Kapittel 6 Materialene og verktøyet
6.2 Verktøyet Slime
Tipo UHs / Pavimento Dimensões ÍNDICE A Percentual de ABL / Pavimento ÍNDICE C Área UH / Área Corredor (m²) ` ÍNDICE P Soma das larguras das UHs / Perímetro do Pavimento Torre Retangular 16-24 34 x 34 m 65% 5,6 m² 1,60 Torre Circular 16-24 Diâmetros 27 – 40 m 67% 4,2 – 6 m² 1,00 Torre Triangular 24-30 Variadas 64% 6 – 7,9 m² 3,00
TABELA 2.2: CONFIGURAÇÃO DE PAVIMENTO TIPO EM “TORRE”. Índices calculados por Felipe Corres Melachos. Fonte: ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013 / Adaptado por Felipe Corres Melachos, 2013
Configuração do Núcleo de Circulação Vertical: Como se dá a distribuição dos elevadores, armazenagem de roupas de cama, e das escadas de segurança? (ADAMS; PENNER; e ROBSON, 2013, p. 322, grifo do autor, tradução nossa).
Adams, Penner, e Robson (2013), afirmam que a configuração de torre tem como principal empecilho a sua limitação na capacidade de abrigar quartos em função de relação direta entre aumento do número de UHs e aumento do núcleo do edifício:
Ao contrário de outras configurações de tipo, a escolha pela configuração de tipo em torre cria limitações particulares no tocante a número de quartos por pavimento. Em sua maioria, [tipos] torre contém entre 16 e 24 quartos, dependendo das dimensões da UH, o número de pavimentos, e o tamanho ótimo do núcleo. Com apenas 16 quartos, o tamanho do núcleo é quase insuficiente para dois ou três elevadores, duas escadas de emergência, e espaço ínfimo para armazenamento. Porém, projetos com mais de 24 quartos ficam tão inflados e com o núcleo tão grande que o layout se torna ineficiente. (ADAMS; PENNER; ROBSON, 2012, p. 322, tradução nossa).
Entretanto Andrade, Jorge, e Brito (1999) são partidários da eficiência da configuração do pavimento tipo em torre, mais especificamente em sua subconfiguração circular por apresentar ótimos índices de relação de perímetro e soma das larguras dos UHs, referido aqui nesta pesquisa como índice P (da ordem de 1,00). Abaixo seu raciocínio referente a sua predileção por esta configuração de tipo:
Outras variações que também podem ser verificadas nos vários tipos de construção de andar-tipo de hospedagem são as que relacionam o perímetro do andar com a soma das larguras dos apartamentos do andar. Neste caso há nítida vantagem das configurações circulares nas quais o produto da divisão do
perímetro do andar pela soma das larguras dos apartamentos é próxima de 1. Em todas as outras configurações o valor correspondente é superior a 1,5, chegando, no pior caso, aos apartamentos de apenas um lado do corredor, a alcançar o valor de 2,50, ou mais. (ANDRADE; JORGE; e BRITO; 1999, p. 202)
Um ótimo índice implica em uma redução de m² de envelopamento, que por sua vez implica em considerável redução de custo no projeto. A realidade profissional também comprova a importância da economia em todos os aspectos do projeto, uma vez que cronogramas incrivelmente acelerados, muitas vezes ultrapassando os limites do factível, acabam por instigar a onerosa decisão de se iniciar obras prematuramente.
Não obstante, Adams, Penner, e Robson (2013), reforçam a fundamentação de seu ataque ao pavimento tipo circular, ao mencionar a maneira em que estes simplesmente não conseguiam suprir as demandas do mercado acabou por determinar a extinção desta configuração em novos hotéis. Estas dificuldades em se dão em função dos seguintes fatores, todos decorrentes do formato coniforme de suas UHs:
Dificuldade de layout do quarto ( ADAMS; PENNER; RUTES; 2001). Em configurações de formas menos regulares, as camas tendem a ficar “flutuando” no quarto, prejudicando o espaço de circulação dentro da UH (ADAMS; PENNER; e ROBSON; 2013).
Dificuldade de projetar e dimensionar banheiros, vestíbulos de entrada, e closets em função do estreitamento da UH à medida que esta se aproxima da circulação comum do pavimento tipo (ADAMS; PENNER; ROBSON; 2013).
Em alguns casos, muitas vezes em função de espaços residuais que persistem no decorrer do projeto, áreas públicas e sociais também são alocadas nestes pavimentos. Estes espaços residuais deram origem aos skylobbies (ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013) ou lounges (ANDRADE; JORGE; BRITO, 1999).
Entretanto, estas áreas públicas e sociais terão suas respectivas argüições aprofundadas na seção correspondente deste capítulo.
Adams, Penner, e Robson (2013) reforçam a maneira como a subconfiguração retangular, de pavimentos tipo de configuração torre, apresenta deficiências com relação à circulação comum. A vivência profissional do autor desta dissertação comprova tal pleito, que ocorre principalmente em função da costumeira localização central do núcleo nesta configuração de tipo. Esta centralização, por sua vez, exige manobras para que a área de acumulação em frente ao elevador não interfira com a circulação de hóspedes e funcionários, muitas vezes munidos de carros de limpeza e alimentação.
Em uma tentativa de sanar estes problemas, os mesmos Adams, Penner, e Robson (2013) sugerem a configuração de núcleo central em “H” como pode ser contemplado na passagem a abaixo, e na figura 2.11.:
Geralmente, o núcleo é locado de maneira centralizada, e as prumadas verticais são agrupadas de maneira compacta. Os hotéis menores, aqueles com apenas 16 quartos por andar, normalmente não dispõem de um lobby apenas para o elevador, de modo que os hóspedes hospedados em quartos de fronte aos elevadores precisam tolerar o ruído oriundo de outros hóspedes esperando pelo elevador. Em alguns casos, o núcleo vertical é seccionado em dois volumes, criando uma circulação na forma de H, e eficientemente provendo cada pavimento tipo com um lobby para elevadores. As duas escadas de emergência podem ser eficientemente compactadas se forem projetadas em configuração de escadas sobrepostas. (ADAMS, PENNER, e ROBSON, 2013, p. 323, tradução nossa).
Figura 2.10: Pavimento Tipo em configuração de torre genérico: região destacada em amarelo indica conflito entre circulação do pavimento tipo e área de acumulação dos elevadores.
Fonte: ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013 / Adaptado por Felipe Corres Melachos, 2013.
Figura 2.11: Pavimento Tipo em configuração de torre genérico: região destacada pelo retângulo amarelo indica solução para conflito entre circulação do pavimento tipo e área de acumulação dos elevadores, através de configuração do núcleo central em “H”.
Figura 2.12: Pavimento Tipo de Hyatt Regency, Osaka, Japão. Este pavimento sugere outra solução corrente em vivência profissional para isolar a área de acumulação dos elevadores: a inserção do hall de elevadores de hóspedes em ramificação da circulação principal, tal qual ilustrado pela região amarela na figura acima.
ÍNDICE A = 59 % ÍNDICE P = 1,62
Fonte: ANDRADE; BRITO; JORGE, 1999 / Adaptado por Felipe Corres Melachos, 2013. Índices calculados por Felipe Corres Melachos, 2013.
A escolha por um núcleo central em “H” (Figura 2.11) é benéfica se comparada ao núcleo retangular meramente acompanhando o corredor principal do pavimento tipo em “torre”, justamente por eliminar a intersecção entre o tráfego usual da circulação comum e as áreas de acumulação em frente aos elevadores. A solução de hall de elevadores como uma ramificação do corredor principal, tal qual ocorre no pavimento tipo do Hyatt Regency de Osaka, Japão (Figura 2.12), se presta em pavimentos onde ocorre maior quantificação de UHs em função da maior presença de área de circulação resulante. No caso da Figura 2.11, não há corredor comum nas fachadas superiores e inferiores do núcleo, ao contrário do que ocorre no Hyatt Regency (Figura 2.12), indicando que a área de circulação e UHs desta solução são compatíveis com o potencial econômico do empreendimento.
Vivência profissional do autor desta dissertação revela que predomina no mercado hoteleiro de São Paulo a disseminação da técnica da escada sobreposta como meio de compactação do núcleo, justamente para abreviar complicações como os casos descritos acima. De acordo com o engenheiro canadense Samir Mokashi (2008), esta compactação recebeu o auxílio das técnicas de pressurização das escadas de emergência, eliminando assim a necessidade de antecâmaras nos pavimentos tipos, apesar de exigir a implantação de uma casa de máquinas de pressurização nos subsolos do edifício. A Figura 2.13, a seguir, indica como se dá o funcionamento desta solução de escada.
De acordo com Adams, Penner, e Robson (2013), a configuração de tipo “torre”, em sua subconfiguração triangular, por sua vez acaba por prover um núcleo ainda mais ineficiente e espaçoso que as outras configurações de tipo torre. Porém Rutes (2001) afirma que o principal benefício desta configuração é a variedade na configuração de UHs.
O mercado hoteleiro mundial revela que esta tendência de UHs diversificadas pode constituir um atrativo para o hotel, como no caso do Silken Puerta América, de Madrid, 2003 (Figura 2.14). Uma mescla de hotel central upscale e hotel design upscale assim como o caso paulista do Hotel Unique, seu projeto foi uma parceria entre Jean Nouvel e SGA Studio, e cada pavimento tipo mantém configuração de
lâmina dupla durante todo o hotel, porém teve os interiores de cada pavimento concebidos por um starchictect15.
Assim, no caso do Puerta América, a variação de configurações de UHs se deu no tratamento de interiores das mesmas. Consequentemente, os índices de hospedagem superam a concorrência, havendo casos de hóspedes que inclusive estendem sua estadia no hotel simplesmente para experimentar a acomodação em suítes de outros arquitetos.
Figura 2.13: Esquema de escada sobreposta: A incorporação desta configuração de escada em rotas de fugo logrou compactar os núcleos de edifícios verticalizados para fins comerciais, incluindo hotéis, e aprimorar os índices de aproveitamento de ABL no pavimento.
Fonte: SCISSOR STAIRS: ORIGINS, DEVELOPMENT AND CONTEMPORARY USE, 2008.
15 O termo ingês starchitect faz uma referência ao seleto grupo de arquitetos de produção de cunho global, que competem entre si por oportunidades de obras calcadas pelo excesso de riqueza de formas tão características a sua produção. Alguns de seus membros incluem figuras como Peter Eisenman (1932), Rem Koolhaas (1944), Zaha Hadid (1950), e Frank Gehry (1929).
O índice de hospedagem do Puerta América (HOTELES SILKEN, 2012) reafirma o argumento de Adams, Penner, e Robson (2013) de que boa arquitetura auxilia consideravalmente a aumentar a tarifa e a taxa de ocupação do hotel, de modo que um equilíbrio entre funcionalidade e qualidade espacial acaba se tornando o desejável para qualquer hotel central. Esta dicotomia entre qualidade e funcionalidade não tem materialização mais gritante do que na configuração de pavimento tipo em “átrio”.
(a)
(b) (c)
Figura 2.14: Hotel Puerta America em Madrid, Espanha: um exemplo do impacto positivo da diversidade de UHs e índices de ocupação. (a) Tomada Externa. (b) Interiores do quarto da Suite Junior Espacial, por Zaha Hadid. (c) Interiores da área de estar da Suite Executiva, de Jean Nouvel. Fonte: HOTELES SILKEN. Disponível em : <http://www.hoteles-silken.com/> . Acesso em 15 dez. 2012.
De acordo com Adams, Penner, e Robson (2013), a categoria de pavimentos tipos dotados com átrio teve seu protótipo no Hotel Brown Palace, de Denver nos EUA. Porém a sua consolidação no mercado da hotelaria se deu na década de 70 e 80, após a inauguração do Hyatt Regency de Atlanta, projeto do arquiteto John Portman, em 1967 (ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013) (Figura 2.15). Estes autores afirmam que a configuração de pavimento tipo em átrio segue as seguintes premissas dispostas abaixo:
A verdadeira configuração de hotel átrio consiste de quartos distribuídos ao longo de corredores unifilares, bastante parecidos com varandas observando o lobby a partir de cima. (ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013, p. 323, tradução nossa).
(a) (b)
Figura 2.15. Detalhes do famoso átrio do Hyatt Regency em Atlanta, o precursos da configuração de pavimento tipo em “átrio” em hotéis centrais contemporâneos.
Fonte: HYATT REGENCY. Disponível em: <http://atlantaregency.hyatt.com/en/hotel/home.html>. Acesso em 16 mar. 2013.
A definição acima é explicita, porém o exemplo de pavimento tipo do Maksoud Plaza em São Paulo, na Figura 2.16, auxilia consideravelmente em sua assimilação. O Maksoud Plaza é a principal referência no referente à configuração de pavimento tipo em “átrio” em São Paulo. Este hotel já foi sinônimo de exclusividade, recebendo inclusive a última apresentação de Frank Sinatra no Brasil em 1981 (THIAGO NEY,
2010), e eleito cinco vezes consecutivas (1994-1998) pela Euromoney como o melhor hotel de São Paulo (DAEMON; SAAB, 2001). Entretanto, hoje está caindo no esquecimento, apesar de ter como missão se renovar constantemente (HENRY MAKSOUD NETO, 2013)16.
Figura 2.16: Pavimento tipo do Maksoud Plaza, em São Paulo, Brasil. Sem Escala. ÍNDICE A: 0,63.
ÍNDICE P: 2,27.
Fonte: ANDRADE; BRITO; JORGE, 1999, p. 96. Adaptado e cálculo de índices por Felipe Corres Melachos, 2013
Figura 2.17.: Átrio central do Maksoud Plaza, em São Paulo, Brasil.
Fonte: MAKSOUD PLAZA. Disponível em: <http://www.maksoud.com.br/hotel-offers-in-sao-paulo- pt.html?gclid=CPGEuqPM5b0CFQIT7AodJhoAuA>. Acesso 13 dez. 2012.
Apesar de exaltar a maneira em que esta configuração de pavimento cria espaços espetaculares, corredores abertos e a oportunidade de contar com o atrativo de elevadores panorâmicos, Adams, Penner, e Robson (2013) são contra a sua adoção. Esta postura deriva, em parte, em função da desomitização comercial presente em seus índices (Tabela 2.3). Os pontos levantados abaixo indicam quais as principais preocupações projetuais destes pesquisadores sobre esta configuração de pavimento, ficando ressaltado a premissa de se reduzir as já demasiadas circulações unifilares presentes.
Forma: Que configuração de quartos melhor se encaixa no terreno e logra uma conexão com áreas públicas e áreas de retaguarda que satisfaçam as necessidades de todas as macrozonas de uso? Algum quarto terá vista para o lobby [através do átrio central]?
Elevadores Públicos: Qual é a melhor distribuição para elevadores panorâmicos ou convencionais?
Corredor: Como reduzir a extensão de corredores unifilares?
Núcleo de Serviços e Escadas: Qual a melhor localização, visando sua integração com o projeto como um todo, para estes itens? (ADAMS; PENNER; e ROBSON, 2013, p. 323, tradução nossa, grifo do autor).
Andrade, Brito, e Jorge (1999) não chegam a expressar uma definição clara sobre esta configuração de pavimento tipo, porém também criticam esta solução. Entretanto esta crítica é acompanhada do exaltamento suas potencialidades arquitetônicas:
Soluções com átrio contribuem para valorizar e diferenciar o hotel pela grandiosidade que proporciona aos espaços internos, mas implicam em gastos adicionais com acréscimo de áreas de circulação e tratamentos especiais do espaço (gradis, floreiras, iluminação, ar-condicionado, etc.). (ANDRADE; BRITO; e JORGE, 2000, p. 202).