• No results found

2.3 Results and Discussion

2.3.2 Vertical Structure of the Eddy

É extremamente relevante o enfoque setorial para a compreensão das atividades inovativas, uma vez que as indústrias apresentam comportamentos diferenciados em relação à mudança técnica. Como a inovação ocorre no nível das firmas, o setor a que estas pertencem ajuda a moldar essa mudança tecnológica ao impor dadas oportunidades de geração de inovações, bem como as condições concretas para realizá- las.

Para compreender essa diversidade de performances tecnológicas por setor, a taxonomia desenvolvida por Pavitt (1984) tornou-se uma referência obrigatória para indicar as diferenças dos regimes tecnológicos de cada indústria. Nos próximos itens serão analisados processos inovativos ao nível setorial, dentro da configuração da taxonomia de Pavitt, como forma de compreender melhor as assimetrias inovativas de cada setor industrial dos diferentes portes.

Neste capítulo, a apresentação dos dados setoriais se dará em conformidade com a Classificação Nacional das Atividades Econômicas, CNAE 2.0, e os grupos setoriais serão apresentados a dois dígitos, mas somente setores das “Indústrias de Transformação” foram incluídos neste trabalho, assim como na quase totalidade da análise anterior.

A análise da atividade inovativa dentro da estrutura da indústria brasileira e, em específico as “Indústrias de Transformação”, será realizada com o intuito de revelar a

importância da mudança técnica para cada setor, além de delinear a performance inovativa de cada indústria dentro de cada grupo taxonômico. Essa discussão será feita por meio de indicadores tecnológicos já utilizados na seção 2.2 e quando necessário, outras informações sobre os índices poderão ser apresentadas antes da análise dos dados.

Em seguida, medidas de esforço tecnológico serão utilizadas como importante indicador da caracterização setorial da atividade inovativa. As medidas de esforço utilizadas serão similares às apresentadas no item 2.2.

2.3.1- Caracterização setorial da atividade inovativa das PMES

O objetivo desta seção é apresentar indicadores de inovação por porte de empresa (PMEs e GEs) e por setor de atividade. Essa caracterização do processo de inovação tecnológica por meio de indicadores, por porte e por setor, é imprescindível para compreender as especificidades setoriais das PMEs brasileiras no que tange à atividade de geração de inovações.

Essa análise será desenvolvida com cruzamento porte e setor apenas para os dados PINTEC-2008, uma vez que para os dados PINTEC-2011 isto não é possível, por restrições do IBGE, conforme já salientado. Esses dados serão organizados via taxonomias que apresentam as assimetrias, ou seja, as semelhanças e diferenças que existem entre os grupos de setores no que tange à atividade inovativa e os regimes tecnológicos de cada indústria, entendidos como: (1) as oportunidades tecnológicas; (2) a capacidade de apropriação dos resultados da inovação; (3) a dependência do desenvolvimento tecnológico corrente em relação ao conhecimento tecnológico existente.

Segundo Dosi et al. (1990), a taxonomia mostra que o processo de geração de inovações apresenta importância diferente para cada indústria, revelando assimetrias entre os grupos de setores, e mostrando que indicadores tradicionais, como patentes ou P&D interno, podem não ser significativos para todo e qualquer setor.

O próprio conceito de setor tem como função reunir empresas ou atividades que apresentam elementos em comum. Conforme Vermulm (1996), setores distintos tem sua atividade inovativa condicionada de forma diferente pelo mesmo ambiente econômico, regulatório etc., consequentemente, respondem de forma específica a estes estímulos. Isso significa dizer que os setores apresentam oportunidades tecnológicas diferentes, assim como distintas condições de cumulatividade e apropriabilidade do processo de mudança técnica.

A segunda parte trará um fundamental indicador de mudança tecnológica, que são as medidas de esforço inovativo. Serão apresentadas mensurações de esforço tecnológico, tais como os gastos em atividades inovativas em relação ao faturamento e a relação entre mão-de-obra de nível superior dedicada às atividades de pesquisa e

desenvolvimento, frente ao total de pessoal ocupado no setor. Os indicadores de esforço permitem compreender para quais setores ocorre o direcionamento de recursos para pesquisa e desenvolvimento.

Além disso, a relação do gasto em P&D frente à receita líquida de vendas é um indicador importante a respeito da maior ou menor relevância deste esforço para as indústrias analisadas. Embora as PMEs de forma geral, e mesmo as grandes empresas no caso brasileiro, centrem seus esforços em outras atividades inovativas que não formalmente P&D, não se pode perder de vista a relevância do gasto em P&D para avaliação da atividade inovativa. Este indicador (P&D/faturamento) capta uma importante parte do esforço empreendido pelas empresas em cada setor.

2.3.2- Fatos estilizados dos padrões setoriais das PMEs industriais inovativas brasileiras, conforme taxonomia de Pavitt

Os setores, classificados conforme o CNAE a dois dígitos, serão tratados conforme a nomenclatura apresentada na tabela 2.15, sendo que serão organizados conforme taxonomia pavittiana sem, contudo, perder de vista o conteúdo tecnológico que implica participar de cada um destes agrupamentos, descrito na classificação da OECD.

O conjunto de dados acerca das firmas da Indústria de Transformação, tabela 2.14, revela que 98,3% são PMES e os restantes 1,7% correspondem a empresas de grande porte. Do universo de empresas de pequeno porte 46,79% são firmas pertencentes ao padrão “dominados por fornecedores”, que engloba o maior número de PMEs, seguido de perto pelo grupo taxonômico dos “intensivos em escala”, que congregam 37,72% das empresas. As demais taxonomias assim se compõem: “fornecedores especializados” com 8,05% e, “baseados em ciência”, com 7,44% das empresas de pequeno e médio porte.

Tabela 2.14 – Participação de empresas na amostra, por porte e segundo padrões setoriais Padrões Setoriais

Total por Porte e Agrupamento/Participação no Total

PMEs PMEs GEs GEs

Indústria de Transformação 96.792 1.627

Dominados por Fornecedores 45.290 46,79% 393 24,15%

Intensivos em Escala 36.509 37,72% 870 53,47%

Fornecedores Especializados 7.787 8,05% 107 6,58%

Baseados em Ciência 7.206 7,44% 257 15,80%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

A partir do cruzamento dos dados da tabela 2.14 com a tabela 2.15 é possível concluir que 84,51% das empresas de pequeno e médio porte da amostra pertencem aos

agrupamentos “dominados por fornecedores” e “intensivos em escala31” e são de baixa ou média-baixa tecnologia. As empresas de grande porte somam 77,61% de firmas da amostra nestas mesmas taxonomias apresentando, portanto, também, baixa ou média- baixa tecnologia. Há, de acordo com esses dados, pouca diferença de conteúdo tecnológico entre PMEs e GEs na indústria de transformação, onde predominam empresas de baixo ou médio baixo grau tecnológico, conforme conceito da OECD (2001), sendo a diferença imputada ao percentual (18,91%) de empresas de grande porte na taxonomia “baseados em ciência” frente às PMEs (10,33%).

Das empresas de pequeno e médio porte da amostra (vide tabela 2.15), apenas 37,85% desenvolveram algum tipo de atividade inovativa, no período analisado, enquanto que 72,28% das empresas de grande porte realizaram algum tipo de inovação. Quando analisado por padrões setoriais, conforme tabela 2.16, o maior volume de empresas inovadoras de pequeno e médio porte encontra-se nos agrupamentos “dominados por fornecedores” e, em seguida, “intensivos em escala”’, enquanto as grandes empresas apresentam maior concentração numérica no padrão setorial “intensivo em escala”, seguido de perto pelos “dominados por fornecedores” e “baseados em ciência”.

Tabela 2.15 – Participação das firmas inovadoras, segundo porte e padrões setoriais

Padrões Setoriais

Total de Empresas Inovativas por Porte e Agrupamento/Participação no Total das Inovativas32

PMEs PMEs GEs GEs

Indústria de Transformação 36.63233 37,85% 1.17634 72,28% (100%)

Dominados por Fornecedores 15.915 43,45% 271 23,09%

Intensivos em Escala 13.579 37,07% 599 50,95%

Fornecedores Especializados 3.355 9,16% 83 7,06%

Baseados em Ciência 3.783 10,33% 222 18,91%

Soma dos Padrões Setoriais 100% 100%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

31

Apesar de parecer uma contradição em termos uma vez que as empresas de pequeno e médio porte não apresentam escala para caracterizar de forma tradicional o “intensivo em escala”, optou-se por manter a nomenclatura original de Pavitt (1984), conforme já salientado.

32

Para a indústria de transformação como um todo, o percentual revela a proporção de empresas inovativas sobre o total de firmas deste grupo. A soma de todos os padrões setoriais por porte é igual a 100%.

33

Número de empresas da indústria de transformação, conforme tabela 2.2, que representa inovação de produto & de processo, tanto para PMEs quanto para GEs.

34

Tabela 2.16 – Setores classificados conforme CNAE a dois dígitos – por padrões setoriais e por tecnologia Setor - nomenclatura CNAE CNAE nomenclatura deste Setor -

trabalho Padrão Setorial - conforme Pavitt (1984) Classificação baseada na tecnologia - OECD INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO C

FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS 10 Produtos Alimentícios Intensivos em Escala Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE BEBIDAS 11 Bebidas Intensivos em Escala Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DO FUMO 12 Produtos de Fumo Intensivos em Escala Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TÊXTEIS 13 Produtos Têxteis Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia CONFECÇÃO DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO E

ACESSÓRIOS 14 Confecção Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia PREPARAÇÃO DE COUROS E FABRICAÇÃO DE

ARTEFATOS DE COURO, ARTIGOS PARA VIAGEM E CALÇADOS

15 Artigos de Couro e Calçados Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE MADEIRA 16 Produtos de Madeira Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE CELULOSE, PAPEL E PRODUTOS

DE PAPEL 17 Celulose e Papel Intensivos em Escala Baixa Tecnologia IMPRESSÃO E REPRODUÇÃO DE GRAVAÇÕES 18 Editoração Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE COQUE, DE PRODUTOS

DERIVADOS DO PETRÓLEO E DE BIOCOMBUSTÍVEIS

19 Fabricação de Coque e Refino de Petróleo Intensivos em Escala Média-baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS 20 Produtos Químicos Baseados em Ciência Média-alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS FARMOQUÍMICOS E

FARMACÊUTICOS 21

Produtos Farmo-

químicos Baseados em Ciência Alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA E DE

MATERIAL PLÁSTICO 22 Artigos de Borracha e Plásticos Dominados por Fornecedores Média-baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE MINERAIS NÃO-

METÁLICOS 23

Produtos de Minerais

não Metálicos Intensivos em Escala

Média-baixa Tecnologia METALURGIA 24 Metalurgia Intensivos em Escala Média-baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE METAL, EXCETO

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 25 Produtos de Metal Intensivos em Escala

Média-baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE

INFORMÁTICA, PRODUTOS ELETRÔNICOS E ÓPTICOS

26 Material Eletrônico/Informática Baseados em Ciência Alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE MÁQUINAS, APARELHOS E

MATERIAIS ELÉTRICOS 27 Materiais Elétricos Baseados em Ciência

Média-alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 28 Máquinas e Equipamentos Fornecedores Especializados Média-alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES,

REBOQUES E CARROCERIAS 29 Veículos Intensivos em Escala

Média-alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE OUTROS EQUIPAMENTOS DE

TRANSPORTE, EXCETO VEÍCULOS

AUTOMOTORES 30

Equipamentos de

Transporte* Baseados em Ciência Alta Tecnologia FABRICAÇÃO DE MÓVEIS 31 Móveis Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DIVERSOS 32 Indústria Produtos Diversos Dominados por Fornecedores Baixa Tecnologia MANUTENÇÃO, REPARAÇÃO E INSTALAÇÃO DE

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 33 Instrumentação Fornecedores Especializados Alta Tecnologia

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PIA (2008); Pavitt (1984); OECD (2001)35.

35

O setor de equipamentos de transporte possui segmentos de alta tecnologia, aeronaves e espaçonaves; de média-alta tecnologia, equipamentos de Ferrovias e outros equipamentos de transporte; e de média-baixa tecnologia, naval.

O figura 2.1 apresenta a composição dos padrões setoriais das pequenas e médias empresas inovativas em termos de quantidade. É possível observar que, em relação ao total de firmas inovativas, existe um número maior de firmas de pequeno e médio porte relativamente às grandes para os agrupamentos "dominadas por fornecedores" (43,45% para PMEs e 23,09% para GEs), seguidos pelas firmas "fornecedores especializados" (9,16% para as PMEs frente a 7,06% para as GEs), o que está de acordo com apresentado por Pavit (1984) e Dosi et al. (1990), em que é preponderante o porte pequeno para esses agrupamentos.

Figura 2.1 – Composição dos agrupamentos das PMEs inovativas brasileiras industriais

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

2.4- Indicadores de inovação tecnológica para PMEs industriais