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As colunas policiais publicadas em dois jornais de grande circulação no período apresentam variações ao longo do tempo. O “Diário de Minas”, órgão do Partido Republicano Mineiro (PRM) desde 1899, dedicou, no início da década de 1920, alguns pequenos espaços para anúncios de prisões ou queixas prestadas à polícia. Ao longo de toda a década de 1920, o jornal procurou reservar uma coluna específica para o assunto que, em meio às notas esparsas, fixou-se de forma variada e sob diferentes títulos como “Pequenas ocorrências”, “Pequenos casos de polícia”, “Pela polícia”, “Ocorrências policiais”, “Notas policiais”, “Pequeno arquivo policial” e, em seus três últimos anos de existência, recebeu a epígrafe de “Policiais”. Essas colunas apareciam, frequentemente, na segunda ou na terceira página do jornal, que era composto por quatro páginas.

Já o jornal “O Estado de Minas”, inaugurado em 1928, publicou, desde o começo, notas de prisões, queixas e denúncias referentes a “casos de polícia”. No seu terceiro mês de circulação, essas notícias concentraram-se numa coluna impressa entre a sexta e a oitava página de cada edição e cujo nome, “Na polícia e nas ruas”, perdurou até 1930, quando deixa de ser publicada.198 Isso não quer dizer, todavia, que a coluna foi publicada diariamente desde sua aparição. Há várias ocasiões, no período consultado, em que notas isoladas sobre crimes e prisões foram publicadas e outras em que não houve referência alguma ao assunto. Após esse período, a coluna ainda foi publicada algumas poucas vezes.

Com a leitura dos jornais no período de 1920 a 1934, observei uma tendência de desaparecimento da coluna em períodos conflituosos dos processos políticos partidários locais e nacionais. Durante o período de discussão a respeito dos sucessores da presidência do Brasil, entre 1921 e 1922, o “Diário de Minas” publicou diversos discursos em defesa de Arthur Bernardes, em detrimento de Nilo Peçanha. Entre 1922 e 1926, período marcado tanto por conflitos políticos interestaduais envolvendo Minas Gerais, quanto pelo mandato presidencial de Artur Bernardes, a coluna policial ora desaparece ora se mantém fixa. Em 1924, por exemplo, ela surge sob o nome de “Notas Policiais”, já durante alguns meses de 1925 e 1926, após um período de ausência, a coluna volta a ser publicada com o nome de “Ocorrência Policial”.199 Nesse período as notas são muito diretas, relatando, basicamente, o

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Em alguns períodos a coluna foi publicada na página dez, quando tratava-se da edição de domingo. Em outros, chegou a ser publicada na página 12.

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Esse período é marcado por uma tensão política muito grande, que gerou vários movimentos e conflitos armados, como a movimentação tenentista, a Coluna Prestes, disputas de fronteiras de Minas com a Bahia, entre outros.

nome da mulher presa, o motivo e o guarda responsável pelas prisões. É claro que a ausência da coluna não significa uma ruptura nos trabalhos da polícia, mas, provavelmente, um rearranjo momentâneo nas relações entre os repórteres e as delegacias, ou uma inflexão na política editorial do jornal.200

“O Estado de Minas”, por sua vez, criou um modelo de interlocução com os seus leitores, ao se declarar desvinculado do PRM, tornando-se, logo, agraciado por grupos liberais insatisfeitos com as negociações políticas dos partidos republicanos mineiro e paulista.201 A publicação da coluna “Na polícia e nas ruas” passou por uma inflexão logo após os conflitos armados em decorrência do levante da “Aliança Liberal” e do movimento que depôs Washington Luís e sustentou a criação de um Governo Provisório.202 De outubro de 1930 a meados de 1931 a coluna foi publicada algumas vezes sendo, então, extinta da política editorial do jornal.203 Apesar dessa alteração nas políticas de publicação da coluna policial e da inflexão no tratamento dado pelos relatórios de polícia ao “problema” da prostituição – como argumentado no capítulo anterior – não há nada, na documentação consultada, que aponte para uma alteração imediata das políticas de policiamento ou do funcionamento das delegacias, após o fim dos conflitos de outubro de 1930.

Ocorreu, por outro lado, após setembro de 1932, uma série de conflitos entre policiais militares, guardas-civis e soldados do exército que ocupavam a capital, o que sugere uma tensão no que diz respeito à legitimação do policiamento civil na cidade.204 Esses conflitos também podem ser observados sob a perspectiva de um processo de transformação da

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É instigante, contudo, observar que justamente nesse período há também uma lacuna nos relatórios da Chefia de Polícia de Minas no acervo do Arquivo Público Mineiro. É possível que os diferentes conflitos políticos vividos naquele momento tenha deixado em suspenso algumas práticas comuns do jornal oficial do Partido Republicano Mineiro e da Secretaria de Polícia. Castro (1997) indica que até meados da década de 1920 era muito comum nos jornais a divulgação de textos e plataformas políticas, participando ativamente do debate público no Estado.

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ANTUNES, 1995.

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Boris Fausto (1997) argumenta que a “Revolução de 1930” foi um processo surgido em meio aos conflitos políticos regionais, envolvendo o questionamento do regionalismo (1997, p. 122-123). Segundo ele, “a Aliança era uma coligação de oligarquias dissidentes” (p. 128). O autor adverte, ainda, que o papel do tenentismo nesse processo deve ser entendido na sua dinâmica interna e não como uma defesa de valores das classes médias (p. 80-81). Nesse sentido, Fausto defende que não se pode confundir a Aliança Liberal com os movimentos que depuseram Washington Luis (p.134).

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Com vimos a coluna foi publicada mais algumas vezes, não se fixando, porém, no plano editorial do jornal no período estudado.

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Ver notícias de conflitos entre policiais e exército publicadas n’O Estado de Minas, “A zona boêmia da cidade esteve ontem em polvorosa”, 05/10/1932, p. 6; “Ligeiro conflito na zona boêmia – entre policiais e soldados do exército”, 25/10/1932, p. 8; e “Belo Horizonte transformada em vasto campo de batalha”, 28/10/1932, p. 6.

organização policial e das políticas de policiamento urbano. Em outubro de 1929 o secretário de Segurança, Bias Fortes, pediu exoneração, mesmo contra a vontade do presidente Antônio Carlos, e o cargo passou a ser ocupado por Odilon Braga.205 Em meio aos conflitos de outubro de 1930, ocorreu a vinculação do Serviço de Investigações à Secretaria do Interior, que havia incorporado os serviços das Secretarias de Segurança Pública e da Justiça em setembro daquele ano.206 Em novembro de 1930 Gustavo Capanema passou a ocupar o cargo de Secretário do Interior, assumido, logo depois, por Álvaro Baptista de Oliveira.207 Esse processo de transformação da administração foi uma importante inflexão nas formas de organização das práticas policiais, que experimentou movimentos lentos até a década de 1940.208

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