• No results found

Viktigheten av kommunikasjon mellom barn og voksne

5.2 Resultatdiskusjon

5.2.1 Viktigheten av kommunikasjon mellom barn og voksne

Entre o material encontrado relacionado às artes de curar e cuidados pessoais em relação ao consumo de medicamentos e outros tipos de utensílios, estavam a evidência de alguns recipientes de medicamentos, alguns com rótulo e com outros sem.

Os frascos que apresentam marcas são: Peitoral de Angico Pelotense e Joaquim da Silva Silveira (Elixir de Nogueira). Este último medicamento aparece nos dois sítios, sendo que no Solar da Travessa Paraíso com 2 frascos.

Imagem 53 – Frasco do ELIXIR DE NOGUEIRA. Fonte: Autora.

O Elixir de Nogueira era um depurativo de sangue muito conhecido no Brasil todo. Era produzido pelo químico farmacêutico João da Silva Silveira, da cidade de Pelotas. Esse medicamento era indicado para o tratamento de problemas relacionados ao sangue, dentro da ótica da Teoria dos Humores88. O vidro tem a coloração verde oliva e está

88 Essa teoria, do século V a.C., a partir dos estudos do médico grego Hipócrates, pregava que o

surgimento de doenças era advindo dos problemas relacionados com os quatro humores presentes no corpo humano: sangue, fleuma, bílis e atrabilis. A doença ocorreria quando um destes humores entrava em desequilíbrio, podendo significar um aumento desse humor ou um decréscimo. Para maiores informações, ver, por exemplo, ANDRADE LIMA, 1998; e COMPANY, 2006.

quase inteiro, faltando apenas a parte de cima da garrafa (topo). Em seus anúncios pregava principalmente a cura da sífilis. Tinha uma fábrica cujo prédio era bastante conhecido e que ficava no Rio de Janeiro, cidade para onde o João da Silva Silveira transferiu a produção do medicamento89. Este medicamento tem seu registro em 1900.

Imagens 54 e 55 – Mais 2 fragmentos do medicamento Elixir de Nogueira, sendo que o primeiro é do Solar da Travessa Paraíso e o segundo da Casa Riachuelo. Fonte: Autora.

Imagem 56 – Vidro de medicamento com inscrição “PEDRO GARBAZZA”, do sítio RS-JA-03. Fonte: Autora.

Imagem 58 – Outros três recipientes sem rótulo. Do sítio RS-JA-03. Fonte: Autora.

Foram encontrados nestes sítios recipientes relacionados às marcas “Farmácia do Índio” e “Pedro Garbazza”, no entanto, não foi possível averiguar muitas informações a respeito do primeiro, mas quanto ao segundo consegui descobrir que se tratava de um produto muito conhecido no período imperial e que era de composição de um cirurgião italiano de nome Pedro Garbazza. Sobre o nome relacionado a Pedro Garbazza, foi possível localizar na internet, uma indicação de um produto denominado Balsamo Homogeneo Sympathico90, com indicação para curar feridas, queimaduras ou cortes, com

data de 1925. Outra informação, de período anterior, sobre esse produto levantada foi uma publicada no Diccionario de medicina domestica e popular, de Theodoro J. H. Langaard, com a seguinte informação:

Saibão quantos esta virem, que no anno de 1851 aos 28 de maio, em meu escriptorio comparecerão como outorgante Pedro Garbazza e como outorgados E. & H. Laemmert, e pelo outorgante foi dito que sendo elle o inventor e único possuidor da receita do Balsamo homogêneo-sympathico, e tendo determinado a

90 Ver http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1746677/dou-secao-1-18-01-1925-pg-30 - Diário Oficial da União

sua retirada do Imperio por mingoa de sua saúde, resolveu-se a escolher por seus sucessores a E. & H. Laemmert, pessoas muito conhecidas e de credito neste Imperio, a quem deu a completa instrucção para a composição desta receita (...) (LANGAARD, 1865).

Essa transcrição diz respeito a uma queixa de tentativa de falsificação deste produto, que era reclamada neste periódico. Este medicamento parece ter sido muito conhecido e tinha uma eficácia bastante comprovada, sendo conhecido em todo o Brasil. No anúncio presente neste periódico aparecia um aviso de mudança de rótulo, que era publicado, e avisava que somente compraria um produto falsificado quem assim o quisesse.

Os outros frascos encontrados nas amostras destes dois sítios eram frascos pequenos sem rótulos ou marcas: cinco frascos pequenos de coloração transparente e um de coloração âmbar médio, no Solar da Travessa Paraíso; na Casa Riachuelo, foram encontrados também um pequeno frasco verde água, um pequeno frasco de coloração transparente, duas bases de vidros pequenos, sem marca, uma base verde água, sem marca e, ainda uma tampa de vidro de remédio que tinha inscrição na parte superior, mas que não foi possível identificar, de coloração âmbar médio.

Imagens 59 e 60 – Bases de vidros de medicamento, sem marca, um verde água e dois verdes esmeralda. Casa Riachuelo. Fonte: Autora

Todos esses medicamentos indicam que de alguma forma algumas formas de tratamento chegaram a essas residências. O fato de um dos proprietários do Solar da Travessa Paraíso ter sido um homeopata pode ter alguma relevância com os frascos encontrados, mas não foram encontradas informações que pudessem dar mais esclarecimentos.

O certo é que os medicamentos que possuíam marcas indicavam a utilização de medicamentos populares que faziam parte do contexto do século XIX, onde seus criadores, muitos farmacêuticos, produziam seus remédios, com receitas próprias, utilizando ervas bastante conhecidas da população. Seus anúncios do início do século XX são bastante chamativos, com informações a respeito de prêmios e curas que foram conseguidas através de anúncios-depoimentos, que eram muito utilizados.

O Peitoral de Angico Pelotense era um peitoral, como o próprio nome diz, e era indicado para problemas respiratórios, do farmacêutico Eduardo C. Sequeira. Como a doença da época que se encaixa nesse tipo de medicamento da época era a tuberculose, seus anúncios, de tipo depoimento, eram bastante enfáticos ao informar ao leitor que o medicamento os havia salvado.

Uma outra marca foi evidenciada mas não foi achada referências alguma, nem sua inscrição inteira, caso de uma base com a inscrição “RATHS”.

3.3.2 Sítios históricos de lixeiras coletivos: Mercado Público (RS-JA-05) e Paço