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1420 10067 Vikane - Valeberg

In document BIOLOGISK MANGFALD I SOGNDAL KOMMUNE (sider 174-182)

Com o passar dos anos, a necessidade de medir e avaliar atletas desenvolveu-se no mesmo ritmo que as ciências do esporte e exercício. Paralelamente a esse processo, ampliou- se também o interesse por não apenas medir e avaliar em âmbito local, mas estabelecer padrões regionais e nacionais a fim de possibilitar a comparação da população pesquisada com a de estudos prévios. Para atender essa demanda, pesquisadores vêm adaptando e validando instrumentos de grande reconhecimento científico a fim de que as comparações de resultados sejam as mais precisas e diretas possíveis (GUILLEMIN et al., 1993; BEATON et al., 2002; WINSTON; McGEE, 2003; ACQUADRO et al., 2004)

As medidas psicológicas estão cada vez mais presentes no dia-a-dia, no esporte e atividade física, cujos profissionais recorrem a testes e questionários de aptidão, interesse, personalidade e atitudes. Uma das áreas com grande demanda de validação de instrumentos é a Psicometria, abordagem científica que mensura características ou atributos psicológicos mediante uso de escalas, testes e questionários padronizados sob condições controladas, valendo-se de símbolos matemáticos (os números) no estudo científico de fenômenos naturais. Quanto mais axiomas do número (identidade, ordem, aditividade) as medidas

respeitarem, melhor esse número representará o fenômeno. Em situações experimentais, busca-se mensurar determinado comportamento ou construto psicológico (no caso do presente estudo, a motivação), visando conhecer as principais características de determinada população para melhor compreendê-la e, se possível, prever comportamentos futuros (MEDEIROS, 1999; PASQUALI, 2003; ROHLFS, 2005).

A maioria dos questionários empregados na Educação Física, Psicologia e demais ciências é originalmente elaborada em inglês, mas, mesmo em seus países de origem, os estudiosos têm de levar em conta as populações imigrantes a fim de que a aplicação de seu instrumento não seja incompatível junto às mesmas. Quando a intenção é validar determinado instrumento em um país cuja língua e cultura são distintas das do pesquisador original, faz-se necessário utilizar uma tecnologia única a fim de obter equivalência entre a fonte original e a população-alvo do instrumento em validação (BEATON et al., 2002; ACQUADRO, 2004).

Embora haja diversas metodologias para adaptar instrumentos para uma população com língua e cultura distintas da participante no estudo original, todas se iniciam com a tradução lingüística desse instrumento. Somente depois é possível iniciar os processos de adaptação transcultural e validação (BEATON et al., 2002; STAHL et al., 2003; ACQUADRO et al., 2004)

2.6.1. Tradução e Adaptação Transcultural

A língua que falamos não é algo inato, mas adquirido. Trata-se de um componente da cultura que define e é definido pela sociedade que a emprega. A tradução é um ato de comunicação bilíngüe, apenas em parte dependente da correlação direta entre palavras conforme se encontra em dicionários. Seu maior desafio é encontrar soluções que representem legitimamente o conteúdo expresso na língua original, garantindo que ele permaneça

inalterado apesar das variações nos níveis de expressão. A tradução envolve aspectos subjetivos e objetivos, sendo que o primeiro representa a comunicação entre autor original, tradutor e usuário final do texto em questão. Já os aspectos objetivos envolvem a comunicação em si, o contexto da situação em seu sentido mais amplo (GUILLEMIN et al., 1993; BEATON et al., 2002; ACQUADRO et al., 2004).

Os instrumentos escritos de pesquisa utilizam a linguagem para coletar dados junto a determinado grupo étnico ou cultural. Conforme já dito anteriormente, a maioria dos instrumentos é desenvolvida em inglês, mas, para que sejam aplicados em estudos em outros países, faz-se necessário que a tradução mantenha os mesmos conceitos originais para que se permita a comparação de resultados entre diversos países. A interpretação e análise consistentes dos resultados só são possíveis se os dados vierem do que se pode considerar, essencialmente, o mesmo instrumento – não importando a língua em que se encontre (ACQUADRO et al., 2004).

Para que a comunidade científica aplique o mesmo instrumento em diversas línguas, principalmente se for um questionário como o do presente estudo, é preciso que haja uma adaptação transcultural que obtenha não apenas a equivalência semântica com relação ao conteúdo original, mas também idiomática, cultural e conceitual. Esse processo de adaptação baseado no conteúdo sugere que outras propriedades estatísticas, tais como validade e fidedignidade, se mantenham na versão final – embora isso nem sempre aconteça e seja necessário testar estatisticamente o instrumento adaptado para confirmar a manutenção de suas propriedades psicométricas, o que também será feito no presente estudo. O próprio prof. Sidónio Serpa, autor da validação portuguesa do PMQ, sugeriu, em correio eletrônico (ANEXO 5), que, caso o questionário fosse empregado no Brasil, seria necessária uma nova adequação fatorial para verificar se a compreensão brasileira dos 30 itens seria a mesma que a portuguesa (BEATON et al., 2002; ACQUADRO et al., 2004; LUFT et al., 2007).

2.6.2. Validade

A comunidade científica exige a presença de uma série de parâmetros mínimos na medida psicométrica para que o instrumento em questão seja legítimo e válido. Os mais básicos referem-se à validade e fidedignidade, temas centrais da Psicometria (ACQUADRO, 2004).

De modo geral, define-se a validade como o grau de concordância entre o que o instrumento mede e o que se propõe a medir. Historicamente, a psicometria se valeu de três tipos de validade: a) de conteúdo, segundo a qual os testes são válidos se os itens especificados no instrumento representam a adequação do domínio expresso nesse instrumento; b) de critério, que determina que os testes são válidos se prevêem com precisão comportamentos futuros; c) de construto, que vem englobando as validades de conteúdo e critério como seus aspectos, sendo considerada a forma mais fundamental de validade de instrumentos psicológicos, pois verifica diretamente a legitimidade da representação comportamental em questão – no caso, a motivação (WALTZ; STRICKLAND; LENZ, 1991; PASQUALI, 2003).

Muitos questionários já foram traduzidos para países e culturas distintos do contexto do pesquisador e dos participantes de seu estudo, levando a comunidade científica a se preocupar com sua validade de medida. Para se coletar dados adequadamente e depois compará-los, faz-se necessário que o instrumento original passe por um processo que o valide psicometricamente, garantindo as equivalências anteriormente mencionadas e visando não apenas a tradução mas adaptação transcultural. A validade de um teste pode variar conforme o grupo ou região onde é aplicado (MEDEIROS, 1999; BEATON et al., 2002; ACQUADRO et al., 2004).

2.6.3. Fidedignidade

Ao lado da validade, a fidedignidade é apontada como elemento essencial para avaliar a qualidade de qualquer instrumento de mensuração. Ambas se referem à eficiência do instrumento de medida. Para muitos estudiosos, a fidedignidade está diretamente associada ao rigor e precisão daquilo que se pretende medir, sendo que o nível de fidedignidade de um instrumento é fundamental para que ele seja válido. Desses dois quesitos, derivam a necessidade de confirmar a estabilidade e confiabilidade do instrumento em questão (KERLINGER, 1979; VIANNA, 1982; MEDEIROS, 1999).

Normalmente, a confiabilidade é determinada mediante aplicação do teste de consistência interna (α de Cronbach), verificando a congruência de cada item com relação aos demais. O coeficiente alfa varia de 0 a 1, sendo que o 0 indica a ausência total de consistência interna e o 1, presença de 100% de consistência. A estabilidade é confirmada mediante aplicação de teste e reteste do questionário adaptado, permitindo o cálculo de correlação intraclasse entre as duas aplicações. Não basta que os dois testes, aplicados ao mesmo grupo de indivíduos, estejam relacionados, mas os seus resultados devem ser o mais próximo de idênticos possível, sendo que um coeficiente de correlação abaixo de 0,75 é considerado fraco. É importante observar que raramente se obtém correlação com valor 1, pois é difícil definir o intervalo ideal entre a aplicação do teste e sua reaplicação: se este for muito pequeno, os resultados podem ser afetados pelo efeito memória, ou seja, o participante pode se lembrar do que assinalou no teste anterior e simplesmente reproduzir os resultados sem pensar; se o intervalo for muito grande, pode ocorrer uma série de eventos na vida do sujeito que alterem significativamente suas características psicológicas (KERLINGER, 1979; VIANNA, 1982; MEDEIROS, 1999; PASQUALI, 2003, COOLICAN, 2004).

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