5.4 Análisis y resultados más significativos
5.4.4 Las ventajas internas: las fortalezas
No âmbito mundial, as décadas de 60 e 70 foram importantes no desenvolvimento da quimioterapia, que historicamente é um tratamento mais recente em relação à radioterapia e à cirugia.
Segundo o médico pioneiro da Quimioterapia do HOL, Dr. José Luiz de Amorim Carvalho, em palestra alusiva aos 95 anos de fundação do ‘Ophir Loyola’, o primeiro procedimento quimioterápico ocorreu em 5 de junho de 1977, ano que marca o início da quimioterapia no Hospital e a formação inicial do Serviço de Oncologia Clínica (informação verbal).
Inicialmente circunscrita a um amplo salão com três leitos e cinco poltronas onde eram realizadas as aplicações em caráter ambulatorial, a Divisão passou por várias transformações e, desde 2001, funciona num complexo de espaços anexo ao prédio central, incluindo o setor de consultórios, e outro mais amplo, onde se localizam as salas de procedimentos, de preparação de medicamentos, o posto de enfermagem, a farmácia, o espaço de recreação e
ensino, a área de lazer, entre outros. Recentemente, também foi criada a Oncoclínica, um setor de apoio à Quimioterapia, que serve de suporte para eventuais intercorrências relacionadas ao tratamento ou mesmo à doença, permitindo atendimento em caráter hospitalar.
A mudança do ambiente físico da Divisão permitiu a ampliação do número de procedimentos realizados, ficando em torno de 3.500 sessões ao mês, com uma média de 1.500 doentes atendidos mensalmente, segundo informações da enfermeira responsável pela supervisão geral. Se comparada a outros locais onde realizei as entrevistas, esta Divisão é o local que concentra o maior fluxo de doentes, além de ser o único espaço a atender crianças, o que justifica as pinturas e adereços usados na decoração.
Atualmente a Divisão de Quimioterapia comporta três ramificações: a Oncologia Clínica, a Oncohematologia e a Oncopediatria, sendo que as duas primeiras utilizam formas de tratamento do câncer que operam pela utilização de substâncias químicas inseridas na corrente sangüínea, método conhecido como "quimioterapia antineoplásica". No entanto, a oncologia clínica se detém mais nos tumores sólidos e a oncohematologia é voltada ao tratamento das leucemias e linfomas, formas da doença que atingem especialmente a produção de células do sangue. Por esse motivo, as entrevistas foram feitas com dois profissionais de cada área. A Oncopediatria não é objeto do presente estudo por estar destinada ao atendimento de crianças e porque a considero uma variável com peculiaridades próprias.
A quimioterapia pode ser indicada antes ou após uma cirurgia, ou isoladamente, sem que haja indicação cirúrgica, ou em conjunto com outros tipos de tratamento. A indicação do tipo de tratamento depende de vários fatores, incluindo o tipo de tumor, localização e estágio da doença. Este procedimento é realizado em grande parte de forma ambulatorial, sendo que algumas vezes os doentes retornam durante vários dias até que sejam realizados os ciclos do tratamento. As substâncias são aplicadas freqüentemente de forma intravenosa ou diluídas em soro47, e dependendo do tipo utilizado, podem gerar uma série de efeitos adversos que
comprometerão a produção de células sangüíneas e a condição geral do doente. Em certos casos, os doentes são internados para receber a medicação, situação bastante comum em relação à oncohematologia.
A Divisão é composta por profissionais com formação em Oncologia Clínica, Oncohematologia e Oncopediatria que, junto com outros membros da equipe, desenvolvem suas atividades de segunda a sábado, e nos feriados, em regime de plantão. Os médicos,
enfermeiros e técnicos em enfermagem constituem a maioria dos profissionais da equipe, que também conta com uma asssitente social, uma pedagoga e uma recreadora, sendo que as duas últimas desenvolvem atividades com crianças e adolescentes que recebem tratamento quimioterápico no Hospital.
Com o avanço das técnicas medicamentosas, muitos efeitos adversos da quimioterapia se tornaram contornáveis e o tratamento, menos desgastante em relação ao passado. Entretanto, em virtude do uso contínuo de certas drogas nas sessões, constantemente os doentes associam determinadas substâncias a seus efeitos colaterais, dando origem a classificações por ordem de eficácia e força que servem para discriminar os resultados desses medicamentos sobre o corpo (BOLTANSKI, 1989). Embora o nome das drogas não seja conhecido pela maioria dos doentes, os médicos relataram que costuma haver referência em relação à cor vermelha, identificada como mais “forte” e, portanto, mais “eficaz”.
Na quimioterapia, o doente permanece vinculado ao tratamento por um período relativamente longo e contínuo que e, em alguns casos, continua mesmo após o fim das sessões. Em vista disso, o contato entre os médicos da Divisão costuma ser mais prolongado em relação aos demais, podendo se estender por um período de cinco anos ou mais, como nos casos de leucemia atendidos pela oncohematologia, em que o doente é monitorado por meio de exames periódicos mesmo após a finalização do tratamento.
Diferentemente dos outros setores onde foram realizadas as entrevistas, o termo “droga”, sinônimo de remédio ou medicação, é utilizado com muito mais freqüência pelos informantes dessa Divisão, motivo pelo qual optei pela sua utilização quando mencionei os relatos. Outra característica marcante em relação à Divisão refere-se ao fato de que a equipe médica é predominantemente composta por mulheres, ao contrário da Clínica Cirúrgica. Em relação ao grupo pesquisado, todas as informantes eram do sexo feminino.
Os informantes da Quimioterapia associaram freqüentemente a cura do câncer aos estágios iniciais apesar de que, no caso do HOL, segundo uma das quimioterapeutas, aproximadamente 50% dos doentes ingressa no tratamento em uma fase avançada da doença, portanto, sem chances de cura.
4 O DIAGNÓSTICO E O TRATAMENTO DO CÂNCER COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL