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Embora os proponentes de uma determinada métrica defendam a sua superioridade em relação a outras, todas são organizadas sob um mesmo princípio básico: para criar valor para os seus acionistas, as empresas devem gerar retornos sobre o capital investido que excedam o custo desse capital. Cada métrica pode ter suas próprias vantagens e desvantagens no entanto todas são desenhadas para medir o sucesso da gestão em atingir os seus objetivos (Young & O’Byrne, 2003).

Existem atualmente um conjunto de medidas de avaliação baseadas no valor, apresentando-se de seguida uma breve descrição das mais referidas na revisão de literatura efetuada.

Economic Value Added (EVA®)

O EVA® será abordado em maior detalhe no capítulo 2.5, uma vez que se trata da medida escolhida para realização do estudo empírico.

Market Value Added (MVA)

O MVA®, deriva do conceito de EVA®, é uma marca registada da Stern Stewart & Co. tal como o EVA®. Ferreira (2002b) define MVA como a diferença entre o valor de mercado da empresa e o valor total dos capitais investidos (valor contabilístico do capital próprio e financiamento), ou ainda como o valor presente de todos os EVA® futuros (Stewart, 1999).

MVA = Valor de mercado – capital

O MVA apresenta-se assim como uma medida de desempenho cumulativa, evidenciando a avaliação que o mercado faz da atividade passada da empresa e expectativas futuras, em determinado momento (Ferreira 2002b).

Segundo Stweart (1999), a maximização do MVA deve ser o principal objetivo de qualquer empresa que tenha preocupação com a criação de riqueza dos seus proprietários.

Refined Value Added (REVA)

O REVA é uma versão modificada do EVA® que difere deste em relação ao cálculo do capital investido que é feito a preços de mercado em vez de valores contabilísticos. Pode ser calculado pela seguinte fórmula (Neves, 2002a):

REVA = ROLI – Km * MV

em que: ROLI – resultado operacional líquido de impostos; Km – custo médio do capital; MV – valor de mercado do capital investido no início do período

Os defensores do REVA consideram-no, o indicador mais adequado para avaliar o desempenho das empresas ao nível superior. No entanto consideram que para níveis intermédios e inferiores ou para situações que não estejam relacionadas com avaliação pelo mercado, o EVA® pode ser mais útil (Ferreira, 2002b).

Cash Value Added (CVA)

O CVA é uma medida de avaliação utilizada pela consultora Boston Consulting Group (BCG) e baseia-se nos meios libertos operacionais líquidos de impostos (MOLI) sendo-lhes imputado o custo do capital investido na empresa (Neves, 2011):

CVA = MOLI – Km * CI

em que: MOLI – meios libertos operacionais líquidos de impostos; Km – custo médio do capital; CI – capital investido

De acordo com Neves (2011) pela análise da fórmula podemos verificar que o CVA é o EVA® adicionado das amortizações e provisões (CVA = EVA® + A + P). O autor considera que enquanto o valor atual dos EVA® futuros representa o valor criado, consistente com o VAL (valor atual líquido), o CVA não o faz pelo que sobreavalia o valor criado.

Os defensores do CVA consideram como seu ponto forte evitar os enviesamentos devidos aos novos investimentos gerados pelo EVA®. No entanto os proponentes do EVA® contrapõem que os ajustamentos só são feitos se forem considerados relevantes, pelo que tal não constitui um problema (Ferreira, 2002b).

Market equity to book value (MBV):

Segundo (Neves, 2011) o MBV compara o valor de mercado do capital próprio com o seu valor contabilístico:

em que: CB – capitalização bolsista das ações da empresa; CP – capitais próprios de acordo com os dados contabilísticos; P – cotação da ação; CPu – valor contabilístico dos

capitais próprios divididos pelo número de ações em circulação.

Representa um índice de valor criado para os acionistas face aos seus investimentos quando a contabilidade regista os ativos a preços históricos. Um valor superior a 1 representa o acréscimo percentual do valor de mercado do capital próprio relativamente ao seu valor a preços históricos (Neves, 2011).

Rácio Q de Tobin

Este rácio compara o valor de mercado dos ativos com o seu valor a custo de reposição,

CB P

CP CPu

pode ser calculado pela seguinte fórmula (Neves, 2011):

Segundo Neves (2011) este rácio é semelhante ao MBV mas enquanto que, o MBV se restringe a um índice de valorização do capital próprio, com as limitações provocadas pela inflação, o rácio Q de Tobin é um índice de valorização dos capitais totais investidos na empresa.

Total Shareholders Return (TSR)

O TSR representa o rendimento obtido pelo acionista e decompõe-se em rendimento de dividendos (dividend yeld) e rendimento de mais-valia ou de valorização bolsita (Neves, 2011):

em que: Pi – preço da ação ou cotação no período referido no índice i; Di – dividendo

atribuído no período i

Sendo esta uma medida que capta as alterações no valor de capitalização bolsista acrescida dos dividendos pagos num determinado período, pode permitir capturar estimativas de crescimento futuro (Ferreira, 2002b).

Neves (2011) considera como pontos fracos desta métrica: só poder ser usada em empresas cotadas, pelo que não pode ser utilizada na avaliação de unidades de negócios e ser um indicador que assume que o mercado é eficiente na fixação das cotações.

Cash Flow Return on Investment (CFROI)

O CFROI foi desenvolvido conjuntamente pela Boston Consulting Group e pela Holt Value Associates. Foi desenvolvido como instrumento de análise de criação de valor com o objetivo de avaliar a estratégia seguida pela empresa e da sua aplicação de recursos numa ótica de longo prazo (Ferreira 2002b).

Assenta no pressuposto de que o mercado valoriza as empresas cotadas com base nos cash flows e não nas medidas contabilísticas tradicionais, dada a diferença significativa entre desempenho económico e contabilístico (Ferreira, 2002b).

Na utilização desta métrica é necessário conhecer a taxa interna de rendibilidade (TIR), frequentemente usada na avaliação de decisões de investimento logo o desempenho da empresa deve ser avaliado segundo os mesmos citérios. Necessita portanto, de um investimento inicial, um conjunto de fluxos de caixa gerados ao longo do tempo e um valor residual, sendo os valores calculados a preços correntes (Neves, 2011).

Valor de mercado do capital próprio e passivo Ativos ao custo de reposição

Q de Tobin =

Di Pi – Pi - 1

Pi - 1 Pi - 1

Dividendo Mais-valia

Pode ser calculado através da seguinte fórmula (Teixeira & Jorge, 2016):

em que: AEPC – Ativo económico a preços correntes; MLOLIPC – Meios libertos operacionais líquidos de impostos a preços correntes; VR – Valor residual

O CFROI “pretende verificar a rendibilidade que os investimentos poderiam proporcionar, tendo em consideração a capacidade atual da atividade para gerar excedentes financeiros ao longo da vida esperada dos ativos existentes (Teixeira & Jorge, 2016).”

Este indicador tem como principal crítica ser fundamentado na TIR, criticada por alguns autores uma vez que não considera o custo do capital e por ser relativamente complexo de calcular. Exige também o ajustamento das rubricas do balanço e algumas da demonstração de resultados para preços correntes (Neves, 2011).

Um dos seus pontos de grande interesse é que apresenta forte correlação com a evolução das cotações das ações (Ferreira, 2002b).