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5   Adgangen til å idømme barn ubetinget fengselsstraff i norsk rett

5.1   Forholdet mellom norsk rett og folkeretten

5.2.2   Vilkårene for å idømme barn ubetinget fengsel i strl.§18

Dos seis artistas residentes, apenas Fernando Santos “Deborah Krystal” e Marco Ferreira “Samantha Rox” se encontram ao abrigo de um contrato de trabalho, condição herdada ainda da época do anterior proprietário do estabelecimento. A falta de vínculos dos restantes artistas acontece, segundo Vítor Hugo, porque “aquilo não deve ser visto como um trabalho fixo; é muito complicado fixar uma pessoa a uma casa daquelas. Claro que eu gostava de descontar para a Segurança Social como elas [Krystal e Rox], mas compreendo que não seja fácil... um dia quem sabe”92. Será interessante salientar que Vítor Hugo é o único artista da casa que mantém um emprego diurno paralelamente ao seu trabalho noturno no Finalmente Club.

O cachet que cada um aufere é um segredo bem guardado; só Fernando Santos é que sabe a quantia que cada um ganha. Porém, tendo em conta que este é um espetáculo muito dispendioso e que os apoios para a sua subsistência são muito escassos, muitas

                                                                                                                         

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Entrevista a Vítor Hugo Sousa, bailarino no Finalmente Club (21 de maio de 2013 no café Wine & Pisco, Rossio, Lisboa, 17:15).

vezes são os próprios transformistas que têm de desembolsar do seu dinheiro para sustentarem a sua personagem (ou boneco) de palco. João Velosa “Nyma Charles” explica esta situação:

“Eu acho que temos uma boa profissão; pelo menos fazemos algo de que nós gostamos. O que faz o nosso grupo durar é que fazemos isto por gosto. Por outro lado não nos podemos esquecer de que esta é a nossa fonte de rendimento. Podíamos ganhar mais, é claro, e nesse aspeto acho que o trabalho do transformismo não é bem pago. Estamos fixos a uma casa, e isso é bom, mas quem tem praticamente todas as despesas dos espetáculos somos nós. E quando tens uma grande despesa de espetáculo, tu acabas por ser mal pago, na medida em que parte do que nós ganhamos é investido nas nossas personagens... Eu tenho de sustentar duas pessoas: O João e a Nyma. Por isso é que costumo dizer que somos muito mal pagos”93.

Marco Ferreira pormenoriza alguns dos gastos requeridos para sustentar a sua personagem de palco “Samantha Rox”:

“Eu não posso dizer que ganhe mal, mas também a maior parte do que ganho é gasto em guarda-roupa, e ele pode confirmar isso [referindo-se ao seu namorado presente na conversa, que por sua vez abana a cabeça com um gesto afirmativo]. Cheguei a uma etapa da minha carreira em que para fazer isto ou faço bem feito ou não faço: temos de estar sempre a comprar maquilhagem, vestidos novos, sapatos novos, meias novas, peruca nova etc., às vezes são gastos 500 euros num vestido, uns 100 euros em sapatos, e 200 euros numa peruca. Se fizeres as contas não fica por menos de 900 ou 1000 e tal euros”94.

Uma das maiores frustrações dos transformistas do Finalmente Club diz respeito à desvalorização do público em relação ao estatuto do seu trabalho. Entre as razões mais citadas destaca-se o alegado reduzido horário de trabalho, como explica João Velosa “Nyma Charlles”:

“As pessoas acham que nós trabalhamos pouco devido ao tempo que estamos em palco. Acham que temos um horário de trabalho bastante reduzido. O problema é que elas se esquecem de que aquelas duas horas diárias além de conterem números a solo contêm números em conjunto que têm de ser trabalhados com muita antecedência. Passamos muito

                                                                                                                         

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Entrevista a João Velosa “Nyma Charlles”, transformista no Finalmente Club (27 de julho de 2013 no café Baiana, Avenida da Liberdade, Lisboa, 17:00).

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Entrevista a Marco Ferreira “Samantha Rox”, transformista no Finalmente Club (18 de maio de 2013 no Café Baiana, Avenida da Liberdade, Lisboa, 16:30).

tempo a ensaiar. Por exemplo, nas últimas três semanas estivemos a trabalhar no Finalmente durante a tarde a ensaiar para três números para serem apresentados neste Verão. As pessoas esquecem-se de que temos de fazer muito trabalho de casa com os nossos números que inclui, por vezes, várias horas a decorar o playback ou a treinar em frente ao espelho. No meu caso é ainda mais complicado porque sou eu que faço as minhas próprias roupas [...] É um discurso injusto, e mais injusto é quando é dito por outros colegas do Finalmente Club; dizem que estamos lá duas horas e eles sete ou oito.95”

Neste excerto Velosa chama a atenção para o facto de haver muito trabalho de bastidores que deve ser contabilizado para efeitos de horário laboral. Os transformistas tecem comparações com outros trabalhos ligados a práticas performativas tais como as de ator de televisão ou de teatro, onde é necessário ficar horas a decorar os seus papéis para depois culminarem num produto que dura cerca de uma ou duas horas. É esse estatuto e reconhecimento que os transformistas almejam alcançar – pretendem ser vistos e recebidos como atores cuja especialidade é a “transformação no sexo oposto”.

Os artistas da casa verbalizaram ainda algum receio no que diz respeito ao futuro do transformismo como profissão salientando, em particular, a quase inevitável perda de qualidade perante a falta de investimento por parte dos proprietários dos estabelecimentos. Revelaram ainda algum receio perante o declínio do número de clientes ao longo dos anos, principalmente durante o fim-de-semana, dias em que a concorrência é mais feroz (principalmente do Construction Club e do Trumps). Estes fatores fazem com que os transformistas exprimam algum receio em relação ao futuro, “nem que seja porque o Fernando não vai durar para sempre no Finalmente nem na arte do transformismo”, elucida Vítor Hugo, “um dia em que o Fernando acabe com estas coisas vai ser uma pena, porque o transformismo como o conhecemos vai acabar; estou a falar de espetáculos em grupo coeso que funciona numa casa. É que não há mais ninguém que garanta isso”96.

                                                                                                                         

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Entrevista a João Velosa “Nyma Charlles”, transformista no Finalmente Club (27 de julho de 2013 no café Baiana, Avenida da Liberdade, Lisboa, 17:00).

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Entrevista a Vítor Hugo Sousa, bailarino no Finalmente Club (21 de maio de 2013 no café Wine & Pisco, Rossio, Lisboa, 17:15).