A segunda categoria, conforme já explanado, e suas subdimensões foram analisadas como indicadores e como unidade de registro.
Quadro 3 - Categoria II – Garantia de saberes C omp etê nc ia ap re se ntad a p or P er re no ud (2002)
Categoria Indicador Unidade de Registro
Garantia de Saberes Domínio Organizador Planejamento Conteúdo Raciocínio Método Reflexivo Dinâmico Crítico Flexibilidade Profissional Apaixonado Prazer Inovador Ensino Aprendizagem Avaliação
Fonte: Elaborado pela autora.
No tocante ao indicador acima, percebe-se uma assertiva acerca da organização do conteúdo, que há sim uma sequência. Verifica-se que a maioria gostaria de melhorar a forma de passar o conteúdo, trazer novas formas de ensinar, sair do tradicional, como apresentação de slides e leituras de textos. Também propuseram o desenvolvimento de aulas com mais dinamismo e que os professores apresentassem uma dinâmica diferente, envolvente. Apesar de compreenderem a diversidade de cada docente, os discentes apontam, algumas vezes, que uma aula parada, monótona, como uma questão a ser analisada. No que diz respeito a um professor prazeroso, respondem que tem que gostar do que faz, passar segurança e prazer por estar ensinando.
Pode-se afirmar que as percepções vistas pelos discentes deste indicador foram uma das mais enriquecedoras para a discussão trazida nesta pesquisa sobre os aspectos práticos da garantia de saberes.
Considerando ainda a mesma questão, vale pontuar algumas expressões dos relatos dos discentes naquela instituição:
Quanto à exposição e organização do conteúdo e sequência há sim uma sequência de conteúdos explanados, por que nós vemos uma continuação de conteúdos, por exemplo, toda aula tem um planejamento isso é bom porque você pode acompanhar o que esta acontecendo caso você falte. (F2)
[...] o que acontece muitas vezes é que a gente sai do assunto, foge do assunto. (F3)
dinâmico [...] (F5)
Acho que é um método tradicional o de provas e seminários, no máximo quando varia é um seminário [...] (F6)
Porque eu acredito muito assim, que os professores não inova e se os alunos não mostrarem que estão tentando aprender realmente, que querem algo diferente, que querem aprender, que querem buscar, o professor também não vai se interessar. (F6)
Tem professores que tem um conhecimento muito grande, mas na hora de apresentar a disciplina você fica meio que voando, porque ele ta apresentando pra ele e só ele entende a forma dele de explicar, a gente fica meio que pedido. (F2)
[...] para aqueles professores que não têm planejamento prévio, ou que não estudaram o conteúdo anteriormente pra aula eles apresentam certa dificuldade em passar, eu tenho notado aqueles professores que têm uma tendência em enrolar. (F6)
Aquele professor que gosta do que faz que passa pra você a paixão que ele tem na hora de ensinar, que deixa você mais à vontade, mais seguro daquilo que ele ta passando, deixa você com mais vontade de aprender. (F1)
Os dados relatados acima indicam a importância da organização do conteúdo, visto que vários entrevistados a explicam com clareza, afirmando ser o planejamento um mecanismo importante para preparar o conteúdo a ser ensinado gerando clareza, que certamente, resultará em aprendizagem. A motivação e inovação foram observadas como um ponto a ser melhorado; a esse respeito Perrenoud (2002) aponta como um dos fatores primordial para a formação docente e sua prática desenvolvida em sala de aula mostra um perfil de um professor confiável, intelectual, mediador, democrático e transmissor de conhecimento.
A esse respeito Garcia (1997) aponta que propiciar situações que viabilizem a reflexão e a tomada de consciência das limitações sociais, culturais e ideológicas da profissão docente é uma abordagem da formação de professores, considerado como um projeto social e coletivo.
Lembre-se de que Giordan (1998) aponta que o ensinar não se concretiza só pelo domínio do conteúdo, incidi-se também sobre o para que e o como fazer. O mesmo acontece com a aprendizagem, com o aprendizado, as estratégias de ensino são como andaimes didáticos que se vinculam aos fins educativos, interagindo conhecimento, saberes, competência e aprendizagem.
Nesse sentido, para o referido autor Perrenoud (1999), uma competência traduz-se na capacidade de agir eficazmente perante um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos. Ou seja, o ensinar exige interação e mobilização.
No entanto, transmitir esses conhecimentos requer uma sequência de raciocínio lógico, que perpassa pelo docente de forma transitória e que muitas vezes esses processos pressupõem um planejamento seguido de motivação e inovação.
Para Nóvoa (2008), observar e registrar as práticas e suas reações de como é idealizado o conceito de competência, executar e analisar quais atividades e crenças são norteadores e possibilita verificar quais as formas de organização do trabalho pedagógico são pertinentes para que o aluno aprenda o conteúdo ensinado.
Nesta perspectiva, Vygotsky (2001) enfatiza o papel da cultura na formação da consciência humana e da atividade do sujeito. Nesse sentido, a concepção se dá no percurso de desenvolvimento, domina-se gradativamente os conteúdos de sua experiência cultural, hábitos, signos linguísticos e também as formas de raciocínio utilizadas nas variadas situações. O processo é mediante a construção do conhecimento arraigado socialmente, nas oportunidades dadas pelo contexto cultural e da atividade intencional do aprendiz.
O mesmo autor ainda nos diz que essa teoria mostra o aluno ativo em seu processo de aprendizagem. Concretiza-se mediante a um processo mediado pela relação de comunicação entre os docentes e discentes.
A esse respeito, Souza (2005) aponta o processo de aprendizagem em três fases: a recepção da informação protagonizada pelos sentidos, do tratamento e análise realizada pela memória de curto prazo, do armazenamento e evocação da informação ou elaboração de respostas, pela memória de longo prazo.