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3. Case study

3.3. Results

3.3.4. Comparison of video and field data

3.3.4.1. Video data

No desenvolvimento da pesquisa-ação, Thiollent (1998) afirma que o pesquisador pode recorrer a métodos e técnicas de grupo para lidar com a dimensão coletiva e interativa da investigação. Para Bogdan e Biklen (1994), os grupos podem ser úteis por transportar os entrevistados para o seu próprio mundo ou situação.

Consideramos oportuno salientar que a opção por essa estratégia metodológica foi feita, também, em decorrência da experiência da pesquisadora, que possui alguns elementos facilitadores na condução de grupo, e da orientadora dessa pesquisa, cuja formação em Dinâmica de Grupo muito contribuiu nos encontros grupais, assim como no processo de análise dos dados que emergiram nessas ocasiões. A esse respeito, temos total convicção que para se desenvolver uma proposta, na qual se pretende utilizar

técnicas dessa natureza, são fundamentais a experiência e a formação do pesquisador no manejo grupal, pois exige flexibilidade na atuação, sem colocar opiniões próprias ou influenciar o grupo para interesse próprio, procurando garantir a legitimidade do conteúdo que está sendo expresso.

Em relação à delimitação do campo observado, para exercer um efeito conscientizador e mobilizador em torno de uma ação coletiva, a pesquisa deve abranger o conjunto da população que será consultada sob a forma de questionários ou de discussões em grupo, considerando-se, todavia, o seu tamanho e a viabilidade deste procedimento (THIOLLENT, 1998).

Sabemos que em grupo há maiores possibilidades de superar posições individualistas, pois à medida que se promove o diálogo entre as pessoas, a reflexão é praticamente decorrente deste processo. Minayo (1994) refere que a utilização desse tipo de técnica é bastante adequada à abordagem de grupos sociais atingidos coletivamente por fatos ou situações específicas revelando a intercomunicação.

Para o caso particular deste estudo, considerando o pequeno número de participantes que fariam parte da nossa população e que as técnicas de coleta de dados realizadas através de encontros grupais têm em comum a interação do pesquisador e seus membros, vimos que este recurso se constituiria num meio adequado e viável para obtenção das informações.

Vale acrescentar que ao utilizarmos o grupo como técnica de pesquisa, estamos nos fundamentando nos pressupostos dos processos grupais, de forma que os dados coletados através dele tenham consistência e fidedignidade, compreendendo que tais conceitos são fundamentais ao bom desempenho da investigação. Daí a importância do pesquisador ter

conhecimento específico e domínio no manejo grupal, tornando-se fundamental apreender as forças, impulsivas ou restritivas, que gravitam no interior do grupo, mesmo que este seja apenas para finalidade de pesquisa, pois os sujeitos estarão em interação contínua, o que envolve, inevitavelmente, sentimentos, percepções, valores e conhecimentos próprios de cada um (MUNARI; ESPERIDIÃO; MEDEIROS, 2001). Estas idéias nos fazem entender um grupo enquanto processo vivo e único que pode gerar situações nem sempre possíveis de serem previstas.

Ressaltamos ainda que, os encontros grupais organizados para esta investigação se valeram dos pressupostos que orientam as discussões em grupo, que podem receber denominações diferentes de acordo com os estudiosos da área. Assim, foram planejados de forma a desencadear o debate acerca dos princípios ético-humanistas, sem, no entanto se constituir das características de grupo focal.

Não se deve considerar a coleta de dados em grupo como apenas uma atividade em que, reunidos alguns sujeitos, solicitamos informações ou que as pessoas façam suas colocações aleatoriamente. É fundamental preservar, nesse contexto, o respeito aos princípios éticos que envolvem a pesquisa com seres humanos, não expondo o grupo a constrangimentos ou mobilizações de sentimentos e emoções sem oferecer o devido suporte, haja vista que estes podem emergir em decorrência da exposição e/ou da percepção do que está sendo discutido e, possivelmente, com alguma ligação às experiências pessoais (MUNARI; ESPERIDIÃO; MEDEIROS, 2001).

Nessa linha de raciocínio, alguns aspectos precisam ser levados em conta para sua melhor otimização, ainda que a utilização do grupo seja pontual

e específica para a pesquisa, onde o encontro é intencional, planejado, estruturado e com objetivo definido para coleta de dados. A este respeito, as contribuições de Kurt Lewin acerca do desenvolvimento de pequenos grupos merecem ser ponderadas: o grupo constitui o terreno sobre o qual o indivíduo se mantém; o grupo é para o indivíduo um instrumento, o que significa dizer que o individuo utiliza o grupo e as relações sociais que mantém com ele como meio para satisfazer suas necessidades psíquicas ou aspirações sociais; o grupo é uma realidade da qual o individuo faz parte, mesmo aqueles que se sentem ignorados, isolados ou rejeitados e por fim, o grupo é para o indivíduo um dos elementos ou dos determinantes de seu espaço vital (MAILHIOT, 1981).

Diante da complexidade de se trabalhar com os fenômenos grupais, Munari e Rodrigues (1997) ao abordarem os quesitos que consideram importantes para a pesquisa que envolve grupos, destacam que o domínio na coordenação de grupos pode ser um dos fatores responsáveis pelo sucesso ou fracasso da atividade, uma vez que o tipo do vínculo estabelecido entre o coordenador e os elementos do grupo, pode influenciar o seu processo. Assim, o pesquisador durante os procedimentos de coleta de dados deve procurar, por meio da aproximação com o grupo, estabelecer vínculo de modo a tornar o encontro produtivo e desenvolver interações satisfatórias, pois, sabemos que, as relações estabelecidas entre seus membros influenciam, sobremaneira, o funcionamento grupal.

No sentido de facilitar o processo de captação dos dados, cabe ao coordenador do grupo, aqui compreendido como o responsável pela pesquisa, criar um clima propício ao desenvolvimento da atividade, assumindo a tarefa de

mediador da discussão e ficando atento para que as expressões individuais sejam espontâneas, evitando interpretações desnecessárias sobre o conteúdo discutido. Seu papel é ajudar o grupo a expor suas percepções, opiniões sobre o tema, sem interferir no conteúdo das falas, garantindo assim a fidedignidade das informações (MUNARI; ESPERIDIÃO ; MEDEIROS, 2001).

Tais considerações ratificam a importância do coordenador ter conhecimento sobre a dinâmica grupal, experiência na condução de grupos, embasamento teórico que fundamente sua prática na observação e análise da conjuntura grupal para reconhecer obstáculos e possíveis resistências e apreender a dinâmica do grupo e suas necessidades, sem deixar de atender os objetivos concernentes à coleta de dados.

Lembrando as características da pesquisa-ação já delineadas nesse estudo, especialmente aquelas que prevêem algumas situações onde não se pode dispensar a colaboração de outras pessoas, contamos com a participação de um especialista na medida em que identificamos a necessidade de elucidação do grupo acerca dos princípios do referencial humanista, fundamentais para o embasamento das discussões, cuja percepção foi também confirmada pelos próprios participantes. Desta forma, no sentido de trazer à tona alguns conhecimentos necessários à discussão do tema, planejamos um encontro com um profissional com formação na área da filosofia, teologia e psicologia que teve como finalidade primeira ampliar, esclarecer e/ou refletir suas implicações na prática docente. O detalhamento e frutos desta ocasião serão oportunamente apresentados.