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Virkningen av et maskert utbytte

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No decorrer da minha formação no doutorado, o trato com as questões inicialmente incluídas no projeto de pesquisa levou-me à suposição de que a minha tese pudesse ter outros formatos, diferentes deste pelo qual optei. A experiência no exame de qualificação foi decisiva: logo após o mesmo, a estrutura em torno da qual meu texto deveria/poderia ser construído adquiriu consistência, tornou-se clara, demarcou os rumos da escrita, de novas leituras, da reescrita, do retorno às fontes e aos arquivos, num processo incessante e, aparentemente, desarticulado, de produção. Pretendo explicar como a minha tese foi estruturada e esclarecer a respeito de alguns recursos usados na escrita.

A tese tem uma estrutura bem simples. Neste primeiro capítulo, apresento um panorama da minha pesquisa, seu objeto e objetivos, seus fundamentos e fontes, sua escrita e sua contextualização. No Capitulo 2, faço um diário do Congresso, procurando recuperar os fatos,

117 Há duas propagandas muito interessantes no Minas Geraes de 4 de maio de 1927. A primeira com o título Madame Carvalho: – Chegará no dia 1º de maio [sic] a esta Capital, a conhecida modista, MADAME CARVALHO, com uma interessante e bella collecção de vestidos, manteaux e chapéos. Pedimos as exmas. senhoras para aguardar sua chegada, pois terão occasião de adquirir os ultimos modelos da estação (Grande

Hotel) [p. 11]. A outra propaganda como o título Exposição – Festa Azul?: – Vinde visitar o grande e variado

sortimento em exposição: de chapéos, manteaux, vestidos, malhas, costumes de lã, vestidos de soirée, chales e muitas toilettes e chapéos azuis, que mandou vir expressamente do Rio esta semana, para esta festa, a Mlle. Nina Pichersgill representante da conhecida e acreditada casa de modas Notre Dame de Paris no Rio. Grande Hotel, apart. 41 [negrito do texto]. Depois de fazer referência a alguns preços, a propaganda conclui: – Lembrai- vos tambem da grande Exposição que se inaugura a 7 de maio [p. 12]. A Tarde Azul e a Exposição de Agricultura, Commercio e Industria serão objetos de comentários no Capítulo 2. Nos registros sobre o Congresso de IP, a referência aos chapéus usados pelas congressistas é intensa. Assim, é possível pensar que as professoras de Belo Horizonte passavam pelo Grande Hotel, sem que fosse para nele se hospedarem...

118 Um comentário final sobre as fontes. De início, fiz um levantamento, na Hemeroteca, sobre os jornais que circulavam em Belo Horizonte, em maio de 1927: encontrei o registro de dez jornais, incluindo entre eles O Horizonte. Como jornal da imprensa diocesana, e portanto, porta-voz da Igreja Católica, pensei em agregá-lo. O fato de não ser de circulação diária, levou-me a desistir da pretensão. Mas acredito que deva ser interessante, verificar em seus registros, as referências ao Congresso de IP. Também, fiz um levantamento no Catálogo de periódicos brasileiros microfilmados, da Fundação Biblioteca Nacional, disponíveis na biblioteca na Faculdade de Ciências Humanas da UFMG, procurando jornais de maio de 1927, produzidos nas cidades do interior de Minas. Rapidamente, desisti desse intento.

na sequência possibilitada pelas fontes, destacando os sujeitos que nele participaram e as tensões que permearam os debates. Ao mesmo tempo, procuro identificar/destacar outros tempos e outros lugares, que de certa forma pareceram ter conexão com o meu relato. No Capítulo 3, procuro identificar quem eram os congressistas que participaram do Primeiro

Congresso de Instrucção Primaria, as posições que representavam dentro do campo pedagógico, suas vinculações, bem como as tensões que permearam suas relações e os argumentos utilizados na defesa de suas posições. Desses argumentos, destaco aqueles que apontavam para a disputa pela infância por parte dos congressistas que estavam vinculados a campos distintos: o político, o médico e o pedagógico. No Capítulo 4, a partir de uma reflexão do lugar do ensino no âmbito da política, trato de compreender as representações de escola que os congressistas manifestaram, tanto em termos das imagens atribuídas às escolas, quanto dos sentidos atribuídos a uma ausência e a uma presença, justificadoras da escola necessária. Além disso, abordo o tema da socialização da criança a partir da escola, os sentidos que são atribuídos a esse processo, os recursos/dispositivos propostos para se conseguir alcançar esse intento e a compreensão desse processo em relação a outros espaços educativos: a família, o trabalho e o espaço da rua. Nas Considerações Finais, procuro demarcar alguns pontos que considero mais significativos, em relação ao Primeiro Congresso de Instrucção Primaria – tanto no âmbito da política quanto no da educação – fazer algumas ponderações a respeito da pesquisa produzida sob a perspectiva da micro-história e apontar algumas possibilidades de pesquisa para a história da educação, a partir das fontes consultadas.

Como escrevi esta tese? De início quero falar das minhas inquietações provocadas pela dimensão da escrita, em parte ainda não resolvidas, mas para as quais tive que, por “motivo de força maior”, encontrar uma saída. Uma dessas preocupações: – Como dar formalidade acadêmica a um tema arbitrariamente escolhido – a socialização da criança –, no tempo em que não se falava explicitamente desse conceito, tomando como ponto de partida um evento e seus registros nos jornais? Em outras palavras, como produzir um texto acadêmico, a partir de elementos que talvez fossem melhor descritos em outra modalidade de comunicação, como por exemplo, um filme, ou uma novela? Outra mais: – Como produzir um texto monográfico num tempo em que “impera” o hipertexto? Como lidar com os sentimentos que nos provoca o cumprimento de uma exigência de produção escrita que em nada se assemelha com a escrita

nesse terceiro milênio, predominante nos diversos setores da comunicação humana?119 Quero esclarecer também, quais eram as minhas pretensões na escrita, os recursos que usei120 e que, no fundo, apontavam para o desejo de construção de um estilo, um jeito de fazer/escrever próprio que, ao modo de uma impressão digital, pudesse marcar uma identidade. Uma decisão foi a de construir divisões claramente articuladas entre si, mas que possibilitassem, também, isoladamente, uma leitura compreensiva. Outra, foi a de “carregar” nas notas de rodapé, liberando o texto principal para uma leitura mais fluente, ou seja, sempre que fosse possível, trazer as explicações e os detalhamentos para as notas. Outra, ainda, a de escolher criteriosamente as citações a serem incluídas no texto, além de escrever períodos em que o meu texto e as citações pudessem compor, juntas, um único e/ou articulado sentido.121 Por fim, a decisão de cortar do texto tudo que impedisse de torná-lo mais claro, o que implicou trabalho constante de revisão/reescrita. Quanto aos sinais usados na presente tese, decidi registrar em itálico os escritos que não eram meus, com exceção das citações longas, recuadas no texto. As aspas, destinei-as às palavras e expressões, por mim utilizadas, e para as quais pretendi atribuir um sentido especial.122

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