Kapittel 7: Konklusjon
7.2 Videre arbeid
Fonte: Arruda Mello (2005)
No que tange à formação intelectual de Oswaldo Trigueiro, ressalta Arruda Mello (2005) que realizou sólida formação teórica, tendo aprimoramento na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, onde cursou pós-graduação e obteve o título de Master em Ciências Políticas durante o período de 1939 a 1940. É destacado ainda como quem tinha um bom domínio de diferentes idiomas, a saber: francês, inglês, espanhol e italiano. Evidência dessa destreza teórica pode ser salientada no seguinte trecho:
Pesou também a favor da condição de publicista do dr. Trigueiro, incorporação a algumas das mais importantes instituições profissionais e culturais do Brasil, como Clube, Instituto e Ordem dos Advogados do Brasil, de um dos quais se tornou vice-presidente e orador, Revista Brasileira de Estudos Políticos, do cientista político Orlando de Carvalho, na Minas Gerais, diversos Institutos da
13União Democrática Nacional, partido político brasileiro criado no ano de 1945 que fazia forte oposição
Fundação Getúlio Vargas, e fundador e animador do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (IBRI), também no Rio de Janeiro. (ARRUDA MELLO, 2005, p. 15)
Oswaldo Trigueiro também foi autor de livros, sendo alguns deles: O Regime dos Estados na União Americana (1942); A Descentralização Estadual (1943); Problemas do Governo Democrático (1976) e A Política do Meu Tempo (1988). Realizou ainda outras produções, tanto oral como escritas, como ressaltou escritor paraibano ao destacar os feitos intelectuais do político de Alagoa Grande:
[foram] dezenas de conferências e artigos, além de centenas de pareceres, estes últimos firmados como advogado e ministro. Essa afloração, como se pode constatar do levantamento de sua obra, transferiu-o do Direito para a História, pela porta da Política. (ARRUDA MELLO, 2005, p. 19)
Pode-se afirmar, sem incorrer na exaltação de personagens públicas, que Oswaldo Trigueiro foi um cidadão que se dedicava à vida pública e que investia massivamente na sua formação intelectual.
No que tange ao governo de Oswaldo Trigueiro à frente da Paraíba, vale iniciar a reflexão com o seu processo de candidatura. Conforme Zenaide (2004), o paraibano de Alagoa Grande foi indicado candidato a governador por Argemiro de Figueiredo, liderança política paraibana que ao lado de José Américo compuseram o diretório do partido político UDN. Na ocasião, aproximadamente nos anos de 1945-1946, ficou acordado entre as duas lideranças desse diretório que Argemiro seria quem iria sugerir o candidato ao governo do Estado. Argemiro14 elegeu Trigueiro, seu colega de turma desde os tempos de estudos e com quem possuía bom relacionamento quando este foi convidado a assumir a administração da prefeitura da capital por aquele que era governador do Estado. Aproveitando, nesse sentido, a composição relativamente dividida (de um lado Argemiro e do outro José Américo) do partido UDN, o Partido Social Democrata (PSD15) escolheu como candidato concorrente a Oswaldo Trigueiro o genro de José Américo, Alcides Carneiro, como uma jogada estratégica para tentar
14De acordo com Zenaide (2004, p.22), “Em 1935, Argemiro de Figueiredo era eleito governador da
Paraíba e, em 1936, por intermédio de Flávio Ribeiro Coutinho, convidou Oswaldo Trigueiro para ocupar o cargo de prefeito de João Pessoa”.
15 Partido Social Democrata, partido político brasileiro fundado em junho de 1945. Foram seus
dividir os votos da UDN. Oswaldo Trigueiro saiu eleito, como já mencionamos, com 80.368 dos votos em relação aos 69.683 votos de Alcides Carneiro, uma diferença de mais de 10.000 votos.
Como governador, a Paraíba esperou de Trigueiro “uma ação profícua que maiores benefícios trouxessem à coletividade” (MELLO, 1996, p. 125), tendo em vista o regresso ao regime constitucional, pelo qual se passava em todo o país.
Para Zenaide (2004), o governo de Trigueiro buscou atender, ao que era possível no momento, as necessidades mais urgentes relativas principalmente à Educação, Saúde e melhoramentos urbanos. Corroborando esse apontamento, Maia (1980, p.44) ressalta que “de 1947 a 1950, a Administração Estadual deu prioridade aos problemas da educação, saúde, produção e transportes”, setores fundamentais para melhoramento da condição do Estado.
Foquemos, portanto, no setor educacional. No que tange ao investimento nessa área, Mello (1996, p. 125-126) faz o seguinte destaque para as primeiras iniciativas desse governo.
Inicialmente, como medida de maior importância, tratou o governo de concluir as construções de prédios escolares que haviam sido iniciados em administrações anteriores e que se achavam, há longo tempo paralisadas, muitas das quais ainda nas fases preliminares dos trabalhos, e outras em via de conclusão.
E assim tiveram prosseguimento os grupos de Santa Júlia, na Capital, e os de Soledade, Pombal, Caiçara, Pirpirituba, Pedras de Fogo e Aroeiras [...] além das obras enumeradas, foram construídos mais 14 estabelecimentos dessa natureza [...] Em resumo, o Governo Oswaldo Trigueiro instalou e pôs em funcionamento 28 grupos escolares – com um dispêndio superior a Cr$ 4.000.000,00.
Expandir a educação escolarizada, podemos dizer que era o lema do momento que Oswaldo Trigueiro assumiu o Estado. Em mensagem apresentada à Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba em 1º de junho de 1949, o governador confirma o que chamamos de lema quando relata seus feitos no setor educacional no território paraibano:
Em dois anos o Estado criou cerca de 200 novas unidades escolares e aumentou de mais de 500 o numero de professores primários. Se juntarmos a esse acréscimo as 1.000 classes que os municípios devem abrir este ano, e as 670 de ensino supletivo, custeadas pela União, teremos o expressivo total de 2.000 novas classes de ensino elementar em todo Estado [...] no que diz respeito ao ensino médio está sendo
consideravelmente melhorada e ampliada a rede de estabelecimentos do interior do Estado. (ESTADO DA PARAIBA, 1949, p.12-13)
A preocupação do governador da Paraíba concernente à educação, especificamente no que se refere à expansão do ensino, estava, na verdade, sintonizada a um fio condutor mais amplo: as novas determinações indicadas pela Carta Constitucional de 1946, na qual se retomavam anseios de outrora, educação como direito de todos e os poderes públicos como “obrigados a garantir, na forma da lei, a educação em todos os níveis, juntamente com a iniciativa privada” (SHIROMA, 2000, p.29).
Então, consideramos que o destaque dado por Mello (1996, p.127) na seguinte afirmativa “o ensino, em geral, mereceu do governador Oswaldo Trigueiro carinhosa assistência”, apresentada em livro que descrevia investimentos e feitos de alguns governantes da Paraíba relativos ao ensino, não passou, portanto, de uma obrigação política do administrador do Estado para aquele momento. Ao invés de se atribuir uma iniciativa governamental a sentimentos de bondade é preciso, nesse sentido, começar a desconstruir as considerações engessadas sobre determinados políticos como benfeitores de obras públicas, uma vez que muitas dessas obras além de estarem compondo um arcabouço de obrigações determinadas em lei, fazem parte de um conjunto de interesses, e muitas vezes, reivindicações de diferentes instâncias sociais. Conjunto de interesses estes, reflexos de escolhas e disputas entre grupos políticos, econômicos e da sociedade para realizar determinado investimento público.
Sobre José Américo de Almeida, considerado homem de letras, escritor reconhecido nacionalmente, político de grandes feitos, interessa-nos tecer breves considerações, tendo em vista que muitos já se debruçaram sobre essa tarefa.