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De acordo com Bergamini (1997, p. 39), os conceitos apresentados pelos teóricos da escola behaviorista, cujo principal objetivo era o de conseguir a modificação do comportamento por meio de técnicas de condicionamento, não mostram grande

complexidade. Esses pesquisadores acreditam que o comportamento humano possa ser planejado e modelado por meio da utilização adequada dos vários tipos de recompensas ou punições disponíveis no meio ambiente. A premiação oferecida após a ocorrência de um comportamento é considerado um reforço positivo que estimula a adoção desse comportamento de forma mais freqüente. A punição caracteriza-se como uma forma de castigo que é aplicada após um comportamento indesejável e tem o poder de diminuir ou extinguir a freqüência de uma ação.

Para a administração de pessoas, a abordagem comportamental sugere que a atração do colaborador aconteça a partir de recompensas externas como forma de reconhecimento por um bom desempenho.

Bergamini (1997, p. 39) afirma que a base teórica apresentada pelas teorias comportamentalistas como motivação deve ser mais corretamente entendida como uma forma de condicionamento, sendo que alguns autores a denominam como motivação extrínseca. Os psicólogos comportamentalistas acreditam que o indivíduo se mantenha passivo diante de um estímulo externo a ele, pois as reações comportamentais acontecem após a estimulação oriunda do meio ambiente. Assim essa teoria, também conhecida como teoria da ligação Estímulo-Resposta, afirma que o comportamento só aparece a partir de uma condição externa específica.

A abordagem comportamentalista considera o homem um ser autômato orientado por estímulos fornecidos pelos ambientes externos, assim, ele pode ser controlado por fatores ambientais. Nesta concepção o comportamento é considerado apenas uma resposta aos estímulos.

De acordo com Aguiar (1981, p. 143), os behavioristas enfatizam a aprendizagem. Segundo eles, o comportamento de uma pessoa sempre estará relacionado com acontecimentos ocorridos em momentos anteriores. Desta forma, o comportamento de um indivíduo no presente é uma conseqüência dos efeitos das respostas emitidas por ele no passado. Essa abordagem postula o determinismo, pois o que motiva o comportamento do indivíduo são as conseqüências dos efeitos produzidos no passado, ou seja, as recompensas ou punições recebidas.

Em relação ao comportamento organizacional, Bergamini (1997, p. 53) coloca que a visão behaviorista conduz à crença de que as pessoas estão presas a seus cargos devido a um sistema de recompensas externas, não porque possam estar intrinsecamente motivadas por aquilo que fazem. Os gestores que se baseiam nessa teoria, acabam esquecendo que existem muitos fatores de motivação importantes que não estão necessariamente sob o seu controle.

As principais características dessa abordagem dizem respeito à passividade humana diante das variáveis do ambiente externo, é desconsiderado os aspectos referentes às intenções individuais. As pessoas são condicionadas e respondem automaticamente à diversas situações, levando em consideração o repertório de experiências passadas.

2.4.2.2 Teorias cognitivistas

De acordo com Bergamini (1997, p. 63), as teorias cognitivas são conhecidas também como abordagens da instrumentalidade para as quais as decisões de se envolver numa atividade depende do valor que se atribui àquilo que ela pode oferecer como resultado. Dessa forma, a ação é considerada como recurso instrumental, esse permite chegar a algum resultado que represente valor. As pessoas decidem de maneira racional a despender ou não a sua energia. Isso significa afirmar que tais teorias estão fundamentadas no conhecimento, também utilizado como sinônimo de cognição.

Para Aguiar (1981, p. 143) os cognitivistas acreditam que os indivíduos possuam valores, opiniões e expectativas em relação ao mundo que os rodeia. Portanto, possuem representações internalizadas de seu ambiente, e essas são as forças motivadoras das pessoas para a ação. Para atingir, alcançar objetos e acontecimentos, que são considerados atrativos, um indivíduo se empenhará da mesma forma que tentará afastar-se quando forem negativos.

Um estudo comparativo entre as teorias do condicionamento e as teorias cognitivistas mostra significativa diferença entre elas. O ponto comum entre esses enfoques é aquele que procura especificar o relacionamento entre o desempenho de determinadas tarefas e as recompensas que os resultados conseguirão a partir daí. Todavia essas duas diretrizes teóricas não concordam quanto à origem do comportamento. De maneira mais ampla, as teorias cognitivas propõem que tal origem esteja na mente do indivíduo, enquanto as teorias do reforço localizam-na como fazendo parte integrante do meio ambiente. Nas teorias cognitivas, a resposta comportamental tem origem nos conhecimentos armazenados na mente, enquanto para os teóricos comportamentalistas são os estímulos do meio ambiente que determinam o aparecimento das respostas comportamentais. (BERGAMINI, 1997, p. 65).

Sendo assim, enquanto a abordagem behaviorista relaciona o comportamento principalmente ao passado e à estímulos ambientais, as teorias cognitivas percebem a motivação como um comportamento consciente efetivado para alcançar determinados resultados. As ações são tomadas levando em consideração as crenças e expectativas em relação ao futuro.

Bergamini (1997, p. 67) apresenta três enfoques da abordagem cognitiva: da expectância, da equidade e da atribuição. A teoria da expectância de Victor Vroom propõe

que os valores, considerados os conteúdos mentais de maior importância, configuram a percepção individual em termos da intenção percebida quanto aos resultados que podem ser atingidos por meio de algum tipo de desempenho. Assim esse enfoque acredita que a motivação seja o produto do quanto uma pessoa deseja alguma coisa e da probabilidade de que o esforço mobilizado por ela leve à realização da tarefa e, conseqüentemente, à recompensa.

Para Bowditch (1992, p. 46-47), as principais implicações que podem ser extraídas da teoria das expectativas para gestão organizacional são:

- as recompensas e outros resultados para motivar os colaboradores precisam ser almejados por essas pessoas. Assim os gerentes precisam saber identificar as necessidades próprias das outras pessoas;

- para serem motivadas, as pessoas precisam perceber que a diferença no comportamento resultará em diferenças nas recompensas almejadas;

- as pessoas também precisam perceber que o seu esforço resultará em bom desempenho. O esclarecimento das expectativas da gerência e a tentativa de aumentar a autoconfiança dos indivíduos constituem formas para reforçar a ligação entre esforço e desempenho.

A teoria da atribuição, segundo Bergamini (1997, p. 65), apresenta o enfoque cognitivo em termos de comparação, ou seja, a teoria da eqüidade. Propõe que as pessoas apresentam uma tendência em comparar aquilo que lhe é oferecido pelo seu desempenho com o que foi oferecido a pessoas semelhantes a ele. Nessa comparação está implícita a busca por um tratamento justo.

De forma semelhante, Bowditch (1992, p. 51) coloca que a base da teoria da equidade é que os indivíduos comparam a proporção entre seus esforços e recompensas com os resultados de outras pessoas que sejam percebidos como comparáveis. A questão reside em se o indivíduo percebe eqüidade ou iniqüidade nessa comparação. Se as pessoas identificarem essa relação como desigual, ou injusta, haverá uma tentativa de restaurar a igualdade, seja trabalhando com desempenho reduzido ou tentando obter recompensas maiores através de outros meios.

Assim, o modelo da eqüidade supõe que as pessoas estão conscientes umas das outras e que têm condições de fazer comparações dentro de uma organização, um ambiente eminentemente social. Tais comparações podem prejudicar o funcionamento da empresa a partir do momento que interfere negativamente no desempenho das pessoas.

Por último, dentro da abordagem cognitivista, Bergamini (1997, p. 66) apresenta a teoria da atribuição, que se refere à preocupação de descobrir o papel desempenhado por uma causa específica na determinação de um efeito.

De maneira geral, o aspecto central das teorias cognitivistas, independente dos três tipos de enfoque apresentados por Bergamini, reside na percepção do indivíduo em relação aos efeitos do seu comportamento no ambiente, bem como o significado dos resultados para a sua pessoa.

2.4.2.3 Motivação intrínseca

Segundo Bergamini (1997, p. 82), a grande maioria dos estudos realizados sobre motivação estão direcionados aos aspectos pragmáticos, procurando conhecer “o que” motiva, em lugar de investigar “como” se dá o comportamento motivacional. Assim, nenhuma das teorias apresentadas esteve direcionada em investigar a dinâmica intrapsíquica que caracteriza os processos motivacionais internos.

Especialmente dentro do campo do comportamento organizacional, tal forma de estudar a motivação parecia vital, pois seria de grande importância conhecer aqueles fatores que deveriam ser considerados como os principais determinantes dos mais diferentes níveis de satisfação no trabalho. Procurando conhecer os objetivos perseguidos pelos trabalhadores, a técnica utilizada deveria ser, então, a de “estimular” ou “provocar” a motivação por meio da utilização das “recompensas” que estivessem disponíveis no meio ambiente. [...] (BERGAMINI, 1997, p. 82).

Para a autora (p. 76), é possível identificar dois grandes grupos de teorias motivacionais. O primeiro está direcionado à identificação das necessidades que devem ser comuns a todas as pessoas. Essa tendência torna-se evidente nas teorias de Maslow, Murray e Alderfer. O segundo grupo, onde estão as teorias comportamentalistas, e, de maneira especial, as abordagens do instinto, está voltado para a pesquisa da psicodinâmica do processo motivacional, em que o objetivo passa a ser o conhecimento sobre “como” ocorre o comportamento de busca na direção desses objetivos.

Em relação à motivação intrínseca, Gooch e Mcdowell (apud BERGAMINI, 1997, p. 82) colocam a motivação como uma força presente no interior de cada pessoa e que pode estar ligada a um desejo. Assim, uma pessoa não consegue motivar a outra, apenas estimular, pois as possibilidades de que um indivíduo siga uma orientação de ação desejável está diretamente relacionado à força de um desejo.

Bergamini (1997, p. 85) afirma que a teoria dos instintos desenvolveu suas principais suposições com base nos conceitos de necessidades e impulsos. Esses, por sua vez, foram concebidos com base em 60 anos de pesquisas desenvolvidas pelos etologistas. Segundo as teorias clássicas em Psicologia, o instinto era conceituado como um comportamento espontâneo, inato e invariável comum a todos os seres de uma mesma espécie. Algumas correntes contemporâneas acreditam que esse possa ser transformado, especialmente à medida que se avança na escala zoológica. Essas mudanças acontecem durante longos intervalos de tempo devido à incorporação de certos comportamentos importantes à preservação de espécie.

Um outro conceito apresentado pela mesma autora (1997, p. 89) importante de apresentação, refere-se a conceituação do que seja “impulso”. Para ela, o impulso consiste em um tipo de energia interior que leva os seres vivos à ação, logo, torna-se um conceito fundamental na psicologia da motivação intrínseca, pois o grande alvo do estudo diz respeito ao processo interno que gera energia ao comportamento. Os objetivos motivacionais ficam em segundo plano, pois o que move o ser humano é um estado interior de carência. Desta forma, quanto maior for esse estado, maior será a motivação vigente, fazendo assim que a necessidade seja sinônimo de motivação.

Sigmund Freud e a Psicanálise contribuíram significativamente para o estudo e entendimento da motivação intrínseca. Aguiar (1981, p. 143) afirma que para Freud as forças internas que motivam as pessoas são representadas pelos instintos que fornecem uma fonte contínua de estimulação. Para ele, nem todas as motivações são conscientes, pois as ações são muitas vezes comandadas pela necessidade de liberação, de satisfação dos instintos. Além disso, Freud também atribui grande ênfase a dependência de que o comportamento adulto mantém em relação às experiências da infância. Sendo assim, a ênfase nos instintos como fontes motivadoras e o passado do indivíduo caracterizam a abordagem histórica e o determinismo biológico da teoria psicanalítica.

[...] Assim, as motivações humanas são concebidas como fruto de vivências anteriores, cheias de fatos que foram armazenados naquela instância do psiquismo humano que Freud considera como a maior e mais importante: o inconsciente. Freud deixa subjacente a idéia de que nem o próprio indivíduo consegue interferir no desencadeamento do seu processo motivacional. [...] Para Freud, as pessoas certamente ignoram a maior parte das razões das suas ações (BERGAMINI, 1997, p. 98).

Diferentemente das teorias apresentadas anteriormente, a freudiana valoriza os aspectos internos do indivíduo e entende que muitas ações são orientadas pela necessidade da satisfação de seus instintos.

O comportamento humano é extremamente complexo. As diferentes abordagens apresentam diferentes maneiras de compreender o ser humano e os motivos que o levam as suas ações. O tema motivação é, e muito provavelmente continuará a ser, bastante polêmico, onde cada abordagem contribui com a sua forma de entendimento. Para Bergamini (1997, p. 77) é importante que se conheça o maior número possível de explicações para conseguir entender o comportamento dentro de uma gama maior de circunstâncias de vida. Entretanto, conforme discutido durante o capítulo, as abordagens que focalizam o estudo sobre “o que” motiva o comportamento organizacional são as mais utilizadas no meio empresarial, já que oferecem um suporte mais adequado aos objetivos deste.

2.4.2.4 Abordagem humanística

Greening (1975, p. 71) em seu livro Teoria Humanista: a terceira revolução em Psicologia, afirma que houve três grandes revoluções conceptuais distintas na Psicologia. A primeira delas o Behaviorismo, a segunda a Psicanálise surgidas quase ao mesmo tempo, e a terceira, a Psicologia Humanista, também denominada como Terceira Força, pois surgiu como uma reação contra as duas primeiras escolas.

Creio ser possível começar agora a delinear essa nova visão da natureza humana como um sistema total, único e abrangente de Psicologia, se bem que muito tenha surgido como uma reação contra as limitações [...] das duas psicologias mais abrangentes que hoje dispomos: o Behaviorismo (ou Associacionismo) e a Psicanálise clássica, freudiana (MASLOW, 1966, p. 225).

De acordo com Greening (1975, p. 76), o reconhecimento do homem em pessoa, em contraste com o homem em geral, constitui a principal diferença entre a Psicologia Humanista, em qualquer das suas formas ou escolas e tais Psicologias Científicas como o Behaviorismo. Assim, a ênfase sobre a pessoa humana, sobre o indivíduo em sua totalidade e unicidade, é uma característica central da Psicologia do Humanismo, entretanto, tal ênfase seria inadequada e distorcida sem o reconhecimento da importância “do outro” no crescimento da personalidade.

Existem vários pesquisadores de grande importância dentro do movimento humanista citados por Greening (1975, p. 78), como Gordon Allport (grande teórico americano da personalidade), Rollo May (que introduziu a abordagem existencial na Psicologia americana e a desenvolveu em termos de originalidade criadora), Carl Rogers, cujo mandato terapêutico é “respeito incondicional” pelo cliente; Erich Fromm, o mais influente dos neofreudianos, que se transferiu da Psicanálise para o movimento da Filosofia Social e

Crítica Cultural, Henry A. Murray e Charlotte Bühler. Contudo, apesar de todos terem contribuído significativamente para o desenvolvimento dessa vertente, um merece ser reconhecido como “pai espiritual” do movimento humanista em Psicologia: Abraham Maslow. Desta forma será abordado os pressupostos teóricos apresentados por alguns autores humanistas, dentre esses Maslow, levando em consideração a sua importância para o movimento humanista e, principalmente, as suas valiosas contribuições para o meio empresarial, especialmente no que se refere ao entendimento do comportamento humano e motivação no trabalho.

A Teoria proposta por Maslow foi construída a partir de sua experiência de aproximadamente 20 anos no trabalho com psicoterapia, assim, este pesquisador apresentou poucos estudos empíricos e científicos sobre suas descobertas. Entretanto, autores como Vergara (2003, p. 44) e Spector (2004, p. 201) afirmam que a Teoria de Maslow continua sendo amplamente aceita pelos atuais gerentes empresariais e, ainda, utilizada na compreensão acerca da satisfação das pessoas no ambiente de trabalho.

[...] o primeiro dos teóricos que merece especial destaque é Abraham Maslow, que, embora partindo de uma experiência clínica com vista à busca do ajustamento humano, acaba por propor uma orientação teórica que enriqueceu sobremaneira todos os trabalhos posteriores que visaram detectar objetivos motivacionais em situação de trabalho (BERGAMINI, 1982, p. 116).

Na edição do Livro “Maslow no Gerenciamento” (2000, p. 1) Peter Drucker faz a seguinte colocação: “este é o mais importante livro de Maslow e, sem dúvida, o de maior alcance no tempo. Exerceu um impacto duradouro sobre minhas idéias.”

As idéias de Maslow, continuam a exercer influência na administração atual, especialmente, no que se refere ao entendimento do comportamento motivacional.

Maslow (1966, p. 27) em seu livro Introdução à Psicologia do Ser apresenta o conceito da Motivação de Deficiência e Motivação de Crescimento. O autor construiu esses conceitos a partir dos dados obtidos ao longo de seus 12 anos de trabalho com psicoterapia e de 20 anos de estudo sobre a personalidade. A motivação de deficiência é caracterizada pela presença de uma necessidade básica, que acontece se:

- a sua ausência gera doença; - a sua presença evita doença; - a sua restauração curar a doença;

- em determinadas situações de livre escolha, for preferida a outras satisfações pelo indivíduo;

- for comprovadamente inativa, num baixo nível, ou funcionalmente não estiver presente em uma pessoa sadia.

Além dos fatores citados, o autor acrescenta duas características subjetivas: o desejo consciente ou inconsciente, e a sensação de carência de algo que falta.

Essas necessidades é que constituem, essencialmente, deficits no organismo,por assim dizer, buracos vazios que devem ser preenchidos a bem da saúde e, além disso, devem ser preenchidos de fora por outros seres humanos que não sejam o próprio sujeito; e é às que eu chamo necessidades de déficit ou de deficiência para os fins dessa exposição e para situá-las em contraste com outra e muito diferente espécie de motivação (MASLOW, 1966, p. 49).

A teoria humanista proposta por Maslow, apresenta diferenças entre a vida motivacional de pessoas sadias, ou seja, pessoas motivadas por necessidades de crescimento em contraste com as que são motivadas pelas necessidades básicas. Segundo o autor (1966, p. 52), as pessoas sadias que satisfizeram as suas necessidades básicas de segurança, filiação, amor, respeito e amor-próprio, de forma que se tornam primordialmente motivadas para a individuação, ou auto-realização. Essa última, é definida como o processo da busca de realização de potenciais, capacidades e talentos. O autor aponta as treze as capacidades clinicamente observadas em pessoas sadias:

1. Percepção superior da realidade

2. Aceitação crescente do eu, dos outros e da natureza 3. Espontaneidade crescente

4. Aumento de concentração no problema

5. Crescente distanciamento e desejo de intimidade 6. Crescente autonomia e resistência à enculturação

7. Maior originalidade de apreciação e riqueza de reação emocional 8. Maior freqüência de experiências culminantes

9. Maior identificação com a espécie humana

10. Relações interpessoais mudadas (o clínico diria, neste caso, melhoradas) 11. Estrutura de caráter mais democrática

12. Grande aumento de criatividade

13. Certas mudanças nos sistemas de valores (MASLOW,1966, p. 52).

A individuação é considerada um processo dinâmico presente durante toda vida. Assim, o processo de crescimento e busca dessa está presente e desenrolando-se o tempo todo na vida de uma pessoa. O processo de individuação caracteriza-se, conforme o autor, como uma busca contínua do “Vir a Ser”.

Maslow (1966, p. 57) afirma que as diferentes necessidades básicas estão inter- relacionadas numa ordem hierárquica, de uma forma em que a satisfação de uma necessidade provoca o aparecimento na consciência de outra “mais alta”, ou seja, a carência e o desejo

continuam, mas em nível superior. Para as pessoas predominantemente motivadas para o crescimento, a satisfação gera uma crescente motivação, uma excitação intensificada, pois o crescimento é em si mesmo um processo compensador e excitante.

Em relação a hierarquia das necessidades, Schermerhorn (2001, p. 87) afirma que quando esta é analisada em culturas diferentes, as diversidades de valores são apresentadas. Assim, em algumas comunidades, algumas necessidades tendem a motivar mais do que em outras. A compreensão de como elas influenciam a motivação em culturas diferentes poderá ser aumentada através de novas pesquisas.

Existe diferença entre a motivação de deficiência e motivação de crescimento no que se refere à sua relação de dependência e independência com o meio. Para Maslow (1966, p. 61), o homem motivado pela deficiência deve temer mais o seu ambiente já que existe a possibilidade de que o meio não o ajude na satisfação de suas necessidades. De outro lado, o indivíduo capaz de individuação, aquele que por definição satisfez as suas necessidades básicas, é muito menos dependente, pois as determinantes que as governam são agora, primordialmente, de natureza interna em vez de sociais e ambientais. Logo, para o autor (p. 208), a melhor maneira para desenvolver essa natureza superior é satisfazer e preencher primeiro a natureza inferior.

Já está suficientemente demonstrado que o ser humano possui, como parte da sua construção intrínseca, não só necessidades fisiológicas, mas também psicológicas. Podem ser consideradas deficiências que devem ser satisfeitas de forma ótima pelo meio ambiente, a fim de evitar a doença e o mal-estar subjetivo. [...] Mas essas necessidades ou valores estão mutuamente relacionados de um modo hierárquico e desenvolvimentista, numa ordem de vigor e prioridade. A segurança é uma necessidade mais prepotente, ou mais forte, mais premente e mais vital do que o amor, por exemplo, e a necessidade de alimento é usualmente mais forte do que uma ou outra. Além disso, todas essas necessidades básicas podem ser consideradas, simplesmente, passos no caminho da individuação geral, sob a qual todas as

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