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5. VIRKNINGER AV VANNKRAFTUTBYGGING PA FISK OG FISKE
Neste tópico, focamos o ensino de língua portuguesa objetivando conhecer o que pensam os docentes em relação ao trabalho com a língua materna, seus objetivos e dificuldades.
1) Os objetivos do ensino de língua portuguesa
Com o objetivo de uma maior clareza em relação ao que os professores pensam sobre os objetivos do ensino de língua portuguesa na escola, perguntamos: Quais são os objetivos do ensino de Língua Portuguesa?
P1: Tornar o aluno proficiente em leitura, escrita, interpretação, vocabulário etc, de tal forma que ele saiba empregar a língua materna da maneira mais adequada nas diversas situações do cotidiano.
P2: Fazer dos alunos leitores e escritores competentes para que saibam interagir nos mais diversos ambientes sociais.
Contatamos que os docentes têm claro que um dos objetivos do ensino de língua materna a falantes nativos é o desenvolvimento da competência comunicativa do estudante, levando-o a adequar sua linguagem às mais diversas situações de comunicação, além da proficiência em leitura e escrita.
Um ensino de língua portuguesa que não contemple o uso, a funcionalidade dos recursos da língua, o trabalho com os gêneros textuais acaba por não propiciar condições para o desenvolvimento da competência comunicativa no falante. Nesse sentido, Figueiredo afirma que,
Assim, a aprendizagem da língua, para que se integre de maneira sólida num saber gramatical e na personalidade dos alunos, não pode realizar-se à margem do universo que a própria língua produz, mas realizar-se em contextos de comunicação real ou de ficção, como exercício de pensamento,
132 de elaboração dos próprios sentimentos, de construção do eu ético que toma decisões em relação com os outros. (2010:103)
Considerando as respostas das professoras, notamos que ambas têm noção do objetivo do trabalho com a língua portuguesa na prática em sala de aula, porém é importante destacar que aos professores de língua portuguesa não basta apenas a consciência do objetivo do ensino de língua portuguesa a falantes nativos, mas também é necessário saber como ensinar, o que ensinar em relação aos conteúdos estabelecidos pelas instituições escolares no decorrer do ano letivo para que, por meio desse ensino, o estudante possa ter a oportunidade de desenvolvimento das competências leitora e escritora e a percepção da importância da adequação da linguagem às situações de comunicação.
2) Os alunos e o ensino de língua portuguesa
Com o objetivo de conhecermos a opinião dos profissionais em relação ao posicionamento e a concepção de muitos alunos de que o ensino de língua portuguesa é difícil, perguntamos: Em sua opinião, por que muitos alunos consideram o ensino de Língua Portuguesa difícil?
P1: Porque o que se aprende na escola não é interpretado como uma continuidade e/ou aprimoramento da língua apreendida por ele desde o nascimento e sim como uma língua diferente daquela que os familiares e amigos empregam.
P2: Porque infelizmente, ainda há muitos professores que trabalham de forma tradicional, utilizam a língua como um código e não um processo de interação, assim sendo, trabalham com textos fragmentos e a gramática normativa sem contextualização, por isso o ensino se torna difícil.
Nessa questão, P1 destaca que o que se aprende na escola não é interpretado como continuidade e/ou aprimoramento de sua língua materna e P2 enfatiza a forma tradicional de ensino que nega a língua como processo de
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interação, além de um trabalho fragmentado e descontextualizado com a gramática normativa.
Relacionando essas respostas com as aulas observadas, notamos que embora as professoras destaquem a negatividade de um ensino fragmentado e tradicional, em sua prática acabam por apresentar o trabalho com a língua portuguesa de forma estática, distanciado, de maneira geral, da língua em uso. É importante ressaltar que P2 destaca a importância da contextualização no ensino, mas, em suas aulas, notamos que a docente trabalha a contextualização somente no sentido de experiências dos estudantes por meio de exemplos com frases soltas.
Assim, o que se tem visto, na maioria das escolas, é um ensino de língua portuguesa que privilegia as regras da gramática normativa, a nomenclatura gramatical, por meio de frases soltas e desconexas levando os docentes à tranquilidade de que se tem ensinado língua portuguesa e os discentes a não estabelecerem sentido na aprendizagem da disciplina de língua portuguesa.
De acordo com ANTUNES, a língua
é parte de nós mesmos, de nossa identidade cultural, histórica, social. É por meio dela que nos socializamos, que interagimos, que desenvolvemos nosso sentimento de pertencimento a um grupo, a uma comunidade. É a língua que nos faz sentir pertencendo a um espaço. É ela que confirma nossa declaração: Eu sou daqui. Falar, escutar, ler, escrever reafirma, cada vez, nossa condição de gente, de pessoa histórica, situada em um tempo e em um espaço. Além disso, a língua mexe com valores. Mobiliza crenças. Institui e reforça poderes. (ANTUNES, 2007:22)
Estudar nomenclaturas não é necessariamente estudar gramática. Segundo ANTUNES (2007:69), o que ocorre é que “a passagem pelo terreno das nomenclaturas tranquiliza a maioria – de pais, professores e alunos - pois dá a ideia de que se está ensinando gramática”. Para essa autora,
Com tal exploração de classes e categorias gramaticais, se cristaliza a “certeza” de que a escola está oferecendo – como deveria ser – o estudo da gramática que é necessária para que as pessoas atuem de forma eficaz nas diversas situações da vida social: falando, lendo e escrevendo textos de diferentes gêneros, com diferentes finalidades interativas, com o adequado nível de formalidade, mobilizando e organizando as informações na medida certa, para referir apenas algumas das
134 habilidades que definem as competências comunicativas (ANTUNES, 2007:70)
A nomenclatura caracteriza os estudos descritivos da língua uma vez que mostram a estrutura da língua; entretanto, no processo de ensino- aprendizagem ela deve ser dosada em relação ao nível de desenvolvimento dos alunos.
O ensino da língua materna deve ser pautado por objetivos definidos que proporcionem a interação do indivíduo na sociedade e, nesse sentido, tanto P1 quanto P2 elencam que as dificuldades dos estudantes estão em um ensino tradicional que não contempla a funcionalidade e dinamicidade da língua.
Nesse sentido, embora as professoras apresentem-se conscientes em relação ao trabalho com a língua portuguesa, tem-se, no que se refere à prática, ainda um trabalho voltado a um ensino não funcional de língua, talvez por não conseguirem transpor seus conhecimentos teóricos em saberes a serem ensinados.
3) Dificuldades no ensino de língua portuguesa
Considerando os objetivos do ensino de língua portuguesa, o porquê de muitos estudantes considerarem difícil a aprendizagem de língua portuguesa na escola, perguntamos sobre as dificuldades em relação a esse ensino: Quais as dificuldades encontradas no ensino de Língua Portuguesa?
P1: Em primeiro lugar, a quantidade de alunos em sala de aula. Eles estão adquirindo linguagem e precisam de atenção individual em suas dificuldades, o que se torna impossível de fazer com mais de quarenta numa turma. Outro aspecto é que a maioria dos alunos de escola pública provém de famílias com pouca ou nenhuma escolaridade e/ou sem hábitos que envolvam a leitura e a escrita no seu dia-a-dia. Isso faz com que muitos fiquem “atrofiados” no decorrer das aulas, pois não percebem um significado prático naquilo que lhes é ensinado. Por fim, falta disponibilidade de material e tecnologia que vai além da lousa, giz, caderno e caneta.
135 P2: As dificuldades são estabelecer significado e contextualização dos conteúdos para os alunos, ajudá-los a pensarem e refletirem sobre determinados assuntos para que assim construam seus próprios conhecimentos. E, sobretudo, trabalhar a gramática de forma dinâmica e interativa é muito difícil e nem sempre dispomos de tempo para esse processo de reflexão.
Nessa questão, P1 aponta como dificuldades no ensino de Língua Portuguesa o número de alunos por sala de aula, a falta de hábitos de leitura e escrita por parte dos estudantes/família e a falta de disponibilidade de material e tecnologia para o ensino. P2 aponta como dificuldade o desafio de estabelecer significado e contextualização no processo de aprendizagem, além de um trabalho interativo, reflexivo e dinâmico com a gramática normativa.
As razões apresentadas por P1 são consideráveis no processo de ensino- aprendizagem tendo em vista que os fatores citados tendem a influenciar o desempenho dos estudantes, porém a forma de abordagem em relação ao trabalho com a língua materna tende também a ser fator importante para que o ensino de língua portuguesa alcance os objetivos propostos e, nesse sentido, a professora destaca fatores externos à sua atuação profissional.
Fato é que, se há metas para um ensino de língua portuguesa que vise ao desenvolvimento da competência comunicativa do falante, os sistemas de ensino devem propiciar condições para o trabalho em sala de aula que possibilite a construção do processo ensino-aprendizagem em um trabalho integrado entre os docentes, os gestores, a comunidade escolar e a reflexão sobre ele.
Nesse sentido, Alarcão afirma que
A escola reflexiva não é telecomandada do exterior. É autogerida. Tem o seu projeto próprio, construído com a colaboração dos seus membros. Sabe para onde quer ir e avalia-se permanentemente na sua caminhada. Contextualiza-se na comunidade que serve e com esta interage. Acredita nos seus professores, cuja capacidade de pensamento e de ação sempre fomenta. Envolve os alunos na construção de uma escola cada vez melhor. Não esquece o contributo dos pais e toda a comunidade. Considera-se uma instituição em desenvolvimento e em aprendizagem. Pensa-se e avalia-se. Constrói conhecimento sobre si própria. (ALARCÃO, 2011:40)
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Ainda que a família não tenha hábitos de leitura e escrita e seja esse um grande desafio para os professores, a escola deve promover condições para a aquisição desses hábitos para que seus estudantes sejam escritores e leitores proficientes na sociedade.
P2, em sua resposta, deixa clara a dificuldade em colocar em prática um trabalho que contemple a funcionalidade da língua. Assim, percebemos que, embora tenha a consciência da importância do trabalho com a língua materna, ela ainda não encontrou os caminhos para superar as dificuldades na prática diária.
O ensino de língua materna deve direcionar o desenvolvimento da competência comunicativa do falante e, por parte do professor, entrar em uma sala de aula, passar o conteúdo na lousa, dar uma aula expositiva, solicitar a abertura do manual didático e as resoluções dos exercícios são ações, se praticadas de maneira rotineira, que não propiciam a ressignificação da aprendizagem pelo aluno. Desse modo, o trabalho com a língua materna deve contemplar a reflexão, a funcionalidade da língua e o uso dos recursos em situações concretas de interação ainda que sejam esses, grandes desafios para o corpo docente.