Dentro da perspetiva individual será dado particular destaque à formação enquanto forma de desenvolver e melhorar a figura individualizada do empreendedor.
Na sequência do referido, e atendendo à análise das entrevistas, foi notória uma valorização da formação no desenvolvimento do projeto empreendedor. Neste sentido, os participantes no estudo revelaram dar uma grande importância na obtenção de formação, certificada ou não, afirmando que se trata de um aspeto que foi/é constante na sua vida, profissional e enquanto empreendedores pois, só assim podem fazer frente às exigências do mercado e dos clientes/utentes. Assim, para além de uma preocupação em aprofundarem os seus conhecimentos na área de Enfermagem sentiram necessidade de obter conhecimentos em áreas como a gestão, marketing, comunicação, entre outras.
(…) fui tirando realmente algumas formações nesta área, fui sempre atualizando a minha formação enquanto enfermeiro, eu sempre gostei muito da área de emergências e terei formações na área de emergência, mas ao mesmo tempo sabia que eu tinha que pensar de maneira diferente e então comecei a tirar outros cursos diferentes, gestão, marketing, pequenos cursinhos que me iam dando algumas ferramentas (…) depois passei para o coaching, tirei a certificação internacional de coaching, então ainda veio mais aquela corrente motivadora e corrente empreendedora. Tirei um curso de como comunicar com o impacto, também muito importante hoje em dia, ah e acho que se essas formações, pequenas formações dessas, fossem implementadas nas faculdades, por exemplo, as pessoas começavam a pensar maneira diferente (…). (Entrevista 1);
Tanto eu como o (…), somos pessoas muito dadas a crescer, a pesquisar, a participar em congressos a participar não sei quê, não sei que mais e sempre coisas novas…não fizemos nenhum curso de base mas houve, de facto, eu recordo-me que compramos 5 ou 6 livros cada um de gestão e (…) e começamos a estudar um bocado técnicas de gestão, de marketing e disto, portanto, houve essa necessidade, embora que a gente gostaria de fazer mais mas depois a vida não permite fazer mais nenhum curso, mas houve algum cuidado, pelo menos, eu não digo nenhum curso, nenhuma licenciatura, nenhuma pós-graduação, mas algum cuidado em perceber um bocado como é que eram estes meandros da gestão. Claro que fomos muito leigos,
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muitas asneiras cometemos no início mas aprendemos e foi uma aprendizagem rápida. (Entrevista 13);
É assim eu fui tendo sempre formação, porque entretanto depois, felizmente a Enfermagem foi uma profissão que teve uma evolução muito grande, desde que eu...desde que eu entrei no curso de base de Enfermagem até aos dias de hoje (…) E a formação...a formação contínua isso...Eu nunca deixei de fazer formação. Eu fiz depois a pedagogia e administração que foi um complemento da especialidade. Fiz o curso de administração, administração para Enfermeiros...administração em Enfermagem, portanto, foram cursos que foram sendo criados no sentido de evoluir. (Entrevista 9).
Atendendo ao referido, e de acordo com a abordagem teórica, ter um negócio por conta própria pode conduzir à necessidade de se desenvolverem competências individuais em áreas financeiras e administrativas que se podem conciliar com as competências clinicas adquiridas, constituindo uma mais-valia para a população (Abreu, 2007), pelo que muitos empreendedores sentem necessidade de formação em áreas como a gestão, marketing, finanças, liderança (Ferreira et al., 2010) e/ou a necessidade de se tornarem especialistas nos serviços que prestam (Abreu, 2007).
Atendendo ao supracitado, a maioria dos participantes no estudo consideram que a Universidade não os preparou e não os motivou para a área do empreendedorismo. Salientam a aquisição de competências técnicas, mas afirmam que o ensino em Enfermagem ainda está muito direcionado para o trabalho nos centros de saúde e hospitais. Contudo, consideram que, atualmente, existe uma necessidade urgente de se pensar e olhar em diferentes direções na busca de uma oportunidade no mercado e que as Universidades estão a integrar esta área do empreendedorismo devido à necessidade de alargar o leque de saídas profissionais.
Nada, a única coisa que a formação, que a minha formação na Universidade me preparou realmente foi enquanto Enfermeiro, competências técnicas (…). (Entrevista 1);
Hoje em dia as pessoas têm que pensar noutras áreas, têm que pensar noutras, noutras saídas, portanto, desenvolver esse espirito acho importante (…). (Entrevista 14);
Agora eu acho que sim, que as pessoas estão a preparar Enfermeiros para essas áreas….agora é muito pela necessidade (…). (Entrevista 17).
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Os entrevistados sentem, de facto, esta necessidade na formação, uma vez que afirmam que, atualmente, conseguir um lugar no mercado de trabalho implica imigrar ou empreender. Realmente a formação nesta área é nula e se calhar as Universidades deviam de nos preparar mais para isto. Porque cada vez mais, ou vamos para fora, ou temos que criar os nosso empregos. Portanto a área da Enfermagem, é uma área necessária (…). (Entrevista 2).
Perante a análise dos excertos supracitados, verificamos um afastamento da perspetiva inatista, uma vez que a maioria dos entrevistados acredita que o empreendedor se pode formar e necessita dessa formação para enfrentar o mercado com mais segurança e maior probabilidade de sucesso.
Neste sentido, é de referir o facto de um dos entrevistados ter mencionado que, durante a sua licenciatura em Enfermagem, esta área já foi abordada, reconhecendo esta mudança de mentalidade e estratégia no ensino.
Já, já conhecia, fizemos um trabalho, portanto, enquanto...no 4º ano sobre empreendedorismo e tivemos que criar, de forma fictícia, uma empresa. (Entrevista10).
Esta postura é apoiada pela teoria na medida em que se considera que existe uma tendência crescente de pessoas altamente qualificadas a enveredarem pelo empreendedorismo pelo que a formação se torne imprescindível para ensinar os empreendedores a gerir problemas e a adquirir conhecimentos específicos uteis à sua atividade empresarial (Ferreira et al., 2010).
Não obstante, um dos entrevistados considera que não é necessária formação para ser empreendedor mas espirito de liderança apresentando, deste modo, uma postura mais próxima da vertente inatista.
Primeiro tem que ter, tem que ter ambição...se me perguntar se é preciso ter alguma formação para ser empreendedor eu digo que não (…) mas sim é preciso ser líder é preciso há vários fatores que são essenciais não é. (…) É preciso ter ideias ah...saber tomar decisões, não é, firmes. (…) Ter uma ideia e aplica-la…não ter…não chega só ter a ideia. (Entrevista 11).
Após esta análise da necessidade de formação por parte dos empreendedores, e como já foi referido anteriormente, a designação de empreendedorismo por oportunidade e empreendedorismo por necessidade também foram aspetos que mereceram algum destaque dentro desta abordagem individual do empreendedorismo pelo que será o tema que trataremos no subponto seguinte.
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