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Kapittel 6 Analyse

6.2 Effektar i sakene

6.2.6 Storskjær

Há aproximadamente quinze bilhões de anos uma grande explosão deu origem ao universo, evento que propiciou o surgimento de galáxias, estrelas, planetas, satélites etc. A Via Láctea, galáxia em que habitamos, pode contar com 9 bilhões de anos, enquanto os sistemas estelares, com seus planetas e luas etc. formaram-se entre 7 e 5 bilhões de anos; o sol e a terra surgiram neste período aproximadamente. O tempo que se acredita existir vida na terra é de quatro bilhões de anos antes do presente, o registro do surgimento da vida, um evento singular e definitivo para a humanidade, um episódio banal na marcha do universo.

Lidar com milhões e bilhões de anos escapam de nossa experiência cotidiana, nossa capacidade de mensuração. Nosso quantum de tempo de vida na terra – aproximadamente 75 anos – torna quase impossível dimensionar que séries de eventos podem se desenvolver e se suceder em milhões, em bilhões de anos. Até mesmo as noções de século e de milênio com a quais lidamos nos estudos de história, são de difícil abstração. Darwin em sua clássica obra, ORIGEM DAS ESPÉCIES, ao conceber a teoria da evolução das espécies, observou que uma das maiores dificuldades dos homens de seu tempo em entender suas idéias, mesmo os mais letrados, é que estes tinham muita dificuldade de abstrair que tipo de fenômenos podiam desenvolver-se em milhões de anos.

Mas a causa principal da nossa repugnância natural em admitir que uma espécie deu origem a outra espécie distinta é o estarmos sempre pouco dispostos a admitir uma grande alteração sem vermos os graus intermediários. A dificuldade é a mesma que a que tantos geólogos experimentaram quando Lyell demonstrou que as longas linhas de declive interiores, assim como a escavação dos grandes vales, são o resultado de influências que vemos ainda agir em torno de nós. O espírito não pode conceber toda a significação deste termo: um milhão de anos, nem saberia, demais, adicionar nem perceber os efeitos completos de muitas variações ligeiras, acumuladas durante um número quase infinito de gerações (DARWIN, 2003, p. 546).

Nele, o astrônomo imaginou como seria se comprimíssemos toda a história do universo em um ano, o que permitiria, indiretamente, intuir o significado de medidas de tempo de milhões e bilhões de anos.

Desta forma, a Grande Explosão que deu origem ao universo – espaço e o próprio tempo – fenômeno chamado de Big Bang, teria ocorrido no primeiro segundo do dia 01 de janeiro do ano cósmico, e o dia 31 de dezembro seria hoje, o último instante, quando ocorre a leitura deste texto. O recurso à esta medida de tempo – do ano cósmico – se deu por Sagan reconhecer que o ano (espaço e 365 dias) ser uma das principais medidas de tempo utilizada por nós humanos. Por este calendário, cada mês corresponderia a aproximadamente 1 bilhão e 250 milhões de anos. Cada dia corresponderia a 40 milhões de anos, cada segundo 500 anos.

Impulsionados por esta escala, pode-se afirmar que, se o big bang corresponde ao primeiro segundo do mês de janeiro do ano cósmico, as galáxias (conjunto de estrelas próximas submetidas a uma mesma força gravitacional) se formaram só no mês de maio, isto é, por volta de nove bilhões de anos. Os sistemas planetários teriam aparecido em julho, sendo que o sol e a terra formam-se na metade de setembro, cerca de 4,5 bilhões de anos. Pouco antes do fim de setembro, a vida teria surgido neste planeta. Entre as espécies ainda vivas na terra, o homem foi um dos últimos a chegar, teria aparecido no dia 31 de dezembro as 22h 30mim. A conquista do fogo teria se dado às 22h 44min; as 23h 59min e 20seg, do derradeiro dia do ano cósmico surge a agricultura e criação de animais, bem como o talento humano para produzir ferramentas. Às 23h 59min e 35seg as aldeias neolíticas evoluem e passam a formar as primeiras cidades. Prosseguindo nesta seqüência, a totalidade da História escrita da humanidade ocupa os últimos segundos, do último minuto, da última hora de 31 de dezembro do ano cósmico. Por fim, afirma Sagan:

Toda a pessoa de que já ouvimos falar viveu em algum ponto aqui. Todos aqueles reis, batalhas, migrações, invenções, guerras; tudo o que há nos livros de História aconteceu aqui, nos últimos dez segundos do calendário cósmico. Nós da Terra, acabamos de acordar para o grande oceano do espaço e do tempo de onde emergimos. Somos o legado de 15 bilhões de anos de evolução cósmica (SAGAN, 2005).

Apesar de haver imperfeições no modelo apresentado por Sagan, ele tem o mérito de permitir uma determinada relativização da noção dos tempos cósmico e geológicos; pode, precariamente, situar os homens na imensidão do quase infinito e

da quase eternidade. A humanidade ocupa, sob calendário cósmico, poucos minutos desta longa odisséia, do cosmos, do planeta, da vida do homem e de sua mente.

Mas os dois capítulos finais desta história são o que nos diz mais respeito; eles se referem à criação da vida e, mais especificamente a uma forma de vida que se tornou inteligente, consciente, curiosa e semiótica: a vida humana. Sua capacidade de produzir ciência e tentar explicar a vida, a natureza e o próprio cosmos.

Todo ser vivo, conforme mostra a biologia, são feitos de moléculas orgânicas e estas moléculas se formaram a partir de um material orgânico presentes no espaço interestelar. Substância formada basicamente a partir dos átomos de carbono encontrou na terra condições favoráveis para a inauguração e desenvolvimento da vida, das mais variadas formas de vida.

A vida no planeta teria surgido só em setembro no calendário cósmico, numa Terra ainda muito primitiva com sua crosta recém resfriada. Resultado de complexas relações bio-químicas a vida se expandiu e adquiriu as formas mais complexas. A forma humana, evoluída de primatas, provavelmente dos confins da África, é a única a produzir um conhecimento sobre si e sobre as demais. E foi por “saber” e, também, por “não saber” muitas coisas, que a espécie humana se espalhou pelo planeta criando inicialmente aldeias, depois cidades, impérios, reinos e mais recentemente estados. Produziu religiões, filosofias, artes, ciências e, principalmente, formas de vida e formas de perpetuar a vida. Formas de contar a vida como esta narrativa acadêmica que aqui se realiza.

Não importa aqui se as coisas ocorreram mesmo desta forma como foi narrada, esta é apenas mais uma forma de contar e explicar um mundo de onde vieram os seres humanos e que alguns destes adotaram como verdadeira; sendo que outros, no entanto, jamais deram ouvidos e estas. Os seres humanos, prodígios em tantas habilidades, destacam-se, sobretudo, em inventar histórias, contá-las e, principalmente, acreditar nestas histórias.

E no último segundo, da última hora, de 31 de dezembro do ano do calendário cósmico, nasceu em 1921, na França, Edgar Nahoun que se fez sociólogo e filósofo e tornou-se Edgar Morin; ele propõe uma outra forma de contar esta história. Frações de segundos após, em 1958, nasce em Porto Alegre no paralelo 30 ao sul do equador, por uma conjunção de fatores insignificantes Celso Dias, autor deste

projeto; algumas frações de segundo (47 anos) mais tarde os caminhos se cruzam: o conjunto de seis obras de Morin, que compõem O Método, é tomado como corpus da pesquisa de uma tese: desta tese de doutoramento. Assim, poder refletir sob alguns temas da epistemologia da comunicação iluminado pelas contribuições de Morin é o que justifica as referências sobre o mesmo a partir daqui.