp. 104-105).
144 injustamente, os programas de ensino oficial ignoraram a sua existência, para além de outras sanções coibitórias do seu uso e expansão» (Coelho, S.: 2002: p. 34).
Entretanto, como os angolanos se tinham repartido em duas classes (indígenas e assimilados), estes últimos, aderindo, completamente, à cultura portuguesa, os seus filhos tiveram o privilégio (dum lado) de aprender o Português como primeira língua (língua materna). Outras camadas, não assimiladas, que viviam nas zonas peri- urbanas, também tiveram a oportunidade de ter filhos com o Português como língua primeira, mas estes em número muito reduzido.
Isto comprova o facto de que o Português, mesmo com a presença dos portugueses em todo o país, não chegou atingir todo o espaço territorial angolano, sobretudo quando se fala das zonas rurais.
A maior parte da população angolana teve, como língua de comunicação, as
suas línguas nacionais. Quem não fosse à escola, com mil sacrifícios, dificilmente podia exprimir-se em Português. E, como o estudo não esteve ao alcance de todos, o Português, verdadeiramente dito, foi algo limitadíssimo para as populações: «Nas zonas do interior profundo, no mato, ponto da concentração da maioria absoluta da população gentílica, poucos compreendiam o Português. Os diálogos eram curtos e não sempre plenamente entendidos. Estas populações, sedentárias e estáveis, comunicavam-se entre si na língua e dialectos da região e poucos se animavam a articular palavras ou curtas frases em Português que, regra geral, apenas serviam para a permuta ou para simples indicações, mas sem diálogo profundo».44
Depois da independência, o Português foi declarado língua oficial (LO), língua de comunicação nacional (LCN), língua de escolaridade (LE), língua de unidade nacional (LUN), entre todos os angolanos, de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste, pelo facto de o país apresentar variadíssimas línguas nacionais. A exigência da aprendizagem desta língua começa a fazer sentir-se por todos os cantos do país, com a abertura de mais escolas onde as não havia. Até a alfabetização da população começou a vigorar positivamente. Declarado “língua oficial” no próprio acto da proclamação da
145 independência, em 11 de Novembro de 1975, o Português consolidou-se rapidamente e por etapas. Ultrapassada a etapa de “língua de colono” passa na prática, a ser a “língua veicular” e logo a seguir a “língua dominante” e estabeleceu-se como “instrumento de alfabetização» (Ibidem: p. 27).
Mas ao lado do ensino e da aprendizagem no seu todo, assistiu-se, durante muito tempo, à carência de quadros no ramo da educação, entre quadros formados em Língua Portuguesa que pudessem garantir o ensino desta disciplina, da escola primária até ao então ensino médio, hoje segundo ciclo, de acordo com a reforma em vigor no país.
Com o florescer da independência, a cultura nacional manifestada através das línguas nacionais começa a ser relançada em todo o país; e o ensino do Português começa a exigir pessoal capacitado que possa compreender a passagem de uma língua nacional para uma oficial. As dificuldades surgem desde os primeiros anos da independência até ao momento presente.
Os ex-institutos médios normais começaram a formar professores de Português, mas as características do mercado de emprego angolano foram permitindo o desvio de quadros, os melhores, formados nesta área e não só, para outros empregos mais privilegiados em termos de posicionamento salarial. Os que foram permanecendo no ensino são, na sua maioria, os menos preparados, em termos de ensino da língua.
A partir daí, o ensino e a aprendizagem da língua (assim como de outras áreas) começa a conhecer a sua degradação, o seu declínio; pois começam a surgir, no ensino secundário, professores de Português na guia de colocação e não no diploma – outros professores de Português no diploma e não nas competências – o drama começa a ser maior e a solução escassa.
Esta reflexão encaminha-nos para determinadas perguntas: Como ensinar Português, como fazer para que os nossos alunos aprendam a falar, a escrever, a ouvir corretamente e, a exibir um nível lexical plausível, sabendo que, na sua maioria, o Português é para eles LNM? Será possível continuar a ministrar um ensino de Português dentro de um modelo reprodutor de um sistema linguístico predefinido,
146 esquecendo-se da diversidade linguística nacional? A resposta para estas questões reenvia para a formação de professores de PLNM, tal como sustentaram os chefes de estado e de governo da comunidade dos países de Língua Portuguesa na sua 7.ª conferência realizada em Lisboa em Julho de 2008, onde solicitam, no seu 4.º ponto, «o compromisso, nos espaços da CPLP, de partilha e de esforços no sentido de serem definidas políticas de ensino que visem especificamente a aprendizagem da Língua Portuguesa, nomeadamente através da formação especializada dos professores para o ensino do Português como Língua Não Materna (Língua Segunda)»45.
Em quase todas as escolas da cidade do Wizi, a população estudantil que as frequenta tem o Português como LNM, embora tenhamos hoje cerca de 20% de angolanos que têm o Português como LM, mas esta percentagem repartida em dezoito províncias, não nos restam dúvidas de que a maior parte das crianças não entra em contacto com o Português logo após o seu nascimento. Estes alunos carecem de vocabulário, carecem de expressão oral e escrita, o que deixa muito distante a aquisição de uma língua correcta, ou de procurar o significado de uma unidade lexical dentro de um contexto. Isto porque quase todas as unidades lexicais que surgem em contexto, na sua maioria, são palavras por eles desconhecidas. O facto constitui, não uma incapacidade, mas uma dificuldade que pode conhecer uma solução viável, se recorrermos a questões metodológicas.
Por isso, estes alunos de PLNM necessitam de estratégias específicas para a aprendizagem e desenvolvimento do léxico.