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4.2 Data and Methods

4.2.3 Statistical Analysis

Para o esforço de caracterização da atividade inovativa das empresas industriais brasileiras via o emprego de procedimentos descritivos, com base nos dados da PINTEC-2008 e da PINTEC-2011, empregaram-se fatores distintivos das empresas inovativas no intuito de identificar as especificidades dos padrões de inovação e seus determinantes relativos ao porte.

Outro fator a ser analisado são as formas de conhecimento externo como fonte significativa para a atividade de inovação das empresas de menor porte, uma vez que inovações derivadas de atividades desenvolvidas em empresas de pequeno e médio porte não se originam, necessariamente, de atividades formais de P&D (ARCHIBUGI,

2.2.1- Inovações por porte das empresas segundo PINTEC 2008

Os dados da PINTEC-2008 ora analisados refletem o perfil da inovação no Brasil conforme porte da empresa19. As tabelas 2.1 e 2.2 irão permitir uma caracterização geral da taxa de inovação, bem como do esforço inovativo das empresas industriais brasileiras por porte. Nas tabelas 2.3 a 2.6 serão trabalhadas algumas diferentes fontes de conhecimento técnico que dão suporte às atividades de inovação: P&D interno; gastos em aquisição de máquinas e equipamentos e P&D externo, entre outros coeficientes analíticos.

Será apresentado inicialmente o indicador taxa de inovação que reflete o percentual de empresas que implementaram inovações frente ao total da amostra, para o conjunto de indústrias de extração e de transformação20.

Tabela 2.1 – Inovação das empresas industriais brasileiras segundo porte – PMEs x GEs21

Porte No. Empresas

Empresas inovaram produto e/ou processo Empresas inovaram marketing & organização Taxas de Inovação produto & processo Taxas de Inovação marketing & organizacional

(A) (B) (C) (B)/(A) (C)/(A)

PMEs 98.836 37.105 34.816 37,54% 35,23% GEs 1.660 1.194 320 71,90% 19,27% Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

As empresas de grande porte são decisivamente as que mais inovaram no período 2006- 2008, apresentando taxa de inovação (produto, processo) igual a 71,9%, já as PMES apresentaram uma taxa de 37,5%. Destaque para as PMEs é a taxa de inovação referente às atividades de marketing e de organização que ficam em 35,2% frente a menos de 20% das GEs (tabela 2.1).

Enquanto as empresas de grande porte denotam maior eficácia na geração de inovações de produto e processo do que suas competidoras de menor porte, estas últimas apresentam maior inovatividade na introdução das inovações tecnológicas de marketing e no desenvolvimento de novos métodos organizacionais.

19

Para uma boa análise descritiva da inovação por porte, segundo os dados da PINTEC-2008, ver Maia (2012). A base de dados aqui utilizada é a mesma que originou a Dissertação de Mestrado do referido autor.

20

Doravante será utilizado o termo indústria ou empresas para fazer menção a indústria de transformação e extração ou às empresas que a compõem, nas seções 2.2.1 e 2.2.2.

21

Nos quadros das seções 2.2.1 e 2.2.2 os valores referem-se ao total de indústrias extrativas e de transformação apresentados neste formato nas tabelas por porte, da Pesquisa de Inovação Tecnológica 2008 e 2011, publicada pelo IBGE.

Tabela 2.2 – Inovação das indústrias de transformação brasileiras segundo porte – PMEs x GEs Porte Empresas No. Empresas inovaram

produto Empresas inovaram processo Empresas inovaram produto e/ou processo Taxas de Inovação produto Taxas de Inovação processo Taxas de Inovação Produto e/ou Processo

(A) (B) (C) (D) (B)/(A) (C )/(A) (D )/(A)

PMEs 96.792

21.847 30.746 36.632 22,57% 31,77% 37,85%

GEs 1.627

902 1.046 1.176 55,43% 64,29% 72,25% Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

Quando tratamos exclusivamente das indústrias de transformação, temos uma taxa de inovação de produto/processo um pouco mais elevada de 37,85% para as PMEs. Além disso, a tabela 2.2 revela uma maior disposição das indústrias de pequeno e médio porte para inovação de processo frente a de produto que é 40% maior, enquanto para as grandes indústrias é apenas 15% a mais.

Tabela 2.3 – Esforços inovativos totais das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs Porte No. Emp. Pesquisadas Gastos Inovativos Receita Líquida de Vendas Inovativo Esforço

(A) (B) (C)

PMEs 29.531 14.706.155 544.197.651 2,7%

GEs 1.959 29.021.307 1.174.543.025 2,47%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

A tabela 2.322 apresenta os gastos inovativos totais das empresas industriais brasileiras como percentual da Receita Líquida de Vendas, segundo o porte: PMEs e GEs. As indústrias de pequeno e médio porte gastaram 2,7% das receitas líquidas de vendas em gastos inovativos, ligeiramente superior aos gastos percentuais das empresas de grande porte, que alcançaram 2,5%. Esses dados implicam o elevado esforço das PMEs no aumento de sua participação nas atividades inovativas das empresas brasileiras.

Tabela 2.4 – Gastos em P&D interno e receita líquida de vendas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (R$ 1.000)

Porte Pesquisadas No. Emp. Gastos Atividades Internas de P&D Receita Líquida de Vendas Esforço Inov. P&D Interno

(A) (B) (A)/(B)

PMEs 3.665 1.256.428 544.197.651 0,23%

GEs 603 9.452.173 1.174.543.025 0,80% Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

22

As atividades de P&D internas são fontes do processo inovativo tradicionalmente vinculadas às empresas de maior porte. Portanto, não é um padrão inovativo surpreendente que as PMEs brasileiras gastaram apenas 0,23% das receitas líquidas de vendas em atividades internas de P&D, enquanto as GEs gastaram praticamente o triplo (tabela 2.4).

Estes resultados são condizentes com o esperado, ou seja, que empresas de maior porte possuem maior dotação orçamentária e condições de acesso ao crédito, que propiciam condições mais favoráveis para o investimento em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos.

Tabela 2.5 – Gastos em aquisição de máquinas e receita líquida de vendas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (gastos em R$ 1.000)

Porte Pesquisadas No. Emp. de Máq. & Equip. Gastos Aquisição Receita Líquida de Vendas Esforço Inov. Máq. & Equip. (A) (B) (A)/(B)

PMEs 23.362 10.018.608 544.197.651 1,84%

GEs 890 11.503.882 1.174.543.025 0,98%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

A variedade de fontes que alimentam a mudança tecnológica é apresentada ainda pelas tabelas 2.5 e 2.6. É possível observar, a partir da tabela 2.5, que as empresas brasileiras de pequeno e médio porte despenderam um percentual significativo de suas receitas líquidas de vendas na aquisição de máquinas e equipamentos (1,84%). Este percentual é quase o dobro do gasto pelas empresas de grande porte (0,98%).

Isso significa que como o percentual de aquisição de máquinas e equipamentos das PMEs é oito vezes o que estas despendem em P&D interno, é possível inferir que as empresas de pequeno e médio porte apresentam dificuldades de introduzir inovações de produto e processo para o mercado, restringindo-se a absorver inovações na forma da compra de máquinas e equipamentos e na sua possível melhoria.

Tabela 2.6 – Gastos em P&D externo e receita líquida de vendas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (gastos em R$ 1.000)

Porte Pesquisadas No. Emp. Gastos Atividades Externas de P&D Receita Líquida de Vendas Esforço Inov. P&D Externo

(A) (B) (A)/(B)

PMEs 1.197 112.793 544.197.651 0,02%

GEs 225 1.651.822 1.174.543.025 0,14% Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

Analisando a tabela 2.6, podemos verificar que as empresas de grande porte interagem melhor com as instituições de P&D, com gastos em P&D externo (0,14%) superior às suas competidoras de menor porte (0,021%). Contudo, no trabalho de Maia (2012) observou-se que esta relação não é linear.

Tabela 2.7 – Firmas inovadoras e natureza das inovações introduzidas pelas indústrias brasileiras – PMEs x GEs

Porte Pesquisadas No. Emp. % Inov. Produto Inovação % Processo Emp. Altamente Inovadoras/No. de Empresas Inovação de Produto/ Inov. de Processo Novos Produtos/Produtos Melhorados Novos Processos/ Processos Melhorados (A) (B) (C) (D) (E) (F) PMEs 98.836 22,31% 31,57% 16,34% 70,67% 16,66% 6,52% GEs 1.660 54,94% 63,98% 47,05% 85,88 % 49,01% 28,34 %

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2008.

A tabela 2.7 apresenta o perfil das firmas industriais inovadoras e a natureza das inovações introduzidas. Revela que as PMEs apresentam tradicionalmente uma maior propensão para inovações de processo, enquanto grandes empresas apesar de desenvolverem elevadas atividades de inovação de processo também possuem alta disposição para inovação de produto. Em termos absolutos, as GEs inovam em produto ou em processo mais do que o dobro do percentual das contrapartes de menor porte. As firmas de grande porte (47,05%) apresentam quase o triplo de empresas altamente inovativas em relação às firmas de pequeno e médio porte (16,3%). O conceito de altamente inovativas implica empresas que inovaram tanto em produto como em processo. Esta definição baseia-se parcialmente no apresentado por Archibugi et al. (1991), que considera altamente inovativas as empresas que satisfazem a três (03) requisitos: (1) pelo menos uma fonte interna de conhecimento (P&D, desenho ou patentes); (2) inovação em ambos produto e processo; (3) pelo menos a introdução de um novo produto ou processo, em oposição à mera melhoria dos mesmos.

A análise da coluna (D) mostra um indicador da relação entre inovação de produto/processo e confirma que empresas de grande porte (85,8%) possuem um maior foco em atividades inovativas de produto, frente às empresas de pequeno e médio porte (70,67%), com maior enfoque em inovação de processo. Além disso, é possível verificar na coluna (E) que as pequenas e médias empresas (16,66%) destinam-se mais a melhoria de produtos existentes (inovação incremental), enquanto as de grande porte possuem uma propensão quatro vezes maior de introduzir novos produtos (49,01% de inovatividade radical), revelando uma importante diferença entre os portes.

E, por fim, a importância da melhoria de processos existentes para as pequenas e médias (6,52%) empresas fica evidente pelos dados da coluna (F), revelando ainda que as

grandes empresas (28,34%), apesar de apresentarem uma tendência ao ineditismo (inovação radical) quatro vezes maior, ainda se dedicam muito mais à melhoria dos mesmos.

2.2.2- Inovação por porte das empresas segundo PINTEC-2011: resultados comparativos com PINTEC-2008

Ao confrontar os dados da PINTEC-2011 com os resultados obtidos nas edições anteriores da pesquisa, De Negri e Cavalcante (2013) apresentam uma síntese dos principais indicadores: a taxa de inovação e os dispêndios em P&D. Estes autores apontam que após um crescimento sistemático da taxa de inovação (apenas para o setor industrial) nas quatro sondagens anteriores (que elevou-se de 31,52% para 38,11%), houve um decréscimo para 35,6% no período de 2009-2011.

Uma queda da taxa de inovação que já vinha sendo percebido por outras pesquisas como a Sondagem da Inovação23 da ABDI, que aponta quedas sucessivas e consistentes desde 2010. Este fato corrobora os dados da queda da atividade industrial enquanto percentual de participação no PIB e a perda de seu dinamismo, relativos à uma “desindustrialização em marcha”24. Segundo Bacha et al. (2013), desde 1985, quando o Brasil assistiu a indústria de transformação atingir seu auge (25% do PIB), a importância da indústria vem declinando até atingir 15% do PIB em 2011, o que pode estar contribuindo ou impactando a taxa de inovação.

Mas, conforme apontam De Negri e Cavalcante (2013), mais relevante do que analisar a evolução da taxa de inovação é sondar o comportamento dos indicadores de dispêndios em P&D. Os dados da PINTEC-2011 apontam um gasto em P&D interno e externo representando 0,59% do PIB, uma ligeira queda em relação ao percentual de 0,58% da PINTEC-200825. Esse indicador sugere um crescimento muito pequeno da relação P&D e PIB para os anos mais recentes, indicando que a crise de 2008-2009 impactou tanto a taxa de inovação, quanto as inversões em P&D.

Contudo, este estudo aponta que outro indicador de investimentos em P&D, o de esforço tecnológico (P&D em função da receita líquida de vendas) exibe uma elevação de investimentos em P&D entre 2008 e 2011, de 0,75% para 0,83% para a indústria de transformação. Este resultado parece contraditório com o anterior do gasto de P&D em função do PIB, mas este paradoxo pode ser explicado pela perda de participação no PIB

23

Pesquisa realizada pela ABDI com empresas industriais com mais de 500 funcionários, e que teve sua primeira edição no primeiro trimestre de 2010.

24

Foge ao âmbito deste trabalho delimitar a “desindustrialização”, mas segundo Schymura et al. (2013) o risco da desindustrialização já é um tema de vasto debate e tornou-se uma preocupação mais geral quando, a partir de 2010, se percebeu que a indústria de transformação nacional estagnou.

25

Um dos fatores apontados por De Negri e Cavalcante (2013) corresponde à uma mudança metodológica que a pesquisa da PINTEC-2011 sofreu, e que implica incluir apenas empresas organizadas “juridicamente como entidade empresarial, definido pela Tabela de Natureza Jurídica”. Isto significou a saída da amostra de empresas como a Embrapa e/ou Fiocruz, o que talvez explique a queda nos valores de investimentos em P&D.

do setor industrial em relação aos demais setores, explicado por um crescimento menos acelerado da indústria, devido aos maiores impactos da crise internacional sobre a indústria de transformação.

Análise dos dados da PINTEC-2011 comparativamente aos da PINTEC-2008, por porte

Conforme a tabela 2.8, as empresas industriais de grande porte são as que mais inovaram no período analisado, apresentando taxa de inovação geral (produto & processo) acima de 55%, enquanto as PMEs apresentaram resultado de 35,2%. Apesar de, em termos absolutos, ambos os portes analisados terem sofrido queda da taxa de inovação comparativamente ao período 2006-2008, é importante ressaltar que a queda das empresas de médio e pequeno porte foi inexpressiva, enquanto a queda das empresas de grande porte foi acentuada, diminuindo a distância inovativa entre GEs e PMEs.

O fato da capacidade inovativa das empresas de pequeno e médio porte não decrescer (de forma significativa) e para alguns indicadores apresentar resultados melhores que o período anterior frente à queda da participação da indústria no PIB (ou mesmo, com a queda da taxa de inovação face à crise internacional) pode denotar uma maior resiliência da inovatividade desse porte de empresas, revelando outro elemento da importância das firmas deste tamanho.

Permanece o destaque para as PMEs da taxa de inovação referente às atividades de

marketing e organização que ficaram em 35,5% frente a quase 29% das GEs, as quais,

contudo, continuam a denotar maior eficácia na geração de inovações de produto e processo do que suas competidoras de menor porte. Entretanto, conforme já salientado, as empresas de grande porte apresentaram queda expressiva na taxa de inovação (produto & processo) que de, 71,9% no período anterior, passou a aproximadamente 56% no período de 2009-2011.

Tabela 2.8 – Inovação das empresas industriais brasileiras segundo porte – PMEs x GEs26

Porte No. Empresas

Empresas inovaram produto e/ou processo Empresas inovaram marketing & organização Taxas de Inovação produto & processo Taxas de Inovação marketing & organizacional

(A) (B) (C) (B)/(A) (C )/(A)

PMEs 114.673 40.375 40.752 35,21% 35,54%

GEs 1.959 1.095 560 55,90% 28,59%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

26

Neste quadro, os valores referem-se ao total de indústrias extrativas e de transformação, para permitir comparação com os dados de inovação organizacional e de marketing apresentados somente neste formato na Pesquisa de Inovação Tecnológica 2011, publicada pelo IBGE. Nas outras tabelas, trata-se somente da indústria de transformação.

A tabela 2.9 apresenta os gastos inovativos totais das empresas (da indústria de transformação e extração) brasileiras como percentual da Receita Líquida de Vendas, segundo o porte. As empresas de médio e pequeno porte gastaram 3,24% das receitas líquidas de vendas em gastos inovativos, valor significativamente superior aos gastos percentuais das empresas de grande porte, de 1,98%, e superior aos apresentados no período anterior de 2006-2008 (2,7%).

Esses dados indicam que as PMEs elevaram ainda mais os esforços no sentido de incrementar sua participação nas atividades inovativas das empresas brasileiras, enquanto as grandes empresas apresentaram piora sensível deste dado, que era 2,5% no período de 2006-2008.

Tabela 2.9 – Gastos inovativos totais das empresas industriais brasileiras segundo porte – PMEs x GEs.

Porte No. Empresas Gastos Inovativos Receita Líquida de Vendas Inovativo Esforço

(A) (B) (A)/(B)

PMEs 31.610 21.472.890 662.480.656 3,24%

GEs 1.006 29.420.495 1.487.293.271 1,98%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

Com relação à PINTEC-2008, podemos constatar, pela tabela 2.10, que as PMEs industriais brasileiras27 gastaram 0,41% das receitas líquidas de vendas em atividades internas de P&D, elevando seus esforços internos na geração de inovações (quase dobrando estes esforços), enquanto as GEs gastaram praticamente o mesmo valor. Estes resultados diferem do esperado, uma vez que de empresas de maior porte, que possuem maior dotação orçamentária e condições de acesso ao crédito, esperava-se que estas manteriam seus esforços nesta atividade no nível do período de 2006-2008, ou seja, três vezes maior do que as empresas de médio e pequeno porte. O aumento dos esforços das PMEs é significativo, uma vez que estes se elevaram enquanto houve queda para as GEs, tornando os esforços das pequenas e médias empresas a metade do esforço das de grande porte, quando antes era de apenas um terço.

27

Tabela 2.10 – Gastos em P&D interno e receita líquida de vendas das empresas brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (R$ 1.000)

Porte No. Empresas Gastos Atividades Internas de P&D Receita Líquida de Vendas

Esforço Inovativo P&D Interno (A) (B) (A)/(B) PMEs 5.212 2.692.017 662.480.656 0,41% GEs 664 12.464.798 1.487.293.271 0,84% Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

Pode-se constatar, por meio dos dados da tabela 2.11, que as indústrias brasileiras de pequeno e médio porte despenderam um percentual (2,24%) significativo de suas receitas líquidas de vendas na aquisição de máquinas e equipamentos, enquanto para as GEs este percentual (0,61%) é quase quatro vezes menor. Importante ressaltar que para o período de 2006-2008 o percentual de esforço inovativo em máquinas e equipamentos das empresas de grande porte era de 0,98%, ou seja, em torno de 60% maior do que o apresentado no período de 2009-2011.

Além disso, parece relevante a queda do número de empresas de grande porte que apresentam dispêndios em máquinas e equipamentos e elevação considerável do número de pequenas e médias empresas que passaram a efetuar esforço inovativo neste quesito (tabelas 2.5 e 2.11). Além disso, o esforço inovativo das PMEs saiu de 1,84% no período 2006-2008 para 2,24% em 2009-2011. Novamente, as PMEs mostram inovatividade diferencial ao incrementar o esforço inovativo em máquinas e equipamentos, enquanto as de maior porte encolhem consideravelmente.

Uma vez que o percentual de aquisição de máquinas e equipamentos para as PMEs é quase seis vezes o que estas despendem em P&D interno, ainda é possível concluir que as empresas de pequeno e médio porte focam mais em absorver inovações na forma da compra de máquinas e equipamentos e de sua melhoria28. E, as contrapartes de maior porte confirmam a tendência da baixa utilização deste mecanismo de inovação.

28 A aquisição de máquinas e equipamentos é considerada uma inovação de processo pelo Manual de

Tabela 2.11 – Gastos em aquisição de máquinas e receita líquida de vendas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (gastos em R$ 1.000)

Porte Pesquisadas No. Emp. de Máq. & Equip. Gastos Aquisição Receita Líquida de Vendas Esforço Inov. Máq. & Equip.

(A) (B) (A)/(B)

PMEs 25.688 14.856.954 662.480.656 2,24%

Ges 691 9.013.161 1.487.293.271 0,61%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

A tabela 2.12 revela que as empresas de pequeno e médio porte praticamente dobraram seus gastos em P&D externo (0,06%) demonstrando um melhor relacionamento com as instituições de P&D em 2011 frente a 2008; enquanto as empresas de grande porte apresentaram queda de seu percentual de esforço inovativo em P&D externo de 0,14% para 0,13%.

Tabela 2.12 – Gastos em P&D externo e receita líquida de vendas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs (gastos em R$ 1.000)

Porte No. Empresas Gastos Atividades Externas de P&D Receita Líquida de Vendas Inovativo P&D Esforço Externo (A) (B) (A)/(B)

PMEs 1.571 366.418 662.480.656 0,06%

GEs 263 1.895.373 1.487.293.271 0,13%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

A análise evidencia que as empresas de grande porte declinaram o seu percentual de gastos no período analisado, reforçando o ganho de importância destas fontes para as empresas de menor porte, justificado inclusive pelo aumento considerável do número de empresas de pequeno e médio porte que desenvolveram aquisição de P&D externo, de 1.197 para 1.571, ou seja, um crescimento de 31,25%.

Conforme é possível verificar na tabela 2.13, as PMEs confirmaram para a PINTEC- 2011 a tradicional maior propensão para inovações de processo, expressa tanto nas colunas (B) e (C) e, com os valores de 16,82% para inovação de produto frente a 31,39% de inovação de processo, quanto na coluna (E). Enquanto as grandes empresas, apesar de desenvolverem fortes atividades de inovação de processo, também possuem alta disposição para inovação de produto, com os seguintes respectivos percentuais 48,19%, frente a 43,03%.

Tabela 2.13 – Firmas inovadoras e natureza das inovações introduzidas das indústrias brasileiras segundo porte – PMEs x GEs

Porte Pesquisadas No. Emp. Inovação % Produto % Inovação Processo Emp. Altamente Inovadoras/No. De Empresas Inovação de Produto/ Processo29 Novos Produtos/ Produtos Melhorados30 Novos Processos/ Processos Melhorados (A) (B) (C) (D) (E) (F) (G) PMEs 114.673 16,82% 31,39% 13,01% 53,59% 20,03% 5,98% GEs 1.959 43,03% 48,19% 35,27% 89,30% 48,40% 34,11%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da PINTEC-2011.

Contudo, analisando comparativamente os dados da PINTEC-2011 com a PINTEC- 2008, percebe-se significativa queda do percentual de empresas de grande porte da amostra que se dedicam às atividades inovativas de produto, assim como de processo. Para as empresas de pequeno e médio porte ocorreu também uma queda do percentual de firmas dedicadas à atividades de inovação de produto (16,82%, antes 22,31%) de uma pesquisa para outra, enquanto os dados para inovações de processo mantêm-se