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Fonte: Acervo da Fundação Casa José Américo

Natural de Areia, cidade localizada na microrregião do brejo paraibano, em 10 de janeiro de 1887, foi criado pelo tio, padre Odilon Benvindo de Almeida, quando tinha ainda oito anos de idade. Aos doze anos perdeu seu pai. Estudou as primeiras letras em Areia, segundo Maia (1980), com a professora Júlia Verônica dos Santos Leal. Conforme Barbosa (2012), Julia Verônica dos Santos Leal era uma jovem iniciante no ofício docente e filha de um tio-avô de José Américo.

No período em que ficou sob a tutela do seu tio “recebeu uma educação austera e rígida” (MILANEZ, 1991, p.91) e como ele próprio destacou, seu tio “não tomava liberdade com os sobrinhos” (ALMEIDA, 1976, p.87), o que, provavelmente, influenciou para a formação de uma personalidade considerada rígida, como destacou Camargo (1984).

Apesar de José Américo ter afirmado em um de seus escritos não “tenho sido um bom estudante” (ALMEIDA, 1994, p. 1994) sua trajetória estudantil divulgada por historiadores e memorialistas locais (CORRÊA, 1984; MAIA, 1980; MILANEZ, 1991; BARBOSA, 2012) foi descrita como bem sucedida, do ponto de vista profissional e homem público que se tornou.

Sobre essa trajetória estudantil é interessante destacar que, ainda jovem, José Américo foi levado pelo tio religioso para o Seminário com a finalidade de dar continuidade à formação/vocação religiosa no seio da família. Após três anos, insatisfeito com a possibilidade de tornar-se padre, abandonou o Seminário e ingressou no Lyceu Parahybano. Como Oswaldo Trigueiro, o jovem natural de Areia estudou na

Faculdade de Direito no Recife, onde se bacharelou no ano de 1908. Diz Milanez (1991) que esse foi o coroamento de sua carreira estudantil.

Para Corrêa (1984), José Américo recebeu forte influência intelectual de seu irmão, cujo hábito de leitura era permanente e com quem morou enquanto assumira como promotor a comarca de Guarabira. Graças a essa influência, passou a fazer grandes investimentos na aquisição de obras clássicas da literatura portuguesa e de outras nacionalidades, podendo ser esse passo o início da tão reconhecida carreira como “um literato de extremo valor e um político de talento” (CASTELO BRANCO, 2005, p. 162). Nos escritos de José Américo, podemos facilmente encontrar sua atração pelas letras, e, de certa forma, a influencia do irmão nesse sentido, como nos termos que se seguem:

Minha vida teve muitas direções: acompanhou-me, porém, uma constante, qualquer que fosse o caminho percorrido. Uma exigência da própria natureza que, não se afeiçoando a outros prazeres, se recreava nos livros, adquiriu a paixão da leitura e concebeu muito cedo a ânsia vã de criar.

Começou por uma ingênua profecia. Eu era menino de engenho e, numa tarde de domingo, meu irmão mais velho me levou a cavalo pelas casas dos moradores espalhados no sítio. Parávamos em cada terreiro e ele mandava que me perguntassem o que era que eu queria ser. Ensinado, eu ia dando a resposta, sem saber o que dizer: homem de letras. (ALMEIDA, 2008, p. 19)

Tornou-se, portanto, homem de letras, escrevendo várias obras, sendo algumas delas as seguintes: Reflexões de um Cabra (1922); A Paraíba e seus problemas (1923); A Bagaceira (1928); O Ciclo Revolucionário do Ministério da Viação (1934); O Boqueirão (1935); Coiteiros (1935); Secas do Nordeste (exposição na Câmara Federal - 1935); Ocasos de sangue (crônica - 1954); Discursos do seu tempo e A palavra e o tempo (1965); O ano do Nego (1968); Eu e Eles (1970); Quarto minguante (1973); Antes que me esqueça (1976); Sem me rir, sem chorar (1984). Em decorrência da publicização dessas obras, foi reconhecido como romancista regionalista, principalmente com A bagaceira, e historiador, como alertou José Honório Rodrigues ao apresentar a terceira edição de A Paraíba e seus problemas. Nessa apresentação, dizia Rodrigues (1980, p. 17):

‘A Paraíba e seus problemas’ é um livro exemplar, pela qualidade das pesquisas, pela correção metodológica, pela capacidade crítica, pela informação bibliográfica pelo uso das fontes, até mesmo relatório de

presidentes de Província e discursos no Parlamento- o que não era usual na época - , pela elaboração do Plano sistemático, ordenado, orgânico, e pelo resultado obtido, frutífero, cheio de originalidade e novidades, não atuais, mais sobretudo interpretativa.

Como homem público assumiu vários cargos, dentre estes podemos ressaltar os que seguem: Promotor de Justiça da cidade de Souza e Guarabira (respectivamente em 1909-1911) Procurador Geral do Estado (1922); Secretário de Segurança e Assistência Pública do governo de João Pessoa (1928); Interventor do Estado e Chefe do Governo Central do Norte (1930); Ministro da Viação e Obras Públicas (1930-1934/ 1953-1954); Ministro do Tribunal de Contas da União (1935); Senador pela Paraíba (1947); Governador do Estado da Paraíba (1951-1953/1954-1956).

Como governador da Paraíba, teve seu primeiro mandato em 1930, passando apenas cerca de dois meses. No segundo mandato foi eleito no ano de 1950, vencendo um antigo companheiro que dividiu com ele a liderança do diretório da UDN na Paraíba nos anos 1940, como já mencionamos, qual seja: Argemiro de Figueiredo, nome de relevância na política paraibana, que já ocupara o cargo de Interventor do Estado durante o período de 1935 a 1939. Na ocasião em que saiu como candidato ao governo do Estado José Américo de Almeida já se encontrava desintegrado da UDN, estando coligado ao PSD. O desligamento do escritor e político areiense da UDN decorreu de sua própria decisão em função de acirrados conflitos16 entre ele e Argemiro desde as eleições para governador da Paraíba em 1947.

Apoiado por Getúlio Vargas, candidato eleito a Presidência da República pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), José Américo e João Fernandes de Lima foram eleitos pelo povo “em 03 de outubro de 1950, com 147.093 votos, [...] a Aliança Republicana representada por Argemiro de Figueiredo e Renato Ribeiro Coutinho recebeu111.152 votos” (BARBOSA, 2012, p. 173).

Sobre seu governo (1951-1956) é importante evidenciar que recebeu destaque, não somente nos escritos de memorialistas locais como nos jornais que circulavam no período como: o próprio jornal do governo “A União” e o Jornal de Campina Grande, que era dirigido por William Ramos Téjo, que assumia uma posição contrária à administração estadual. Na atividade contra as secas que assolavam o Estado nos anos de 1951 e 1952, digamos que foi retomado para José Américo, mediante estes veículos de comunicação, o emblema de combatente das secas, posto no imaginário popular no

ano de 1932, quando o Estado passava por mais uma castigada estiagem e ele era ministro, realizando batalha contra esse problema. Dentre as medidas tomadas por José Américo frente a essa problemática durante o seu governo, destaca-se, segundo Barbosa (2012), a autorização de construção de açudes e barragens, a exemplo da construção do açude “Espinho Branco”, no município de Patos e os açudes de Boqueirão, localizado na época no município de Cabaceiras, e de São Gonçalo, pertencente ao município de Sousa.

De acordo com Chianca (1987), outros investimentos foram realizados pelo governo de José Américo na Paraíba no que concerne às obras públicas, sendo estes: abastecimento de água em algumas cidades; instalação de energia elétrica; criação e manutenção de postos de saúde; e construções de estabelecimentos de ensino, obras estas que eram reflexos do nacional-desenvolvimentismo que se disseminava no país.

O campo do ensino, especificamente, conforme Mello (1996), foi uma das suas maiores preocupações, sendo

Disseminador de escolas, construtor de grupos, estimulador de ensino rural, de escolas normais e de comércio, de ginásios e de cursos profissionais, animador da educação artística sem contar o estabelecimento de órgãos técnicos que passaram a orientar e dirigir, experimentalmente, as escolas paraibanas, notabilizou-se sobretudo, na campanha do ensino superior. (MELLO, 1996, p. 128)

Tais ações, na verdade, faziam parte da política educacional do momento, como já indicamos, arraigada por todo o país pelo efervescente anseio de redemocratização e desenvolvimentismo. Não intentamos com essa assertiva retirar uma suposta benfeitoria de José Américo no ramo do ensino, alertamos apenas para as articulações maiores às quais determinados investimentos se vinculam.

No que se refere à implantação do Colégio Estadual de Campina Grande, partimos da compreensão de que três indicativos influenciaram os governantes do Estado à concretização desse feito para o ensino secundário público paraibano, e especificamente campinense. São os que seguem:

a. A política educacional de expansão do ensino secundário público;

b. A demanda populacional de Campina Grande e a reivindicação da elite local; c. A expansão do ensino primário que repercutiu diretamente na necessidade de

Atinente ao primeiro indicativo, como ressaltamos na primeira parte dessa tese, a necessidade de expandir o ensino secundário público brasileiro era discurso recorrente nos anos de 1940, e mais enfaticamente nos anos de 1950. Tal necessidade de ampliação desse nível de ensino no setor público estava articulada, conforme Silva (1969), com os processos de industrialização e o aumento da renda nacional refletidos nas crescentes concentrações urbanas e oportunidades de trabalho no setor terciário. Em mensagem apresentada ao Congresso Nacional o Presidente da República General Eurico Gaspar Dutra na abertura da sessão legislativa evidenciou essa necessidade de expansão para o ensino secundário:

A tendência universal de nossos dias é estender as oportunidades educativas de segundo grau aos adolescentes de todas as camadas sociais, a fim de elevar o padrão médio de cultura geral das populações.

[...] A nossa rede escolar secundária deveria ser pelo menos duplicada, bem como os efetivos do seu corpo docente, para poder atender à crescente procura das novas gerações. Entretanto, quase 7 milhões de jovens brasileiros acham-se prematuramente privados de qualquer influência educativa sistemática. Para corrigir essa situação que, sobre representar grave injustiça social, significa desperdício de vulto do potencial humano do nosso País, pretende o Governo levar avante campanha incentivadora desse nível de ensino, para a qual precisará contar com o apoio e a colaboração do Congresso Nacional. Não bastará, porém, ampliarmos a rede de nossas escolas secundárias. Será preciso, também, estudar o barateamento de suas taxas de matricula, a fim de torná-las mais acessíveis ao maior número possível de adolescentes de todas as camadas sociais. A realização deste imperativo democrático de elevada significação social, exigirá a atuação decidida dos Poderes Públicos, tanto de forma direta, pela criação de ginásios e colégios federais, como indireta e supletiva, mediante convênios com os poderes estaduais e municipais, bem como entidades particulares. (INEP, 1987, p. 160)

Não se pode negar nessa mensagem vestígios do caráter de popularização que já se cogitava à educação nacional. Todavia, anunciar a necessidade de ampliação na rede secundária a todas as camadas sociais não significava ainda a materialização de tal caráter. Vale, portanto, destacar no trecho acima o imperativo da atuação dos poderes públicos tanto na ampliação da oferta do ensino secundário como na acessibilidade por meio do barateio das taxas de matrículas. Outros importantes elementos se sobressaíram na mensagem de Dutra como propulsores da necessidade de expansão do ensino secundário, quais sejam: a oportunidade de elevar o padrão médio de cultura geral das

populações e a demanda populacional em idade escolar de frequentar esse nível de ensino.

Articulado às pretensões do governo federal no que se referem à política do ensino secundário do país, na Paraíba, o governador Oswaldo Trigueiro relatou na sua primeira mensagem no mandato de 1947 a 1950, apresentada em primeiro de julho de 1947 à Assembleia Legislativa e publicada no Jornal A União em dois de julho do mesmo ano, a suposta realidade do ensino secundário no Estado e os anseios de atuação nesse nível de ensino. Na mensagem foi evidenciado que até o ano de 1947, contava o Estado apenas com um estabelecimento de ensino secundário público, o Colégio Estadual da Paraíba, antigo Liceu Paraibano, localizado na capital João Pessoa, como já pontuamos. Para esse governador, se fazia urgente “a criação de novos estabelecimentos em outras cidades, afim de se facilitar a tarefa de dar aos paraibanos, de qualquer zona, iguais possibilidades [de estudo]” (Jornal A UNIÃO, 02/07/1947, p.01).

Reiterando e materializando o que proclamou na mensagem antes citada, o governador Oswaldo Trigueiro em mensagem apresentada à Assembleia Legislativa no ano seguinte (1948) e publicada no Jornal A União em três de junho de 1948, anunciou a criação do Colégio Estadual de Campina Grande.

Torna-se indispensável a ampliação de nossa rêde de estabelecimentos de ensino secundário com a criação de novos colégios pelo Estado [...] Com êsse propósito já determinou o Govêrno a construção do Colégio Estadual de Campina Grande, que também disporá de dois ciclos. (Jornal A UNIÃO, 03/06/1948, p.05).

Eis sem dúvidas mais um passo em prol da educação secundária do Estado da Paraíba. Como pudemos perceber esse passo esteve ligado às pretensões alvitradas pelo governo federal.

Mas, seria somente esse motivo satisfatório para a construção do Colégio Estadual de Campina Grande? Consideramos que essa articulação com as propostas do governo federal foram relevantes nesse feito. Todavia, somente esse indicativo não seria suficiente para ser a cidade de Campina Grande palco da realização desse investimento educacional no nível secundário. Principalmente porque se esse motivo fosse o bastante, naquele momento, entre os fins dos anos 1940 e os anos 1950, muitas cidades brasileiras teriam sido contempladas com colégios públicos de nível secundário, o que não ocorreu como podemos perceber nos estudos desenvolvidos.

Nesse sentido, podemos afirmar que outro motivo corroborou para a realização da implantação do segundo estabelecimento de ensino secundário público da Paraíba na cidade de Campina Grande, a saber: a demanda populacional da cidade. Esse motivo é nosso segundo indicativo à instauração do Gigantão da Prata.

Alguns dados compilados por diferentes instâncias demonstraram um crescimento populacional na cidade de Campina Grande superior ao da capital, João Pessoa, nos anos de 1940 e 1950.

Em estudo que discute o imaginário de progresso em Campina Grande na década de 1950, Montenegro (2004) citando o censo realizado pela Federação das Indústrias da Paraíba (FIEP), ressalta a elevação da população de Campina Grande em relação à população de João Pessoa.

A década de 1950 testemunharia um significativo desenvolvimento da cidade de Campina Grande, cuja população chegara a 173.206 habitantes, enquanto a capital contava com uma população de 119.926 habitantes, segundo censo realizado pela Federação das Indústrias da Paraíba (FIEP), em 1957. Em termos quantitativos, o número de habitantes, de indústrias, e de lojas de comércio, somando-se a sua importância de pólo comercial do algodão, e, nessa década, também do agave, fazia dessa cidade um centro de indubitável crescimento econômico. Sua relevância econômica em relação às demais cidades do Estado da Paraíba era tão evidente que se dizia, à época, que a Paraíba possuía duas capitais, uma administrativa e uma financeira, João Pessoa e Campina Grande, respectivamente. (MONTENEGRO, 2004, p. 70)

Confirmando essa elevação habitacional na cidade de Campina Grande, em um material escrito organizado para divulgação de aspectos geoeconômicos da cidade de Campina Grande no IV Congresso Nacional dos Municípios e baseado nos dados do IBGE, é também ressaltado que:

Em 1950 a população municipal totalizava 173.206 pessoas, com densidade demográfica de 70,4 habitantes por quilômetro quadrado. Campina está em, 1º lugar na relação dos municípios da Paraíba, considerando mesmo a Capital (119.326 hbs.) e é o 13º núcleo municipal de população do País. (ESTADO DA PARAÍBA, 1956, p.03).

O quadro que se segue especifica esse paralelo entre a população dos municípios de Campina Grande e João Pessoa nos anos que estamos tomando como referência.

QUADRO VII

População do município de João Pessoa e de Campina Grande (1940 e 1950)17

CIDADES 1950 1940

João Pessoa 480.956 402.322

Campina Grande 588.721 482.246

Fonte: SkyscraperCity, disponível: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t= 1026255

A partir dos dados populacionais antes apresentados é possível perceber que a população de Campina Grande foi apresentada superior a da capital paraibana nas fontes que lançamos mão, demonstrando, dessa forma, um considerável crescimento habitacional naquela localidade. Apontamos esse aspecto como indicativo à implantação do Colégio Estadual de Campina Grande em consonância com os apontamentos de Silva (1969) quando o mesmo elenca como fatores sociais da expansão do ensino secundário no Brasil as modificações demográficas, entendida por nós como o crescimento populacional em cidades e estados. No trecho que se segue, observamos a referência a alguns aspectos sociais, dentre esses o demográfico como motivadores da expansão do ensino secundário brasileiro.

[...] podemos acompanhar a tendência ao crescimento contínuo e acelerado do ensino secundário brasileiro, indiscutivelmente relacionado com as modificações que se operam então na vida nacional, das quais resultaram profundas mudanças na fisionomia social, econômica e demográfica do país. (SILVA, 1969, p.301-302)

O nosso argumento, de que a demanda populacional é um indicativo para a implantação do Gigantão da Prata, não se acosta apenas nos dados ressaltados anteriormente, na verdade, ganhou sustentabilidade com a seguinte fala do governador da Paraíba, Oswaldo Trigueiro, em mensagem apresentada à Assembleia Legislativa em primeiro de junho de 1949: “Dada a condição de ser Campina Grande, depois da capital, a cidade de maior densidade de população do Estado, o Govêrno iniciou alí a construção do edifício para um Colégio Estadual” (ESTADO DA PARAÍBA, 1949, p.44). Embora

17 É importante especificar que estes dados apresentados no quadro se referem à população municipal, o que significa

que estão inclusos, nesse caso, a população da zona urbana e da rural dessas localidades, bem como os distritos que integravam Campina Grande e João Pessoa nos anos tomados como referência.

a cidade de Campina Grande tenha sido apresentada pelo governador como a segunda mais populosa do Estado, não há o que discutir sobre o aspecto demográfico ter sido explicitamente indicado como justificativa à construção do Colégio Estadual nessa cidade.

Associado a demanda populacional de Campina Grande, a reivindicação da elite local também pode ter reforçado a implantação desse estabelecimento. Além dos grandes comerciantes e das famílias de tradição com forte poder aquisitivo que residiam em Campina Grande, outras famílias se deslocavam, principalmente, do sertão a procura de melhores condições de vida, como atesta o seguinte trecho de Evaldo Cruz, retirado do texto que analisa o planejamento urbano nessa cidade.

A posição de hegemonia que Campina Grande sustentou durante longos anos no interior nordestino, notadamente a partir da década de 40 até a dos anos 60, atraindo levas numerosas de famílias do campo ou de pequenas cidades interessadas na educação das proles ou em melhores oportunidades de vida. (CRUZ, 1980, p.49)

Dentre as melhorias, como observamos no trecho acima, buscava-se educação para seus filhos. Nesse sentido, uma cidade com proporção econômica e de grande demanda populacional não poderia mais ficar sem um estabelecimento de ensino secundário público, já que nesse momento um Colégio Público Secundário ainda sugeria sinônimo de qualidade, como atestou Nunes (2000) em “O ‘velho’ e ‘bom’ ensino secundário: momentos decisivos”. Essa especificidade de famílias relativamente de posses saírem de sua cidade em busca de vida melhor será particularmente discutida mais a frente quando tratarmos do perfil do alunado do Gigantão da Prata.

Ainda é oportuno salientar alguns telegramas de instituições e pessoas influentes acerca da iniciativa da construção do Colégio em Campina Grande, publicados no Jornal A União, na matéria intitulada Colégio Estadual de Campina Grande. Em tais telegramas podemos perceber não apenas a satisfação de alguns, de a cidade passar a ter um grande Colégio Secundário Público, mas principalmente o que essa realização resultaria à cidade na ocasião, e consequentemente para a Paraíba.

Governador Oswaldo Trigueiro – J. Pessoa – Rotary Club Campina Grande congratula-se com v. excia. Feliz iniciativa início construção Colégio Estadual desta cidade, que marcará fase brilhante passagem nobre Governador orientação destinos administrativos Estado. Cordiais Saudações – Antônio Barreto – Secretário.

Governador Oswaldo Trigueiro – Palácio Redenção J. Pessoa – Congratulo-me prezado amigo início construção Colégio Estadual Campina Grande, realização que honra uma administração e define uma inteligência voltada para o bem coletivo. Cordial Abraço – Francisco Brasileiro.”

Governador Oswaldo Trigueiro –J. Pessoa – Auscultando maravilhosa impressão povo campinense, congratulo-me com v. excia. momento são assentadas bases futuro Colégio Estadual desta progressista cidade. Posso afirmar esse ato seu fecundo Govêrno repercutiu simpaticamente meio nossa gente. Cordiais Saudações – José Noujain. (Jornal A UNIÃO, 12/12/1948, p. 01)

Expressões como “marcar fase brilhante”, “realização que honra uma administração e define uma inteligência voltada para o bem coletivo”, “ato seu fecundo Govêrno repercutiu simpaticamente meio nossa gente”, embora ressaltando nitidamente uma exaltação à ação do político Oswaldo Trigueiro, dá-nos margem para perceber nas

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