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Virkemiddelområde Regelverk og systemer

4. KRAV TIL STATENS KARTVERK UNDER DET ENKELTE RESULTATOMRÅDE 7

4.2 Virkemiddelområde Regelverk og systemer

A biblioteca digital faz uso de uma rede de computadores e tecnologias relacionadas para prover serviços que estabelecem uma estrutura de intermediação entre recursos informacionais heterogêneos e distribuídos e a comunidade de usuários, que de acordo com Sayão (2008) se mostra um componente bastante amplo, diversificado e mutante. Para cumprir esta tarefa e atender às expectativas dos diversos atores envolvidos, conforme apontado na seção anterior, as pesquisas em torno das bibliotecas digitais precisam superar um conjunto de desafios que se estendem por várias áreas do conhecimento.

Bibliotecas digitais são construídas sob uma infraestrutura tecnológica na qual os artefatos de software são os principais componentes. Neste sentido, se faz necessário o desenvolvimento de uma arquitetura que proporcione uma infraestrutura tecnológica comum, mas que possa ser customizada segundo as necessidades de diferentes atores e aplicações (SAYÃO, 2008). Uma arquitetura de um sistema de software é a estrutura ou estruturas do sistema, que contempla elementos de software, as propriedades visíveis externamente desses elementos e o relacionamento entre eles (ISO/IEC 42010, 2007). Esta infraestrutura tem que incorporar o estado da arte em termos tecnológicos e também permitir a incorporação de novos modelos e técnicas que surgem com a pesquisa e desenvolvimento.

Com relação ao desenvolvimento das coleções, os processos tradicionais desempenhados pelas bibliotecas convencionais precisam ser revisados para acomodar as diferenças determinadas pela natureza digital dos recursos informacionais. Como sugere Sayão (2008), no contexto das bibliotecas digitais, além das políticas e estratégias de seleção e aquisição, devem também ser considerados os problemas inerentes à condição

digital da informação, como a conversão do material impresso para digital, a geração de material unicamente digital, as barreiras tecnológicas que podem impedir o acesso e a usabilidade dos objetos, a sustentabilidade das coleções digitais, as questões do direito autoral, a preservação digital, entre outros. Segundo Brown (2005), um dos maiores desafios que se apresenta na formação das coleções digitais é a integração dos diversos tipos e formatos de objetos digitais com os materiais tradicionais, de modo a oferecer uma visão única e abrangente de todo o acervo. Trata-se do conceito de “coerência digital” (BROWN, 2005), segundo o qual todos os objetos em uma biblioteca digital, seja qual for o formato (sons, imagens, texto, vídeo, etc.) devem ser tratados essencialmente da mesma forma. Como aponta Sayão (2008), esta forma de tratamento uniforme é diferente do que é normalmente praticado pelas bibliotecas convencionais, em que cada mídia recebe um tratamento diferente.

Os metadados representam um conceito familiar para as bibliotecas convencionais, na medida em que sempre foram usados para descrever os documentos nos processos de catalogação e indexação. Para Vellucci (1998), no contexto das bibliotecas digitais os metadados podem ser vistos como dados que descrevem atributos de um documento digital, caracterizam suas relações, possibilitam a sua recuperação, seu uso efetivo e sua existência no ambiente eletrônico. Metadados normalmente consistem em um conjunto de elementos de dados onde cada elemento descreve um atributo do recurso informacional, sua estrutura, sua administração ou uso (VELLUCCI, 1998). Como aponta Cleveland (1998), os metadados são importantes em bibliotecas digitais porque representam a chave para a descoberta de recursos e usos para qualquer documento. Marcondes (2006, p.96) aponta para o fato da literatura brasileira ainda ser bastante escassa sobre o assunto, sendo que as experiências práticas mais importantes foram o desenvolvimento do Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações Digitais (MTD-BR) no contexto da Biblioteca Brasileira de Teses de Dissertações 3 (BDTD), operada pelo IBICT, e a implantação do Open Archives Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH) no contexto do projeto Scielo4.

Os metadados representam uma questão crucial no desenvolvimento de bibliotecas digitais. As coleções digitais demandam esquemas de metadados mais elaborados que sejam capazes de descrever os objetos digitais e seus conteúdos em diversos níveis de granularidade, de uma coleção como um todo, a um livro ou até mesmo uma ilustração ou um conceito contido no mesmo. Como aponta Sayão (2008), um dos

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Ver em: http://bdtd.ibict.br/bdtd 4

maiores desafios em relação aos metadados no contexto das bibliotecas digitais é a diversidade de formatos da informação digital, e a maneira como esta informação deve ser descrita no contexto de diferentes coleções dirigidas a diferentes comunidades. Quando se vislumbra a interoperabilidade entre as bibliotecas digitais, surgem então as importantes questões relacionadas à necessidade do estabelecimento de padrões de metadados, além do mapeamento entre diferentes esquemas de metadados (SHIRI, 2003). Em suma, podemos dizer que a principal finalidade dos metadados é documentar, com elementos descritores, recursos informacionais, de modo a permitir a descoberta e recuperação desses recursos, além da comunicabilidade e interoperabilidade entre sistemas.

Por interoperabilidade entende-se a capacidade de compatibilidade operacional individual ou em conjunto, ou ainda, a habilidade de um sistema se comunicar ou trabalhar com outro sistema. No contexto das bibliotecas digitais, interoperabilidade pode ser definida como “a capacidade de componentes ou serviços de bibliotecas digitais serem funcionalmente e logicamente intercambiáveis em virtude deles terem sido implementados de acordo com um conjunto de interfaces bem definidas e publicamente conhecidas” (PAYETTE et al., 1999, p.2). A interoperabilidade constitui um conceito parceiro de integração entre bibliotecas digitais. Um de seus principais benefícios é a possibilidade de um usuário realizar buscas de recursos informacionais heterogêneos, armazenados em diferentes servidores na rede, utilizando-se de uma interface única sem tomar conhecimento de onde nem de como estes recursos estão armazenados. Em suma, interoperabilidade é a capacidade das bibliotecas digitais trocarem e compartilharem documentos, consultas e serviços. Nos últimos anos, a interoperabilidade tem sido um dos itens mais críticos para quem pensa no desenvolvimento e operação de sistemas de repositórios e de bibliotecas digitais distribuídos e funcionando em rede. No entanto, como bem nos lembram Sayão & Marcondes (2008), o conceito de interoperabilidade está longe de ser uma novidade no domínio das bibliotecas:

Há muito tempo, desde meados do século XX, para fazer frente ao fenômeno social da ‘explosão informacional’, as bibliotecas sempre estabeleceram serviços cooperativos, trocaram informações, criaram um ordenamento universal dessas informações. Toda uma estrutura global foi montada em torno da ideia do compartilhamento e da cooperação entre bibliotecas. (SAYÃO & MARCONDES, 2008, p. 134)

A importância da interoperabilidade tem sido amplamente reconhecida e sua busca vem sendo pesquisada e aplicada nos projetos de bibliotecas e repositórios digitais distribuídos, a exemplo das iniciativas do IBICT (KURAMOTO, 2007), inicialmente em torno da Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações e mais recentemente com os Repositórios

Institucionais (LEITE, 2009), ambos baseados nos conceitos de padrões abertos e de interoperabilidade.

Outra importante linha de pesquisa relacionada à área de bibliotecas digitais, que também é apontada por Sayão (2008), é o desenvolvimento de interfaces e a usabilidade. Usabilidade é um conceito e uma disciplina que busca compreender os aspectos da interação entre pessoas e sistemas computacionais, podendo ser entendida como “a capacidade de um produto ser usado por usuários específicos para atingir objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso” (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARTIZATION -ISO, 1998). A usabilidade define a qualidade da interação entre o usuário e o sistema. Sua importância se justifica pelo fato de as bibliotecas digitais se dirigirem para diferentes contextos e audiências, sendo necessário que elas possam ser configuradas de acordo com o perfil de seus usuários. A preocupação com os aspectos relacionados à interface e usabilidade também se justificam pelo fato de as bibliotecas digitais não possuírem o componente humano de interação, representado pelo papel do bibliotecário de referência no contexto das bibliotecas convencionais. Desta forma, torna-se importante desenvolver mecanismos que facilitem e favoreçam o uso destes sistemas, de modo a cumprir seu papel de intermediação entre pessoas e recursos informacionais.

A descoberta de recursos informacionais e sua recuperação, apesar de ser extremamente dependente das etapas anteriores de tratamento, é talvez o aspecto mais visível e importante em uma biblioteca. Como aponta Sayão (2008), os serviços de indexação e busca genéricos, representados pelo seu maior expoente, o Google, oferecem ferramentas básicas que ajudam o usuário a achar a informação que procura. Entretanto, esses serviços não têm o nível de especificidade, de desempenho e, sobretudo, de tratamento biblioteconômico exigido para a maioria dos empreendimentos (SAYÃO, 2008). As bibliotecas digitais não podem prescindir de metodologias de organização do conhecimento e das estruturas semânticas. Sob a perspectiva da interoperabilidade, um dos desafios importantes é o mapeamento e a interoperabilidade entre sistemas de organização de conhecimento distintos (SAYÃO & MARCONDES, 2008).

A questão dos direitos autorais é um dos problemas mais difíceis e desafiadores para a área de bibliotecas digitais. As leis de direitos autorais (copyright) foram criadas com a finalidade de se criar um equilíbrio entre os interesses do autor e a necessidade social de facilitar o livre fluxo de informação, salvaguardando os interesses privado e público. O problema se apresenta na medida em que, no ambiente digital, se perde o controle de cópias, na medida em que os objetos são fluidos, facilmente copiados e acessíveis remota e simultaneamente por um número ilimitado de usuários. Como sugere Sayão (2008), as

bibliotecas são, na maioria dos casos, simplesmente custodiantes da informação e não detêm os direitos autorais sobre o material que está sob o seu controle. Desta forma, torna-se necessário o desenvolvimento de procedimentos e mecanismos de gestão de direitos autorais, para gerenciar os direitos de modo a poder disponibilizar informação sem violar as regras. Uma alternativa que se apresenta, e que vem recebendo grande atenção nos últimos anos, é via do acesso aberto à literatura científica (LAGOZE, C.; VAN de SOMPEL, 2000). A Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open Archieves Initiative – OAI) tem como objetivo promover e incentivar o desenvolvimento de mecanismos de autopublicação pelos autores (também conhecido como sistemas de e-prints) por meio do desenvolvimento de soluções técnicas e estruturas organizacionais que venham permitir a interoperabilidade entre os arquivos de e-prints. Pretende-se que esta interoperabilidade possa estimular a transição dos sistemas de e-prints em um novo modelo de comunicação científica baseado no acesso livre.

A preservação é outra questão que se manifesta de forma distinta quando se compara as bibliotecas convencionais com a sua contraparte digital. A informação digital depende de um aparato tecnológico para ser acessada e corretamente interpretada. Este aparato tecnológico se constitui de hardware, software, mídias e formatos. Como observa Sayão (2008), este aparato tecnológico está em constante evolução e mutação, em ciclos de obsolescência cada vez mais rápidos, determinados principalmente pelo dueto inovação e competição. Neste sentido, são necessárias ações que garantam que os recursos de informação digital produzidos hoje possam ser acessados e corretamente interpretados no futuro. A preservação digital se constitui em um processo permanente, que deve considerar os aspectos e procedimentos técnicos, como migração e emulação de conteúdos. Por outro lado, a preservação também deve ser pensada como um desafio gerencial e organizacional, como apontado por Sayão (2006). Grande parte da informação que é produzida diariamente já nasce no formato digital, e as que foram produzidas em suportes físicos estão sendo convertidas para o formato digital. O problema surge na medida em que esta tendência que parece ser irreversível não vem sendo acompanhada por estratégias para garantir o acesso a longo prazo às informações digitais. Como aponta Sayão (2006, p.114), “a nossa compulsão em produzir informações digitais é infinitamente superior à nossa capacidade de preservar o acesso a elas”.

Na medida em que as bibliotecas digitais passam a ter seu uso mais difundido e passam a atender a um número cada vez maior de usuários, estes se tornam cada vez mais experientes e passam a demandar serviços mais sofisticados e adequados às suas necessidades e habilidades específicas. Smeaton & Callan (2005) sugerem a evolução das bibliotecas digitais no sentido de uma maior pro atividade e capacidade de adaptação aos

usuários individuais. Neste sentido, os autores definem personalização como uma forma de adaptação dos conteúdos e serviços para atender ás necessidades de usuários e comunidades específicas. Os autores identificam vários campos de pesquisa que contribuem para este objetivo, entre eles recuperação da informação, interação homem- computador, ambientes colaborativos, modelagem do usuário e hipermídia. A modelagem dos interesses, preferências, conhecimento, e vínculos sociais do usuário requer um gerenciamento mais eficiente do perfil de cada usuário no contexto de uma biblioteca digital. A pesquisa relacionada à personalização em bibliotecas digitais deve ter como foco tanto o aspecto social quanto tecnológico (SMEATON & CALLAN, 2005).

Kruk e outros (2005) defendem que as bibliotecas digitais devem incorporar os desenvolvimentos relacionados aos avanços da Internet, principalmente aqueles relacionados à web semântica e redes sociais. O objetivo seria, entre outros, melhorar a usabilidade e a descoberta da informação. Eles argumentam que a Internet evoluiu de uma fonte de informação para um meio de comunicação e interação social. Neste sentido, as bibliotecas digitais devem fazer uso destes avanços, de modo a atender às expectativas da nova geração de usuários da Internet, que usa a rede tanto como uma fonte de informação, quanto uma plataforma de comunicação.

Além dos principais tópicos que foram brevemente mencionados acima, a agenda de pesquisa na área de bibliotecas digitais apresenta várias outras questões também importantes para o pleno desenvolvimento da área. Como observa Sayão (2008), uma parte considerável dessas questões extrapola o plano tecnológico, cobrindo desde modelos econômicos de sustentabilidade, até a administração e gestão de bibliotecas digitais.

As bibliotecas digitais podem ser vistas sob diferentes focos e perspectivas, que abrangem desde a biblioteconomia e ciência da informação até áreas como a recuperação da informação, interação homem computador e usabilidade. Devido a sua natureza interdisciplinar, as bibliotecas digitais devem ser vistas como uma combinação de documentos, tecnologia e trabalho (LEVY; MARSHALL, 1995), e não como simples coleções de recursos de informação, ou tecnologias que viabilizam estas coleções.

No contexto desta pesquisa, o foco será a representação e organização do conhecimento na biblioteca digital, visando o desenvolvimento de mecanismos de recuperação e acesso, que apoiados na organização do acervo, possam trazer benefícios para os usuários, melhorando a descoberta de informação e a transferência do conhecimento nestes sistemas, assim como aumentando a satisfação do usuário da biblioteca digital.