• No results found

Videre fremstilling

In document Aksjens virkelige verdi (sider 8-11)

A fim de poder responder às questões colocadas neste trabalho e testar algumas hipóteses levantadas no quadro teórico, a população alvo, para esta investigação, foi escolhida de entre os imigrantes vindos dos países da ex-URSS (parte europeia),

126

residentes em Portugal. Actualmente, segundo as estatísticas publicadas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, organismo público tutelado pelo Ministério da Administração Interna, no Relatório sobre Imigração, Fronteiras e Asilo em 2008, quadro 3.2, os imigrantes originários da ex-URSS, até ano de 2008, totalizavam 81.588 indivíduos, correspondendo a cerca de 19,3% de todos os imigrantes residentes em Portugal, sendo originários da Estónia, Letónia, Lituânia, Bielorrússia, Rússia, Ucrânia e Moldávia, Azerbaijão, Cazaquistão, Geórgia, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão, de acordo com os dados do seguinte quadro:

Quadro 3.2

Número de imigrantes dos países da ex-URSS em Portugal em 2008

Países de Origem Total % Homens Mulheres

Estónia 79 (NR) 12 67 Letónia 240 (NR) 76 164 Lituânia 505 (NR) 216 289 Bielorrússia 1.014 1,2 484 530 Rússia 6.181 7,3 2.703 3.478 Ucrânia 52.472 62,2 30.055 22.417 Moldávia 21.067 25,0 12.124 8.943 Azerbaijão 23 (NR) 12 11 Cazaquistão 740 (NR) 367 373 Geórgia 1.127 1,3 828 299 Quirguistão 53 (NR) 31 22 Tajiquistão 1 (NR) 1 0 Turquemenistão 3 (NR) 2 1 Uzbequistão 851 1,0 587 264 TOTAL 84.356 100,0 47.499 36.358

Fonte: Relatório sobre Imigração, Fronteiras e Asilo, 2008 – SEF

(NR): Não relevante

Tendo em conta esta realidade, foram seleccionados apenas os imigrantes oriundos da Rússia (7,3%), da Ucrânia (62,2%), da Moldávia (25,0%) e da Bielorrússia (1,2%), que, totalizando 80.734 pessoas, constituíam 95,7% dos imigrantes originários de países da ex-URSS residentes em Portugal.

Cerca de 73% dos imigrantes provenientes destas 4 origens encontram-se espalhados de forma mais condensada essencialmente por 5 distritos de Portugal, designadamente: Faro (23,1%), Lisboa (22,1%), Santarém (11,1%), Setúbal (8,4%) e Leiria (8%). Os restantes cerca de 27% distribuem-se pelos restantes 17 distritos do continente, Madeira e Açores, em pequenos grupos. No Norte do país, os distritos onde se observa maior concentração destes imigrantes são o Porto, Aveiro e Braga com respectivamente, 6,4%, 5,5% e 2,9%.

127 Com a finalidade de recolher as opiniões dos indivíduos que se encontram identificados com o objectivo deste estudo, particularmente os indivíduos imigrantes provenientes dos países da ex-URSS que residem em Portugal, e na impossibilidade de ouvir e recolher informação sobre a sua totalidade, é necessário recorrer a amostragem.

No presente estudo, dada a relativo escassez de conhecimento estatístico sobre as características da população alvo do inquérito, estamos perante um campo onde não tem sentido a realização de amostragens por quotas ou dimensionais. O país de origem dos imigrantes referidos neste estudo perde também certa relevância uma vez que, independentemente da origem determinada com base nos actuais estados que emergiram da ex-URSS, todos eles foram alvo da mesma educação pois o sistema educativo da ex- URSS era exercido em todo o território de modo único, uniforme e homogéneo. Assim, a amostragem que for decidida apenas se irá focalizar em imigrantes provenientes desses países, independentemente da sua origem, que tenham estudado em escolas oficiais na URSS durante a vigência do regime soviético, incidindo em diversos pontos de Portugal onde se encontram a viver.

Nestes termos, e face às características atrás definidas relativamente à população alvo ter-se-á em consideração a sua dimensão, cerca de 80.000 indivíduos de ambos os sexos, a sua distribuição pelo território nacional, em especial nas zonas de maior concentração, e um conjunto de características que os indivíduos questionados apresentem, muito particularmente o facto de terem frequentado o sistema educativo soviético entre os anos 70 e 80 do século XX e já terem uma experiência de vida num sistema socioeconómico diferente – neste caso, na sociedade portuguesa – que lhes permite um termo de comparação com as suas origens, para além de outras características socioculturais e económicas que se apresentarem eventualmente como relevantes para uma melhor compreensão do fenómeno em observação.

Assim, foi definida uma amostra não probabilística de tipo intencional, uma vez que só serão inquiridos os indivíduos que tenham as características anteriormente referidas. Embora sem pretender obter representatividade estatística, tivemos em conta metodologias de amostragem que apontam uma amostra de dimensão próxima dos 400 indivíduos para um universo de cerca de 80.000 indivíduos, sobretudo também para dispor de um número de observações suficiente para poder realizar cruzamentos estatísticos elementares entre as variáveis (Cohen, 2000).

128

Uma vez que diversos aspectos podem contribuir para a forma como o indivíduo evoca a memória e formula a opinião, a partir da amostra inicial dos adultos, na fase de análise de dados, formar-se-ão grupos de imigrantes que diferem entre si pela experiencia adquirida na União Soviética, pela adaptação em Portugal, pelos padrões de mobilidade e pela situação profissional actual.

Um questionário, por definição, é um instrumento estandardizado, que normalmente se usa quando se trata não de um conjunto de indivíduos, mas de uma população (Ghiglione, Matalon, 2001). Neste caso, conscientemente perde-se especificidade de cada indivíduo, porque não se trata de considerar cada um como sendo absolutamente único. Todo o esforço aqui visa enunciar uma conclusão no âmbito geral, no âmbito de uma população que se pronuncia sobre o mesmo assunto.

O questionário para esta parte do trabalho de investigação foi construído com ajuda dos questionários desenvolvidos pelo Levada Center77 no âmbito do projecto “Homem Soviético” (Levada, 1989) e composto de seguinte maneira:

Os resultados obtidos da análise de conteúdo dos manuais escolares de História serviram como linhas orientadoras para a selecção dos itens dos questionários. Os itens originais foram, assim, reformulados para efeitos do presente estudo.

As questões foram formuladas de forma fechada, apresentando ao inquirido uma lista preestabelecida de respostas possíveis, de entre as quais é pedido para indicar uma que melhor corresponda à que considera adequada. Também se pede às pessoas inquiridas para ordenarem as categorias segundo uma escala de concordância ou de importância. Finalmente foram elaboradas escalas de Likert com cinco possibilidades de escolha em escala ordinal para o inquirido cotar as respostas sugeridas por concordância ou importância.

Num corpus constituído por 400 questionários os resultados obtidos serão ventilados pelas diversas variáveis de caracterização pertinentes para a nossa interpretação: país de origem, género, nível de instrução de origem, estatuto social de origem e tempo de permanência em Portugal.

77 Os questionários foram nos amavelmente cedidos por Director do Departamento de Investigação

129 O tratamento dos dados recolhidos através dos questionários já referidos foi realizado recorrendo às técnicas de estatística descritiva e de inferência estatística com recurso ao programa informático SPSS.

Como ficou referido, o questionário foi aplicado a imigrantes segundo o critério do país de origem, tendo tomado como referência as quatro nacionalidades mais representadas, em termos de número existente de imigrantes da parte europeia da URSS em Portugal, nomeadamente os Russos, Ucranianos, os Bielorrussos e os Moldavos.

Para construção da amostra, foi usada como ponto de partida a amostra entrevistada na investigação para a dissertação de mestrado, realizada pela autora em 2006. Tratou-se então de uma amostra composta por 16 famílias conjugais originárias de países da ex-URSS, com pelo menos um filho a estudar numa das escolas portuguesas, de que foram entrevistados os dois membros do casal (32 pessoas).

No presente trabalho, a construção da amostra procedeu pela técnica de bola de neve, partindo das famílias pertencentes à amostra anterior. Além de serem elas próprias inquiridas, foi-lhes pedido que indicassem nomes e contactos de indivíduos de outras famílias pertencentes à mesma população alvo de interesse, e que pudessem ser igualmente inquiridos. Este procedimento foi repetido com cada novo inquirido, com cerca de 6 iterações para obter a amostra com a dimensão e a diversidade desejadas. Contudo, houve a preocupação com um possível inconveniente deste processo: – a homofilia, ou seja, a tendência dos inquiridos para indicarem amigos ou pessoas socialmente próximas, o que poderia levar a uma amostra enviesada a favor de formas idênticas de agir e de pensar (Vicente, et al., 1996). Para evitar que a amostra se circunscrevesse ao meio familiar ou ao círculo de amizades mais próximas dos inquiridos, indicou-se aos inquiridos, numa nota inscrita no questionário, que seria preferível que identificassem outros contactos de colegas de trabalho ou mesmo de vizinhos que não fizessem parte desse círculo de contactos.

Em vários casos do envio dos questionários para várias zonas de Portugal (realizado via associações de imigrantes de Leste) e uma vez que estes foram entregues à família, não pôde ser evitada a resposta em conjunto de ambos os membros do casal. Estas situações correspondem a apenas 6% do total das respostas. Nas outras circunstâncias, procurou-se garantir que, sempre que ambos os membros do casal se prontificaram a responder, fossem inquiridos separadamente.

130

Os questionários encontravam-se redigidos nas línguas russa e ucraniana, segundo a nacionalidade dos inquiridos, e continham questões diferenciadas relativamente aos factos históricos, consoante as diferentes nacionalidades, de molde a contemplar a diversidade dos inquiridos.

Numa primeira fase, partindo da presunção de uma boa aceitação da participação no inquérito por parte da população dos imigrantes de Leste, os questionários, foram enviados/entregues para autopreenchimento, com datas pedidas para a sua devolução. Contudo, o retorno insuficiente que se verificou, e o facto de se tratar de um questionário bastante extenso, perfazendo duas dezenas de questões, levou à adopção de uma prática de acompanhamento do preenchimento dos questionários, que passaram a ser aplicados, ou nas instalações da Escola Eslava de Lisboa, que serviu de ponte na ligação com os inquiridos, ou no domicílio destes últimos; em ambos os casos, na presença da inquiridora / autora. Este processo permitiu aumentar a taxa de retorno e reduzir significativamente as perdas de dados devido ao mau ou incompleto preenchimento, e obter uma maior qualidade nas respostas através dos esclarecimentos prestados sobre as perguntas durante a recolha da informação, garantindo assim o número desejado de questionários completamente preenchidos. Estes esclarecimentos cingiram-se escrupulosamente à clarificação do sentido das perguntas, quando solicitada pelo inquirido. Foram sempre feitos nos termos mais próximos aos da formulação inicial das perguntas. Procurou-se sempre evitar qualquer desenvolvimento ou extrapolação que pudesse influenciar a opção de resposta.

Também em função da opção metodológica de ter sido considerada uma amostragem de tipo intencional, foram agrupados indivíduos com determinadas características, tendo sido dada relevância a um conjunto de variáveis tais como a idade, género, nível de instrução, profissão exercida na origem e no destino, que servirão de base à construção de “perfis”, ou seja, tipologias para exploração do ponto de vista da investigação.

Posteriormente, o tratamento será realizado em bloco, juntando todos os dados, independentemente do país de origem, ou seja, considerando a sua situação de ex- cidadãos soviéticos em determinada fase da sua vida, segundo o pressuposto já enunciado anteriormente que obtiveram uma educação escolar semelhante, particularmente ao nível do ensino da História como disciplina curricular.

131

Capítulo IV

Análise dos Manuais de História da URSS

Nos capítulos anteriores – no primeiro, pela explicitação das referências teóricas e metodológicas do estudo e dos objectivos perseguidos; no segundo, pelo recurso à história da produção dos manuais de História – foi preparado o caminho para a análise de conteúdo dos manuais que se encontravam em vigor na época do domínio comunista na União Soviética, para depois se proceder à análise dos resultados estatísticos sobre imigrantes de Leste, socializados e formados na URSS e residentes em Portugal.

A pesquisa realizada neste capítulo, levando em consideração que:

[…] todos os resultados científicos são indissociáveis do procedimento teórico e metodológico que os construiu e não são isolados do espírito e das condições da sua produção […] (Lahire, 2006, p.150)

tem por objectivo analisar o conteúdo de livros didácticos de História, evidenciando de que forma é concebida e trabalhada a noção de identidade do cidadão da URSS. Pretende-se descrever e analisar a forma como se encontra expressa a concepção de “Homem Soviético”, o fundamento do projecto da construção de identidade colectiva soviética, nos três manuais de História acima identificados e que serão adiante apresentados. A análise desses livros didácticos visa uma dupla pretensão: primeiro, refere-se ao objecto deste capítulo, ou seja, à análise da forma como as características identitárias do “Homem Soviético” foram representadas nas escolas da URSS na época dos anos 70-80, nomeadamente, na disciplina de História; em segundo lugar, refere-se à metodologia escolhida que se procurou adequar ao propósito em questão.

Partindo da ideia que “[…] o modo de exposição dos resultados está sempre ligado ao modo de indagação do real posto em prática pelo pesquisador […]” (Lahire, 2006, p. 25), o esquema da análise do perfil identitário “soviético” que se apresenta para os livros escolares de História dos anos 1973-1979 na URSS segue a estrutura da análise de conteúdo efectuada para atingir o objectivo enunciado, através do desenvolvimento dos seguintes aspectos:

132

 análise dos protagonistas e personagens-chave, com ênfase nas suas características, papéis, atitudes, comportamentos e actividades, e papéis desempenhados na narrativa;

 análise das mensagens veiculadas no textos dos manuais de História, seus aspectos subjacentes e implícitos, perspectivas e ideias promovidas ou rejeitadas, cujo objectivo visa inculcar aos alunos características identitárias colectivas do “Homem Soviético”.

 delineação do perfil da identidade colectiva soviética projectada, e da forma como esta era apresentada nos livros de História da União Soviética.

In document Aksjens virkelige verdi (sider 8-11)