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Desde as suas origens, no início do século XIX, o ensino superior, no Brasil, ficou ligado à permissão de diplomas que autorizam o exercício de uma profissão. Dos anos de 1920 aos anos 1960, as universidades foram objetos de intensos debates e, desde então, têm caminhado a passos largos no sentido de desenvolver conhecimentos, saberes prático e atividades que atendam aos objetivos imediatos do Estado, das empresas e de grupos.

Compreendida nos últimos anos como espaço de profissionalização dos alunos e de preparação para o mercado de trabalho, o mundo de serviços e consumos tem exigido mudanças, sobretudo, na formação dos profissionais para o mercado.

Para Demo (2001) saber fazer profissionais técnicos e especialistas nas áreas da atividade humana em todos os setores acadêmicos tem sido um desafio para as instituições de ensino. E, com o surgimento e aumento de instituições privadas acadêmicas que se transformam em organização, transmite-se saberes instituídos em supermercados do conhecimento, que oferece aos discentes saberes reduzidos a informações banalizadas, estereótipos, preconceitos, repetição de conteúdos já ditos e feitos, conteúdos curriculares como se fossem certezas de uma nova afirmação pronta e acabada. Enfim, imposição de modelos de ensino, de formas e ação e de reação vem proporcionando diversos estudos relacionados ao tema (AQUINO; FREEMAN, 2008). Com o avanço das mudanças no ensino superior, as modalidades de ensino têm crescido, elevando o número de profissionais para o mercado de trabalho. No entanto, a preocupação da formação para autonomia ou para mercado, ainda, é uma constante problemática na discussão que se envolve a qualidade do ensino (THERRIEN, 2009). A relevância, acerca da preocupação com o ensino superior, refere-se, especialmente, ao papel do ensino superior como uma instituição democrática e autônoma com acesso ao mercado de trabalho e a responsabilidade de inserir profissionais na sociedade. Nos anos a seguir, certamente, os tipos e métodos de serviços serão redefinidos e renegociados.

A UNESCO aponta duas tendências paralelas que determinam o relacionamento entre educação superior e o mercado de trabalho. Em primeiro lugar, o ensino move-se para

um sistema de matrículas em massa no momento em que as economias modernas ficam cada vez mais dependentes de conhecimentos intensivos, portanto, dependem dos graduados do ensino superior, que constituem uma massa de trabalho pensante. Em segundo lugar, os graduados logo terão que aceitar o fato de que as mudanças de emprego serão uma constante, exigindo a atualização de conhecimentos e a aprendizagem de novas tarefas.

Sabe-se que o mercado de trabalho está sendo redefinido e, grande parte do conhecimento específico que os estudantes adquirem durante seu treinamento inicial, rapidamente, ficará obsoleto. Parcerias contínuas e interativas com o mercado de trabalho são essenciais e devem ser integradas à missão e às atividades das instituições de ensino superior (DEPRESBITERIS, 2005).

Nesse sentido, enfatiza-se que o ensino superior precisa desenvolver suas relações com o mercado de trabalho, contribuindo para a qualidade da formação discente e possibilitando a construção do profissional para a sociedade.

O bom desempenho para o funcionamento bem-sucedido e para a administração do ensino superior reside nas boas relações com o Estado e com a sociedade como um todo. A UNESCO (2009) diz que essas relações devem ser baseadas nos princípios de liberdade acadêmica e autonomia institucional, que são essenciais para a preservação de qualquer instituição de ensino superior como comunidade de livre pesquisa, podendo realizar suas funções criativas, reflexivas e críticas na sociedade.

Outro ponto importante na preocupação da formação para o mercado é a qualidade, porque para atender às necessidades da sociedade, depende da qualidade do ensino superior das pessoas a serem inseridas no mercado de trabalho. Assim, a procura pela qualidade ainda tem muitas facetas; e, o principal objetivo na melhoria de ensino superior, deveria ser institucional, assim como uma melhoria do sistema do ensino superior. Sendo assim, a formação para a autonomia ou para o mercado pode ser comprometida como um conjunto das iniciativas de promover uma formação que regem as relações entre os sujeitos e os produtos culturais ou, em nível mais direto, autônomo na escolha propriamente dita (DUBAR, 1996). Os estudos realizados por (PUENTES, AQUINO E NETO, 2009) têm contribuído com grande relevância para uma melhor compreensão.

Ora, é mesmo fundamental que exista o cuidado de garantir a liberdade às diversas escolhas de modalidades oferecidas pelo mercado. Como as instituições têm refletido sobre a maneira de como os sujeitos se colocam no mercado de trabalho e suas intenções em relação a sua formação na demanda do mercado. As deficiências são incontestáveis acerca da qualificação e formação que mobilizam os estudantes (HIZATA, 1996).

Ainda a esse respeito, o autor Pedro Demo (2009), em um dos seus artigos Qualidade e Pesquisa na Universidade, aponta que a universidade poderia ser uma das instituições mais relevantes da sociedade e da autonomia, desde que fosse o lugar privilegiado da

construção do conhecimento e da educação de novas gerações.

Consequentemente, as iniciativas de promover para a autonomia seria ainda um desafio para as instituições, seria preciso, pelo menos num primeiro momento, que o calendário cultural fizesse parte dos interesses dos envolvidos na graduação, a fim de levar o maior número possível de alunos ao mercado que propiciassem uma autonomia para o mercado, tornando possível a aproximação dos conhecimentos e habilidades aprendidos no cotidiano do ensinar e do aprender (DEMO, 2001).

Assim, a construção desses saberes e competências faz-se necessária à construção dos conhecimentos e habilidades. Pois o que aprendemos está intrinsecamente relacionado à autonomia do conhecimento imposto pela sociedade. Por isso, em suas diferentes organizações adotou uma concepção de educação distinta e, economicamente, produtiva para cada período (GILLET, 1991).

O próximo capítulo trata das questões relacionadas ao método e desenvolvimento da pesquisa.

3 MÉTODO

Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação – reflexão. (Paulo Freire, 1983) Este capítulo apresenta os métodos utilizados na pesquisa, cujo objetivo é avaliar como a prática em sala de aula é desenvolvida, se os discentes aprendem o conteúdo ensinado e se ela se relaciona com as competências apresentadas por Perrenoud (2002), na percepção dos discentes do curso de Administração da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

As seções que seguem apresentam a caracterização da pesquisa, desenho da pesquisa, Locus da investigação, sujeitos da pesquisa, técnicas de coleta, processo de coleta de dados, técnica de análise de dados e, por fim, os limites da pesquisa.